Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

11/04/2009

Fogão aceso para o título estadual

Maracanã em festa, mais de 66 mil pagantes, a primeira sensação de gol quem teve foi a torcida do Botafogo, quando Juninho bateu uma falta, aos 12 minutos, que explodiu na trave direita do Vasco.

A primeira emoção de gol também foi botafoguense.

E num golaço de Maicosuel, que pegou a bola pela esquerda, engoliu dois rivais e encheu o pé para fazer 1 a 0, aos 18.

Onze minutos depois, com o Glorioso melhor em campo, a segunda emoção de gol também foi botafoguense, com Thiaguinho tocando com categoria na saída do goleiro Tiago: 2 a 0.

O Botafogo parecia próximo da final, contra Fla ou Flu, para ganhar, quem sabe, também a Taça Rio e o campeonato.

Ainda mais que, no fim dos 45 minutos iniciais, Carlos Alberto quase diminuiu de bicicleta, daqueles lances que se terminam em gol incendeiam o adversário.

Para piorar, para o Vasco, logo no recomeço do jogo, Jeférson perdeu ótima chance pela esquerda, em chute cruzado.

O Vasco voltou com tudo, mas sem sorte.

Nílton, de cabeça, quase marcou, aos 4.

Mas, aos 9, Leonardo foi expulso.

Era o fim.

Gabriel, aos 16, fez belo terceiro gol.

O Vasco nem merecia ser goleado, até porque fez uma campanha acima de quaisquer expectativas tanto na Taça Guanabara, quando foi tunga, quanto na Taça Rio, onde estava invicto. Mas...

Seria, e como!

Porque, Maicosuel, de novo, recebeu de Victor Simões na cara de Tiago e enfiou para fazer 4 a 0, aos 21.

Em seguida, Tiago, salvou o quinto gol, e Victor Simões perdeu-o no rebote. 

Quem segurará o Fogão?

O Fla?

O Flu?

Por Juca Kfouri às 20h24

Santos na frente

Que primeiro tempo disputaram Santos e Palmeiras na Vila Belmiro!

Disparado, o melhor de todo o Paulistinha.

Também, pudera.

Valia pelas semifinais e pouco mais de 17 mil torcedores respiravam clima de decisão.

Ousado, o Palmeiras não poupou ninguém para o jogo da quarta-feira que vem, outra vez contra o Sport, pela Libertadores.

Nem bem o jogo começou e Keirrison, de cabeça, fez Fábio Costa trabalhar para evitar o primeiro gol.

A resposta do Santos não demorou e quase Kléber Pereira pega um chute cruzado de Neymar para abrir ele o placar.

Coisa que Keirrison, aos 8 minutos, conseguiu, pegando o rebote de outra ótima defesa de Fábio Costa, em arremate dele mesmo, cara a cara: 1 a 0.

No minutos seguinte o bom Cleyton Xavier tomou amarelo que o tira do jogo de volta.

Disputado em ritmo alucinante, o jogo prometia.

E cumpria.

Maurício Ramos salvou gol de Neymar, com Marcos já batido.

Mas, aos 18, Kléber Pereira empatou, em belo arremate que ainda desviou na zaga alviverde.

Daí até os 40 minutos mais ou menos, o Santos, mesmo com muitos desfalques, foi superior, embora o Palmeiras, com o que tinha de melhor, fosse perigoso em seus ensaios de contra-ataques.

E o primeiro tempo terminou equilibrado como começou.

Difícil imaginar que os dois times, vindos de jogos no meio da semana, o do Palmeiras duríssimo, em Maceió e no Recife, conseguissem manter o ritmo.

Vanderlei Luxemburgo tratou de tirar Edmilson e Ortigoza para as entradas de Sandro Silva e Marquinhos.

O Santos voltou igual.

Ou quase.

Porque Neymar, com 90 segundos do segundo tempo, livrou-se com categoria de Maurício Ramos e, de fora da área, colocado, fez um golaço em Marcos, que só olhou, por mais não poderia mesmo fazer: 2 a 1. Gol de quem sabe das coisas.

Sim, o segundo tempo também prometia.

Tanto que, aos 7, Marquinhos teve uma chance de ouro para empatar, mais uma vez frustrada por Fábio Costa, em jornada mais que inspirada.

Era vez do Palmeiras pressionar e ser melhor no gramado.

E do Santos tentar ampliar nos contra-ataques.

Fábio Costa alternava momentos de goleiro com alguns de zagueiro, eficaz também com os pés. Impecável, como costuma ser em decisões.

Aos 20, o clima esquentou.

Neymar caiu para ser substituído pelo volante Germano e Diego Souza não quis saber de botar a bola para fora, como pediam os santistas.

Então, Paulo Henrique lhe deu uma pegada e reclamou da falta de espírito esportivo de Diego Souza que simplesmente virou-se para ele e disse: "Foda-se".

O Palmeiras tinha a bola, mas não tinha chances.

Então, Lenny entrou no lugar de Fabinho Capixaba, aos 24.

Aos 30, Sandro Silva achou Keirrison livre, que desperdiçou.

Paulo Henrique, fino jogador, deu lugar a Robson, aos 32.

O Palmeiras buscava, o Santos se segurava. A Vila sofria.

Aos 36, no entanto, quem quase marcou foi Robson, coisa que São Marcos evitou.

Rodrigo Souto também levou o terceiro cartão amarelo e está fora do jogo no Palestra Itália.

Roni em campo, aos 40, no lugar de Mádson.

Sandro Silva, como Marquinhos, foi mais um a levar o terceiro amarelo.

O Santos descansará e treinará a semana inteira para jogar pelo empate no sábado.

Porque, aos 42, Fábio Costa fez outra defesa fantástica, em cabeçada de Danilo. 

Que jogão!

Por Juca Kfouri às 20h01

No 'Diário de S.Paulo', de ontem

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 10 de abril do Diário de S. Paulo

Por Marcelo Laguna

                        Foto: um flagrante da poluída Baía da Guanabara, no Rio  

 
Será que estava no dossiê da candidatura?                     

“Em determinado momento da regata, ficamos com lixo preso no barco, uma situação muito chata. Se não fosse uma prova curta como essa, o certo seria andar para trás para que o lixo se soltasse, mas no meio de uma regata de porto é claro que isso era inviável. Para uma cidade que quer receber os Jogos Olímpicos, a água da Baía de Guanabara não é uma coisa bonita de se mostrar”. Estas palavras, que por si só possuem um peso negativo considerável para o Rio de Janeiro, que disputa o direito de ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016, têm uma importância ainda maior quando se conhece o autor: Torben Grael, bicampeão olímpico na classe Star do iatismo, nas Olimpíadas de Atlanta-96 e Atenas-04.

As críticas de Torben, feitas logo após uma regata da etapa do Rio na Volvo Ocean Race, no último final de semana, devem servir, acima de tudo, como um alerta às ondas de ufanismo que começarão a surgir nos próximos meses e que terminarão no dia 2 de outubro, data da escolha da sede dos Jogos de 2016, em Copenhague, na Dinamarca. Com o início das visitas da comissão inspetora do Comitê Olímpico Internacional (COI) pelas quatro candidatas, começarão a pipocar aqui e acolá conhecidas “estratégias de campanha”, procurando enaltecer ao máximo o que é bonito e esconder a todo custo o que não presta.

Na última terça-feira, por exemplo, ao encerrar a visita a Chicago, a comissão do COI não poupou adjetivos, classificando a candidatura como “forte e impressionante”. Coincidentemente, os reflexos da crise mundial nos EUA nem foram citados. Os coordenadores da candidatura de Tóquio divulgaram que a capital japonesa é quem está mais qualificada para receber os Jogos devido a razões históricas, econômicas e ambientais. Madri tem o apoio declarado do ex-presidente do COI, Juan Antonio Samaranch. E a campanha do Rio, que em seu dossiê de apresentação apostou forte no conceito “Cidade Maravilhosa”, com certeza não poderá se orgulhar da Baía de Guanabara, após as duras palavras de Torben Grael. Ao contrário do que disse certa vez o ex-prefeito César Maia, nem sempre beleza é fundamental.

Recordar é viver
A despoluição da Baía de Guanabara fazia parte do chamado “legado do Pan”. Nem é preciso dizer que nada foi feito. Aliás, por que é que o TCU ainda não divulgou o relatório sobre a prestação de contas do Pan 2007?

Líder em gastos
Os Jogos de 2016 podem custar ao governo do Brasil R$ 29,5 bilhões. Mais do que o orçamento de Tóquio e Chicago somados.

Por Juca Kfouri às 17h59

10/04/2009

Precisar não precisa. Nem deve

Há uma nova campanha da Ambev no ar, com Ronaldo Fenômeno como estrela.

Ele que é embaixador da UNICEF, o organismo das crianças da ONU.

Não é de hoje que o craque faz propaganda de cerveja, faz desde 1994.

Sem precisar.

E, principalmente, sem dever, porque um péssimo exemplo.

Já era mais que tempo da ficha de Ronaldo cair.

Se dependesse do ministro da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão, personalidades seriam proibidas de fazer apologia do álcool, principalmente entre os esportistas, cujas imagens pressupõem o culto à vida saudável.

Por Juca Kfouri às 15h45

Deputado do PSOL paulista propõe que clubes garantam escolaridade de jogadores

O deputado estadual Raul Marcelo, líder do PSOL na Assembleia Legislativa paulista, apresentou propositura que obriga os clubes de futebol oficiais que participem de competições organizadas pela Federação Paulista de Futebol a serem parte do esforço pela valorização da educação.

O projeto de lei estabelece que os clubes serão obrigados a assegurar a matrícula de todos os esportistas menores de 18 anos a eles vinculados, sob ualquer forma contratual, em instituição de ensino pública ou particular.

Os clubes terão também a responsabilidade de zelar pela frequência e aproveitamento escolar dos atletas.

O deputado propõe ainda que o descumprimento da regra seja punido com multa de 250 Ufesps – R$ 3.962,50 em valores atuais – por atleta, além do impedimento de participação em torneios e competições oficiais em caso de não regularização da situação dos jogadores após a aplicação da primeira multa.

A proposta destina os valores das multas eventualmente impostas aos clubes para o aprimoramento do ensino no Estado. Se aprovada a proposta, a gestão dos recursos ficará a cargo da Secretaria de Educação.

Recairá sobre a FPF a responsabilidade de receber os comprovantes de matrícula e frequência escolar encaminhados pelos clubes e ncaminhá-los à Secretaria de Estado da Educação e à Comissão de Educação da Alesp.

"Em virtude das notícias de contratos milionários firmados com jogadores de futebol ao redor do mundo, muitos jovens brasileiros deixam de lado os estudos para se dedicar a contratos com clubes e escolas de futebol. Mas a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, e nem todos os clubes respeitam esse direito, muitas vezes usando os jovens como moeda de troca, visando unicamente os negócios. Nosso objetivo é buscar assegurar a capacitação educacional do jovem atleta em formação para que, além do auxílio financeiro recebido, tenha assegurados seu desenvolvimento intelectual e a conclusão do ensino regular", ressalta o deputado.

Com toda razão, acrescenta este blogueiro.

Por Juca Kfouri às 15h32

Na 'Folha', de hoje

Ilha da fantasia

*Por XICO SÁ


Os cartolas do Sport conseguiram o que parecia impossível: esvaziar a Ilha do Retiro e quebrar a magia de Lost, principal trunfo da equipe.

Ê ganância sem fim.

O preço dos bilhetes na Libertadores afugentou a turma do "cazá, cazá, cazá" do estádio.

Com o Palmeiras, o Leão contou com menos de 20 mil fãs na galera.

Um fiasco que amarrou as pernas dos rubro-negros em campo.

Ou joga com o bafo dos 35 mil no cangote dos adversários, como na final da Copa do Brasil com o Corinthians, ou não vai longe nas Américas.

Óbvio que o time do Luxemburgo foi melhor, mas enfrentou uma Ilha meia-boca, não o velho caldeirão do diabo em vermelho e preto.

E que festa fizeram os secadores do Náutico e do Santa.

Parecia a saída do bloco "Eu acho é pouco" ou do "Homem da Meia Noite" no Carnaval em Olinda.

A gozação de alvirrubros e tricolores ontem em firmas e botequins do Recife era sinistra:

"Que leão que nada, o Sport não passa de cadela de peruca".

*Xico Sá é colunista da Folha, cearense de nascimento, pernambucano de coração e torcedor do Sport. E dono de um blog fabuloso: http://carapuceiro.zip.net/ 

Por Juca Kfouri às 13h36

Em vez de ovos, bolas!

No fim de semana da Páscoa, a bola toma o lugar dos ovos.

E é pouco provável que haja algum chocolate, tamanho o equilíbrio, tanto no sábado quanto no domingo.

No sábado, no Maracanã, o entrosado e embalado Vasco enfrenta o Botafogo, machucado pelo Americano, pelas semifinais da Taça Rio.

Num jogo só, quem ganhar fará a final.

Na Vila Belmiro, no mesmo horário, 18h10, o Santos, que foi mal diante do CSA, recebe o Palmeiras, que foi estupendo contra o Sport.

Vale o jogo de ida das semifinais paulistas.

No domingo, às 16h, mais dois super-clássicos.

O Maracanã será palco de mais um Fla-Flu.

Quem vencer fica sozinho na busca do 31o. título estadual.

E o Pacaembu verá Corinthians e São Paulo, com direito ao embate Ro-Ro: Ronaldo x Rogério.

O coelhinho que nos desculpe, mas são quatro jogos para curtir sem nenhuma pressa.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 10 de abril de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm 

Por Juca Kfouri às 00h19

Chora, professor!

Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras e professor universitário, chorou ao contar para os jornalistas, na chegada em São Paulo, que os jogadores do Palmeiras cantaram o hino do clube no ônibus, na ida do time para a Ilha do Retiro.

Ele já tinha dito, no "Bola da Vez" da ESPN-Brasil, que é incapaz de ouvir os hinos do Brasil e do Palmeiras sem ir às lágrimas.

É bom saber que há no futebol homens que não têm vergonha de chorar.

Por Juca Kfouri às 00h09

Atualizações

Há três novas observações na nota sobre o jogo São Paulo 2, Defensor 1 que, com já dito, não pude ver direito ao vivo porque estava no ar, na CBN.

Que são:

Três observações, às 23h55, depois de rever ainda mais cuidadosamente o lances capitais da partida:

1. no gol uruguaio, um atacante do Defensor, em posição de impedimento, daqueles em que o auxiliar tem o direito de deixar seguir, participa claramente do gol, embora não tenha sido responsável pela falha de Rogério Ceni;

2. os são-paulinos reclamam de um pênalti em Washington que não ficou claramente caracterizado, embora se tivesse sido marcado não seria nenhum absurdo;

3. Borges estava mesmo em posição de impedimento, mas noutro lance em que o bandeirinha tem o direito de deixar correr.

Por Juca Kfouri às 00h03

09/04/2009

Só Borges salva

O São Paulo jogava mal, muito ansioso, confundindo pressa com rapidez.

Eu também não via bem, porque no ar, no CBN EC para todas as praças com exceção de São Paulo.

E o São Paulo tomou um golpe desses que costumam ser fatais: aos 38 minutos do primeiro tempo, uma falta cobrada sem maiores intenções foi posta para dentro do gol por Rogério Ceni, terceiro gol seguido que o tricolor leva por sua causa.

Não foi fácil para recuperar o equílibrio.

Mas o time se recuperou, mandou bolas na trave com Washington e André Dias, pressionou,  sempre com apoio da massa que compareceu em grande número (47 mil torcedores) para ver a classificação antecipada às oitavas-de-final.

Que viu, que veio, com ele, com Borges, como sempre autor de gols salvadores.

O primeiro aos 26, com o peito do pé direito, em posição de impedimento.

O segundo, três minutos depois, ao se aproveitar de uma falha bisonha da defesa uruguaia.

Foi sofrido, mas foi justo.

Foi como costuma ser, enfim, na Libertadores.

Ninguém saiu triste do Morumbi.

Três observações, às 23h55, depois de rever ainda mais cuidadosamente o lances capitais da partida:

1. no gol uruguaio, um atacante do Defensor, em posição de impedimento, daqueles em que o auxiliar tem o direito de deixar seguir, participa claramente do gol, embora não tenha sido responsável pela falha de Rogério Ceni;

2. os são-paulinos reclamam de um pênalti em Washington que não ficou claramente caracterizado, embora se tivesse sido marcado não seria nenhum absurdo;

3. Borges estava mesmo em posição de impedimento, mas noutro lance em que o bandeirinha tem o direito de deixar correr.

Por Juca Kfouri às 21h10

O drama de Adriano

Por ALEXANDRE MACHADO 

Nuvens negras sobre Adriano, novamente.

O que acontece com ele?

Ninguém sabe direito.

Qualquer pessoa responsável sabe que a definição de uma doença cabe a um especialista.

Mas há indicações fartas de que ele teria problemas com o álcool.

Ele mesmo já admitiu certa vez sua intimidade com a bebida. Marco Aurélio Cunha, médico e dirigente do São Paulo disse hoje ao Extra que "ele não se embebeda todos os dias".

Em dezembro de 2007 apresentei um "Opinião Nacional" sobre o alcoolismo.

O programa inspirou-se num comentário de nosso Ruy Castro na página 2 da "Folha".

Ruy que descreveu magistralmente o drama de Garrincha em "Estrela Solitária" dizia então não caber em Adriano a qualificação de irresponsável ou pobre menino mimado.

Adriano precisa de tratamento, dizia ele.

Sabe-se lá por que , o preciso comentário de Ruy perdeu-se num aparente desinteresse.

A grande imprensa não fez a suíte.

Tudo seguiu o seu curso: a imprensa mais sensacionalista a caçar imagens de Adriano em baladas, de preferência com um copo na mão; os mais bem informados e formados a cuidar do assunto com muitos dedos e meias palavras.

No "Opinião Nacional" que mencionei, vieram especialistas em alcoolismo: médicos, psicólogos, um médico palestrante do Alcoólicos Anônimos.

Mais o Ruy Castro e eu.

Falamos sobre alcoolismo mais de uma hora.

Antes de iniciar o último bloco o Ruy provocou: "não vai haver sessão de entregação ?".

Dei a palavra ao Ruy e ele contou que está há 25 anos sem beber.

Com enorme coragem discorreu sobre os momentos difíceis que passou no período em que o álcool embotava sua relação com a vida e inibia seu transbordante talento.

Diante de sua atitude contei aos telespectadores que também parei há 17 anos (agora 18).

Tocados pelo ambiente outros presentes abriram suas histórias.

Esse programa foi reprisado pela TV Cultura no verão de 2008 e ainda hoje, segundo meus convidados, ainda aprecem em consultórios ou clínicas especializadas, pessoas sensibilizadas pelo programa.

Dizem estes especialistas ser muito importante o depoimento público de pessoas que superaram seus problemas.

Pessoas que servem como alento para os que estão próximos de desistir e afundar no mundo da dependência química. 

Com relação ao Adriano estamos no mesmo lugar.

Os jornalistas inconscientes a dar conselhos óbvios: "como esse rapaz vai jogar no lixo uma carreira tão promissora ?" outros, piedosos, repetem preconceitos como se fossem compreensivos psicólogos: "as pessoas precisam entender que ele veio da favela..."

Como se os pobres fossem mais vulneráveis às depressões.

Os mais responsáveis, à falta de um diagnóstico explícito, pedem uma definição dos médicos e advertem: "há algo muito grave acontecendo com o Adriano..."

Fosse uma ruptura no ligamento cruzado qualquer jornalista noticiaria o fato sem dúvidas e ainda faria comentários "especializados" sobre o tempo do tratamento e a qualidade dos profissionais envolvidos: "os clubes europeus não sabem recuperar seus jogadores ; o fulano deveria vir ao Refis do São Paulo" . 

Como aparentemente estamos tratando de um caso de alcoolismo, nada pode ser dito.

Mas por quê?

Por que há um manto de desconhecimento a respeito do alcoolismo.

Há pouco tempo os especialistas conseguiram desqualificar o termo "vício" e trocá-lo por dependência química.

Trata-se de uma doença. Há tratamento.

E essa dependência não deve ser confundida com vagabundagem ou simples irresponsabilidade.

Dependência química não é um desvio de caráter. É uma doença.

Os doentes, em geral, tem uma dificuldade enorme de reconhecer a doença.

É dramático olhar para o espelho e dizer : "eu sou um alcoólatra".

O reconhecimento é o primeiro passo para a recuperação.

Citando mais uma vez o Ruy eu digo: o Adriano não precisa de bronca, de carinho nem de conselho. Precisa de tratamento.

O alcoolismo é uma enorme problema de saúde pública entendido como algo tão delicado que não deve ser mencionado com clareza.

Antigamente havia o pudor ao se falar sobre o câncer.

Dizia-se enigmaticamente "parece que está com aquela doença..." .

Precisamos, de alguma forma, romper essa barreira; ao menos reduzir a dificuldade de se falar abertamente sobre o alcoolismo.

A divulgação de que se trata de uma doença tratável poderá afetar positivamente a vida de milhares de pessoas.

Quase toda a família no Brasil tem um caso de alcoolismo; caso escondido e mencionado envergonhadamente.

Aparentemente o Adriano está nessa lista.

Diz-se a boca pequena que ele estaria com problemas ainda mais sérios. Tomara que não.

Mas os tantos médicos de clube e da seleção estão com a palavra. Ele precisa ser tratado logo !

*Alexandre Machado é jornalista com larga folha de serviços nas principais redações do país.

Por Juca Kfouri às 17h57

Agora falando sério

Formalmente, é irrepreensível a carta do diretor de marketing do São Paulo FC, Adalberto Dellape Baptista.

A produtora Canal Azul TV confirma que, ao fim e ao cabo, o que emperrou a filmagem foi mesmo o montante cobrado.

Pode-se discutir, é claro, se faz sentido estabelecer como comparação para um documentário o que se cobrou da Ambev para fazer um anúncio de cerveja com Ronaldo.

Ou se, para quem afirma estar disposto a fazer as pazes com o Corinthians, não teria sido melhor dar um tapa de luvas e abrir as portas do Morumbi.

Até porque, se alguém descobrisse, e sempre se descobre, Andrés Sanchez, que errou gravemente no episódio que causou o rompimento, seria cobrado pela promessa estapafúrdia que fez enquanto durar sua gestão.

Seja como for, essas são ponderações, apenas.

O que vale é que para muitos pesei na dose da crítica, ao chamar a atitude de mesquinha, o que ofendeu tanta gente, embora seja apenas sinônimo de não generoso.

Sim, o São Paulo FC não foi generoso nem, a meu ver, inteligente, para ter ainda mais razão na querela entre ambos os clubes.

Mas esta é uma avaliação minha.

Aos que se ofenderam, não tenho nenhum problema em pedir desculpas.

Não é a primeira nem, certamente, será a última vez.

Porque, como diria Guimarães Rosa, viver é muito perigoso.

Por Juca Kfouri às 17h33

Reflexão antes de uma Sexta-Feira da Paixão {}

{}= sinal de ironia 

Você já notou como este blogueiro tem implicância com o Grêmio e não gosta do Inter?

E sua má vontade com tudo que vem do Paraná e de Santa Catarina, Coritiba, Furacão, Figueira ou Avaí?

Já percebeu que ele odeia o Palmeiras, despreza o Santos, tem inveja do São Paulo e se faz de corintiano só para ter audiência, tanto que bate no clube?

E a Lusa, que ele nem cita?

E no Rio, então?

Que má vontade com o Flamengo!

Quanta antipatia pelo Fluminense!

E como persegue, sistematicamente, tanto o Botafogo quanto o Vasco, porque, na verdade, repele os cariocas.

Sobre os clubes mineiros nem é bom falar, uai!

Porque vive diminuindo o Galo e não revela o menor respeito pelo Cruzeiro.

Se com Minas é assim, imagine com o nordeste...

Pobres Bahia, Vitória, Náutico, Santa Cruz!

Do Sport não é preciso dizer nada, porque este blogueiro simplesmente tem nojo das cores rubro-negras.

Já o centro do país e o norte são duas regiões pelas quais ele tem evidente aversão.

Goiás, Remo, Paysandu, argh!

Parece que o blogueiro só gosta mesmo da CBF e do COB.

Na verdade, este blogueiro sabe que você só vem aqui para ver qual foi a sandice do dia, a barriga da noite, a bobagem da madrugada.

Pobre blogueiro... 

Por Juca Kfouri às 14h00

Bando de loucos

Eles começaram a chegar por volta da meia-noite.

E cantavam seus cantos e faziam barulho, muito barulho, quebrando o silêncio do Vale do Pacaembu.

Daquelas cenas típicas que antecedem os shows de rock nos grandes estádios pelo mundo afora.

A fila foi se formando lentamente, mas, nesta hora,  9h05, é enorme.

Helicópteros dos jornais matinais das TVs sobrevoam a região, o que só aumenta o ruído e a confusão.

São os fiéis comprando, ou tentando comprar, ingressos para o jogo de domingo.

O que faz o futebol.

Por Juca Kfouri às 09h04

Notável comissão

A comissão de atletas que o COB, enfim, montou, chama mais atenção pelas ausências que pelas presenças

O desgaste da imagem do Comitê Olímpico Brasileiro não apenas aumentou os tiques nervosos de seu presidente, Carlos Nuzman, ele mesmo um ex-atleta bem sucedido, como João Havelange, prova de que nem sempre quem competiu é capaz de olhar mais para o esporte do que seus próprios interesses.

E não é que pé-de-atleta tenha cura e a cabeça não, como diz a piada preconceituosa.

Porque não são poucos os nossos atletas com cabeças privilegiadas.

O problema está nas ambições do bolso mesmo

Mas o desgaste tem levado a entidade até a fazer licitações de pequena monta e a tomar iniciativas como a de formar uma comissão recheada de atletas e ex-atletas de sucesso, como a que acaba de anunciar, composta por 19 membros.

Presidida, é claro, por Bernard, lugar-tenente de Nuzman desde o tempo em que sacava o "Jornada nas Estrelas".

A comissão no entanto, chama mais atenção pela ausência de nomes que se caracterizam pelo espírito crítico, gente como Amaury Pasos, Ana Moser, Jade Barbosa, Joaquim Cruz, Lars Grael, Raí, Marcel, Oscar (este talvez pelo litígio recente com a TV Globo), Paula, Sócrates, Wlamir Marques, entre tantos outros.

É verdade que certos convites são mesmo difíceis de serem recusados, ainda mais para quem ainda está em atividade, caso de César Cielo (que ainda não aceitou o convite), por exemplo, que, com carradas de razão, vive exibindo as feridas. Porque sabe que uma recusa pode custar ainda mais caro.

Outros, como a Rainha Hortência, que conhece muito bem como as coisas funcionam (melhor seria ter escrito, não funcionam) têm lá suas atividades empresariais e dão uma boiada para não brigar.

E existem, é claro, os desfrutáveis de sempre, como Robson Caetano e Doda, alienados, acríticos, que se deixam usar pela suposta honraria e que devem argumentar que é melhor tentar fazer alguma coisa a ficar apenas apontando as mazelas.

Marta, do futebol, e obrigada a viver fora do Brasil, foi indicada pelo COB mais para cutucar a CBF do que por outro motivo.

Amanhã, quando a sociedade cobrar resultados do trabalho da comissão, seus membros dirão que pouco se reuniram e não tiveram meios para fazer nada de efetivo. E os cartolas dirão que faltou a eles idéias, capacidade gerencial, presença nas reuniões, essas coisas.

E ficará tudo por isso mesmo.

Sem se dizer que o regulamento da Comissão tem uma verdadeira lei da mordaça em seu capítulo sobre "Infrações": "Os membros da Comissão de Atletas são jurisdicionados do COB e estão sujeitos às penalidades que lhes forem impostas por infração à Carta Olímpica, ao Estatuto e aos Regulamentos e decisões do COB".

Houve membro da Comissão que nem leu...

Por Juca Kfouri às 08h59

Uma noite inesquecível para os Palestras

O Palestra Itália de São Paulo vivou uma noite alegremente inesquecível ontem no Recife.

Ganhou bem, por 2 a 0, do até então invicto Sport na Ilha do Retiro, e ressurgiu imponente na Libertadores.

O Palestra Itália de Minas viveu uma noite tristemente inesquecível ontem em La Plata, embora continue líder de seu grupo na Libertadores.

Perdeu de goleada para o Estudiantes, por 4 a 0, e, como o Sport, também teve sua invencibilidade quebrada em 2009.

Se os palmeirenses têm por que lembrar para sempre a façanha vivida em Pernambuco, os cruzeirenses tudo farão para esquecer o que aconteceu na Argentina.

Mas talvez não devam.

Porque se o Palmeiras mostrou que aprendeu como se deve jogar a Libertadores, o Cruzeiro tem de tirar ensinamentos para nunca mais repetir o vexame. 

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira 9 de abril de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 01h39

Manifestação do marketing do São Paulo FC

Prezado Juca,

Em relação ao texto publicado em seu blog, referente à gravação do DVD do Corinthians sobre o fim do jejum de títulos do clube, em 1977, quero deixar claro que o São Paulo recebeu, há mais de 30 dias, consulta informal por parte da Bossa Nova Films, nossa parceira, em nome da produtora Canal Azul, solicitando a cessão do Estádio do Morumbi por algumas horas (no máximo 5) para gravação do produto em questão no seu campo de jogo.

O pedido foi prontamente atendido e imeditamente solicitado à referida empresa que formalizasse o mesmo, por escrito, para que fosse dado seguimento aos demais trâmites internos. Tal formalização aconteceu muito tempo depois e nos surpreendeu porque solicitava não apenas o campo, mas também outras instalações do Estádio, e por um prazo de 2 dias.

Assim, embora a solicitação anterior tivesse aprovação do clube, o novo pedido excedia em muito o tempo anterior de utilização do Estádio, que hoje, não por acaso, é grande fonte de renda para o São Paulo Futebol Clube. Para ilustrar essa afirmativa eu gostaria de informá-lo que no ano de 2009 o SPFC auferirá com receitas de locação apenas para filmes publictários e comerciais quantia superior a R$ 1 milhão.

Tendo em vista o caráter comercial da gravação, foi encaminhado, então, à Canal Azul, o orçamento para a locação do espaço. Ainda que o valor de tais imagens possa ser, para a torcida corintiana, emocional e histórico, é certo que o DVD configura-se em um produto comercial, e esperamos que o Corinthians obtenha, com ele, o mesmo sucesso e receitas que teve o São Paulo Futebol Clube com suas recentes produções. Assim, é dever do São Paulo - e daqueles que o dirigem - conduzir comercialmente uma negociação de caráter estritamente mercantil.

Não tendo a Canal Azul, então, entrado em acordo para o pagamento pelo uso do espaço, acredito que tenham procurado outra locação para a reconstituição pretendida.

Para deixar claro que cobramos valores dentro do mercado e que em nenhum momento foi pretensão agir da forma "mesquinha" como relatado em seu blog, na semana passada o atual grande ídolo do Corinthians, Ronaldo, esteve no Estádio do Morumbi gravando um comercial e sua produtora pagou, por menos de 1 dia de gravação, R$ 90.000,00. O valor pedido para os 2 dias de locação para a Canal Azul foi de R$ 120.000,00, ou seja pouco mais de 30% de acréscimo para um período 100% maior.

Nossa intenção não é criar animosidades, e todos os contatos se deram unicamente entre funcionários do São Paulo Futebol Clube e da produtora responsável pelo projeto, sem qualquer intervenção do Sport Club Corinthians Paulista, exceto quando do envio da referida carta por seu Departamento de Marketing.

As negociações se encerraram no último dia 31 de março, antes mesmo da definição do confronto das semifinais do Campeonato Paulista. Todas as medidas para os dois próximos jogos entre São Paulo e Corinthians foram acordadas entre os clubes de maneira cordial, e teremos jogos de potencial explosivo nos próximos domingos. Espero, então, que uma mera falta de acordo em questões comerciais não seja utilizada para um novo acirramento de ânimos, que pode se revelar catastrófico.

Gostaria de ressaltar que a Diretoria de Marketing do SPFC procura sempre tratar os assuntos sob sua responsabilidade dentro da mais alta seriedade e seguindo os princípios éticos e morais que devem nortear a sua conduta, buscando aumentar ao máximo as receitas do clube e melhorar a sua imagem, e buscando jamais deixar-se levar pela paixão que contamina a todos nós amantes do futebol.

Quero aqui deixar meus cumprimentos pelo excelente jornalista que é e pela isenção e imparcialidade com que sempre aborda suas matérias, e me colocar à disposição  para checar dados e/ou informações atinentes ao Departamento de Marketing do SPFC sempre que julgar necessário, ou para dar nossa versão dos fatos.

Coloco à sua disposição, por fim, todos os documentos que comprovam o andamento das negociações acima referidas, de forma a contribuir com sua convicção fática para, quem sabe, retificar a informação do seu "incomparável blog" (definição de um leitor de carteirinha).

Abraços,

Adalberto Dellape Baptista
Diretor de Marketing do São Paulo Futebol Clube

Por Juca Kfouri às 00h33

Só o Corinthians

Restou o Corinthians como único invicto em 2009.

Boa noite!

Em tempo: e já sei, ao ler os comentários na manhã desta quinta-feira, não serão poucos os são-paulinos que terão se manifestado para dizer que a invencibilidade acabará no domingo.

Por Juca Kfouri às 00h14

Só o Flamengo eliminou o segundo jogo

Nada vi, por impossível.

Mas só o Flamengo, ao fazer 2 a 0 no Remo, eliminou o segundo jogo.

O Inter ganhou só de 2 a 1 do Guarani.

O Santos não passou do 0 a 0 com o CSA.

O Botafogo foi pior: perdeu para o Americano por 2 a 1, nada que não tenha solução, no entanto.

O Vitória fez 2 a 1 no Juventude, em Caxias, ótimo resultado.

Bahia e Coritiba empataram em dois gols, em Salvador, com o ABC e o Atlético Paranaense, em Natal.

E o Goiás fez apenas 1 a 0 no Brasiliense.

Entre os anfitriões, só o Americano ganhou.

Por Juca Kfouri às 00h01

Dois invictos que caem e Verdão vivíssimo

Em La Plata, o esperado: ainda no primeiro tempo, o Estudiantes resolveu o jogo, ao fazer 2 a 0 no até então invicto, em 2009, Cruzeiro, primeiro gol do velho e bom Verón, aos 5 minutos.

No segundo, ele mesmo desarmou Marquinhos Paraná para dar para Fernandez marcar, aos 32.

O Estudiantes marcou de novo, aos 28 do segundo tempo, em cobrança rápida de falta de Verón para Sánchez fazer 3 a 0, o mesmo placar, invertido, do Mineirão, embora também não espelhasse exatamente o andamento da partida.

O Cruzeiro, no entanto, se desorientou completamente e, aos 32, numa bobagem de Fabrício, Sánchez fez 4 a 0, placar definitivo e inapelável.

Na Ilha do Retiro, caía outro invicto, o Sport, diante da maior frieza e competência do Palmeiras.

Que soube suportar a pressão rubro-negra, com Marcos aparecendo muito bem em todos os quesitos: liderança, saída com os pés, defesas, duas ao menos muito difíceis, com as mãos.

E teve a felicidade de fazer um gol ainda no primeiro tempo, quando uma bola alçada na área encontrou Maurício, que fez um gol de acrobático voleio, mas dado para Keirrison, que tocou na bola com ela já dentro do gol, aos 23.

Silêncio na Ilha, como há tempos não se ouvia.

Um silêncio ensurdecedor.

Que acabou no segundo tempo, quando o Sport foi para o tudo ou nada e o Palmeiras tratou de criar os anticorpos, com Ortigoza, Sandro Silva e Marcão, nos lugares de Williams, Keirrison e Maurício.

No Sport, saíram Moacir, Daniel Paulista e Vandinho, para as entradas de Luciano Henrique, Sandro Goiano e Weldon.

Logo de cara, Diego Souza só não liquidou o jogo porque Magrão fez ótima defesa, numa jogada brilhante de ambos.

Mas, aos 27, em outra excelente jogada dele, saiu o 2 a 0, para ressuscitar o Palmeiras, que receberá o Sport na quarta-feira que vem para ficar em condições de igualdade com o campeão da Copa do Brasil e quase tetracampeão pernambucano.

Vanderlei Luxemburgo fez tudo certo e Nelsinho Baptista apenas o que pôde, numa noite para entrar para a história do Palmeiras, que liquidou com o favoritismo do rival.

Marcos, Maurício, Edmilson, Armero, Danilo, Pierre e Diego Souza, foram simplesmente irrepreensíveis.

Por Juca Kfouri às 23h44

08/04/2009

Baile em Barcelona, virada em Liverpool

O Barcelona acaba de enfiar 4 a 0 no Bayern de Munique, em Camp Nou, pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões.

Foi um baile.

Ou melhor: um massacre.

Dois gols de Messi, um de Henry, mais um de Eto'o.

Todos com troca de passe, pela direita ou pela esquerda.

Como os dois gols perdidos também ainda no primeiro tempo, um com Messi, outro com Henry.

Fora um pênalti cometido em Messi, claríssimo, mas não marcado.

O segundo tempo foi só para constar.

Já em Liverpool, os donos da casa saíram na frente logo aos 6 minutos, mas, tomaram a virada do Chelsea, 3 a 1.

Barça e Chelsea, catástrofes à parte, já podem se considerar semifinalistas.

Porto e Arsenal são os favoritos para as outras duas vagas.

Por Juca Kfouri às 17h45

Novo capítulo São Paulo x Corinthians

O primeiro filme da trilogia que a Fox Filmes produz sobre os títulos corintianos de 1977, o tetracampeonato brasileiro (1990/98/99/2005) e o Mundial da Fifa de 2000, está em fase final.

O do fim do jejum estadual.

A filmagem do gol de Basílio, no entanto, está sendo realizada no campo do Juventus, na rua Javari.

Porque o São Paulo não cedeu o Morumbi, onde o gol aconteceu.

Mesquinharia pura que desmente a propalada intenção da direção tricolor em voltar às boas com a alvinegra.

Se tinha razão no primeiro episódio da limitação de ingressos para o clássico pelo Paulistinha, agora não tem nenhuma.

Por Juca Kfouri às 16h33

Os desafios de três brasileiros na Libertadores

Dois jogos envolvem três times brasileiros nesta noite pela Libertadores.

Em busca de sua vigésima partida invicta em 2009, o Cruzeiro vai a La Plata enfrentar o Estudiantes, a quem derrotou no Mineirão por 3 a 0, numa vitória justa, mas por um placar que não espelhou o que foi a dureza do jogo.

Um empate garante a classificação do Cruzeiro e a invencibilidade na temporada, razão pela qual será muito bem-vindo.

Mas o grande jogo da noite, o primeiro "jogo do ano" de 2009, será disputado no Recife, na Ilha do Retiro, entre Sport, seis pontos em dois jogos, contra o Palmeiras, nenhum ponto em dois jogos.

E, ao que tudo indica, em clima só de futebol, não de guerra, graças aos esforços do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e dos dois presidentes dos dois clubes, Sílvio Guimarães, do Sport, e Luiz Gonzaga Belluzzo, do Palmeiras.

O governador, que é torcedor do Náutico, recebeu os dois ontem no Palácio Campo das Princesas para garantir a paz e um esquema de segurança tranquilizador.

Paz prometida, mistério nos dois lados.

Nelsinho Baptista, que não costuma fazer segredo na escalação de seus times, guarda a sete chaves qual será sua dupla de ataque.

O menino Ciro começará ou não a partida?

Já Vanderlei Luxemburgo, como é habitual, se puder, só anunciará seus titulares depois do começo do jogo.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 8 de abril de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

 

Por Juca Kfouri às 00h47

Família e nota exemplares

A viúva de Giulite Coutinho, Lina, o filho Osmar e a nora Maria Alice, publicaram, ontem, a nota abaixo em alguns dos principais jornais do eixo Rio-São Paulo.

Além da dor, do elogio equilibrado e justo ao marido, pai e sogro, o tom crítico em relação ao futebol, que certamente ele assinaria.

Por Juca Kfouri às 00h02

07/04/2009

Grêmio goleia e é goleado

Vi mal, Grêmio 3, Aurora 0, pela Libertadores, no Olímpico, gols de Rafael Marques, Maxi Lópes e Réver, os dois últimos no segundo tempo.

Estava no ar no CBN EC.

Quando soube que também Adílson Batista disse não ao Grêmio, depois de Nelsinho Baptista e Geninho: outro 3 a 0.

O novo técnico, segundo se especula, Renato Gaúcho, era o quarto da lista.

Bem cotado, hein?

Em tempo (às 21h50): Renato Gaúcho, nome bastante especulado desde o último domingo, nem é o quarto.

Surge forte, agora, o nome de Paulo Autuori.

Este não se pode dizer que é o quarto ou o quinto.

Este é de primeiríssimo nível e, aí sim, caso o Grêmio consiga trazê-lo do Catar, o tricolor terá dado um grande passo à frente, ainda mais que já está praticamente garantido nas oitavas-de-final da Libertadores.

Libertadores que mereceu um cartaz bem sacado de um torcedor no Olímpico, mostrado pela Sportv: "Colorado, boa noite! Hoje é dia de Libertadores."

Por Juca Kfouri às 21h01

O Porto ameaça

Por ANTONIO AZEVEDO

No tempos da ditadura Salazarista, o FC Porto era quase um time pequeno.

 

Da democratização portuguesa para cá, pós-Revolução dos Cravos, em 1974, o quadro mudou.

 

E o poderoso Manchester United que se cuide.

 

O empate de 2 a 2 hoje, em Manchester, dá uma idéia do que será o jogo de volta, no Porto.

Confira abaixo:

                    1939 1984 (46 )        1985 2008 (24)             1939 2008 (70 campeonatos)

 

Benfica                23                                  5                                     28

Porto               6                         16                             22           

Sporting               16                                 2                                     18

Belenenses              1                                  -                                       1

Boa Vista               -                                   1                                       1

 

Por Juca Kfouri às 18h44

Em 10 versos, todos com 10 sílabas

Por VICTOR ROSA*

dez

riquelme impõe com seu ritmo destro
o jogo morto ou túmulo - lento
e com um golpe preciso e certo
o seu silêncio decreta o outro.

contraste definido pelo vento
dois passos de monótono domínio
futebol sem sobra: lâmina, pouco
só permanece o olho em movimento.

se sua presença predomina o mínimo
ainda mantém o drama do barroco.

*Victor Rosa faz mestrado em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina e fez o poema inspirado por João Cabral de Melo Neto, em seus versos  para Ademir da Guia.

Por Juca Kfouri às 15h01

1955: O primeiro Sport x Palmeiras

Por ROBERTO VIEIRA 

18 de maio de 1955. Final de tarde no Aeroporto dos Guararapes.

A Sociedade Esportiva Palmeiras visita Recife pela primeira vez.

Graças aos esforços e patrocínio de Adamir Menezes, irmão de Ademir, o Queixada.

Adamir que era o supervisor para o Nordeste da Saturnia S/A Acumuladores Elétricos de São Paulo.

O Palmeiras é o convidado especial do Torneio Prefeito Djair Brindeiro.

Torneio comemorativo do cinquentenário do Sport Club Recife.

Completam o certame, o Náutico e o América-PE.

Tempos de paz*.

Na chegada em solo pernambucano, o dirigente rubro negro Divaldo Sanguinetti, em discurso, homenageia os visitantes.

Chefiando a delegação, o Presidente Bruno Sacomanni agradece a homenagem.

Pela Rádio Panamericana, o locutor Salem Junior transmitirá em ondas curtas o evento.

Os paulistas chegam desfalcados de elementos importantes.

Ficaram em São Paulo, Liminha, Manoelito e Renato.

Também ficou em casa o zagueiro de um milhão de cruzeiros: Valdir, comprado à Ponte Preta.

Em compensação, o Palmeiras trazia Valdemar Fiúme, Jair Rosa Pinto e Humberto Tozzi.

Pra que mais?

A tabela reservou Sport x Palmeiras para a rodada final.

Antes do jogo, o Palmeiras venceu o Náutico por 3 x 1 e o América por 1 x 0.

O Sport goleou o Náutico por 5 x 2, mas empatou em 1 x 1 com o clube da Estrada do Arraial.

Basta o empate para assegurar o título ao tríplice coroado do futebol bandeirante.

25 de maio de 1955. Chuva forte na Ilha do Retiro.

O Sport de Gentil Cardoso alinha Carijó; Moreira, Pedro Matos, Miguel e Pinheirense; Wilson e Gringo; Celly, Carlinhos, Soca e Eliezer.

O Palmeiras do técnico Ventura Cambom forma com Laércio; Nilo e Mário; Nicolau, Valdemar e Gérsio; Elzo, Humberto, Ney, Jair e Rodrigues.

O primeiro tempo é jogado com cautela.

As defesas prevalecem. Poucos lances de perigo.

Até que aos 37 minutos, a torcida emudece. Falta na entrada da área.

Adivinha quem vai bater? Jair Rosa Pinto desfere um petardo tão ao seu estilo.

Carijó voa por desencargo de consciência. Palmeiras 1 x 0.

Porém, a festa palestrina durou pouco.

Dois minutos depois, Eliézer recebe livre e toca no canto de Laércio: 1 x 1.

Festa na Ilha. Mas um jogo de futebol tem 90 minutos.

Aos 15' da etapa derradeira, Ney toca para Ivan que descobre Rodrigues livre.

No segundo seguinte a pelota chega ao artilheiro Humberto Tozzi.

Bola com Tozzi já tem endereço certo: Palmeiras 2 x 1.

Celly é substituído por Traçaia.

Na primeira jogada, Traçaia dribla dois palmeirenses e é tocado por Valdemar perto da risca de grande área.

Foi pênalti, não foi pênalti?

O árbitro Pedro Calil achou que não foi.

Palmeiras campeão do Quadrangular.

Ao contrário dos dias de hoje, Sport e Palmeiras se abraçaram no final do confronto.

A Sociedade Esportiva Palmeiras levou o troféu.

E voltou correndo para São Paulo. Tinha jogo contra a Lusa pelo Rio-São Paulo.

O Sport?

O Sport aguardava a chegada do próximo convidado da festa: O Corinthians de Gilmar.

Mas aí já é outra história...

 

Gol do Sport

 

Gol do Palmeiras 

*Em tempo: O almoço desta terça-feira, no Campo das Princesas, entre o Presidente Sílvio Guimarães do Sport e Luiz Gonzaga Belluzo do Palmeiras, é um sinal de civilidade. Digno dos anos 50...

Por Juca Kfouri às 14h52

Os 85 anos da resposta histórica

Há precisamente 85 anos, no dia 7 de abril de 1924, o Club de Regatas Vasco da Gama produziu um dos documentos mais importantes da história do esporte mundial, que ficou conhecido como "A RESPOSTA HISTÓRICA".

O documento, redigido em poucos parágrafos, comunicava ao sr. Arnaldo Guinle, presidente da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos), liga recém-fundada pelos cinco clubes mais influentes do Rio de Janeiro na época (América, Bangu, Botafogo, Flamengo e Fluminense), que o Vasco preferia não fazer parte da nova entidade a ter que se submeter à exigência de eliminar de seus quadros 12 atletas, a maioria deles negros, mulatos, nordestinos ou pobres, considerados pela AMEA jogadores "de profissão duvidosa".

Desta forma, o Vasco manteve-se na LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres), liga na qual, enfrentando os cinco "grandes", conquistara o Campeonato Carioca de 1923, e disputou em 1924 um campeonato esvaziado contra equipes de menor expressão, sagrando-se campeão com 16 vitórias em 16 jogos.

Em 1925, o Vasco foi admitido na AMEA de forma incondicional e voltou a enfrentar os "grandes" com seus atletas negros, mulatos, nordestinos e pobres.

Uma reprodução da "RESPOSTA HISTÓRICA", este verdadeiro marco da luta do Club de Regatas Vasco da Gama contra a discriminação social e racial no esporte brasileiro, pode ser vista nos dias de hoje na Sala de Troféus da sede de São Januário, encimada pelo seguinte lembrete: "Sem o Vasco, o futebol brasileiro não teria conhecido Pelé".



Quadro com a reprodução do documento "A Resposta Histórica" na Sala de Troféus de São Januário


A RESPOSTA HISTÓRICA



"Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.
Ofício nr. 261
Exmo. Sr. Dr. Arnaldo Guinle
M.D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos

            As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V.Exa tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.
            Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma por que será exercido o direito de discussão e voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.
            Quanto à condição de eliminarmos doze (12) dos nossos jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.
            Estamos certos que V.Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se à AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro de 1923.
            São esses doze jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de sua carreira e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias.
            Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V.Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.
            Queira V.Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever, de V.Exa. At. Vnr. Obrigado

(a) Dr. José Augusto Prestes
Presidente"
http://www.netvasco.com.br/news/noticias15/64032.shtml

Por Juca Kfouri às 14h16

E Nelsinho Baptista disse não

O Grêmio tentou tirar o técnico Nelsinho Baptista do Sport, às vésperas do jogão contra o Palmeiras.

Ouviu um sonoro e surpreendente, para o Grêmio, não.

Sonoro porque Nelsinho fez o que poucos fazem: resolveu cumprir seu contrato com o clube pernambucano.

Surpreendente, para o Grêmio, porque seus cartolas imaginaram que ao oferecer mais dinheiro do que o técnico recebe no Recife, ele iria para Porto Alegre, já que, como o Sport, o time gaúcho também está bem na Libertadores.

Mas Nelsinho Baptista foi eticamente impecável.

Pena que não se possa dizer o mesmo do Grêmio.

Que agora terá de contratar outro treinador, já enfraquecido por saber que não foi a primeira opção.

Campeão brasileiro pelo Corinthians em 1990, campeão da Copa do Brasil pelo Sport no ano passado, campeão japonês,  campeão paranaense, duas vezes campeão paulista, campeão goiano, pernambucano,  Nelsinho Baptista acaba de conquistar mais um título importante em sua carreira: a de homem de palavra.

Campeões nacionais, no Brasil ou no Japão, e estaduais, existem muitos.

Homens de palavra, no futebol, são cada vez mais raros. 

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 7 de abril de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

 

Por Juca Kfouri às 01h16

06/04/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 19h05

Santos x Palmeiras, na Vila Belmiro

Santos e Palmeiras já jogaram 91 vezes na Vila Belmiro.

O Palmeiras é o único integrante do Trio de Ferro que leva vantagem no campo santista.

Tem 40 vitórias contra 36 derrotas e 15 empates.

Por Juca Kfouri às 16h36

Corinthians x São Paulo, no Pacaembu

Corinthians e São Paulo já jogaram 123 vezes no estádio do Pacaembu.

A vantagem é tricolor, com 47 vitórias contra 43.

Houve 33 empates.

Por Juca Kfouri às 16h07

É hoje!

 

O goleiro Rogério Ceni, e o jornalista André Plihal, autores do lançamento Maioridade Penal - 18 anos de histórias inéditas da marca da cal, irão receber o público para uma noite de autógrafos, na Saraiva MegaStore do MorumbiShopping, nesta segunda-feira (6), as 19hs.

As senhas começarão a ser distribuídas à partir das 17hs.


Maioridade Penal - 18 anos de histórias inéditas da marca da cal

Rogério Ceni é hoje o maior goleiro-artilheiro do planeta.

É também recordista de jogos e de campeonatos, integrando o time dos jogadores mais vencedores do futebol brasileiro de todos os tempos.

Em comemoração aos 18 anos de carreira, Ceni presenteia seus fãs com histórias inéditas da sua vida profissional.

Em entrevista ao jornalista André Plihal, Rogério revela as dificuldades de sua fase de jogador principiante, as conquistas nacionais e mundiais, sua passagem pela Seleção Brasileira, a influência dos técnicos e colegas em sua formação, detalhes da sua personalidade e fatos engraçados que vivenciou nesses 18 anos de futebol.

Além das 57 histórias, o livro traz também um caderno com fotos coloridas e um encarte com a coleção de camisas usadas em jogos por Rogério Ceni.

“Rogério Ceni. No gol, na linha e na história do futebol mundial.”
(faixa da torcida são-paulina)

Por Juca Kfouri às 14h23

O inverno das nossas pretensões

*Por AILTON ALVES


Na verdade nem era inverno (com aquele mormaço durante o jogo e aquela lua após a partida) mas é como se fosse.

 O inverno é tido e havido como a pior estação do ano, a que congela a alma e nos deixa mais vulneráveis.

E nunca fomos tão vulneráveis.

E jamais sofremos assim, a conta-gotas, por partes.

Primeiro houve a invasão daquilo que Roberto Drummond chamava de China Azul.

Eles vieram de várias partes de Minas e foram tomando a parte das arquibancadas a eles destinado.

E estavam todos de azul ou de branco com detalhes em azul – o que deu uma uniformidade espetacular.

Do outro lado, do nosso lado, o preto e o branco (que são as cores do Tupi) não predominavam.

Desgraçadamente havia muito vermelho e preto, muitos tricolores, Cruz-de-Malta a rodo e também estrelas solitárias.

O segundo sofrimento foi no campo.

Parodiando Diego Maradona, na derrota argentina por 6 a 1 para a Bolívia, cada gol era uma punhalada na alma.

Mas, isso, talvez, seja do futebol.

Durante os noventa minutos não temos a noção de nada, a não ser do jogo.

Não há ali, enquanto a bola rola, previsão de nenhuma conseqüência.

A tensão e a esperança dominam, os desdobramentos ficam congelados.

Só quando o árbitro apita o fim da partida e olhamos pela última vez para o placar caímos na real, entendemos o triunfo ou a desgraça consumada.

Por conta disso, saímos – pelo menos a maioria dos torcedores, aqueles que sabem que o futebol não é um assunto menor – quietos.

Somos, sempre, um grupo de pessoas em silêncio profundo.

E aí veio o terceiro dos sofrimentos, o maior, aquele dominado pela humilhação.

Pela primeira vez, desde que freqüento o Mário Helênio, tive que dar a volta completa nos arredores do estádio para, então, retomar o caminho de casa pela estrada da Embrapa.

Nunca foi tão constrangedor.

Calhou dos cruzeirenses – em azul, predominantemente em azul – estarem descendo em direção ao estacionamento principal e nós, os carijós – vestidos também e absurdamente de Flamengo, Fluminense, Vasco ou Botafogo – subindo.

O cruzamento se deu de forma bastante civilizada, apesar das diferenças de aura e espírito: eles com ar superior, nós absolutamente resignados.

O céu que protege a todos – muitas vezes de forma injusta, desigual – e a lua foram testemunhas desses dois impressionantes expressos humanos.

Minha vontade era, nesse cruzamento a que fomos submetidos, abaixar a cabeça, cerrar os olhos, mas foi impossível, principalmente porque elas, as meninas de Minas, de azul, estavam assombrosamente belas.

Nenhuma surpresa: as mulheres das Gerais ficam ainda mais belas depois de uma grande vitória.

Quando passou o turbilhão, naquele instante de alívio, de não ter mais que encarar os cruzeirenses, pensei numa frase de Eduardo Galeano: "nunca seremos afortunados".

Um clube que perde de sete numa fase decisiva de um campeonato (ou que perde de três para um time como o Criciúma, quando podia perder de dois) mostra perfeitamente qual é a parte que nos cabe nesse imenso latifúndio que é o futebol.

*Ailton Alves é torcedor do Tupi, mesmo depois dos 7 a 2 impostos pelo Cruzeiro, ontem, em Juiz de Fora. E, quase, resignado...

Por Juca Kfouri às 14h12

Lembretes

O Corinthians pode ser eliminado invicto do Paulistinha.

Basta que empate seus dois jogos com o São Paulo.

Melhor, portanto, será perder um e ganhar o outro por diferença maior de gols.

Já o Fla-Flu da semifinal da Taça Rio decide antecipadamente quem pode passar na frente do outro em número de títulos estaduais (cada um tem 30).

Inter e Sport têm tudo para serem campeões estaduais antecipadamente e invictos.

Por Juca Kfouri às 09h47

O Maquiavel do futebol

*Por SERGIO LEVINSKY

 Si Maquiavelo pudiera levantarse de su tumba y enterarse de que existe alguien como Julio Grondona, lo más probable es que trataría afanosamente de tener un encuentro con él.

Buscaría conocerlo de cualquier manera porque difícilmente podría encontrar alguien que, muy probablemente sin leerlo, lo haya superado con creces en cuanto a la lectura del manejo del poder, aunque no se trate con exactitud del manejo de la "cosa pública" sino que hasta ha logrado eso: que no se sepa bien, a esta altura, si lo que debe administrar es público, semipúblico, autárquico o privado.

Pocos imaginaron, acaso tampoco él mismo, que cuando Grondona asumió como presidente de la AFA el 6 de abril de 1979, hace 30 años, sobreviviría a presidentes argentinos ya sea militares, radicales o peronistas.

Al fin y al cabo, salvo con algunos detalles, el manejo del fútbol (como de muchas otras cosas) no cambia demasiado.

Grondona se dio cuenta de que el poder tiene dos caras, y que podría tener muchas más, si hace falta.

Entonces, con el tiempo fue "mister Grondona", cuando debe hospedarse en el lujoso hotel Barolac, en la fría Zurich, cuando maneja las finanzas de la FIFA, el entrañable "Don Julio", cuando hay que mostrar una imagen humilde y su señora Nélida atiende el teléfono entre supuestos materiales en el pequeño comercio de Sarandí, y el dirigente se enfundará un poncho para darle a sus palabras un toque de viejo bonachón y de pueblo.

Y cuando lo necesite, será simplemente "Julio"·, con camisa abierta, y sin corbata, en su despacho de la vaciada AFA de la calle Viamonte, cuando por teléfono decidirá vetar un árbitro para un partido del domingo para no molestar a los amigos de tal o cual club, o dará la orden inmediata para "liberar fondos" para alguna entidad grande en graves problemas económicos, a la que dos meses después sugerirá que acepte jugar los viernes para la TV en vez de los domingos.

Grondona lo fue aprendiendo sobre la marcha.

Relojeando a sus opositores, a los posibles rivales, a los que se dicen amigos, a los que vienen con algún negocio "redondo", a los que le traen ideas de "ingenierías societarias", a los que se dicen "periodistas independientes", a los que lo critican pero no necesitan decirlo, a los que se hacen los progres pero jamás lograrán moverle un pelo, y a los "peligrosos en serio".

También consiguió lo que ninguno: vaciar por completo la AFA.

Reducirla a un mero edificio para trámites burocráticos, con empleados a su servicio capaces de entorpecer cualquier posibilidad de cambio o de justicia real, por viveza criolla, por entender de qué va el juego o, lo más probable, por su propia incompetencia, algo más que necesario para que cierre el creciente negocio armado con tanta paciencia y tanto sudor en cerradas oficinas en Puerto Madero, o en las mejores habitaciones de vaya a saberse de qué hotel en cualquier lugardel planeta.

Cual Maquiavelo del fútbol moderno, nada de lo que sucede alrededor de Grondona es por puro azar.

No es por azar que los derechos de la TV más monopólica del mundo duren hasta 2014 y provengan desde 1985, ni que nuestro personaje repita que la AFA "son los clubes" sin que nadie ose siquiera pensar algo diferente, o superador, o que se atreva a decirlo.

Tampoco es por azar que los clubes aparezcan tan empobrecidos mientras la entidad madre cada vez es más rica, y los operadores televisivos ganan fortunas que ni en Europa podrían conseguir, mientras buena parte de la población ni siquiera puede ver por TV los partidos de la selección nacional.

Ni siquiera el cambio de eliminatorias al Mundial es azar y el cambio de clasificación por grupos al de "todos contra todos" es obra de Grondona con los socios que supo conseguir, desde su lugarteniente Deluca hasta sus amigos de Brasil o Uruguay.

Por eso, tampoco es casual que siempre, siempre, la última fecha toque con los vecinos rioplatenses, no vaya a ser que alguno de los dos necesite un favor.

Amigos son los amigos.

Tampoco es casual que ningún gobierno de ningún partido intente atacarlo de verdad.

Amagan, sí, pero se dan cuenta más temprano que tarde que resultaría una tarea imposible, porque todo está ya atado, y mejor hacer las paces.

Por eso, ni siquiera alcanzará con la cantidad de muertos por violencia del mismo fútbol de los últimos 30 años, una cifra que avergonzaría a cualquiera que preside una entidad con tanta simbología popular: 135 casos fatales, según la ONG "Salvemos al Fútbol".

Pero Grondona, maestro de maestros del arte de la justificación, el disimulo y el tiempismo, apelará a la cara de la moneda que más le conviene y sabrá, sagaz, que de todos modos "todo pasa", como reza su anillo sincericida.

Cuando los dirigentes políticos fueron, él ya dio tres vueltas, desde su entrenamiento para captar quién es quién, y su experiencia de estar atornillado al sillón presidencial, algo en lo que nadie puede competir.

Profundo conocedor del manejo de las sociedades, es dificilísimo encontrar una rendija de la que pueda salir eyectado.

Todo está perfectamente sellado y acordado, lejos del edificio de Viamonte, en oscuras oficinas.

Y como una cosa lleva a la otra, a Don Julio, la misma dinámica lo fue llevando nada menos que a manejar las finanzas de la mismísima FIFA.

Y allí, más que nunca, se acordó de sus amigos, de los que lo beneficiaron, de los que supieron callar los secretos, de los que aprendieron que basta con formar parte de esa gran familia que es esta AFA de los últimos 30 años, a hacer la vista gorda, a entender que no se puede tocar a fulano, ni quejarse porque tal árbitro está vetado por aquel club.

Todo tiene un por qué, si hasta un guión como "El Padrino" parece quedar chico en la comparación.

En estos 30 años de Grondona en la AFA todo valió.

Incluso, que su hijo mayor pugne (y con posibilidades) por entrar en el plantel de la selección argentina como entrenador, luego de ser lobbista del Corinthians de Berezovsky y Kía Joorbachián, o director técnico del Talleres de Córdoba de Carlos Ahumada, buscado por la Interpol desde hace tiempo (y sin que la AFA diga ni haga nada).

O que su hijo menor aspire, y con buena chance, de quedarse en el sillón de su padre en el futuro, luego de presidir su querido Arsenal, para perpetuar el grondonismo cual monarquía del fútbol argentino privatizado.

No hay prensa que valga.

Unos pocos locos que se oponen y para los que Grondona pondrá cara de póker casi sin entender tamaña oposición.

Para qué oponerse, si la mayoría, empleada del monopolio, dice que todo está bastante bien, que marcha sobre ruedas, que Argentina es una potencia futbolística, si los negocios están a full y no pasa nada.

Todo es una exageración de unos pocos opositores que lo tienen de punto.

Si la Justicia allana sus oficinas, se trata de un hecho menor.

Algunos pocos osados lo contarán, pero usted, lector, no se enterará por ningún diario, ninguna revista, ningún canal de TV.

Sólo Radio Continental y pequeños medios independientes se animarán a contarlo mientras el resto calla, obsecuente y cómplice.

Pero nada es necesario. Todo pasa, incluso Grondona, aunque creamos muchas veces que no.

También Grondona pasará un día.

El gran problema es que lo que quede para los amantes del fútbol ya sea migajas, o directamente nada, la fiesta tal vez se haya terminado y hayan logrado matar la gallina de los huevos de oro.

Tal vez a algún Maquiavelo del futuro, cuando escriba sobre cómo manejar el poder en estos tiempos, le convenga buscar cintas grabadas de Grondona, escanear textos con sus declaraciones hoy para un lado y mañana para el otro, sus ponchos, anillos y trajes, sus gestos y sus miradas fulminantes o de viejo bonachón, y entienda cómo hay que administrar semejante botín.

Grondona promete más piruetas, negocios y frases ingeniosas en el tiempo que le quede, no es cuestión de que otros quieran ocupar lo que es de él. Porque el fútbol argentino le pertenece. ¿O no?

http://sergiol-nimasnimenos.blogspot.com/2009/04/el-maquiavelo-del-futbol.html

Nota deste blog: tudo isso lembrou a você alguém, alguma coisa e algumas outras coisas?

*Sergio Levinsky é jornalista e sociólogo.

Por Juca Kfouri às 00h44

05/04/2009

Torcedores*

Por FÁBIO CHIORINO

 

Torcedor de futebol é um bicho engraçado

Enxerga no esporte uma razão para viver

Escolhe times como quem segue uma religião

Elege ídolos com quem busca a devoção por um santo

Missa toda quarta e domingo. Quarta e domingo.

 

A ida ao estádio é uma visita a um templo sagrado

Hinos, gritos, cascas de amendoim

Sorvetes de limão, apitos, aflição

Todos de olho numa bola atrevida

Que resolve na hora se explode na trave

Ou faz com que estranhos se abracem

Como melhores amigos

 

O gol é um divisor de águas

Deve-se saboreá-lo sem parcimônia

Há os que saem correndo em disparada

E se imaginam comemorando junto à torcida

Alguns choram mesmo quando o tento é a favor

E muitos ateus olham para o céu e agradecem

 

Mas o futebol é uma montanha russa maldosa

A eliminação no último minuto é uma catalepsia

Difícil se mover diante de tal fatalidade

A glória é vista tão de perto

Que a miopia embaça a percepção do fracasso

 

A derrota não é apenas um revés a mais

Ou uma conquista a menos

É um garoto que chora

Descontroladamente

Porque o castigo é muito grande

Para quem ontem dormiu confiante

E apenas sonhou ser campeão

 

* A Portuguesa derrotou o Santo André por 2 a 1. Mas não foi suficiente para se classificar. Com um gol no último minuto, o Santos superou a Ponte Preta por 3 a 2 e, por causa do saldo de gols, ficou com a última vaga à fase semifinal do Campeonato Paulista

 

Fabio Chiorino 27, não torce para a Portuguesa, mas já foi menino e conhece bem a dor de uma derrota.

Por Juca Kfouri às 21h37

Morreu um homem de bem

Morreu, aos 87, Giulite Coutinho.

Presidiu o América e a CBF.

Esteve à frente da Seleção Brasileira na Copa de 1982, quando não só foi montado um dos melhores times de todos os tempos como, ainda, formou-se um grupo de pessoas com quem dava gosto conviver.

Giulite Coutinho não tirou um tostão do futebol brasileiro e, ao encontrá-lo numa situação caótica, conseguiu fazer o que era possível, com uma drástica diminuição, por exemplo, do número de participantes do Campeonato Brasileiro, que chegou a ter mais de 100 e ele reduziu para 40.

Autoritário, homem de convicções de direita, era decente até o último fio de cabelo.

Um dirigente, não um cartola.

Que não deixou de lutar dentro de suas forças contra o que está aí.

Já tenho saudades dele.

Por Juca Kfouri às 19h26

Virada centenária

Mais de 44 mil torcedores no Beira-Rio, centésimo Gre-Nal no estádio, gol de Tcheco, de pênalti, no primeiro tempo, Grêmio  na frente.

Frio na barriga colorada.

E na espinha dorsal.

Mas por pouco tempo.

Nilmar foi derrubado na área, ainda tentou seguir adiante, mas o pênalti foi bem marcado.

Andrezinho bateu mal, mas empatou.

E, no segundo tempo, apesar de levar duas bolas na trave, o Inter virou.

Índio, para variar, o zagueiro-artilheiro, fez um gol de centroavante.

E eliminou o rival ainda nas quartas-de-final.

Rima e solução, para quem se gaba de ser de tudo campeão.

Por Juca Kfouri às 19h13

Os quatro grandes também no Rio

O Flamengo, com Émerson, aos 48 do segundo tempo, empatou com o Flu, que marcara com Alan, aos 32.

Um clássico esvaziado pela burrice da cartolagem, pois é de se prever que ambos cheguem classificados na última rodada.

Resultado: o Flu manteve sua invencibilidade e o Mengo a liderança do seu grupo, além de apenas 30 mil torcedores no Maracanã.

Assim, teremos outro Fla-Flu nas semifinais da Taça Rio.

O Vasco, ao golear o Bangu por 4 a 0, também manteve sua invencibilidade.

Enfrentará o Botafogo, que também goleou o Resende, pelos mesmos 4 a 0.

Também será divertido.

Por Juca Kfouri às 18h03

Dramaticamente Santos!

A TV errou gravemente ao não transmitir, nem no Pagar-Para-Ver, o jogo do Canindé.

Que, pela Rádio Tupi, foi intenso, equilibrado e emocionante.

A Lusa venceu o Santo André por 2 a 1, com gols de Christian e Edno no primeiro tempo, etapa na em que a Lusa poderia ter feito mais.

Mas no segundo tempo o Ramalhão reagiu, fez seu gol e mandou duas bolas nas traves de Fábio.

Enquanto a Lusa se segurava em sua casa, o Santos perdia, de virada, também por 2 a 1, em Campinas, com toda justiça para a Ponte Preta.

O Santos foi para o intervalo com a vantagem fruto de um gol de Kléber Pereira, mas assim que deu a saída, Luizinho deu de presente o empate à Macaca.

Que virou e exigiu de Fábio Costa defesas em cima de defesas.

Tudo parecia perdido.

Mas, já no fim, aos 37, Kléber Pereira empatou e acendeu as esperanças santistas.

Um gol do Santos ou do Santo André classsificaria o Peixe.

E, aos 42, o zagueiro campineiro meteu a mão na bola dentro da área.

Kléber Pereira bateu o pênalti e fez 3 a 2, para matar lusos e praianos do coração, uns de tristeza, outros de alegria.

E o jogo foi ainda até os 49 minutos!

O Santos se impunha como o quarto grande de São Paulo!

Também por 2 a 1, e de virada, mas sobre o Botafogo, no Palestra Itália, o Palmeiras garantiu o primeiro lugar, com gols de Ortigoza e, em seguida, de Diego Souza, placar importante.

Porque o São Paulo ganhava do São Caetano pelos mesmos 2 a 1, gols de André Lima, em impedimento claro, e Renato Silva.

No fim, o Azulão empatou: 2 a 2, dois gols decorrentes de falhas de Rogério Ceni.

Já o Corinthians manteve sua invencibilidade ao empatar 2 a 2 em Mirassol, depois de estar perdendo por 2 a 0.

Chicão, de pênalti, e Dentinho, fizeram os gols.

Palmeiras e Santos, São Paulo e Corinthians farão as semifinais.

Será divertido.

Por Juca Kfouri às 17h56

No 'Correio Braziliense' de hoje

Política

TCU enquadra Ministério do Esporte

Tribunal recomenda que ministério siga regras rígidas e claras para celebrar convênios com organizações não governamentais e assim evitar irregularidades como as constatadas no Programa Segundo Tempo

 

Izabelle Torres - Correio Braziliense

 

Depois de passar pelo menos três anos analisando a aplicação de recursos pelo Ministério do Esporte por meio do programa Segundo Tempo, o Tribunal de Contas da União (TCU) publicou na última quarta-feira uma decisão com teor que deveria parecer óbvio para qualquer gestor do dinheiro público. O tribunal determinou que a pasta adote como rotina a avaliação técnica das propostas e analise a capacidade operacional e jurídica das entidades cujos projetos vão receber ajuda financeira. A recomendação da Corte é resultado do cenário encontrado durante as auditorias realizadas desde 2006, quando foram constatadas irregularidades que vão desde a adoção de critérios subjetivos para escolher as instituições beneficiadas, até o repasse de recursos a entidades sem condições para executar o programa.

De acordo com o relatório, as falhas na gestão do Segundo Tempo evidenciam a insuficiência de análises técnicas por parte do ministério, que em alguns casos sequer verificou se a estrutura física das instituições era condizente com o número de crianças que o projeto prometia atender. A conta do descaso mais uma vez sobrou para os cofres públicos. "As irregularidades ocorridas no Programa Segundo Tempo são mais um exemplo de como os recursos federais executados por meio de convênios, ou instrumentos similares, não são devidamente controlados pelos vários órgãos da administração pública", diz o texto do acórdão aprovado pelos ministros.

De acordo com a decisão do TCU, a Secretaria Nacional de Esporte Educacional do ministério terá de adotar manuais ou rotinas de procedimentos para realização de avaliações rigorosas das propostas apresentadas pelas entidades. Terão de aprovar projetos que apresentem consistência dos planos de trabalho, adequabilidade dos custos e avaliar a capacidade administrativa, operacional, jurídica e financeira das entidades que serão beneficiadas.

Irregularidades
No mês passado, o TCU publicou outro acórdão referente à aplicação dos recursos do Segundo Tempo. Nele, afirmou que em pelo menos três dos convênios celebrados entre 2005 e 2006 o ministério colocou dinheiro público nas mãos de entidades que não tinham condições de cumprir os objetivos estabelecidos pelo programa.

Estão na lista do tribunal a Rumo Certo, que recebeu mais de R$ 5,4 milhões e não concluiu o projeto; a Movimento Resgate e Ação, que embolsou R$ 2,9 milhões e não cumpriu os termos do convênio, e a ONG Viva Rio, que apesar de ter recebido R$ 6,1 milhões cumpriu apenas parte do que previa a proposta apresentada inicialmente ao órgão. A entidade discorda das conclusões do tribunal e diz que está tentando provar na Justiça que realizou o trabalho prometido.

Sobre as acusações do TCU, a assessoria do Ministério do Esporte informa, por meio de e-mail, que a pasta "sempre pautou sua atuação seguindo as disposições legais e normativas vigentes para a formalização e acompanhamento da execução do Programa Segundo Tempo desde sua criação em 2003.

Por Juca Kfouri às 13h17

Na 'Folha' de hoje

Por TOSTÃO

O grito que faltava

 Ronaldinho precisa tomar uma decisão. Reage ou se despede da seleção brasileira. É triste vê-lo no banco


QUANDO TRABALHAVA como médico, um paciente me disse que tinha tristeza por existir e uma incapacidade de desfrutar os prazeres da vida.

Ele contou ainda que tinha feito dez anos de tratamento psicológico, sem bons resultados.

Já outras pessoas se beneficiam dessa ajuda.

Um dia, para sua grande surpresa, a companheira de longo tempo lhe disse que ia embora.

O paciente entrou em pânico.

Era o ruído, o grito, que ele precisava para tomar uma decisão e mudar sua vida.

Foi o que fez.

Tornou-se outra pessoa e reconquistou a companhia e o carinho da mulher.

Evidentemente, não direi que ele foi feliz para sempre, como em filme americano.

Mas passou a ter mais prazer nas coisas e a conviver melhor com os momentos de tristeza e com a angústia da finitude da vida.

Lembrei-me desse fato ao ver Ronaldinho na reserva da seleção.

Pela primeira vez, ele é reserva por motivos técnicos, e não porque Dunga quis poupá-lo ou porque está em recuperação física.

Ele não foi reserva contra o Peru.

Ele é reserva.

E quase todos, como eu, concordam com o técnico.

Ser reserva da seleção é diferente de ser reserva do Milan.

É mais simbólico e marcante.

Depois de se tornarem grandes estrelas, jogadores como Zico, Romário, Ronaldo e outros nunca foram reservas habituais da seleção por motivos técnicos.

Antes de isso acontecer, eles se retiraram.

Se Ronaldo voltasse à seleção, seria para ser titular.

Dizem que, assim como andar de bicicleta, ninguém esquece como se joga futebol.

Não é bem assim.

Desaprendi a andar de bicicleta.

Não se esquece como se joga futebol, mas o atleta pode ficar travado, e para sempre.

Ele se esforça, mas não consegue. E não sabe por quê.

Estaria na hora de Ronaldinho, mesmo com 29 anos, reconhecer a decadência e se retirar do Milan e da seleção para ganhar mais dinheiro nas Arábias?

Não deve ser ainda esse momento.

Será que a reserva da seleção, por motivos técnicos, não será o ruído, o grito, que Ronaldinho precisa para tomar uma decisão e reagir para valer, como fez o paciente que relatei?

A única coisa que Ronaldinho não deveria fazer é ver o tempo passar, aceitar passivamente a reserva e dizer que o importante é o grupo.

Será triste vê-lo no banco.

Por Juca Kfouri às 12h35

No 'Estadão' de hoje

Carta aberta ao professor Belluzzo 

Por Ugo Giorgetti

Prezado professor Belluzzo:

Em primeiro lugar quero lhe dizer que é uma satisfação poder finalmente tratar alguém ligado ao futebol pelo título de professor sem que isso soe como uma piada melancólica. Em seguida, com enorme atraso, gostaria de cumprimentá-lo pela sua eleição à presidência do Palmeiras. Ela não é só boa para o clube, é importantíssima para todo o esporte brasileiro. Traz para o centro da arena das decisões e do debate as qualidades de um intelectual acostumado a tratar problemas de forma racional, clara e objetiva.

No Brasil temos profunda dificuldade em lidar com a racionalidade. Com enorme rapidez o confronto de idéias, quando existe, evolui para entreveros pessoais, ódios, rancores e atitudes francamente irracionais e impensadas. Os resultados da sua presença e da sua maneira de proceder já aparecem - por exemplo, no último Palmeiras x São Paulo, que transcorreu sem problemas, coisa quase impensável dado o que houve nas últimas partidas entre as duas equipes. O entendimento entre as diretorias foi pacífico e civilizado, fazendo com que esse procedimento automaticamente se espalhasse por outros setores dos dois clubes.

Não houve questionamentos menores, nem se acirraram os ânimos inutilmente com atitudes sem sentido. É assim que procede alguém que dirige, alguém à frente de um clube grande, de massa.Por isso, estou seguro de que sua eleição é uma novidade mais do que necessária, mais do que esperada nesse futebol tão medíocre, mediocridade que infelizmente começa com os dirigentes. Mas não há por que continuar me alongando em elogios inúteis: sua biografia fala por si e os resultados poderão ser verificados por todos.

Queria aproveitar a ocasião para me deter em outro lado da sua personalidade: o lado boleiro. Esse lado interessa particularmente ao palmeirense. O senhor, lembro bem, foi um excelente centroavante, que poderia ter se tornado profissional de futebol. Aliás, como outros intelectuais. Seria oportuno alguém se ocupar um dia de um estudo sobre os intelectuais boleiros neste país. Teria enormes e gratas surpresas, como o senhor mesmo, ou, apenas como outro exemplo, Ismail Xavier, um dos maiores, talvez o maior, entre os estudiosos do cinema brasileiro, que atuou exatamente no seu Palmeiras, quase se tornando profissional. Pois bem, caro professor, é ao antigo centroavante que dirijo a pergunta: não seria uma delícia se o senhor tivesse podido enfrentar a defesa do Palmeiras? Não é o sonho de qualquer centroavante enfrentar uma zaga como a do clube que o senhor dirige? Não seria uma dádiva de Deus, se o senhor pudesse fazer gols de cabeça sem sequer ter de sair do chão? Imagine então o que o senhor não faria ao ver três zagueiros pela frente, (às vezes dois, nunca se sabe bem), sempre mal postados e dando trombadas?

Sua posição, por outro lado, deve fazer com que entenda perfeitamente o drama do Keirrisson: o senhor gostaria de receber aqueles passes que vêm do meio de campo do Palmeiras, exceção honrosa de Claiton Xavier? Ou quantos gols acha que faria recendo cruzamentos como os que vêm da direita do ataque do seu time?

Por isso, professor, gostaria que me perdoasse o atrevimento de lhe dar um conselho: no momento em que algum "professor" sugerir uma contratação, antes de aprová-la consulte o centroavante que foi um dia.

Por Juca Kfouri às 12h28

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico