Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

21/03/2009

Sassaricando no sábado à noite

Confesso que entre jogar fora a noite de sábado com esses horários malucos que inventaram agora para o futebol e ir ao teatro, escolhi a segunda opção.

E parece que não perdi muito.

Primeiro porque tanto a torcida do Fluminense como a cidade de Guaratinguetá devem ter feito a mesma escolha, pois havia apenas 11 mil pessoas para ver Fred e companhia contra o Bangu, no Engenhão, e 8 mil no Vale do Paraíba para ver o Palmeiras sem Keirrison.

O Bangu saiu na frente no primeiro tempo, o Flu virou com Fred no segundo e ainda fez 3 a 1.

O Guaratinguetá também saiu na frente no primeiro tempo, mas, no segundo, Diego Souza empatou de pênalti.

O Fllu segue 100% na Taça Rio e Verdão invicto no Paulistinha.

Já o teatro valeu a pena.

Não perca, você que mora em São Paulo , a peça que já fez muito sucesso por onde passou: Sassaricando.

Faz tempo que queria ver, desde que estreou no Rio, mas o CBN EC e o futebol aos sábados e domingos sempre impediam.

Pois hoje me dei ao direito de ficar menos burro e fui.

Valeu. E como!

Está no teatro Procópio Ferreira, na rua Augusta, até meados de abril.

Um musical de primeiríssima lembrando as marchinhas imortais de nossos carnavais, com um grupo de instrumentistas impecáveis e seis cantores raros, além da inteligência e bom humor da concepção do espetáculo.

Nota 10! 

Por Juca Kfouri às 22h54

Diego Tardelli, o melhor

Com mais de 20 mil respostas, Diego Tardelli, do Galo, com 53% deixou Keirrison para trás.

Tomara que ele, de fato, como promete, tenha amadurecido e não seja, com em vezes anteriores, apenas um cometa.

Porque futebol, sem dúvida, Tardelli tem.

E não pode decepcionar a torcida do Galo que aposta tanto nele.

Por Juca Kfouri às 18h20

O grande jogo!

O maior duelo alvinegro do futebol contado por dois historiadores fanáticos

Celso Unzelte e Odir Cunha

Conversa de botequim de alto nível

Para contar a história do clássico mais antigo de São Paulo - jogado pela primeira vez em 22 de junho de 1913 - e da maior rivalidade alvinegra do futebol, a Editora Novo Século convidou os jornalistas, escritores e historiadores Celso Unzelte, corintiano, autor de Almanaque do Timão, e Odir Cunha, santista, autor de Time dos Sonhos, a história completa do Santos F. C., Donos da Terra, a história do primeiro título mundial do Santos, "Na Raça!, como o Santos se tornou o primeiro bicampeão mundial" e Pedrinho escolheu um time.

Na verdade, Celso já começa polemizando, pois diz que no começo nem era clássico, porque "o Santos ainda não era time grande".

Odir retruca, dizendo que podia não ser clássico para a imprensa de São Paulo, mas o Santos já tinha um grande time, com craques de Seleção, como Arnaldo, Millon e Haroldo, tanto que ficou de 1913 a 1919 sem perder uma partida oficial para o Corinthians.

Pode ter demorado, mas quando começou a ganhar do Alvinegro Praiano, o Corinthians pegou gosto pela coisa.

Liderado pelo craque Neco, o clube que veio da várzea de São Paulo passou a conquistar títulos e manter ampla vantagem sobre o Santos, chegando a goleá-lo na Vila Belmiro por 11 a 0.

Um resultado contestado por Odir.

Ao Santos restava a alegria de vitórias esporádicas.

Está certo que algumas delas foram acachapantes, como os 8 a 3 em pleno Parque São Jorge, em 1927, quando os santistas tinham o "ataque dos 100 gols".

Também na Fazendinha o Santos venceu por 2 a 0, em 1935, e comemorou seu primeiro título paulista (o Corinthians já tinha oito estaduais no currículo).

Antes de voltar a ser campeão paulista, o Santos veria seu rival ganhar mais sete títulos estaduais.

Só mesmo com a chegada de Pelé, na segunda metade dos anos 50, é que a situação começou a mudar.

E mudou tão radicalmente que o Corinthians ficou 11 anos sem vencer o Santos em Campeonatos Paulistas, o tabu mais comentado do futebol brasileiro.

Enquanto Pelé jogou no Santos, o Corinthians não foi campeão.

Depois, porém, foi a vez do troco corintiano.

Em 1975 o tabu virou de lado e foi a vez de os santistas sentirem na pele o que é passar anos a fio sem o gostinho de uma vitória sobre o rival.

Nos anos 80 e 90 o domínio corintiano prosseguiu, tranqüilo, com um céu de brigadeiro interrompido por esporádicas nuvenzinhas chamadas Guga ou Serginho - este o autor do gol de canela que deu o título paulista para o Santos em 1984.

Só mesmo em 2002, com o surgimento da geração Robinho, Diego & Cia., é que o Santos mudou novamente a história dos confrontos com o Corinthians.

Desde então, a supremacia voltou para o Alvinegro Praiano, apesar de alguns reveses sentidos, como os humilhantes 7 a 1 no Brasileiro de 2005.

Bem, dita assim a história desta rivalidade parece dividida em blocos bem definidos, mas na verdade ela sempre foi cheia de nuances.

Uma fase melhor nunca garantiu a vitória de um time sobre o outro.

Quando ambos se encontram, o futebol vive um de seus momentos mais intensos.

Não é à toa que Pelé considera Santos e Corinthians o grande jogo do futebol.

Jornalistas e pesquisadores precisos, Celso Unzelte e Odir Cunha não deixam de ser também apaixonados pelo futebol e por seus times do coração, o que torna este O grande jogo! ao mesmo tempo um livro histórico sobre uma das maiores rivalidades do futebol e também um pretexto para deliciosas e acirradas discussões sobre os fatos mais polêmicos das partidas entre estas duas grandes equipes brasileiras.

Como em um botequim de alto nível, mesmo depois de momentos em que se perdeu a calma e até se apelou para a ironia para defender seus pontos de vista, no final preponderou o respeito entre estes ilustres aficionados - respeito que, fazem questão de afirmar, deve prevalecer sempre, mesmo entre torcedores imersos em tanta rivalidade.

Ao longo de 95 anos de batalhas, Corinthians e Santos escreveram alguns dos capítulos mais belos e dramáticos da história do futebol brasileiro.

Você está convidado a mergulhar nesta história pela voz, memória e coração de Celso Unzelte e Odir Cunha.

O livro será lançado em abril, no Museu do Futebol, tem 176 páginas e custa R$ 29,90.

Por Juca Kfouri às 14h45

20/03/2009

Aos incréus

Por Juca Kfouri às 21h19

Por que a Batavo

Muita gente estranhou a presença do presidente do Corinthians na festa de 63 anos do ex-ministro José Dirceu.

Estranhou por desconhecer que Andrés Sanchez sempre fez parte do baixo clero do PT.

Muita gente também estranhou a Batavo como nova patrocinadora do Corinthians, quando o Carrefour era dado como certo.

Para isso também existe uma explicação.

A Batavo é do grupo Perdigão, que é controlado pela Previ, a Caixa Previdenciária dos funcionários do Banco do Brasil, que tem, como principal acionista, 14,15% das ações da empresa, como a Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, tem 12,04% e é a segunda maior acionista.

O presidente da Previ é indicado pelo presidente do Banco do Brasil que é, naturalmente, do Partido dos Trabalhadores.

Desnecessário dizer que o presidente do Banco do Brasil é nomeado pelo presidente do Brasil.

Que, por sua, também é redundante informar, torce pelo glorioso SC Corinthians Paulista.

Elementar.

Por Juca Kfouri às 17h39

O vestido rosa de Heitor

Por ROBERTO VIEIRA

 

Corria o ano de 1979 na cidade de Cruzeiro do Norte.

O time local lutava pra não cair pra segunda divisão.

Foi quando o técnico teve uma idéia brilhante:

O pior do treino vai se vestir de mulher.

Com brincos e vestido cor de rosa.

Os jogadores se olharam surpresos.

Mas ordem é ordem, não tem o que discutir.

Foi quando o craque do time começou a errar chute.

Mandar cobrança de pênalti pra fora.

Levar drible por baixo das pernas. O escambau.

Foram trinta minutos de perna de pau.

O treinador foi obrigado a entregar o vestido e os brincos pra Heitor.

O nome do tal centroavante.

Heitor que renasceu em campo.

Deu passe pra gol. Fez tento de bicicleta.

Parou de levar bola debaixo das 'saias'.

Virou Pelé.

No final do treino, sob aplausos gerais, Heitor agradeceu comovido.

Mas tinha um pedido a fazer:

Será que da próxima vez podia usar batom e salto alto?

Por Juca Kfouri às 12h17

Bodas de ouro

Imagine que você vai jantar em um lugar que já frequentou muito, mas mais de 20 anos atrás.

E que na hora em que entra no restaurante quem o recebe é o mesmo chefe, o Alencar, que o recebia quando você ia a uma outra casa que nem existe mais onde existia, na Vila Nova Conceição, o Spaghetti Notte.

E ele conta que o dono do Santa Colomba há 16 anos e que vai preparar a mesma massa ao dente que você sempre apreciou.

Se não bastasse, das primeiras pessoas que você encontra no jantar fechado para comemorar os 50 anos da conquista do título mundial de basquete, no Chile, é o cirurgião, ou melhor, o artista, o artesão, o mágico,  Jorge Ishida, que lá está por achar que joga basquete..., embora seja mesmo uma pessoa a quem devo eterna gratidão, autor da reconstrução do palato e dos lábios de meu segundo filho,  Daniel.

E, de quebra, Amaury Pasos,  Edson Bispo dos Santos, Jathyr, Pecente, Waldyr Boccardo, Wlamir Marques, seis remanascentes do grupo de 12 campeões, também representados pela viúva e um dos filhos do eterno Rosa Branca.

Que noite carinhosa!

Quando cheguei, o presidente da Associação dos Veteranos de Basquete do Estado de São Paulo (AVEBESP), Airton Dudzevich, disse que me faria uma surpresa.

Eis que na hora de entregar os troféus comemorativos das bodas de ouro de nossa primeira grande conquista no basquete, eu sou chamado para entregá-lo a ninguém menos que Wlamir Marques.

Pronto!

Queria mais o quê?

Mas teve mais.

Pude conhecer o Paulista, único jogador do Rio de Janeiro a estar na seleção que, quatro anos depois, no Maracanzinho, seria bicampeão mundial, ao lado de 11 jogadores que atuavam em São Paulo.

Mas o "Paulista", de Sorocaba, era ele, coisa que meus colegas de ginásio tinham dificuldade em entender.

Paulista desenvolve hoje um lindo trabalho com crianças basqueteiras no Rio.

E revi Mindaugas que, ao lado do seu irmão Radvilas, ambos lituanos, brilhou no EC Sírio e  hoje está à frente de um lindo projeto, o GIBI, Grupo de Iniciação de Basquete Infantil, para mais de 40 mil crianças,  que depende apenas de aprovação pela Lei de Incentivo ao Esporte, embora já em funcionamento, no peito e na raça, pelo interior de São Paulo.

Pensa que acabou?

Quase ao fim de cerimônia, depois de tocantes discursos de Wlamir, de Amaury que foi homenageado por ser o primeiro atleta brasileiro no Hall of Fame da FIBA, de Édson, e depois que foi entregue ao Saulo, filho de Rosa Branca, o diploma com o título post mortem de benemérito da AVEBESP, eis que sou chamado e agraciado, também, com igual honraria.

"Porque você é um dos nossos", ouvi.

Que coisa!

Vou ficar impossível.

Que noite! 

Em tempo: uma turma tão carinhosa que ainda mostrou, num vídeo, a reprodução da minha carteirinha de federado na Federação Paulista de Basquete, em 1964, quando comecei a jogar no CA Paulistano.

Em tempo 2: houve, também, uma saudação a um dos poucos políticos que o Brasil tem motivos para ter saudades e que, eu nem sabia, ajudou muito o basquete: Mário Covas.

Em tempo 3: e que coisa boa, não tinha Nuzman, não tinha Grego...

Por Juca Kfouri às 10h39

O jogo do velho novo contra o novo novo

O grande jogo de domingo, pelo jogo em si, será no Pacaembu, entre Corinthians e Santos, ou melhor, entre a velha novidade Ronaldo e a nova novidade Neymar.

Sim, teremos também um Flamengo e Vasco, mas um endividado rubro-negro de ônibus novo com placas de Resende e o novo Vasco em busca de se livrar de uma herança maldita, sem saber como.

É provável que o Maracanã receba mais torcedores que o Pacaembu, porque o velho Maracanã é o grande Maracanã e o velho Pacaembu é o pequeno Pacaembu. 

Mas jogo que pode fazer história é mesmo o do Paulistinha, para torcedor nenhum botar defeito.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 20 de março de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

 

Por Juca Kfouri às 01h30

19/03/2009

Euforia santista

Por RODINI

Por Juca Kfouri às 15h43

Por que a Inglaterra rejeitou a Carteira de Torcedor

Por  OLIVER SEITZ*


Antes de mais nada, não acredito que o projeto da Carteira do Torcedor será implementado.

A rejeição à idéia e os empecilhos técnicos e práticos são tão grandes que acho difícil que o discurso passe da sua fase retórica.

De qualquer maneira, é preciso aplaudir a intenção do Governo Federal.

Pelo menos, mostram preocupação com o estado dos estádios do Brasil e com a integridade do torcedor.

Tornar a ação de cambistas e os tumultos dentro do estádio em crimes, além de elevar o nível de exigência estrutural dos estádios, é salutar.

O cadastramento de torcedores, porém, pode ser um grande equívoco.

E não estou dizendo isso baseado em um "achismo" qualquer ou considerando algumas variáveis soltas para a construção de um pensamento superficial.

Não. Estou reproduzindo o que foi dito por um dos maiores responsáveis pela melhoria de segurança dos estádios britânicos, Peter Murray Taylor, também conhecido como "Lord Justice Taylor".

Estudos sugerem que o hooliganismo sempre existiu no futebol britânico, mas começou a ficar em maior evidência a partir dos anos 60, atingindo seu ápice em 70 e 80.

A escalada de violência nos estádios do Reino Unido foi tamanha que começou a afetar não apenas os residentes locais, mas também a ter consequências para a Europa continental.

Por conta disso, o hooliganismo arranhou a imagem internacional do Reino Unido, que passou a ser visto por todos como um país de violentos arruaceiros.

Não ajudou em nada a Tragédia de Heysel, uma briga generalizada entre torcedores do Liverpool e da Juventus em 1985, que resultou em 39
mortes.

O problema para o Reino Unido foi que desses 39 mortos apenas um era britânico.

Outros dois eram franceses, quatro belgas e, pasmem, 32 eram italianos.

Foi um massacre britânico.

Logicamente que o Reino Unido passou a ser mal-visto pelos seus vizinhos.

Insuflada por esse acontecimento, a primeira-ministra britânica Margareth Thatcher disse que o hooliganismo tinha se tornado "um
problema crônico" na ilha.

Algo precisava ser feito.

E, condizendo com a sua própria ideologia da redução da liberdade individual e aumento do controle do Estado sobre o cidadão, a "Dama de Ferro" sugeriu a criação da carteira de identidade dos torcedores de futebol (National Membership Scheme) no Football Spectators Act (FSA), em 1989.

A reação da opinião pública foi imediata.

O argumento principal contra a medida se baseava na crítica à ideologia da proposta, de identificar o cidadão perante o Estado.

Afinal, por que o Estado precisa saber se você vai ou não a um jogo de futebol? Não fazia sentido.

Poucos meses depois da divulgação do FSA, aconteceu a maior tragédia do futebol britânico.

Na partida válida pelas semifinais da FA Cup entre Liverpool e Nottingham Forest, no estádio de Hillsborough, do Sheffield Wednesday, 96 torcedores do Liverpool foram massacrados contra as grades que separavam a arquibancada do campo.

A mídia tratou de achar culpados para o massacre.

A culpa, dizia-se, era dos hooligans. Estava tudo fora de controle. Eles precisavam ser contidos.

Para apurar de forma mais detalhada o que de fato havia levado 96 pessoas à morte, o governo lançou uma investigação que foi conduzida
pelo supracitado "Lord Justice Taylor".

Ao analisar com profundidade os fatos, Taylor concluiu que o problema em si não era os torcedores, mas sim as estruturas que atendiam essas pessoas.

Muito pior do que oshooligans, era a situação dos estádios britânicos.

Como exigir que as pessoas possam se comportar de maneira civilizada em um ambiente que não oferece as menores condições de higiene e segurança?

Para evitar que novas tragédias como Hillsborough viessem a se repetir, Taylor elaborou um documento com uma série de recomendações,
que ficou conhecido como Taylor Report.

Dentre essas recomendações -que incluíam a obrigação da colocação de assentos para todos os lugares do estádio, a derrubada das barreiras entre a torcida e o gramado e a diminuição da capacidade dos estádios - estava o cancelamento do projeto da carteira de identificação dos torcedores.

De acordo com Taylor, era bastante possível que a carteira de identidade viesse a aumentar o problema da violência, e não o contrário.

Além dos questionamentos sobre a real capacidade dos clubes conseguirem colocar em prática um sistema confiável de seleção de torcedores e sobre a confiança na tecnologia que seria utilizada, o argumento se baseava na idéia de que a carteira de identidade para torcedores não era uma ação focada na segurança, mas sim na violência.

E as tragédias nos estádios não era uma questão de violência, mas sim de segurança.

A própria polícia inglesa, que teoricamente seria a grande beneficiada com a carteira, rejeitou o projeto, que, por conta de tudo isso, foi abandonado.

E é aí que talvez resida o grande equívoco do projeto das carteirinhas do torcedor no Brasil.

É lógico que o problema da violência é grande, mas muito pior é o problema da insegurança.

Como exemplo, a última grande tragédia do futebol brasileiro, o buraco nas arquibancadas da Fonte Nova, só aconteceu porque o estádio estava literalmente caindo aos pedaços.

Naquela situação, a carteirinha de identificação não teria salvado as vítimas.

Uma melhor fiscalização nas reais condições do espaço e o fornecimento de uma estrutura apropriada para o público, certamente que sim.

É imprescindível que o Governo Federal busque maior aprofundamento para saber as reais consequências do estabelecimento da Carteira do Torcedor, sob risco de criar um monstro muito maior do que o atual.

Muitos dizem que, no Brasil, o torcedor é tratado como animal.

E quem é tratado como animal, age como animal.

Caso nada seja feito para melhorar a qualidade das estruturas e do serviço dos estádios do Brasil, o torcedor continuará sendo um animal, só que com uma carteirinha.

Um animal oficialmente reconhecido pelo governo.

Oliver Seitz é pesquisador do PhD em Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool, Inglaterra.


www.universidadedofutebol.com.br/Universidade09/Jornal/Colunas/Detalhe.aspx?id=10782

Por Juca Kfouri às 13h23

Os jogos da segunda fase da Copa do Brasil

Eis os jogos da segunda fase da Copa do Brasil, na qual ainda o time visitante que ganhar por dois gols de diferença na ida elimina o jogo de volta.

Vasco x Central-PE

Icasa-CE x Confiança-SE

Atlético-MG x Guaratinguetá

Vitória x Juventude

Corinthians x Misto-MS

Atlético-PR x ABC-RN ou Fast Clube-AM

Fluminense x América-MG ou Águia-PA

Goiás x Brasiliense

Botafogo x Americano-RJ

Ponte Preta x Figueirense

Santos x CSA-AL

Coritiba x Bahia-BA ou Potiguar-RN

Flamengo x Remo-PA

Paraná x Fortaleza

Internacional x Guarani

Náutico x Criciúma

Por Juca Kfouri às 00h28

São Paulo e Cruzeiro em busca de mais pontos

O São Paulo e o Cruzeiro ganharam do Defensor, do Uruguai, e do Universitário Sucre, da Bolívia.

O São Paulo, em Montevidéu, por 1 a 0, gol de Borges e deve agradecer aos céus, porque esteve muito perto de tomar o empate.

O Cruzeiro, no Mineirão, por 2 a 0, gols de Wellington Paulista, sem maiores sustos, mas sem jogar o que dele se esperava.

De bom mesmo, só a volta de Sorín ao time na Libertadores e um segundo tempo aceitável depois de um primeiro abaixo da crítica e diante de apenas 14 mil torcedores.

Seja como for, o Cruzeiro, em quatro jogos, tem 10 pontos e lidera seu grupo.

Como o São Paulo, que tem sete em três partidas.

Melhor que eles só o Sport, com seis pontos em dois jogos.

O time que fizer mais pontos na fase de grupos da Libertadores terá a vantagem de fazer o segundo jogo na fase de mata-mata sempre em casa.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 19 de março de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 00h18

E eu não vi mais um gol de Neymar

Quer dizer, ver, vi, mas não no momento em que aconteceu, aos 14 do segundo tempo, quando o Santos ainda só empatava com o acreano Rio Branco.

Belo gol, por sinal, com estilo, depois de pegar um rebote de um passe dele mesmo que bateu num zagueiro adversário.

Porteira aberta, o Santos fez mais três, um deles com o artilheiro Kléber Pereira, que voltou depois de longa recuperação e perdeu dois gols feitos, além de um pênalti, que bateu na trave e virou gol de Germano, no rebote, diante de apenas 1855 torcedores na Vila Belmiro.

O CSA das Alagoas será o adversário do Santos na segunda fase da Copa do Brasil.

Por Juca Kfouri às 23h45

São Paulo e Cruzeiro líderes sem jogar bem

Até os 30 minutos de jogo em Montevidéu o São Paulo foi mal.

Rodrigo e Junior César eram duas avenidas e o Defensor teve ao menos três chances de gol.

Até Rogério Ceni andou inseguro.

Depois do 30o. minuto, no entanto, o tricolor tratou de botar a bola no chão e passou a dominar a partida.

E em seu primeiro ataque realmente perigoso, aos 39, Jean enfiou belíssimo passe para o artilheiro Borges bater firme de esquerda, no ângulo, em belo gol: 1 a 0.

Não era o que o jogo mostrava, mas era o que, mais importante, o placar revelava.

Num gramado bom e num estádio mais vazio do que cheio, esperava-se mais do tricampeão da Libertadores.

Enquanto isso, surpreendentemente, o Cruzeiro sofria com o boliviano Universitário Sucre no Mineirão.

Um 0 a 0 decepcionante nos primeiros 45 minutos, com apenas dois momentos de emoção, um para cada lado.

Os segundos tempos começaram com um Cruzeiro mais disposto e agressivo.

Tão diferente do primeiro tempo que, com o perdão do mau trocadilho, mais parecia o Real.

Tanto, aos 10, Gérson Magrão, que era vaiado, invadiu a área, foi derrubado pelo goleiro, que deveria ter sido expulso, e fez 1 a 0, na cobrança do pênalti feita por Wellington Paulista.

Aos 17, o time boliviano ficou com 10 e os 14 mil torcedores presentes ao Mineirão apostaram que a goleada prometida, enfim, aconteceria.

Mas não aconteceu, nem precisava.

No fim, Wellington Paulista, pela esquerda, fez 2 a 0.

Esperava-se, enfim, um Cruzeiro melhor, mesmo que o bicampeão da Libertadores permaneça invicto em 2009.

O São Paulo também voltou melhor no ataque, embora ainda inseguro na defesa, prova de que, como temia Muricy Ramalho, André Dias faz muita falta.

O segundo tempo no Uruguai permaneceu indefinido até o fim, com algumas bobeadas da defesa brasileira que não são comuns e precisam ser corrigidas.

Na verdade, foi por pouco, muito pouco mesmo que o Defensor não chegou ao empate, embora Washington tenha perdido gol certo aos 40, como, aos 46, o Defensor perdeu outro, ainda mais claro.

Os três pontos neste jogo compensam os dois que o São Paulo deixou escapar no Morumbi, também injustamente, diante do Independiente Medellin.

São Paulo e Cruzeiro lideram seus grupos.

Os paulistas com sete pontos, os mineiros com 10, mas com um jogo a mais.

Por Juca Kfouri às 23h44

18/03/2009

O ridículo não tem limites

Um "inusitado bando de ofendidos" foi à polícia, imagine,  se queixar de estar sendo perseguido por este blogueiro.

Além do uso indevido de uma instituição pública para fins particulares, tal bando recebeu a resposta que merece.

 

O advogado Luís Francisco Carvalho Filho, do escritório Dias e Carvalho Filho Advogados, tratou de reduzi-los à sua ridícula insignificância.  

Divirta-se, pois, com a resposta dada aos pobres "perseguidos" por este jornalista entregue hoje na delegacia competente, não sem antes desculpar o blogueiro pela citação de nomes que ofendem a inteligência e os bons costumes:

 

Ilmo. Sr. Delegado Titular da 4ª Delegacia do DIG – Delitos por Meios Eletrônicos

Inquérito Policial nº 071/2008

O jornalista JOSÉ CARLOS AMARAL KFOURI, que profissionalmente assina JUCA KFOURI, assistido por seu advogado, nos autos do inquérito policial em epígrafe, vem perante V. Sa. para expor e requerer o seguinte:

1.

O peticionário foi intimado a "comparecer" a esta Delegacia em virtude de inquérito policial instaurado por requerimento firmado por Milton Neves Filho, Vanderlei Luxemburgo da Silva, Joaquim Paulo Grava de Souza, Juarez Soares Moreira, Fernando Capez, Olivério Braga Júnior e José Edgard Soares Moreira, por estar "de modo permanente e habitual servindo-se dos meios eletrônicos mais precisamente de seu ‘blog’, albergado na rede web, para, agindo em co-autoria [com Paulo Cezar de Andrade Prado] e de forma escancarada, COMETER CRIMES GRAVES CONTRA A HONRA DE TERCEIROS, notadamente contra a honra dos requerentes..." (sic)

Posteriormente, adotando um mesmo estilo de acusar, Fernando Antônio Vanucci Braz, traz representação mencionando além do blog do peticionário, hospedado no UOL, o programa que apresenta diariamente na rádio CBN (fls. 165/167).

Mais adiante, Milton Neves Filho, encaminha correspondência datada de 13.5.2008, juntando uma fita do programa do Raul Gil, na qual informa que não "tirou o chapéu" (sic) para Juca Kfouri, e pede à autoridade que identifique a autoria de e-mails remetidos para a ouvidoria da Rádio Bandeirantes, que, salvo melhor juízo, não se relacionam com os gravíssimos "delitos contra a honra" (fls. 203/234).

Milton Neves também ofereceu uma nova representação, contra "Paulinho de tal", pedindo a instauração de inquérito por crime contra a sua honra e "CONTRA TERCEIRO (sic), ESTE UMA AUTORIDADE POLICIAL E DIRETOR DO S.C. CORINTHIANS PAULISTA", além de suposta violação de sigilo telefônico –petição que foi juntada ao presente inquérito muito embora se tratasse de delito de natureza absolutamente diversa (fls. 240/242).

2.

O peticionário é jornalista profissional. Atualmente, é titular de coluna no jornal Folha de S. Paulo, tem blog que leva seu nome e está hospedado no UOL, é apresentador de programa diário na rede CBN de rádio e também atua em programas transmitidos pela emissora de TV ESPN-Brasil. Ao longo de quase de 40 anos de carreira profissional exerceu funções em diversos outros meios de comunicação, como TV Globo, TV Cultura e RedeTV. Foi diretor das revistas Placar e Playboy, ambas da Editora Abril. No exercício de sua atividade profissional, o peticionário tem agido com independência e espírito crítico –circunstância que eventualmente incomoda determinadas pessoas que, no âmbito do próprio jornalismo esportivo e de outras atividades ligadas ao esporte, tomam atitudes e tem práticas que considera inadequadas.

3.

"Paulinho de tal"

, como se referem as supostas vítimas a Paulo Cezar de Andrade Prado, não é "laranja" (sic) do peticionário. Trata-se, conforme apresentação juntada às fls. 12, de estudante de jornalismo que andava "contando os podres (tantos!) do Corinthians" e que por isso vinha sendo ameaçado... E, com efeito, o peticionário não precisa de "laranjas", "mexericas" ou "abacaxis" para fazer jornalismo. Sempre assinou o que escreveu, nunca deixou de reconhecer os erros que cometeu e sempre foi responsável pelas suas opiniões.

 

4.

O presente inquérito tem o propósito nítido de intimidar o peticionário. Não faz qualquer imputação real de delito contra a honra. Aposta na confusão, na generalidade –são páginas e páginas de cópias que nada esclarecem–, embaralha notícias, textos e supostas vítimas que se reúnem em um inusitado bando de ofendidos não para apurar fatos concretos, mas para tentar criar para o peticionário o que imaginam ser um constrangimento de natureza policial.

5.

Não há dúvida sobre a autoria e a materialidade dos escritos do peticionário. O inquérito policial é nesse contexto desnecessário. Crimes contra a honra e delitos de imprensa têm procedimentos específicos estabelecidos na lei e ignorados no presente inquérito. Se existisse, de fato, delitos contra a honra, as vítimas, em vez de se reunirem num esdrúxulo concurso intimidatório, teriam acionado o peticionário no juízo adequado e no prazo legal.

6.

O peticionário comparece à presença de V. Sa., em respeito à instituição, mas esclarece que, em razão da desnecessidade técnica de instauração de inquérito policial para a apuração de delitos de opinião, se reservará ao direito de não depor sobre os fatos. Caso seja considerado necessário, o peticionário ratificará os termos da presente petição.

Da juntada da presente, pede deferimento.

São Paulo, 18 de março de 2009.

Por Juca Kfouri às 23h05

17/03/2009

Keirrison faz mais dois

Num gramado encharcado e com mais de 6 mil torcedores ensopados, o Palmeiras passou fácil pelo Noroeste em Palestra Itália.

No primeiro tempo o Palmeiras liquidou o jogo com dois gols de Keirrison, 16 gols em 14 jogos, e depois só administrou.

Só Diego Tardelli, do Galo, que bateu Kléber na sondagem do blog (59% de 3200 opiniões), tem melhor média do que ele neste ano.

O atacante do Galo marcou 15 gols, mas em 12 partidas (1,25 a 1,14 gols por jogo).

Quem você escolheria para o seu time?

Responda aí do lado esquerdo da tela, por favor.

Por Juca Kfouri às 22h41

O pedido de Gerrard

Por FERNANDO FIGUEIREDO MELLO

Para quem não conhece, Steven Gerrard é um talentoso meio-campo inglês, daqueles raros e clássicos camisa 8, que sabe marcar, chutar, cobrar faltas, escanteios e dar lançamentos longos com os dois pés, além de fazer gols.

Outra raridade nos dias atuais, Gerrard atuou por um único clube em sua carreira: o Liverpool.

Pelos Reds, ele conquistou duas Copas da Inglaterra (2000-01, 2005-06), duas Copas da Liga Inglesa (2000-01, 2002-03), uma Copa da Uefa (2000-01), além de uma Liga dos Campeões (2004-05), naquele famoso jogo no qual o time inglês conseguiu o improvável empate contra o Milan (3 a 3) e levou a taça do mais importante torneio de clubes do continente europeu nos pênaltis.

Não conquistou o Mundial de Clubes da Fifa talvez porque outra raridade de talento e amor ao clube tenha impedido.

Na final contra o São Paulo, em 2005, Rogério Ceni fechou o gol tricolor, especialmente numa cobrança de falta perfeita de Gerrard, no segundo tempo, em que o goleiro transformou-se em pássaro para buscar a bola no ângulo direito.

Pois Gerrard tem um pedido à Uefa, instituição que organiza a Liga dos Campeões e que é presidida pelo ex-jogador e gênio francês Michel Platini.

Gerrard não quer jogar no dia 15 de abril.

Pelo calendário, haverá a rodada de volta das quartas-de-final da Liga.

O Liverpool está nas quartas-de-final do torneio.

Na sexta-feira, a Uefa sorteia os confrontos entre os oito times que restaram (além do Liverpool, Chelsea, Arsenal, Manchester United, Villarreal, Porto, Bayern de Munique e Barcelona avançaram no torneio).

As partidas de ida estão marcadas para os dias 7 e 8 de abril. As de volta, dias 14 e 15.

Mas, dia 15 de abril é uma data de más recordações ao time da cidade dos Beatles.

Há 20 anos, em 1989, em partida contra o Nottingham Forest, pelas semifinais da Copa da Inglaterra, 96 torcedores do Liverpool morreram pisoteados e esmagados contra o alambrado do estádio de Hillsborough, na cidade de Sheffield.

Entre eles, estava um primo de Gerrard.

Todo ano, a torcida vermelha presta homenagens às vítimas da tragédia.

É uma data emotiva e de luto para todos na cidade.

Quatro anos antes, a torcida do Liverpool vivera algo semelhante no estádio de Heysel, na Bélgica.

Na final da Liga dos Campeões de 1985, entre os Reds e a Juventus, uma briga entre os hooligans ingleses e os tiffosi italianos fez com que o alambrado que separava as torcidas cedesse, além da queda de um muro.

Saldo final: 38 pessoas mortas.

Apesar de tudo, a partida aconteceu e a Juventus conquistou o título com vitória por 1 a 0.

Gol de pênalti de Michel Platini, o mesmo que hoje preside a Uefa.

Depois da "Tragédia de Heysel", todos os times ingleses foram proibidos de participar de competições europeias por cinco anos.

No entanto, o estopim para mudanças profundas no futebol britânico foi a "Tragédia de Hillsborough".

Depois do episódio, o juiz e lorde Taylor escreveu o que ficou conhecido como "Relatório Taylor".

O texto apontava os problemas de violência no futebol inglês, como os hooligans, estádios sem assentos e sem lugares marcados, além dos alambrados, os principais motivos pela tragédias em Heysel e Sheffield.

Conduzida pela primeira-ministra Margareth Tatcher, a mudança no futebol inglês foi profunda e transformou o país em modelo na organização e gestão do esporte em alguns anos.

Mas, apesar de todas as mudanças positivas no futebol inglês, Gerrard não quer jogar no dia 15 de abril.

Michel Platini, sensível que é e espectador de uma das tragédias citadas acima, já disse que vai atender ao pedido.

Gerrard agradece, com um francês britânico: Merci, Michel!

http://www.revistabrasileiros.com.br/secoes/o-lado-b-da-noticia/noticias/496/  

Por Juca Kfouri às 17h44

A Fórmula 1 atropela a regularidade

Não tenho nada com isso nem gosto do tema, mas essa nova maneira de decidir a Fórmula 1 pode trazer resultados curiosos.

Imagine que apenas um piloto ganhe duas vezes na temporada.

E não pontue mais.

Imagine que todos os demais vencedores ganhem apenas uma vez, mas obtenham classificações entre os primeiros nos outros GPs.

Será campeão aquele que ganhou duas vezes.

Está certo isso?

Por Juca Kfouri às 15h59

Do blog do Fischer, um atleta digno

"Santa Inquisição"???!!!

Será que, em um futuro próximo, vamos ver pessoas sendo novamente queimadas vivas em praça pública?!

Pois, infelizmente, acho que logo logo isso vai acontecer...

Chamada de "Santa Inquisição", do latim Inquisitio Haereticæ Pravitatis Sanctum Officium, ou Tribunal da Inquisição (que, na minha opinião, de santa não tem nada), um Tribunal inquisitório foi Instituído no século X, e perdurou até o século XV. Nesse período Igreja Católica detinha o controle! Tinha riquezas, terras, e o mais importante, poder!

Qualquer "mortal" que tivesse o mínimo de conhecimento, genialidade e coragem, para "desafiar" os dogmas católicos, era considerado um herege. Sendo, dessa forma, queimado em praça pública. Um meio grotesco de calar esses pensadores e incutir o terror no resto da população. Assim, a Igreja mantinha-se como a entidade "dona da verdade", e qualquer um que ousasse ser contrário a suas idéias, sofria pesadas e terríveis conseqüências.

Esse intróito serve para demonstrar minha indignação com a notícia que recebi de uma pessoa que eu considero um ídolo. Pessoa de grande índole e reputação ilibada, Alberto Murray Neto, um guerreiro, que luta pelo esporte brasileiro, levou outra "puxada de tapete" de quem ele mesmo chama de "sistema" (sempre entre aspas).

Alberto tinha um cargo de diretor na FAP (Federação Aquática Paulista), mas foi, ontem mesmo, demitido. Apenas por discordar do presidente do COB.

"Miguel Cagnoni, Presidente da Federação Aquática Paulista, confirmou o afastamento de Alberto Murray Neto da diretoria jurídica da entidade. O motivo, segundo o próprio presidente, foi a oposição do advogado em relação a Presidência do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman".

Nada mais, nada menos, que uma tentativa de calar o jurista, e amedrontar outros com opiniões parecidas. Tal qual o Tribunal da Inquisição fazia há muitos séculos atrás.

VERGONHOSO! PATÉTICO! RETRÓGRADO! Estamos correndo para trás ao invés de caminhar para frente.

Isso demonstra que existem resquícios ditatoriais em nosso modo de governo, e que o Sr. Nuzman está realmente com medo. E como o ditado mesmo diz, quem deve, TEME!

Assim sendo, fica nesse post o meu protesto por esses acontecimentos, da mesma maneira que desejo força para meu amigo Alberto!

http://www.eduardofischer.com.br/blog/index.php?itemid=159

Por Juca Kfouri às 15h07

Anos desperdiçados

Por RODRIGO FOCCACIO

 

Há mais de dez anos, durante o show do Kiss, o blogueiro ainda adolescente (despretensioso de qualquer genialidade e apenas observando aquilo que vira) constatou que Interlagos poderia sediar GPs de Fórmula 1 (há quem pense diferente).

Entretanto, não possuia condições para receber uma apresentação musical com um público de final de campeonato.

Ontem (último domingo), dez anos mais velho, aprendi outra vez que uma década não é tempo suficiente para que as coisas mudem em meu país.

Junto a mais de sessenta mil pessoas, passei pelos mesmos terríveis problemas de 1999 e ainda com agravantes extras.

Em São Paulo, os fanáticos pelo Iron Maiden, fãs de Heavy Metal que são quase uma torcida de futebol, porém com a fúria mais direcionada aos acordes pesados, além de pagar o alto preço dos ingressos, pagaram custosas penitências para assistir ao espetáculo de seus ídolos. ]

Exatamente igual ou pior como passam os torcedores nos estádios do Brasil (e ainda pretende sediar uma Copa do Mundo...).

Filas para entrar com inúmeras voltas (quilômetros de gente atrás da outra!) e sem qualquer controle: muitos só conseguiram entrar no Autódromo quando a terceira faixa era executada.

Portões de acesso insuficientes. Na maior parte do tempo, houve apenas um disponível.

Na saída, muitos demoraram mais de uma hora para dar com a cara na rua. O trajeto era espremido em corredores completamente incapazes de absorver a massa.

Duvido que milhares de pessoas, no momento da travessia, não pensaram estar diante de uma possível tragédia.

Para dar um ar mais épico como pedem as canções da banda, os fiéis tiveram que assistir a apresentação pisando sobre uma lama movediça.

Afinal, é difícil supor (e os organizadores provavelmente nunca ouviram a música de Tom Jobim dizer: "em março as chuvas são recorrentes") que água mais terra igual a lama.

Um cenário digno de trazer a mente de qualquer roqueiro o lendário festival Woodstock, realizado numa fazenda.

Só que em Interlagos, apesar do tratamento de estrume dado aos fãs, não havia nenhum idealismo.

Apenas mais um casual destrato com o público no Brasil.

Quanto ao show, muito bom.

Foi como sempre. Sejam eles brasileiros ou não.

Sejam das chuteiras ou das guitarras. Lamentável é que haja tanto brucutu com poder no Brasil para roubar o brilho dos nossos craques.

Por Juca Kfouri às 12h36

O melhor camisa 9

Com óbvia predominância de opiniões paulistas, Keirrison ganhou a parada, com 31,58% dos mais de 5200 blogueiros que se manifestaram.

Ronaldo, com 24,49% veio a seguir, e Washignton ficou em terceiro, com 19,16%, quase 10 pontos percentuais à frente de Fred.

Para aplacar a bronca mineira, uma nova sondagem está no ar, ao lado esquerdo de sua tela.

Por Juca Kfouri às 11h33

Hernanes é um novo Falcão?

Muita gente anda vendo semelhanças entre o jovem meio-campista do São Paulo, Hernanes, e Paulo Roberto Falcão, que brilhou no Inter, na Roma, onde virou Rei, e encerrou a carreira no próprio São Paulo.

Talvez seja, ainda, um exagero.

Mas há, de fato, semelhanças.

Se não no estilo de jogo, ao menos na trajetória, embora Hernanes faça gols tão belos e jogue tanto como volante como na meia, igual a Falcão, sempre de cabeça erguida e com elegância.

Hernanes tem hoje apenas 23 anos, e já é bicampeão brasileiro pelo São Paulo, em 2007 e 2008.

Com os mesmos 23 anos, Falcão tinha sido bicampeão brasileiro pelo Inter, em 1975/76.

Apesar disso, Falcão não foi convocado para disputar a Copa do Mundo de 1978, na Argentina.

E Hernanes também não tem sido convocado para a Seleção, razão pela qual corre o risco de ficar de fora da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

A ausência de Falcão na Copa de 1978 é apontada até hoje como um dos maiores erros do técnico Cláudio Coutinho.

A ausência de Hernanes tem sido vista com um dos maiores erros de Dunga.

A diferença está em que Coutinho não teve como reparar seu erro.

Dunga ainda pode consertar o dele.

Que o faça, pois, é o que todos que gostam do bom futebol esperam.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 17 de março de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 01h13

16/03/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 18h21

Corinthians recua. Gol do torcedor!

O Corinthians já recuou, como se pode ver no que está, agora, em seu sítio:

Preços de cada setor:

Arquibancada Pt Principal
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)
ESGOTADOS

Arquibancada Amarela Pt 3
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)
ESGOTADOS

Tobogã
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

Setor Família Pt 21
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

Cadeira Especial Laranja
R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

Numerada descoberta
R$100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia)

NOVIDADE! Área VIP Corinthians
R$ 150,00 (inteira) / R$ 75,00 (meia)

Setor Visitante Pt 22
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

Cobrar mais dos visitantes contrariava, também, o artigo 24 do Estatuto do Torcedor.

Por Juca Kfouri às 17h40

Nero ameaça com incêndio impossível

Marco Polo del Nero tem dito que recorrerá à CAS, a corte internacional de justiça esportiva, caso o STJD mantenha a sua condenação no "Caso Tardelli".

Ameaça inócua.

A questão se refere à competição nacional e não cabe recurso para fora.

Diferentemente, por exemplo, do que acontece em casos de doping, que impedem o atleta de participar também de competições internacionais.

Se a CAS aceitasse recursos como o que Nero ameaça, seria o fim da justiça esportiva em cada país.

Por Juca Kfouri às 14h56

Ilegalidade no Pacaembu

Está no sítio do Corinthians, para o jogo contra o Santos, no domingo que vem, no Pacaembu:

Preços de cada setor:

Arquibancada Pt Principal
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

Arquibancada Amarela Pt 3
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

Tobogã
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

Setor Família Pt 21
R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)

Cadeira Especial Laranja
R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

Numerada descoberta
R$100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia)

NOVIDADE! Área VIP Corinthians
R$ 150,00 (inteira) / R$ 75,00 (meia)

Setor Visitante Pt 22
R$ 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia)

Note que o "setor visitante" tem preços que são o dobro dos preços em setores equivalentes, como as arquibancadas e o tobogã.

O que fere frontalmente o Regulamento Geral das Competições, que diz: 

Art. 65 - Os preços dos ingressos para os diversos setores do estádio deverão ser definidos pelo clube mandante da partida devendo o preço mínimo ser estabelecido no regulamento de cada competição.

§ 1º - Qualquer promoção reduzindo o preço dos ingressos de uma partida, só poderá ser feita se houver comum acordo entre os clubes disputantes da partida, a menos que a renda caiba ao mandante e o regulamento da competição permitir a realização da promoção.

§ 2º - Os preços dos ingressos para a torcida visitante deverão ter necessariamente os mesmos valores dos ingressos da torcida local.

E, então?

Como ficamos?

Por Juca Kfouri às 13h14

15/03/2009

Domingo sem Ronaldo, domingo com Fred

Ronaldo, prudente e sensatamente, descansou no domingo e não jogou pelo Corinthians em Santo André.

Nem ele jogou, aliás, nem ninguém, porque o 0 a 0 no ABC foi daqueles de doer.

Já no Maracanã o Fluminense pode festejar uma estreia e projetar um novo amanhã.

Recém-chegado da França, o centro-avante Fred fez a estreia que merecia e de que é capaz.

Distribuiu bolas com o refinamento que seu futebol permite, se colocou sempre com mais inteligência que os demais e, de quebra, fez dois gols, na virada tricolor sobre o Macaé.

Santo André e Macaé não são exatamente os adversários mais familiares para craques como Ronaldo e Fred.

Não faz mal.

Eles são o que são e o futebol brasileiro é o que é.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 16 de março de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 21h48

Neymar também faz história. Faz?

Folha Imagem

Se, no Rio, o Vasco sofreu para ganhar do Boavista com um solitário gol do zagueiro Fernando e o Botafogo fez a Cabofriense pagar pelo que o Vasco lhe fez, enfiando-lhe 4 a 0, em São Paulo teve Neymar.

Antes, é verdade, o São Paulo pensando no Defensor de Montevidéu, ganhou do fraco Marília por 2 a 1, com um golaço de Hernanes, de fora da área, e um belo gol de Washington, com a parceria de Borges, diante de quase 10 mil pagantes.

Mas Neymar fez seu primeiro jogo como titular do Santos, no Pacaembu, contra o péssimo Mogi-Mirim.

Que levou de 3 a 0 só no segundo tempo, gols de Paulo Henrique, aos 12, Roni aos 23 e...de Neymar, aos 27, de peixinho, diante de menos gente do que se esperava, coisa de 13 mil pagantes, bem mais, no entanto, que a média em Santos.

Gente que viu o primeiro gol de Neymar, gente que um dia, quem sabe, poderá dizer que viu o primeiro gol de uma nova jóia que nasceu na Vila.

O Santos, assim, voltou ao G4.

Por Juca Kfouri às 20h56

31% de apressados...

Com exatas 9 mil opiniões, 69% consideram que Ronaldo ainda não está pronto, de acordo, portanto, com o que pensa Mano Menezes e até mesmo o próprio Ronaldo.

Por Juca Kfouri às 18h40

Bem-vindo, Fred!

Aos 4 minutos Fred tocou pela primeira vez na bola com a camisa do Fluminense.

Movimentou-se como deu no primeiro tempo e saiu reclamando do clima abafado.

Mas deu um passe açucarado para Thiago Neves, que desperdiçou o que seria o empate tricolor, porque o Macaé tinha achado um gol.

O Flu não se apavorou e seguiu martelando.

O segundo tempo de Fred foi melhor, mais à vontade.

Além de técnica refinada, o novo centroavante pensa antes dos comuns e vê o jogo com clareza.

O Macaé ficou com 10 e o Fluminense foi para o massacre, com quatro atacantes, dois homens abertos pelas pontas, como Carlos Alberto Parreira jamais gostou na Seleção, mas sempre fez nos clubes pelos quais passou.

E deu certo.

Fred, aos 23, aproveitando-se de um cruzamento de Conca, subiu soberano e fez seu primeiro gol com a nova camisa, mantendo a escrita de sempre deixar sua marca em estréias.

Dois minutos depois, errou o que seria o gol da virada.

 

Virada que veio num belo voleio de Thiago Neves, que é bom jogador, mas não da mesma estirpe de Fred.

Que fez o terceiro gol, depois de matar no peito e finalizar de direita.

Estreia melhor, impossível.

Só faltou ter mais torcida do que os 25 mil que foram ao Maracanã.

Foto: Ricardo Ayres/Divulgação/Photocamera

Por Juca Kfouri às 17h57

O ABC do mau futebol.

Santo André 0, Corinthians 0, em Santo André, no ABC paulista, para apenas 8 mil torcedores.

Um joguinho, diga-se.

Sem Ronaldo não tem nenhuma graça...

O primeiro tempo foi fraco e o Santo André foi até mais perigoso.

Douglas errava passes em cima de passes.

No segundo, o Santo André ficou com 10 e resistiu.

O Corinthians teve um gol mal anulado, de Dentinho, depois que dividiu com o goleiro, a bola parou em seu braço no chão, ele se levantou e marcou, mas o árbitro anulou.

O 0 a 0 foi quase justo, portanto.

Por Juca Kfouri às 17h56

Na 'Folha' de hoje

 

JUCA KFOURI


O ministro e as carteirinhas

 

Depois de sete anos de governo, enfim, cogita-se fazer algo contra a violência nos estádios. Mas, será?


EXISTE uma lei do esporte, dita Lei Pelé, que ora ele avaliza, ora Pelé desdenha, e um Estatuto do Torcedor.

Textos mais que suficientes para dar conta de toda e qualquer necessidade que se imponha nos estádios e ginásios nacionais, até porque são modernos como as legislações da Espanha, da Inglaterra etc.

Leis que dependem de eventuais detalhamentos nos regulamentos das competições, mas que, basicamente, apontam nas direções corretas e contemporâneas.

E que sempre que são objeto de reformas buscam atender aos que tiveram seus privilégios, em tese, prejudicados.

E só em tese porque, na prática, apesar de alguns progressos óbvios, como o Brasileirão em pontos corridos, o fim do passe, a possibilidade de o torcedor acionar os promotores de jogos, pouco mudaram a vida da cartolagem, tanto que não tem nenhum cartola preso, como seria de se esperar.

Porque, desde que foram aprovadas, o que se viu foi uma maioria de ministros se acumpliciando com a superestrutura do esporte brasileiro, seja no COB, seja na CBF.

Sim, parece inesgotável a capacidade de sedução de nossos cartolas, capazes de levar ao altar as mais diferentes autoridades do país, sejam elas da elite, seja o operário que chegou ao poder, este sabendo bem quem são os cartolas.

E tome reformas que buscam tirar a responsabilidade deles, que dão Timemanias umas atrás das outras, leis de incentivos e que, agora, para combater uma minoria facilmente identificável, buscam criminalizar a maioria pacífica.

A carteirinha do torcedor é um bom exemplo.

Proposta pelo ministro do Esporte, que, quando presidiu a UNE, fez da carteirinha de estudante uma festa, a do torcedor quer impedir, já no ano que vem, que a sua mãe, raro leitor, possa entrar num estádio brasileiro com capacidade de receber mais de 10 mil torcedores.

Isso mesmo.

Se a senhora sua mãe quiser ir ao Morumbi, ao Pacaembu, ao Prudentão, só poderá ir se estiver devidamente cadastrada, nos mínimos detalhes, algo que não passa de tola burocracia e, há quem diga na OAB, é até inconstitucional.

Ainda mais que as medidas para identificar os violentos podem ser facilmente impostas com a expedição de ingressos inteligentes e com a eficaz implantação dos lugares numerados, como está na lei.

Mas estamos em começo de fim de governo e o ministro do Esporte, que passou mais tempo como bajulador de cartolas e como papagaio de pirata, a exemplo de seu antecessor do mesmo PC do B, tem sonhos eleitorais, talvez como senador, ao menos como deputado.

É hora, pois, de jogar para a plateia, mas jamais para a torcida, a verdadeira, composta por gente comum, como você.

Como num passe de mágica, resolver o problema da violência em torno do futebol que assola o país, de norte a sul e de leste a oeste, entrou na ordem do dia.

Coisa séria, para valer, mesmo que tardiamente, quase não há, porque coisa séria, para valer, é artigo com o qual não se trabalha.

Daqui a pouco, alguém dirá que minimizar o flagelo do holliganismo, como na Inglaterra nos anos 90, é fácil, mas complicadíssimo num país de dimensões continentais como o Brasil.

Por Juca Kfouri às 13h48

Editorial da 'Folha' de hoje

 

Todos fichados

QUANDO CARTOLAS e autoridades se reúnem para promover uma Copa do Mundo no Brasil, ao cidadão, em especial na condição de contribuinte, é recomendável dose extra de desconfiança.

A ideia agora é implantar um cadastro nacional de torcedores, que seria condição necessária para ter acesso aos estádios de futebol.

Boas intenções, como sempre, não faltam.

O propalado objetivo da medida é ampliar a segurança nas partidas de futebol.

De posse de um cartão magnético contendo suas digitais, só torcedor "ficha-limpa" seria admitido depois da checagem numa catraca ultratecnológica; quem deve à Justiça seria barrado.

Ao que consta, contudo, poucos se puseram a verificar se, para atingir a pacificação nos estádios, é mesmo necessária tamanha elucubração cibernética.

De saída, o método escolhido pelos dirigentes inverte a lógica: em vez de fichar apenas os suspeitos, os torcedores violentos, ficham-se todos.

Além disso, barrar a entrada de uma pessoa num evento público porque ela não tem um "cartão de torcedor" parece abertamente inconstitucional.

Outro aspecto intrigante do projeto é que ele não fala em custos. Implementar o cadastro nacional, imprimir milhões de cartões magnéticos e instalar catracas "inteligentes" nos estádios não é barato.

Mas o governo promete que a carteirinha sairá de graça -para o torcedor.

Pretende destinar dinheiro dos impostos à aventura?

Que suspeitos de sempre serão beneficiados com o monopólio da impressão de carteirinhas e outras facilidades?

A experiência internacional demonstra que a violência nos estádios se combate com ações convencionais das autoridades policiais e judiciárias e com um mínimo de adaptação nas leis penais.

A receita é identificar os arruaceiros e bani-los das partidas de futebol -para sempre, nos casos mais extremos.

Por Juca Kfouri às 13h44

No 'Lance!', de ontem

Por ANDRÉ KFOURI

APERTEM OS CINTOS

Há um boeing 777, carregando o que está acontecendo de mais importante nos bastidores do futebol brasileiro, tentando voar abaixo do alcance dos radares. A notícia ruim é que estão tentando desviar a rota do avião. A boa é que nosso radar pegou a aeronave.

Explicando: você deve saber que o presidente da FPF, Marco Pólo Del Nero, está afastado do cargo. Foi suspenso por 90 dias, em votação unânime, pelo STJD. O motivo? O "Caso Tardelli". O recurso ao Tribunal Pleno deve ser julgado daqui a três quintas-feiras, e é crucial para a sobrevivência esportiva do dirigente. A questão importante aqui não é a suspensão em si, e sim o que pode ser seu sub-produto: um pedido de impeachment feito pelos filiados à FPF. Quem acertar o primeiro clube a entrar na fila, ganha uma barra de cereais de três cores.

Del Nero ficou lívido com o primeiro julgamento. Está se mexendo como pode para evitar a condenação. Sua capacidade de articulação não deve ser subestimada. Ele promete ir à Corte Arbitral dos Esportes, na Suíça. O que pode dar contornos internacionais ao caso, esbarrar na Fifa, e em assuntos como Copa de 2014, estádios em São Paulo… É tudo o que a CBF, apesar da propalada indignação com o rolo armado na véspera da final do BR-08, não deseja. A absolvição de Marco Pólo Del Nero atende os interesses da estrutura de poder do nosso futebol, o que não significa que atende os interesses do nosso futebol.

O Pleno do STJD é composto por nove auditores. Eles estão na cabine do boeing. Abaixo, quem são e o que sabemos sobre eles:

1 – Dr. Rubens Approbato – advogado, ex-presidente do Conselho federal da OAB. Indicado para o tribunal pela OAB Federal.

2 – Dr. Virgílio da Costa Val – procurador de Justiça aposentado. Foi o auditor-processante do "Caso Tardelli", e pediu o arquivamento do inquérito. Indicado pela CBF.

3 – Dr. José Mauro de Assis – advogado particular do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Indicado pela CBF.
4 – Dr. Francisco Mussnich – advogado, membro do Comitê Organizador da Copa de 2014, cunhado do mega-banqueiro Daniel Dantas. Indicado pelo clube dos 13.

5 – Dr. Caio César Rocha – advogado, filho do presidente do Superior Tribunal de Justiça, César Asfor Rocha. Membro do Comitê de Arbitragem da Fifa. Indicado pelo Clube dos 13.

6 – Dr. Flávio Zveiter – advogado, filho do Desembargador presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e ex-presidente do STJD, Luiz Zveiter. Indicado pelos atletas.

7 – Dr. Alberto dos Santos Barbosa – advogado e professor universitário. Membro da Comissão Jurídica do Ministério do Esporte. Indicado pelos atletas.

8 – Dr. Alexandre Quadros – Advogado. Indicado pela OAB Federal.

9 – Dr. Dário Góes – advogado, delegado da Conmebol. Indicado pelos árbitros.

Analisando votos desses juristas em casos anteriores, pode-se afirmar que os auditores 2, 3, 4 e 5, tendem a absolver Del Nero. O auditor número 8 inclina-se pela condenação. Não é possível fazer um prognóstico sobre os votos dos auditores 1, 6 e 7. O número 9 está em situação interessante: representa os árbitros no tribunal. Como votará em relação ao dirigente que tirou Wagner Tardelli da final do BR-08?

http://blogs.lancenet.com.br/andrekfouri/  

Por Juca Kfouri às 13h41

Aos católicos que protestaram pela posição deste blog

Está na primeira página do UOL

Em artigo, Vaticano critica excomunhão de envolvidos em aborto em menina brasileira

 

CIDADE DO VATICANO, 14 MAR (ANSA) - O Vaticano afirmou que antes de pensar na excomunhão dos envolvidos no aborto feito na garota brasileira de 9 anos que ficou grávida de gêmeos após ser violentada pelo padrasto, "seria necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente".

"Antes de pensar em excomunhões seria necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente, devolvendo a ela um nível de humanidade", disse o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Salvatore Rino Fisichella, em artigo publicado pelo jornal vaticano L'Osservatore Romano com data de domingo, 15/3.

As declarações de Fisichella contrastam com a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, que dias após o aborto da menina anunciou a excomunhão de sua mãe, dos médicos e dos integrantes de ONG's envolvidos no caso.

"A terrível historia da violência cotidiana" da qual a menina foi vitima, sofrendo abusos frequentes por parte de seu padrasto, "teria passado despercebida com a intervenção do bispo", observa o presidente da Pontifícia Academia para a Vida.

Para o representante do Vaticano, a menina brasileira "deveria ter sido defendida antes de tudo", mas "não foi feito isto, lamentavelmente, prejudicando a credibilidade de nossas instruções que, para muitos, parecem marcadas por insensibilidade, incompreensão e falta de misericórdia".

A criança, admite o prelado no artigo, "levava dentro de si outras vidas, tão inocentes quanto a sua, embora frutos da violência, e que foram suprimidas, mas isso não era suficiente para fazer um julgamento que pesa como um machado".

O caso da menina ganhou destaque na mídia internacional, em meio a protestos contra a decisão de Dom José. A repercussão se tornou ainda maior pela postura da Igreja Católica em um Estado laico, interferindo nas decisões judiciais, e porque o padrasto, acusado de violentar a menina de 9 anos e sua irmã, de 14, não foi excomungado.

No fim de semana passado, comunidades eclesiais de base italianas afirmaram que a decisão do arcebispo brasileiro demonstram, "mais uma vez, o sentido de distanciamento radical entre a 'Igreja do Poder' e os dramas humanos".

Por Juca Kfouri às 02h59

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico