Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

14/03/2009

Do 'blog do Cruz'

 

DINHEIRO PÚBLICO


Izabelle Torres
Da equipe do Correio Braziliense


Contratos irregulares na pasta do Esporte

Auditoria no Programa Segundo Tempo revela que pelo menos três entidades que receberam verbas do ministério não tinham condições para honrar os convênios. TCU multa envolvidos e investiga supostas fraudes 
 

Submerso em uma onda de suspeitas de má aplicação dos recursos e de irregularidades nos convênios com instituições sem fins lucrativos,
o Programa Segundo Tempo, carro-chefe do Ministério do Esporte, está na mira do Tribunal de Contas da União (TCU).

Ontem, o órgão concluiu que em pelo menos três dos convênios celebrados entre 2005 e 2006, o ministério colocou dinheiro público nas mãos de entidades que não tinham condições técnicas, físicas e financeiras de cumprir os objetivos estabelecidos pelo programa.

Duas dessas instituições, coincidentemente, têm em seus quadros de coordenação pessoas ligadas ao PCdoB: partido que comanda a pasta do Esporte.

Segundo o relatório do ministro André de Carvalho, dois convênios firmados com a instituição Rumo Certo — da qual um dos monitores, Paulo Vieira, integra o PCdoB — apresentaram irregularidades.

Com um custo de mais de R$ 5,4 milhões, a instituição recebeu o aval — e o dinheiro — do ministério, mesmo não demonstrando capacidade de cumprir as diretrizes operacionais do programa e tampouco uma estrutura física para atender às mais de 3 mil crianças, como prometia um dos termos do acordo.

Apesar das irregularidades e do processo de investigação aberto pelo TCU há dois anos, o ministério liberou para a instituição mais de R$ 1,7 milhão somente no ano passado.

Na lista de convênios com irregularidades consta um firmado com a ONG Viva Rio.

O Ministério do Esporte repassou R$ 6,1 milhões para a entidade, que conseguiu executar menos da metade do que previa a proposta, por falta de estrutura técnica e operacional.

Segundo o relatório do TCU, os funcionários do governo federal que autorizaram o convênio o fizeram sem analisar as condições da instituição para cumprir as metas.

A incapacidade não seria difícil de ser notada, visto que o maior projeto já realizado pela Viva Rio anteriormente alcançava apenas 10% do total de beneficiários previstos no acordo.

Como quase tudo na gestão desses recursos parece ter uma forte influência política, com a Viva Rio não é diferente.

O gestor do convênio, Ribamar Pereira, é ligado a pessoas do PCdoB e faz parte dos quadros do PT.

A terceira entidade citada no relatório do TCU publicado ontem é a Movimento Resgate e Ação.

De acordo com o ministro André de Carvalho, o Convênio 254/2006, no valor de R$ 2,9 milhões, foi assinado sem levar em consideração a falta de estrutura para que a instituição cumprisse o que foi acordado.

O TCU ainda investiga se houve desvio dos recursos repassados por meio do Segundo Tempo.

Um novo relatório deve ser divulgado no final do mês.

Multa

A falta de critérios adotada pelo ministério rendeu punição aos gestores dos convênios investigados.

Seis servidores terão de pagar multa de R$ 2 mil cada um por terem cometido atos antieconômicos que resultaram em danos ao erário.

Foram responsabilizados: Rafael Aguiar, Francisco Monteiro, Gianna Lepre, João Ghizoni e Julio Cesar Soares.

Todos terão de pagar a multa no prazo de 15 dias contados de ontem. Os servidores ainda podem apresentar recursos.

O Ministério do Esporte não quis explicar as irregularidades apontadas pelo TCU.

Por e-mail, a assessoria de imprensa disse que o órgão estava impedido de se pronunciar, visto que o acórdão do tribunal não mostrou as razões expostas pelo ministro-relator.

Minutos depois, enviou outra resposta afirmando apenas que as eventuais irregularidades apontadas no relatório de fiscalização do TCU foram objeto de manifestação oficial do ministério no processo.

Irresponsabilidade

O ambiente no Ministério do Esporte piorou desde quinta-feira, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou o relatório mostrando irregularidades no uso do dinheiro do programa Segundo Tempo.

A situação ficou tão ruim que até a criação da Secretaria Nacional de Futebol, que seria um dos atos na solenidade de sexta-feira, no Palácio do Planalto, foi adiada.

Conforme reportagem publicada hoje no Correio Braziliense, da repórter Izabelle Torres (veja, acima), alguns convênios do Segundo Tempo foram firmados com instituições que não tinham a mínima condição de executar os projetos.

Mesmo assim, o dinheiro saiu à vontade.

Em resumo, é assim que funciona o "maior projeto social esportivo do mundo", como costuma dizer Orlando Silva.

Na hora de divulgar as estatísticas, menciona que mais de um milhão de crianças são atendidas.

Agora, o TCU constata que essa estatística é irreal.

A irresponsabilidade com o dinheiro público tem deixado envergonhados muitos funcionários de carreira do Ministério do Esporte, que garantem nunca terem visto nada igual na gestão do dinheiro público, naquele órgão. 
 

http://www.dzai.com.br/blog/blogdocruz 

Por Juca Kfouri às 19h44

Sábado no Parque

Palmeiras e Barueri fizeram um primeiro tempo até atraente, mas sem gols.

O jogo, aliás, tinha aquela cara de que o grande martelaria o pequeno até o fim, mas não faria gol.

Aí, no segundo tempo, Luxemburgo lançou mão de Lenny, no lugar de Sandro Silva, e a cara do jogo mudou.

Em sua sétima chance de gol, Keirrison desencantou, depois de vertiginosa jogada de Diego Souza, aos 20.

Lenny causou a expulsão de Flávio quatro minutos depois e as coisas ficaram mais simples.

Aos 30, foi a vez de Diego Souza fazer belo gol, em complemento à jogada brilhante de Lenny, pela direita, com direito à caneta na zaga contrária.

Finalmente, aos 45, Pierre fez mais um lindo gol, para completar outra bela troca de passes do Palmeiras.

Que saiu aplaudido por mais de 13 mil pagantes no Palestra Itália, numa bela tarde de sábado em Parque Antarctica.

Por Juca Kfouri às 18h08

Só com a mão o Mengo é campeão

Se o time de basquete do Flamengo matou um leão por dia e ganhou o campeonato sul-americano, na Argentina, mesmo com quatro meses de atraso salarial, o time de futebol não foi capaz de matar o Tigre, e só empatou, 1 a 1, no Maracanã.

O Flamengo saiu atrás numa falha de Bruno, castigo pela bobagem que fez com Andrade no meio da semana, empatou com Josiel e até pênalti perdeu com Leo Moura.

No segundo tempo, tentou, tentou, mas ficou nisso.

É feia a crise.

Por Juca Kfouri às 18h02

Burocracia, as delicadas e os canzarrões

Por WALTER FALCETA JR

Julia, adolescente delicada, comparece ao estádio de vez em quando, com seu pai, Omar, que também encara essa aventura de vez em quando, se lhe sobram tempo e recurso.

Esses contra-parentes, pessoas civilizadas, compõem a saudável diversidade da plateia futebolística.

São o chamado público-família, em falta nas arenas esportivas.

Agora, de acordo com a vontade do ministro Orlando Silva, entretanto, esses dois alegres palestrinos devem embarcar num pesadelo orwelliano caso desejem continuar a frequentar o Parque Antártica.

Serão fichados, carimbados, selados, avaliados e rotulados.

O argumento para a criação da Carteira do Torcedor é, como sempre, a cínica proposta autoritária: troque um naco de sua liberdade por segurança.

Todavia, indaga-se: será que a paz nos estádios depende realmente de mais um passaporte?

Faltam-nos, na verdade, bons equipamentos de vigilância, arquitetura adequada, policiais bem treinados, sistema apropriado de aplicação da lei e trabalho educativo, principalmente com os jovens.

Se as câmeras flagram um cidadão que atira uma pedra contra o bandeira, basta que os agentes de segurança o detenham e o encaminhem ao braço da lei.

Existem já inúmeros documentos, como RG, CPF, CNH, entre outros, que permitem a identificação do meliante eventual ou contumaz.

Logicamente, o sistema burocratizado não intimida os canzarrões.

Estes, certamente, terão suas carteiras de torcedor no primeiro dia de emissão.

As vovós animadas, as tias curiosas, os executivos necessitados de espairecimento, entretanto, encontrarão mais um obstáculo se quiserem oxigenar socialmente as praças esportivas.

Este público da saudável diversidade tende a rarear nos estádios, cada vez mais reservado aos canzarrões cadastrados.

Cabe destacar que o Estado já coleciona inúmeras atribuições, como na Saúde e Educação, e admira ver que assumirá outras responsabilidades no cadastramento oneroso de milhões de pessoas.

Fato é que alguém pagará por esse delírio de controle, seja o já castigado torcedor, seja o Estado.

E alguém certamente lucrará com a emissão das marcas no gado.

O presidente Lula, irmão corintiano, provou já muitas vezes do júbilo de torcer no estádio.

Viveu as virtudes de amor incondicional, da decisão espontânea, da construção natural, e não agendada, da experiência comunitária.

Que ele seja, portanto, coerente com o que pensa, propõe e pratica.

Julia, Omar e outros milhões de livres apaixonados pelo esporte agradecem.

*Walter Falceta Jr é jornalista.

Por Juca Kfouri às 08h40

13/03/2009

Está no 'Globo' de hoje

Renato Maurício Prado já tinha dado a informação abaixo na CBN EC de ontem, e deu também em sua coluna no "Globo" de hoje:

"Não foi à toa que a Fifa adiou em dois meses a definição das 12 cidades que deverão ser sedes da Copa do Mundo de 2014, no Brasil — o anúncio aconteceria no próximo dia 20 e agora será em maio.

Relatório técnico da Fifa diz que o Brasil não tem 12 cidades em condições mínimas de abrigar jogos do Mundial. Na maioria delas, faltam condições básicas, como rede hoteleira, de hospitais e de transportes em padrões compatíveis com os exigidos pela entidade máxima do futebol.

A famosa sede do Pantanal, por exemplo, está seriamente ameaçada: nem Cuiabá, nem Campo Grande foram consideradas aptas pelos inspetores da Fifa — que se mostram especialmente incomodados com as mais variadas pressões de políticos para eleger esta ou aquela cidade.

É a primeira vez na história das Copas que a definição das sedes e sub-sedes foi adiada.

E já há quem creia que, diante das dificuldades, o Brasil terá que se contentar com as tradicionais 10 cidades para hospedar as partidas de 2014."

Por Juca Kfouri às 13h07

A carteirinha do torcedor

Desde que presidiu a UNE, o hoje ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., adora uma carteirinha.

E agora ele propõe uma para o torcedor que, sem ela,  promete, não poderá entrar num estádio no ano que vem.

Teremos, enfim, o torcedor cadastrado, o que não é má idéia, embora seja pouco provável que seja bem sucedida assim, da noite para o dia.

A verdade é que a providência tarda, embora, reconheçamos, melhor tarde do que nunca.

Acontece que a identificação do torcedor já poderia ser feita hoje na compra do ingresso, que pode ter um chip e o diabo a quatro, como permite a moderna tecnologia.

A coisa mais parece espuma, puro marketing, como tantas medidas prometidas para controlar a violência nos estádios e imediações, sem  sucesso nos últimos anos.

Por Juca Kfouri às 00h09

Um passeio no deserto Morumbi

O São Paulo gosta tão pouco do Paulistinha que permitiu ao Mirassol ser melhor que ele até perto dos 40 minutos do primeiro tempo, no deserto do Morumbi, com 5 mil torcedores.

Mas, aí, Borges, sempre ele, recebeu um senhor passe de Jorge Wagner, sempre ele, e fez 1 a 0.

O São Paulo nem merecia, mas já vencia.

Em seguida, Washington pegou um rebote de uma belo chute de Junior César e ampliou, para liquidar o jogo ainda na primeira metade.

A segunda começou com uma expulsão no time visitante e com um passe de Hernanes, como se fosse Jorge Wagner, para Jorge Wagner, como se fosse Borges ou Washington, fazer 3 a 0 de cabeça.

Mais tarde, Washigton, como se fosse ele mesmo, ainda fez 4 a 0, depois de escanteio batido por Hernanes, também, justiça seja feita, como se fosse ele mesmo.

Como fez 5 a 0, em linda jogada de Junior César, em noite inspirada, complementada com arte pelo centrovante, com direito à matada no peito.

E mais não houve, nem precisava.

Washington fez três e o São Paulo manteve o terceiro lugar.

Imagine se o São Paulo gostasse do Paulistinha.

Por Juca Kfouri às 23h34

Te cuida, Palmeiras

O Colo-Colo triturou a LDU, em Santiago, por 3 a 0.

Foi a seis pontos em nove disputados e se igualou ao Sport que, no entanto, tem seis em seis.

A LDU ficou só com seus três pontos, ganhos exatamente sobre o Palmeiras, que não tem nenhum em dois jogos.

O problema é que o Palmeiras não só terá o Sport em sua próxima partida, na Ilha do Retiro, como enfrentará o Colo-Colo no Chile.

Está difícil.

Por Juca Kfouri às 23h27

Santos se complica

O Santos fez um péssimo primeiro tempo na Vila Belmiro vazia (apenas 4 mil torcedores) e perdeu do Paulista por 1 a 0, com um gol do meio da rua que Fábio Costa aceitou.

Neymar entrou no segundo tempo e, a exemplo do que já havia feito em sua estréia no Pacaembu, mudou a cara do jogo.

O 1 a 0 seguia no placar, mas já era uma flagrante injustiça, porque só dava Santos e o goleiro do time de Jundiaí, André Luís.

Aos 40, enfim, Roni, que lutou feito um bravo, enfiou a cabeça para empatar.

Ainda não era justo, mas, ao menos, deixava de ser uma baita injustiça.

Mas havia tempo para virar, porque o jogo iria até os 48 minutos.

Havia, mas não houve.

E o Santos voltou a ficar fora do G4, ao ceder seu lugar para o Santo André. 

Por Juca Kfouri às 23h23

12/03/2009

Vasco encerra jejum no Estadual do Rio e goleia o Botafogo

Estava no ar, no CBN EC, e não pude ver.

Mas registro. E saúdo: Viva, Vascão!

Do UOL Esporte
No Rio de Janeiro

Num jogo bem disputado, o Vasco goleou o Botafogo por 4 a 1, nesta quinta-feira, no Maracanã, pela segunda rodada da Taça Rio, segundo turno do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Elton (2), Léo Lima e Carlos Alberto fizeram os gols da equipe cruzmaltina, que chegou ao seis pontos, na liderança do grupo A. Já Thiaguinho marcou para o Alvinegro, que segue com três, na chave B.

Com a vitória, o Vasco, enterrou um jejum de vitórias sobre o Botafogo em Estaduais do Rio de Janeiro. O Cruzmaltino não superava o rival desde a edição de 2002. Já eram nove partidas, com quatro empates e cinco derrotas.

Na próxima rodada, curiosamente, os dois times estarão em ação na Região dos Lagos. O Vasco vai até Saquarema enfrentar o Boavista, neste domingo, às 16h, enquanto o Botafogo, também no mesmo dia, mas no horário das 18h30, pega a Cabofriense, em Cabo Frio.

A partida começou e o Vasco logo abriu o placar. Aos dois minutos, após passe de Carlos Alberto, Elton tocou na saída de Renan. O gol desestruturou o Botafogo. O Cruzmaltino, por sua vez, novamente com Elton, quase aumentou o marcador.

O Botafogo só se acertou quando Jean Carioca perdeu uma boa chance na frente de Tiago. A partir daí, o jogo ficou equilibrado e com ótimas oportunidades para as duas equipes. O Vasco teve uma excelente com Elton, mas Renan salvou o Alvinegro. O camisa 1 cruzmaltino não ficou atrás do seu companheiro de profissão e fez uma grande intervenção, na falta cobrada por Juninho e na sobra de Alessandro.

Apesar do bom futebol apresentado, algumas jogadas "foram do comum" aconteceram no primeiro tempo. Tanto que o árbitro Rodrigo Nunes de Sá aplicou oito cartões amarelos. Cinco para o Vasco (Fernando, Nílton, Jéferson, Alex Teixeira e Elton) e três para o Botafogo (Fahel, Emerson e Alessandro).

O segundo tempo não começou tão elétrico como o primeiro tempo. Porém, na primeira chance real, o Vasco, aos 15, aumentou novamente por intermédio de Elton. Dois minutos depois, após falta violenta em Gabriel, Nílton, que já tinha amarelo, levou cartão vermelho e deixou o Cruzmaltino com um a menos em campo.

A expulsão do jogador do Vasco fez com que Ney Franco colocasse o Botafogo para cima. Tanto que o treinador trocou Jean Carioca e Léo Silva por Laio e Diego, respectivamente.

O Botafogo, então, foi com tudo e deixou espaços para o Vasco contra-atacar. Com isso, aos 37, Gabriel cometeu pênalti e foi expulso. No minuto seguinte, com paradinha e tudo, Léo Lima, voltando ao time cruzmaltino, marcou o terceiro. Porém, o jogo ainda apresentaria mais emoção. Aos 43, após falta violenta em Paulo Sérgio, Diego foi expulso. Aos 46, para fechar com chave de ouro, Carlos Alberto anotou o quarto do Vasco e deu números finais ao clássico, visto por 32 mil torcedores.

Por Juca Kfouri às 21h35

Por que um ou outro?

Por GUSTAVO BARCELLOS

Perguntado por um jornalista sobre a não-convocação do meia Ramires, Dunga saiu-se com esta:

"Para chamar o Ramires eu teria que deixar o Kaká de fora. O que você acha disso?"

Não sei o que o jornalista respondeu. Se fosse comigo, eu teria respondido o que eu acho.

Eu acho que todo treinador tem direito a convocar quem quiser, em função do esquema de jogo que ele pretende implantar, e que esta seria a resposta de um verdadeiro treinador de futebol.

Eu acho que a resposta de um verdadeiro treinador de futebol explicaria e convenceria não só o jornalista, mas todos os que possivelmente pensem como ele. E não devem ser poucos.

Eu acho que a não-convocação de um jogador, porque isso implicaria na desconvocação de outro, é um argumento pueril e imaturo, que soa como despreparo de uma pessoa que sequer pensa em conceitos como variação tática, alternância de funções, flexibilidade do esquema, ou, para não usar só termos elaborados, que sequer pensa na regra três.

Eu acho, Dunga, que se você fosse um técnico razoável - nem precisa ser bom, razoável está de bom tamanho - convocaria os dois, nem que fosse para testar no treino.

Eu acho que, se você fosse um bom técnico - nem precisa ser ótimo, bom já dá - pensaria num jeito de aproveitar os dois no time. Mesmo que não fosse para começar jogando, apenas uma maneira de mudar o time, numa situação específica.

Eu acho que, se você fosse um grande treinador, o Brasil estaria em primeiro na classificação, jogando um futebol vibrante, convincente e vitorioso, pois jogadores para isso a Seleção tem.

Eu acho que a Seleção carece de um técnico melhor, com o perdão do pleonasmo.

E, por último, eu acho que o Brasil teve sorte de ter, nas eliminatórias da Copa de 70, técnicos da estirpe de um Saldanha, de um Zagallo.

Eu acho que, se o técnico fosse o Dunga, Pelé, Tostão e Rivelino jamais teriam jogado juntos.

Mas ninguém me perguntou. Então deixa.


*Gustavo Barcellos, publicitário de São Paulo, queria o Hernanes na Seleção.

Por Juca Kfouri às 21h26

Como reconhecer um Boada?

Por ROBERTO VIEIRA

Faleceu aos 88 anos, Josep Boada, o torcedor número 1 do Barcelona.

Torcedor número 1 mesmo!

Com direito a carteirinha e tudo.

Boada que era sócio do clube catalão desde os dois anos de idade.

Boada que freqüentou o Nou Camp até o ano passado.

Boada que nos traz a memória antigos torcedores brasileiros.

Apaixonados. Monogâmicos. Singelos.

Como a corintiana Elisa Alves do Nascimento.

Elisa que nunca vaiou o Timão.

Ou Dulce Rosalina, símbolo do Vasco da Gama.

Primeira chefe de torcida do futebol brasileiro.

Dulce eternizada como nome de rua em São Januário.

Lembra também o alvirrubro Zequinha, o tricolor Bacalhau e o rubro negro Zé do Rádio.

Lembra Salu da Bandinha, tão santista que fazia aniversário no mesmo dia de Pelé.

Os Boadas do futebol parecem uma espécie em extinção.

Não existe torcida de boada organizada.

Eles não brigam, não vaiam, não ameaçam, não trucidam.

Apenas torcem e acreditam.

Vestem-se nas cores da sua paixão.

Como reconhecer um Boada?

Simples!

Tem muito torcedor armado até os dentes que se imagina um Boada.

Mas é fácil reconhecer a falsificação.

Boada vive armado.

Mas vive armado tão somente de sonho e paixão!

 

Por Juca Kfouri às 13h24

1 a 0 foi pouco para o Grêmio

O Grêmio ganhou pela primeira vez na Colômbia, na altitude de Tunja, 1 a 0, gol de Souza batendo falta, aos 31 do primeiro tempo.

Ainda no primeiro tempo, mandou bola na trave e poderia ter feito mais dois gols no campeão (apertura) colombiano, Boyacá Chicó.

Como no segundo tempo.

Ganhou de pouco, mas ganhou, com inteira justiça e bravura.

E na hora em que acertar a pontaria, goleará seus adversários nesta fase da Libertadores.

Por Juca Kfouri às 23h51

Pelos estaduais

Na volta de Parreira, no Maracanã, o Flu derrotou o Volta Redonda por 2 a 1.

Já em Volta Redonda, o Flamengo ganhou fácil do Duque de Caxias, 4 a 2, depois de fazer 4 a 0.

E o Palmeiras, mais com um misto do que seus titulares, saiu atrás do Ituano, em Itu, mas empatou com Lenny.

Tudo dentro dos conformes.

Por Juca Kfouri às 23h47

Ronaldo, simplesmente

Com 35 segundos de jogo Ronaldo arriscou de fora da área e o goleiro do Azulão defendeu bem.

Aos 7 minutos, perdeu gol feito, pela esquerda, em passe de André Santos.

Isolado na frente e marcado por dois zagueiros, foi desarmado algumas vezes, com facilidade.

Viu o adversário fazer 1 a 0 aos 21 e André Santos empatar em seguida, num lindo gol de fora da área.

Foi para o vestiário depois de uma atuação normal no primeiro tempo, mas voltou para o segundo.

Que disputou até os 30 minutos.

Ficou em campo 78 minutos e deu seu lugar a Escudero.

Saiu delirantemente aplaudido por 30 mil fiéis.

Porque antes, aos 5 do segundo tempo, pegou de primeira sua primeira bola nos 45 minutos finais para virar o jogo, em cruzamento de Dentinho.

O que aconteceu depois pouco importa.

Ronaldo progrediu mais duas, três casas em sua caminhada em mais um retorno ao futebol.

Até onde vai?

Parece que vai longe.

Em tempo: acabou 2 a 1 para o Corinthians.

 

Por Juca Kfouri às 23h34

11/03/2009

Que queda o PVC viu?

De Fortaleza, o blogueiro Antonio Coelho, e fã do PVC, não resistiu à piada e pergunta:

"O PVC tem dito que foi testemunha de um momento histórico.

Qual?

c) A queda do Império Romano;

b) A queda da Bastilha;

c) A queda do Muro de Berlim;

d) A queda dos juros no Brasil;

e) A queda do alambrado em Presidente Prudente".

Por Juca Kfouri às 18h11

O inimigo de Ronaldo

Ronaldo disse no programa "Bem, amigos", da Sportv, que tem um inimigo na CBF.

Mas não disse o nome.

Ricardo Teixeira, ontem, negou a existência desse inimigo e garantiu que não há veto a Ronaldo.

Que veto houve, houve, logo depois do fiasco de 2006, quando, para tirar o corpo fora, o cartola elegeu Ronaldo como bode expiatório.

E inimigo também há.

Com nome, Rodrigo, e sobrenome, Paiva, diretor de comunicação da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo de 2014.

Ele foi assessor de imprensa de Ronaldo e ambos romperam relações logo depois do grotesco casamento do craque com Daniella Cicarelli, em 2005.

De lá para cá, Paiva gosta de divulgar as enrascadas de Ronaldo e de dizer que no tempo em que ele o assessorou tais coisas não aconteciam, o que, aliás, é a pura verdade.

Ele diz, ainda, e com razão, que depois que passou a assessorar Ricardo Teixeira o número de bobagens cometidas pelo cartola também diminuiu.

Mas que o inimigo é ele é ele.

Nem ele pode negar.

Em tempo: falar-se agora em Seleção Brasileira para Ronaldo é mais que botar a carroça à frente dos bois, é ir com sede demais ao pote, que é de barro.

Foto Hipólito Pereira

Copa de 2002: Ronaldo e Paiva, amigos

Por Juca Kfouri às 03h15

Eça de Queiroz e a língua dos outros

Ontem, no CBN EC, li o trecho abaixo de Eça de Queiroz (em "A correspondência de Fradique Mendes", um de seus heterônimos) e muitos ouvintes, imediatamente, pediram que fosse publicado no blog.

Esta feita, portanto, a vontade soberana do ouvinte.

O texto, de fato, é brilhante.

Mas, por favor, não o leve ao pé da letra.

Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: - todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.

Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; - e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização.

Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna, com as suas influências afectivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter.

Por isso o poliglota nunca é patriota.

Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir.

O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo.

Rue de Rivoli, Calle d’Alcalá, Regent Street, Willelm Strasse - que lhe importa?

Todas são ruas, de pedra ou de macadame.

Em todas a fala ambiente lhe oferece um elemento natural e congénere, onde o seu espírito se move livremente, espontaneamente, sem hesitações, sem atritos.

E como pelo Verbo, que é o instrumento essencial da fusão humana, se pode fundir com todas - em todas sente e aceita uma Pátria.

Por outro lado, o esforço contínuo de um homem para se exprimir, com genuína e exacta propriedade de construção e de acento, em idiomas estranhos - isto é, o esforço para se confundir com gentes estranhas no que elas têm de essencialmente característico, o Verbo - apaga nele toda a individualidade nativa.

Ao fim de anos esse habilidoso, que chegou a falar absolutamente bem outras línguas além da sua, perdeu toda a originalidade de espírito - porque as suas ideias, forçosamente, devem ter a natureza, incaracterística e neutra, que lhes permita serem indiferentemente adaptadas às línguas mais opostas em carácter e génio.

Devem, de facto, ser como aqueles «corpos de pobre» de que tão tristemente fala o povo - «que cabem bem na roupa de toda a gente».

Além disso, o propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras, constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiro.

Há ai, diante dele, como o desejo servil de não sermos nós mesmos, de nos fundirmos nele, no que ele tem de mais seu, de mais próprio, o Vocábulo.

Ora isto é uma abdicação de dignidade nacional.

Não, minha senhora!

Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros!

Mesmo porque aos estrangeiros o poliglota só inspira desconfiança, como ser que não tem raízes, nem lar estável - ser que rola através das nacionalidades alheias, sucessivamente se disfarça nelas, e tenta uma instalação de vida em todas, porque não é tolerado por nenhuma.

Com efeito, se a minha amiga percorrer a Gazeta dos Tribunais, verá que o perfeito poliglotismo é um instrumento de alta escroquerie.

Por Juca Kfouri às 02h52

Hoje tem Ronaldo? Tem, sim senhor!

Mano Menezes confirmou que Ronaldo jogará 45 minutos.

Só não disse se começa jogando ou entra no segundo tempo.

Aposto na segunda hipótese.

O Pacaembu estará lotado, já com quase 30 mil ingressos vendidos.

E não será nem por causa do Corinthians nem muito menos por causa do São Caetano ou do Paulistinha.

Será só por causa de Ronaldo.

Queiram ou não os não-corintianos, a notícia, a atração é Ronaldo.

E se há uma coisa que jornalista não pode fazer é brigar com os fatos.

E tome Ronaldo!

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 11 de março de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.      htm

 

Por Juca Kfouri às 01h46

10/03/2009

Que tem, louco?!

O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, está indignado.

Alguém inventou que ele nomeou o truculento Paulo Serdan, da Mancha Verde, para as categorias de base do clube.

"Um factóide sem pé nem cabeça", reagiu o dirigente.

Por Juca Kfouri às 19h39

O descanso de Ronaldo

Domingo o dia foi de Ronaldo.

A segunda-feira, por causa do domingo de Ronaldo, foi todinha também só dele.

Hoje é terça, dia de descansar de Ronaldo, já que ele precisa treinar, e muito, e porque deverá estar em campo, lotado, na quarta-feira, no Pacaembu, contra o São Caetano.

Melhor mesmo descansar dele nesta terça.

Vai que a quarta volte a ser de Ronaldo, o que tornará a quinta-feira outro dia de Ronaldo, quem aguentará?

Pois é.

Ele está voltando.

Agora aguenta.

De minha parte, prometo não falar mais de Ronaldo nesta terça-feira.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 10 de março de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm  

Por Juca Kfouri às 00h39

09/03/2009

Uma notícia, uma lembrança

A notícia

"Depois de seis meses de investigação a respeito de fraude em contrato de compra e manutenção de 191 viaturas da Polícia Militar da Bahia, a Operação Nêmesis prendeu 12 pessoas no último dia 5 de março entre empresários da empresa Julio Simões, lobistas e representantes do alto escalão da PM.

Jaime Palaia Sica e William Laviola executivos prepostos da empresa Julio Simões chegaram a Salvador (BA) às 9h45 e foram ao Bradesco no Iguatemi onde sacaram o montante de R$ 46 mil que serviria de propina para pagamento dos envolvidos no esquema de fraude do contrato.

Do Bradesco os executivos da empresa Julio Simões, Jaime Palaia Sica e William Laviola, se dirigiram para a avenida Estados Unidos onde fica o escritório do lobista.

Nesse local os executivos permaneceram por 45 minutos.

Na saída Jaime Palaia Sica e William Laviola foram abordados pela Policia e presos.

A seguir a Polícia os conduziu para o escritório do lobista.

Lá outros envolvidos foram presos.

No local, com mandado judicial, a Policia apreendeu computadores, celulares e o dinheiro que serviu de pagamento de propina.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia promete "uma devassa" nas contas do empresário Fernando Simões, diretor presidente da Júlio Simões Transporte e Serviço, que teve o sigilo bancário e fiscal quebrados por determinação da Justiça.

Avalia-se que tenha havido má gestão de nada menos que R$ 38 milhões de dinheiro público.

A Júlio Simões terceiriza também as frotas das PMs do Rio de Janeiro e Minas Gerais."

A lembrança

No setor de terceirização de frotas, a mesma empresa Júlio Simões, de Mogi das Cruzes (SP) forneceu e operou, com seus motoristas, os 455 carros oficiais utilizados nos Jogos Pan-Americanos Rio 2007.

Segundo um ex-funcionário da empresa, por valores bem acima dos de mercado.

Por Juca Kfouri às 14h32

O bonde Ronaldo

Por ANDRÉ RIBEIRO*

A velha história dos "deuses" dos estádios repetiu-se mais uma vez, no clássico mais esperado do campeonato paulista.

Todos, até mesmo os não- corintianos, queriam ver o Fenômeno em campo contra o arquirrival Palmeiras, no estádio de Presidente Prudente.

Muitos ficaram frustrados no primeiro momento porque o craque "redondo" foi para o banco de reserva, aguardar o destino que parecia já traçado por alguma força superior.

Ronaldo e Leônidas da Silva, o popular Diamante Negro, têm muitas coisas em comum.

Predestinados, ídolos, craques, reis da bola, deuses dos estádios.

E como a história conspira a favor desses homens!( se é que podemos considerá-los assim)

Ronaldo e Leônidas despertaram para o futebol no mesmo lugar, o modesto carioca São Cristóvão.

Sumiram dali para fazer história e fama em todo o planeta.

Ronaldo, mulherengo, exatamente como o velho Diamante.

Ronaldo, gordo, em sua estréia no clube com a segunda maior torcida do país.

Leônidas, gordo, em sua estréia, no dia 24 de maio do distante, 1942. O jogo era contra o Corinthians, estádio do Pacaembu absolutamente lotado, recorde de público, mais de 70 mil pessoas no estádio, todos para ver a "jóia" rara do futebol brasileiro em sua primeira partida.

Fora do estádio, também não havia quem não quisesse saber o que Leônidas faria em campo.

O jogo terminou empatado, 3 a 3, e apesar da boa atuação, o Diamante Negro não marcou, e pior do que isso, ganhou o apelido de "bonde", um jogador que custou uma fortuna para o São Paulo, mas que estava visivelmente fora de forma.

Leônidas virou motivo de gozação e sarro de todas as torcidas rivais.

Com Ronaldo Fenômeno, a história se repetiu. Quem o viu na "estreia" contra o Itumbiara chegou a conclusão que dificilmente o velho Fenômeno poderia voltar a brilhar, era um bonde.

Até que chegou o momento de entrar em campo contra o Palmeiras.

Leônidas, duas semanas após a estreia frustrada contra os corintianos, teria outro clássico pela frente, contra o mesmo Palmeiras que Ronaldo enfrentou.

E o que ninguém poderia sonhar acontecer...aconteceu.

Dos poucos registros existentes gravados sobre o velho Diamante Negro restou a gravação inesquecível do locutor da rádio Record, Geraldo José de Almeida, com o gol antológico marcado por Leônidas: "O bonde, o bonde de 200 contos fez um gol de bicicleta".

O São Paulo perdeu a partida por 2 a 1, mas o que entrou para a história foi o gol marcado por Leônidas exatamente com sua "marca registrada", a bicicleta.

No Prudentão, os generosos "deuses" dos estádios reapareceram para unir os dois "gordos" geniais.

Se Geraldo José de Almeida estivesse vivo para narrar o gol do Fenômeno, com certeza repetiria o bordão:

"O bonde, o bonde de milhões de dólares, fez um gol fenomenal".

*André Ribeiro é jornalista e autor, entre outros livros, das biografias de Telê Santana e Leônidas da Silva.

 

Por Juca Kfouri às 10h23

Uma sequência assustadora

Fotos:Nike Futebol

Impossível ver e não lembrar de outros momentos de dor de Ronaldo.

Este, felizmente, ficou nisso.

Por Juca Kfouri às 08h23

Ronaldo Fenômeno e a literatura fantástica

Gabriel García Márquez, em sua infinita criatividade, nem em seu extraordinário "Cem anos de solidão" foi capaz de imaginar situações como as vividas por dois brasileiros.

Por mais que o Brasil não tenha nenhum escritor que se inscreva no topo da literatura fantástica latino-americana, o país é pródigo em ser mais fantástico  que a literatura.

Que outro país, por exemplo, tem um episódio como o de Tancredo Neves, o presidente que foi sem jamais ter sido?

E que outro país tem um ídolo como Ronaldo.

Depois de ter desafiado a realidade duas vezes, eis que ontem ele foi personagem de acontecimentos que beiram não só o fantástico, mas como, também, o surreal.

Entrou em campo num jogo aparentemente perdido para mudá-lo da água para o vinho, em apenas 31 minutos e cinco participações impressionantes.

Sofreu uma falta clara não marcada na entrada da área, deu um drible desconcertante num adversário, mandou um balaço no travessão do Palmeiras, deu um passe da linha de fundo para quase o empate corintiano, e, para coroar, marcou de cabeça, nos acréscimos o gol da vitória, da sua vitória.

O que será daqui para frente ao futuro pertence.

Mas o que já aconteceu em Presidente Prudente é suficiente para dizer que ele não é desse mundo.

Porque ninguém como Ronaldo tem sido capaz de fazer o real parecer um sonho ou fazer de um sonho realidade.

Como a morte de Tancredo Neves, a vida de Ronaldo confunde o que é verossímil com o inverossímil.

Amanhã, quando alguém contá-la, se não estiver muito bem documentada, haverá quem diga que é exagero.

Ainda bem que a vida dele em campo está toda gravada.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 10 de março de 2009. 

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 00h00

08/03/2009

Douglas acertou

Depois do que aconteceu em Presidente Prudente, não há como negar: Douglas fez muito bem em não passar para Ronaldo marcar em Itumbiara.

Porque a importância do gol no dérbi é simplesmente incomparável.

Ah, sim, e quem bateu o escanteio para o gol de Ronaldo foi ele, Douglas.

Por Juca Kfouri às 18h49

A minoria acertou

De mais de 2200 respostas, só 17,45% acertaram o empate no clássico paulista.

44,57% apostaram no Palmeiras e 37,98% no Corinthians.

Por Juca Kfouri às 18h47

Vitória de Ronaldo

Sob um calor de rachar mamona em Presidente Prudente, 35 graus, só houve dois momentos de futebol nos primeiros 45 minutos do dérbi.

Aos 15, na melhor participação de Cleiton Xavier, sua cobrança de escanteio resultou em forte cabeçada de Maurício para boa defesa de Felipe.

O outro, aos 32, aconteceu quando Sandro Silva deu belo chapéu em Christian.

De resto, dois esquemas parecidos cujos objetivos eram os de impedir que o jogo fluísse, marcação cerrada o campo todo, sem parar.

Resultado: Keirrison não jogou, Souza não jogou, embora tenha participado mais que o artilheiro palmeirense, Douglas e Cleiton Xavier não criaram nada, assim como Elias e Diego Souza passaram em branco.

Só se via William, Chicão, Escudero, Danilo, Maurício, Pierre, destruindo, destruindo e destruindo.

E irritantes erros de passes dos dois lados.

Marcão, lento, não suportou correr atrás do jogo de tico-tico de Jorge Henrique e logo levou um cartão amarelo.

Luxemburgo mandou Danilo marcar o corintiano e o problema foi resolvido.

Ficou a expectativa de que o jogo começasse no segundo tempo.

Mais de 44 mil torcedores, recorde do Paulistinha, mereciam mais.

O Palmeiras lançaria Willians e Lenny para ganhar rapidez?

Ronaldo entraria?

Os dois times voltaram iguais para o segundo tempo.

Mas o Palmeiras, aparentemente, com mais vontade de vencer.

E logo aos 4 minutos, Keirrison deu uma puxeta, quase da intermediária, para dentro da área corintiana e Felipe saiu caçando borboleta, numa falha bizarra que Diego Souza teve calma para aproveitar e abrir o placar.

Emoção, enfim!

Em seguida, Elias obrigou Bruno a fazer ótima intervenção.

Dentinho entrou no lugar de Souza.

Ventava em Presidente Prudente, até ameaçava chover, e o jogo mudou de feição.

Felipe, por exemplo, fez outra boa defesa em bola colocada por Keirrison, a primeira do menino.

Aos 18, Ronaldo entrou no lugar do truculento Escudero, que levou seu quinto cartão amarelo em cinco jogos, um despautério.

Willians substituiu Diego Souza.

Alessandro entrou na vaga de Fabinho, aos 20.

Tudo ou nada para o Corinthians e prudência alviverde, com a entrada de Jumar no lugar de Sandro Silva.

Aos 25, Ronaldo é derrubado na entrada da área e o árbitro nada marca.

Aos 33, mandou um petardo no travessão palmeirense.

Já tinha feito muito mais que Souza...

Ainda, aos 41, foi à linha de fundo e deu com açúcar para André Santos cabecear e Bruno fazer outra bela defesa.

Aos 43 Fabinho Capixaba foi expulso e Marquinhos entrou no lugar de Keirrison, em seguida.

Já nos acréscimos, Douglas bateu escanteio pela direita e Ronaldo empatou de cabeça, que não é o seu forte.

Enlouquecido, com todo direito, ele correu para o alambrado que não resistiu e veio abaixo.

Era o empate com cara de vitória.

Vitória de Ronaldo, sem dúvida.

Por Juca Kfouri às 18h04

Desabafo no Dia da Mulher

Por NORBERTO AMARAL*

Enquanto a Fifa comemora o crescimento da participação feminina no futebol, e abre os olhos para o mercado que representa mais de 50% da população do planeta, o Brasil continua marchando na contra-mão da história.

Em 2008, a diretoria do Corinthians, o clube mais popular do sudeste do País, no meio do trauma gerado pela queda da equipe masculina à Série B do Brasileiro, anunciou com toda a pompa a criação de uma das mais fortes equipes de futebol feminino do país.

Trouxeram o ex-treinador das Seleções do Brasil e Venezuela, Ademar Júnior, e craques da nova e da velha guarda da modalidade, como a experiente capitã Juliana Cabral, a artilheira Nildinha, a estrela Cristiane, e a bela musa Renatinha, dentre tantas outras boas jogadoras.

Chegaram a promover a visita da melhor jogadora do mundo, Marta, ao Parque São Jorge, com diversas promessas de uma possível contratação.

O ano passou, a equipe se firmou dentre as quatro grandes do estado com apenas três meses de trabalho, e erros administrativos impediram um avanço maior no cenário nacional.

O Timão certamente estaria dentre os finalistas da Copa do Brasil, se os diretores que agora descartaram as guerreiras do alvi-negro, tivessem obedecido o regulamento e utilizado apenas as atletas registradas pelo Bid da CBF nas datas previstas pelo regulamento.

Quando todos esperavam por um Corinthians mais forte em 2009, a agora badalada diretoria que trouxe Ronaldo e levou o Timão de volta à Série A do Brasileirão, enrolou as craques do feminino por três meses, e no início de março simplesmente colocou no olho da rua algumas das maiores jogadoras que o Brasil conheceu.

Como desculpa, usaram um acordo ridículo com a inexpressiva equipe de São Caetano, que sequer participou de competições oficiais em 2008, que utilizará a gloriosa camisa do Timão sem custos para a diretoria.

Dessa maneira, as meninas do elenco de 2008 ficaram três meses sem salários, esperando pelo retorno aos treinos prometido pelos diretores, e ao retornarem ao clube foram informadas que estavam desempregadas, assim como a comissão técnica.

Foram usadas para entreter a torcida num dos piores momentos da história do Corinthians, e simplesmente descartadas quando já não eram mais necessárias.

Esse tratamento humilhante dispensado à mulher infelizmente está se tornando comum no futebol brasileiro.

Há algumas semanas, um dirigente do Fluminense, ao enaltecer o técnico Renê Simões, não pensou duas vezes antes de ofender à todas as atletas da Seleção Feminina Vice-Campeã e Olímpica e Mundial, às quais qualificou como portadoras de dois neurônios.

O que revolta ainda mais a quem se preocupa com os direitos e valorização da mulher, é que os salários de todo o elenco feminino do Corinthians, somado aos vencimentos da Comissão Técnica, não chegam a 50% do salário de uma única estrela do futebol masculino do Timão, e nem isto os dirigentes do Parque São Jorge querem destinar às meninas!

Outro aspecto nebuloso deste fato, é que um grupo de diretores do Corinthians associado a uma conhecida universidade paulista, aparece por trás desta verdadeira tramóia, proporcionando para seus parceiros uma forma barata de associar o nome da entidade ao Corinthians, sem que sequer se preocupem com a qualidade das atletas e da comissão técnica.

Um dia, as mulheres brasileiras seguirão o exemplo das desportistas americanas, e sairão às ruas para boicotar os produtos dos patrocinadores das equipes masculinas que exploram e denigrem o trabalho feminino.

Com quedas nas vendas, essas empresas talvez se preocupem em ensinar aos dirigentes do futebol masculino do Brasil que respeito e igualdade à mulher não são apenas uma concessão eventual daqueles que vivem no universo masculino, mas uma necessidade básica e um direito fundamental num mundo moderno e altamente competitivo.

Se o ato cometido pelos dirigentes do Corinthians tivesse ocorrido nos Estados Unidos, o clube estaria neste momento perdendo seus principais patrocinadores, e certamente envolvido em dezenas de ações judiciais de reparação.

Mas aqui no nosso Brasil, nada acontece.

E as nossas guerreiras continuam sua triste sina pelo direito básico de sobreviver dignamente da prática do futebol.

E como desabafou a nossa grande Capitã Juliana: "Até quando? E para quê?"

Além da mais profunda indignação contra toda a forma de discriminação, só resta torcer para que as filhas e sobrinhas dos atuais dirigentes corintianos encontrem em seus caminhos homens melhor preparados e mais justos em seus ambientes de trabalho do que aqueles que conhecem no ambiente familiar.

*Norberto Amaral é jornalista.

Por Juca Kfouri às 13h59

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico