Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

18/04/2009

Santos na final! Com toda justiça!

Thiago Bernardes/UOL 

Mádson comemora seu gol

O Santos passeou em Parque Antarctica neste sábado, com mais de 26 mil torcedores.

E não é que o Santos tenha jogado melhor que o Palmeiras, em Palestra Itália.

O Santos jogou muito melhor.

Tanto do ponto de vista da ocupação dos espaços quanto da vontade que demonstrou.

O Palmeiras pouco fez e não parecia estar numa semifinal.

Claro que um time que entra em campo com Fabinho Capixaba e Evandro não pode ter lá muitas pretensões.

E foi assim que, aos 17 minutos, Fábio Costa bateu um tiro de meta que encontrou Neymar na intermediária alviverde.

Um toque precioso e preciso do garoto encontrou a maquininha Mádson pronta para invadir a área e tocar na saída de Marcos: 1 a 0.

Se antes o Palmeiras precisava só de ganhar, agora passava a precisar virar.

Não seria fácil fazê-lo no segundo tempo depois do nada que fez no primeiro.

O Palmeiras voltou com Ortigoza no lugar do inútil Lenny e com Deyvid Saconni no lugar de Jumar.

Mas Paulo Henrique continuava a dar as cartas no jogo, muito bem assessorado por Mádson.

E logo aos 5 minutos ele enfiou para Neymar marcar o segundo gol, mas Maurício Ramos derrubou o garoto na área, fez o pênalti e foi expulso.

Kléber Pereira fez 2 a 0, como era justo que fizesse.

Aí, Luxemburgo resolveu tirar Evandro, que tinha perdido a bola do segundo gol, e botar Marcão.

Aparentemente era tarde.

Até mandar Keirrison acordar Luxemburgo mandou.

O Santos passa a torcer por um empate no Morumbi amanhã, para jogar as finais com vantagem.

Roberto Brum, que levou terceiro cartão amarelo, saiu para entrar Pará.

E a torcida começou a pegar no pé de Luxemburgo, derrotado desta vez até no Paulistinha e, agora, na duvidosa dependência da Libertadores.

No fundo, é como diz Muricy Ramalho: o estadual não significa nada para quem ganha, mas significa muito para quem perde.

Mas o que acordou o estádio foi um chute de longe de Pierre, que tem alma, aceito por Fábio Costa, pelo meio de suas pernas, aos 29.

Vagner Mancini tratou de botar o zagueiro Domingos no lugar do decisivo Neymar e Roni entrou no lugar de Kléber Pereira.

Diego Souza que deveria ter sido expulso com Germano aos 30, acabou expulso com Domingos aos 36.

Não satisfeito, voltou a campo e chutou Domingos, que, esperto, nem reagiu.

Claro que Diego Souza saiu de campo como herói, aclamado pela torcida.

Mas quem saiu classificado foi o Santos, certo de que está vivendo o repeteco do filme que o levou ao título brasileiro de 2002.

Simplesmente porque está melhor que o rival.

Tão melhor que se deu ao luxo de jogar o terceiro gol fora numa furada de Mádson tão espetacular como o frango de Fábio Costa, perdoado desde logo pelos milagres que fez no sábado passado.

Por Juca Kfouri às 20h00

17/04/2009

Sexta-feira silenciosa

Bem sei que você pode estar se perguntando: "Ué, o cara sumiu? Numa sexta-feira dessas, véspera de tantas decisões?".

Pois é.

E nem se trata de ficar quieto, em cima do muro, não.

Porque este blogueiro segue apostando numa final paulista entre Corinthians e Santos.

Como aposta nos títulos estaduais do Inter (essa também é mole) e do Galo (essa é duríssima).

Já no Rio, desde que o Fluminense caiu, o blogueiro ficou sem palpite.

Mas o silêncio é de pura reflexão.

Só isso.

Em tempo: algo me diz que o Sport será sim tetracampeão pernambucano, mas não neste domingo, nos Aflitos.

Por Juca Kfouri às 16h39

Vexame do Flu, Águia nas alturas

O Águia de Marabá fez 2 a 0 no Fluminense, em Belém, ainda no primeiro tempo e perdeu a chance de fazer mais.

Acabou por tomar, no fim do segundo, um gol marcado por Fred.

O que permitirá ao Flu se classificar com um simples 1 a 0 no Maracanã, no jogo da volta, dia 22.

Mas que não abafa o vexame de um time tão caro, com Parreira à frente, diante do humilde Águia paraense, que jogará pelo empate.

O que revela, também, como o Galo viu em Guaratinguetá, como os estaduais não são parâmetros para rigorosamente nada.

Por Juca Kfouri às 23h31

16/04/2009

Certas coisas só acontecem com o...

A catástrofe estava posta: o Botafogo só empatava 1 a 1 com o Americano, no Engenhão, e estava sendo eliminado da Copa do Brasil, bem na véspera de decidir a Taça Rio e, no caso, o próprio campeonato estadual.

Juninho tinha feito 1 a 0, aos 19 do primeiro tempo, em boa troca de bola com Vitor Simões.

Mas, aos 20 do segundo tempo, o Botafogo, diante de 20 mil torcedores, tomou o empate, gol de Kieza.

O 2 a 1 viria só nos acréscimos, dos competentes pés de Maicosuel, de fora da área.

O que garantiu a decisão da vaga nos penais.

Maicosuel bateu o primeiro. Na trave.

Kieza também bateu na trave, mas a bola morreu na rede botafoguense.

Juninho fez 1 a 1.

Carlão repôs o Americano na frente: 2 a 1.

Léo Silva empatou 2 a 2.

Paulo Henrique fez 3 a 2.

A catástrofe recomeçava a rondar o Engenhão.

Vitor Simões fez 3 a 3, com segurança.

Ernani fez 4 a 3.

Catástrofe, catástrofe, catástrofe...

Leandro Guerreiro ainda a evitou: 4 a 4.

Estava tudo nos pés de Pirão.

Que consumou a catástrofe.

Essa não, Fogão!

Por Juca Kfouri às 21h41

Meus senhores, falem sério!

A abertura de inquérito policial para investigar o gesto de Cristian no Pacaembu passa de todos os limites da falta do que fazer.

Cristian, por falta de educação esportiva, deveria ter sido expulso de campo no ato, com o que estaria fora do jogo no Morumbi e, pronto!: um elemento a menos para botar lenha nas fogueiras no jogo deste domingo.

Mas o árbitro não viu ou fez que não viu.

Agora, no entanto, vem a autoridade que acaba de chegar ao mundo do futebol e transforma uma atitude erradamente corriqueira (quer ver mais fotos de jogadores fazendo o gesto, dentro e fora de campo?) num crime que certamente o desastrado corintiano não fazia nem ideia que pudesse existir.

Pior, por exemplo, aliás muito pior, fez o presidente do Santos, no mesmo Pacaembu, ao jogar objetos na torcida adversária.

Quando será que vamos ver essa gente jogando mais para a sociedade e menos para a torcida, qualquer torcida?

Por Juca Kfouri às 14h43

Grêmio e Sport têm por que comemorar

O Grêmio, fez, brilhantemente, a parte dele.

Ganhou da Universidade do Chile na casa dela, garantiu a classificação antecipada para as oitavas-de-final da Libertadores, a liderança de seu grupo e, de quebra, praticamente garantiu, no mínimo, a vice-liderança geral da fase de grupos.

Já tem 13 pontos e deve chegar aos 16, pois seu último jogo será contra o Boyacá Chicó, no Olímpico.

Só o Boca Juniors, até aqui 100%, deve superá-lo.

O time argentino tem 12 pontos e ainda mais dois jogos a disputar, em Cuenca, contra o Deportivo equatoriano, e na Bombonera, contra o Deportivo Táchira, da Venezuela.

Já o São Paulo ficou para trás nessa disputa, pois foi derrotado pelo Independiente Medellin por 2 a 1 e estancou em 10 pontos, podendo chegar aos 13.

Verdade que teve um gol mal anulado, mas, fundamentalmente, pagou por ter poupado a maior parte de seus titulares, mais preocupado com o jogo contra o Corinthians, no domingo.

Mas quem ficou em situação pra lá de complicada foi o Palmeiras, ao apenas empatar, no Palestra Itália, com o valente Sport, 1 a 1.

O time paulista fez um gol de pênalti inexistente, teve um gol mal anulado e sofreu o empate no fim do primeiro tempo, quando o autor do gol, Wilson, foi expulso, por exagerar na comemoração.

Nem com o segundo tempo inteiro 11 contra o 10 o time de Luxemburgo foi capaz de fazer um mísero golzinho.

Se repetir a dose no sábado, diante do Santos, ficará fora da decisão do Paulistinha.

O Sport tem tudo para praticamente garantir sua vaga já na quarta-feira que vem, quando recebe o Colo-Colo na Ilha do Retiro.

Antes, com um empate nos Aflitos, diante do Náutico, espera festejar o tetracampeonato pernambucano.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 16 de abril, de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

 

Por Juca Kfouri às 01h09

Tricolor gaúcho se dá bem e o paulista, mal

Coerente ao priorizar a Libertadores, o Grêmio foi a Santiago e venceu por 2 a 0 a Universidade do Chile, gols do zagueiro Léo, aos 31 do primeiro tempo e de Maxi Lopes, aos 21 do segundo.

Uma vitória categórica.

Incoerente ao desprezar o Independiente, o São Paulo perdeu em Medellin por 2 a 1, gol de André Lima, que diminuiu ainda no primeiro tempo.

É verdade que o São paulo teve possibilidades de empatar no segundo tempo, mas ficou nelas, até porque o árbitro não validou outro gol, legal, de André Lima, por impedimento inexistente.

O Grêmio, como o São Paulo, está garantido nas oitavas de final da Libertadores.

E já tem 13 pontos, um a mais que o Libertad, do Paraguai, que tem 12 com os mesmos cinco jogos e que o Boca Juniors, mas os argentinos em quatro partidas.

O São Paulo tem apenas 10 nos mesmos cinco jogos.

Que o tricolor paulista não se arrependa, mais adiante, da escolha que fez. 

Por Juca Kfouri às 23h53

Vasco todo Pimpão, Corinthians mais Chicão e Galo antes Tardelli do que nunca

Pela Copa do Brasil, Pimpão fez dois gols, Alan Kardec mais um, e o Vasco eliminou o segundo jogo diante do Central, em Caruaru.]

Pegará o Icasa ou o Confiança na próxima fase, nada que assuste, ao contrário.

Já o Corinthians fez 2 a 0 no Misto, em Campo Grande, um gol de pênalti, mais um, outro que aconteceu, sobre Souza, cobrado por Chicão, e outro de André Santos, de fora da área, para variar.

Repeteco do jogo contra o Itumbiara.

Tarefa facilitada pela correta expulsão de um jogador do Misto ainda no começo do segundo tempo.

Não haverá segundo jogo no Pacaembu, o Corinthians se classificou para as oitavas-de-final, quando deve enfrentar o Atlético Paranaense.

E o Galo saiu atrás do Guaratinguetá, virou com dois gols de Diego Tardelli, mas cedeu o empate, vítima de um pênalti inexistente, como o de seu primeiro gol, e terá de jogar de volta no Mineirão, em plena decisão do Mineirinho.

Bem que o presidente do Galo, Alexandre Kalil, disse ao blogueiro, na hora do almoço, que prefere jogar com o Flamengo no Maracanã a jogar no interior paulista.

O Vitória, no Barradão, empatou com o Juventude, 1 a 1, e também está nas oitavas-de-final da Copa do Brasil.

Como o Coritiba, que ficou no 0 a 0 com o Bahia, no Couto Pereira e segue adiante, pois empatara o jogo de ida em 2 a 2.

Por Juca Kfouri às 23h48

15/04/2009

Sport heróico. Palmeiras complicado

O Palmeiras teve a sorte de um pênalti inexistente ser convertido por Keirrison ainda antes dos primeiros 15 minutos, em Palestra Itália.

Era tudo o que queria e tudo que o Sport tentava evitar.

Mas uma bola na barriga de César que, no máximo, resvalou no braço dele, mudou tudo.

Verdade que o Palmeiras viria a fazer um gol que o auxiliar impediu ao inventar um impedimento inexistente.

Mas o ex-corintiano Wilson, no finzinho do primeiro tempo, deu novo alento e nova preocupação ao Sport.

O alento pelo gol de empate.

A preocupação pela expulsão, por ter comemorado com a camisa na cabeça, gesto impensável para um profissional, e tomado o segundo amarelo.

No segundo tempo, então, o Sport ficou todo atrás e Magrão salvou bolas até quando o ataque palmeirense estava impedido.

O 10 contra 11 não era bom negócio para o Palmeiras, não só porque o Sport renunciou ao ataque, como, também, porque Vanderlei Luxemburgo sofre desta síndrome desde que a Seleção Brasileira foi eliminada das Olimpíadas de Sydney, em 2000, por Camarões com nove contra 11 brasileiros.

O empate era mau negócio, embora não definitivo, mas praticamente obrigava o Palmeiras a vencer seus dois jogos, em casa, com a LDU (dia 21), e no Chile, contra o Colo-Colo, adversário do Sport, no Recife, no dia 22.

Heroicamente, o Sport se defendia, num Palestra Itália mais tenso que a própria tensão, embora em clima de paz, como na Ilha do Retiro.

Aos 43, livre, leve e solto, Diego Souza cabeceou a vitória alviverde para fora, num lance simplesmente incrível.

Como incríveis tinham sido duas das defesas de Magrão, em lances que nem valeriam, mas que não diminuem seus milagres.

Como é incrível este Sport, cada vez maior no cenário nacional.

Calou mais de 22 mil torcedores no Palestra, para compensar a frustração da semana passada na Ilha do Retiro.

Ao Verdão ainda dá.

Mas está cada vez mais complicado.

Por Juca Kfouri às 21h40

Punhalada no Porto

Com um gol de Cristiano Ronaldo, do meio da rua, o Manchester United se classificou para as semifinais da Liga dos Campeões, ao derrotar o Porto por 1 a 0.

O gol saiu logo aos 6 minutos na cidade do Porto.

Por ironia, um português, mas que jogava no rival Sporting, fez o gol.

E ao receber passe do brasileiro Anderson, que jogava no Porto antes de ir para o Manchester.

O goleiro brasileiro Helton estava adiantado, ele que foi revelado pelo mais português dos clubes brasileiros, o Vasco.

Em Manchester, como se recorda, o jogo tinha sido 2 a 2.

O 1 a 1, portanto, daria a vaga para o Porto, que jamais perdera para um time inglês, em casa, na Liga.

E bem que ele pressionou nos últimos minutos, mas sem causar grandes riscos, até porque os ingleses sabem esfriar um jogo como poucos.

O MU (líder do Campeonato Inglês, com 71 pontos) enfrentará o Arsenal (quarto colocado, com 61), que passou pelo Villarreal, por 3 a 0, em Londres, sem maiores problemas.

O jogo de ida será disputado no dia 28 deste mês, em Manchester.

E só o Barcelona não fala inglês nas semifinais da Liga (jogo de ida, em Barcelona, também no dia 29), porque o outro classificado é o Chelsea (terceiro colocado no campeonato da Inglaterra com 67 pontos).

Chelsea que protagonizou com o Liverpool (vice-líder do Campeonato Inglês, com 70 pontos) o que muitos estão considerando como um dos melhores jogos da história do futebol.

Não vi o fabuloso 4 a 4, com tantas reviravoltas.

Os 2 a 0 para o Liverpool, na casa do Chelsea, a virada dos anfitriões para 3 a 2, a virada dos visitantes para 4 a 3, quase o quinto gol que valeria a classificação do Liverpool e, finalmente, o empate.

Tudo isso acontecendo e este blogueiro na Unicamp, participando de um delicioso encontro com José Miguel Wisnik, autor de "Veneno Remédio - O Futebol e o Brasil".

Valeu, foi mesmo um privilégio, porque ele é simplesmente genial, como os estudantes da Escola de Educação Física puderam comprovar.

Mas me deu uma dor de co...tovelo ao chegar em casa e saber do jogo...

Por Juca Kfouri às 17h35

Mais uma noite de Libertadores

O jogo da noite é no Palestra Itália.

Outra vez, frente a frente, Palmeiras e Sport.

Com uma significativa diferença para a partida da última quarta-feira, na Ilha do Retiro.

O favorito agora é o Palmeiras, o que não significa que se sairá necessariamente bem, embora tenha tudo para embolar o seu grupo na Libertadores.

O Grêmio, esperando Autuori, uma espera que vale a pena, joga em Santiago, contra a Universidade do Chile, jogo duro, mas que pode acabar bem para o tricolor gaúcho.

Mais duro ainda é o do tricolor paulista, que joga com o Independiente colombiano, em Medellin.

Lembremos que tanto o Grêmio quanto o São Paulo empataram, em casa, com os adversários desta quarta-feira.

Só que se o Grêmio jogará com força máxima, porque sacrificou o campeonato estadual em nome do torneio continental, o São Paulo expõe uma contradição.

Alardeou que não dava importância maior ao Paulistinha e, na hora agá, privilegia o jogo de volta com o Corinthians e poupa quase todo o time no jogo que vale três preciosos pontos na classificação geral da Libertadores.

Vá entender...Quem desdenha quer comprar.

Já o Corinthians escala o que pode para se dar bem diante do frágil Misto, em Campo Grande, porque, corretamente, aposta também Copa do Brasil, seu maior objetivo em 2009.

Por Juca Kfouri às 00h13

14/04/2009

Na 'Folha' de hoje

JOSÉ ROBERTO TORERO

Ronaldo, o brahmeiro


Comparar as heroicas voltas de Ronaldo ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido


BEBERRAZ leitor, alcoofilista leitora, vocês viram o comercial do Ronaldo? O comercial da Brahma?

Para quem não viu, faço um resumo: ele aparece driblando vários obstáculos, faz um trocadilho entre o suor dele e o suor da cerveja e acaba dizendo, com um copo na mão, que é um "brahmeiro".

Como assim? Um atleta importante fazendo comercial de cerveja? Ou pior, um atleta ainda gordo, em recuperação, fazendo comercial de cerveja? Não entendi. E não entendi porque me parece uma propaganda ruim para os dois.

Para a cerveja, porque eu, vendo o comercial, penso: "Poxa, cerveja engorda pra caramba!". Para o jogador, porque mostra que ele não é um atleta sério. É um cara que bebe mesmo ainda estando longe da sua melhor forma.

A Brahma e Ronaldo já estiveram juntos em outros comerciais.

É uma parceria antiga, desde que ele tinha 17 anos. Mas ela já foi mais sutil e inteligente.

Lembro que houve uma propaganda chamada "Guerreiro" em que apenas aparecia o rosto do jogador e havia um bom texto ao fundo.

Outra trazia Ronaldo como um toureiro, driblando um touro várias vezes até que o vencia e abria a garrafa nos chifres do animal.

Mas este novo comercial está bem abaixo dos anteriores.

Agora há uma ligação direta entre futebol e álcool. E obviamente os dois não combinam.

 A campanha ainda teve o azar de vir logo depois do anúncio de aposentadoria (talvez compulsória) de Adriano, que tem seu nome associado a problemas com bebidas.

Estou longe de ser uma virgem vestal, defensor da pureza absoluta ou abstêmio radical.

Até sou a favor da liberação de drogas leves (o que existe em parte, já que as bebidas alcoólicas são drogas leves), mas jogador fazer propaganda explícita de cerveja não dá. Passa da conta.

A legislação permite que as propagandas de bebidas abaixo de 13 graus GL (Gay-Lussac) sejam exibidas em qualquer horário. Por isso é que vemos comerciais de cervejas e dessas vodkas ice a toda hora. Porém, em maio de 2007, Lula assinou um decreto que classificou como alcoólica toda bebida com mais de 0,5 grau GL. Só que, inexplicavelmente, esse decreto não restringiu a propaganda de cerveja.

Voltando ao comercial, que foi criado pela agência África, no texto o atacante afirma que tem orgulho de "cair e se levantar". O redator não devia estar sóbrio quando o escreveu. É uma frase muito infeliz. Uma piada pronta. Tanto que, na mesma hora, o amigo com quem eu via o jogo comentou: "Cair e se levantar não é grande coisa. Qualquer bêbado consegue isso".

E comparar o esforço heroico de Ronaldo para voltar três vezes ao futebol com o suor da cerveja é chamar o espectador de estúpido. É fazer troça da fantástica recuperação do jogador, que deveria falar "Eu sou artilheiro" e não "Eu sou brahmeiro".

A publicidade brasileira, que já foi das melhores do mundo, vem piorando nos últimos anos. Mas, agora, se superou.

Acho que, pelo menos, para desencargo de consciência, esta nova propaganda deveria vir com um daqueles avisos no final, algo do tipo: "O Ministério da Saúde adverte: Cerveja dá barriga e faz você confundir mulher com similares".

Por Juca Kfouri às 08h50

Quando o corpo, e a cabeça, pedem socorro

Rogério Ceni vinha vivendo o pior momento de sua brilhante carreira.

Membro da Santíssima Trindade tricolor, ao lado de Leônidas da Silva e de Raí, Rogério parecia dividido, desatento, com a cabeça longe dos campos de futebol.

Daí as falhas incomuns, em bolas fáceis.

Quis o destino que numa simples brincadeira fraturasse o tornozelo, o que o obrigará a ficar entre quatro e seis meses longe do futebol.

A Libertadores é assunto encerrado para ele em 2009.

Foi como se o corpo pedisse um descanso, a cabeça rogasse por uma férias para botar as ideias no lugar.

Quem sabe seja exatamente do que ele precisava para voltar com o coração pulsando a mil, forte como sempre.

Por Juca Kfouri às 01h20

O apito pela culatra de Simon

Em seu livro "Grêmio: Nada pode ser maior", o escritor Eduardo Bueno, o Peninha, escreveu, no tom jocoso que caracteriza quase todo o livro, que tem até uma homenagem aos brucutus, em sua primeira linha, que "Futebol-arte, todo mundo sabe, é coisa de veado".

Escreveu, também, que o assoprador de apito Carlos Eugênio Simon fazia parte da "infame estirpe dos juízes que surrupiaram o Grêmio".

Por isso foi processado. E perdeu.

O que o levou a distribuir o texto abaixo:

Por EDUARDO "PENINHA" BUENO

Depois de quase dois anos de trâmites, o processo que o apitador Carlos Simon moveu contra mim encerrou-se, em primeira instância, nessa última "quinta-feira santa".

Fomos, a editora Ediouro, que publicou o livro "Grêmio: Nada pode ser maior", de minha autoria, e eu próprio, condenados a pagar cerca de R$ 15 mil ao referido apitador.

Não sei ainda qual a opinião da editora, mas estou enviando esse email para revelar, de público, que, embora ainda caiba recurso, faço questão de "desembolsar" a supracitada quantia, já que considero quase um galhardão, um prêmio, um presente ser processado por alguém da estatura e do currículo de Carlos Simon.

Por vários motivos:

1) Porque tenho a esperança de que o referido profissional use o dinheiro para fazer cursinhos de atualização em arbitragem, de forma que passe a errar menos, em especial contra o Grêmio;

2) Porque me inspirou para escrever o livro "Os erros de Carlos Simon", que será lançado em breve, com a disposição altruísta de que a rememoração do extenso rol de suas falhas o leve aprimorar-se em sua profissão e não marcar mais impedimento em cobrança de lateral;

3) Porque descobri que Ricardo Teixeira e a Comissão de Arbitragem da CBF– que eu desconhecia serem letrados – leram (oh, espanto!) meu livro "Grêmio: Nada pode ser maior".

Como costumo tratar bem meus leitores, vou enviar-lhes um exemplar da nova obra . Enviarei um também para a Confederação de Futebol de Gana, onde Simon é muito admirado;

4) Porque o caso me inspirou a criar um site, errosdesimon.com. aberto à atualizações do público em geral, já que o livro não conseguirá acompanhar a rapidez com que o panorama se modifica;

5) Porque vou reescrever o livro "Grêmio: Nada pode ser maior", extraindo a frase capada pela justiça e, no lugar dela, acrescentar um apêndice com todos os erros do supracitado árbitro contra o Grêmio – sempre na tentativa de que ele se aprimore.

O livro já vendeu 23 mil exemplares, mas sei que a torcida do Grêmio comprará muito mais da nova edição,

6) Porque disposto a ajudá-lo a se aprimorar também na profissão de jornalista – que diz exercer, embora eu nunca tenha lido nem mesmo a frase "Ivo viu a uva" escrita por ele -, venho lançar de público um desafio: ele escreve um livro e eu apito um Grenal e veremos quem erra menos.

(Desde criança, meu sonho sempre foi apitar um Grenal...).

Se o desafio for considerado despropositado, sugiro então um debate público sobre o tema: "O que leva uma criança a decidir ser juiz de futebol?"

Ou então sobre a inquietante questão "Quem somos, de onde viemos e para onde vamos".

7) Por fim, porque tal processo com certeza unirá nossas trajetórias profissionais por um bom tempo e haverá de servir de estímulo para nos aprimorarmos mutuamente no exercício de nossas atividades – levando ainda mais longe o nome do nosso amado Rio Grande.

E, se, porventura, as obras que pretendo escrever sobre o referido árbitro – sempre, repito, no intuito de aprimorá-lo no exercício de sua dura faina – vierem, por algum motivo, a ser censuradas, os processos daí decorrentes certamente irão deflagrar estimulante debate sobre os limites da liberdade de expressão e de opinião.

Tenho certeza de que esse será um tema instigante, cujo desenrolar haverá de colaborar para amadurecimento da nação. 

Por Juca Kfouri às 00h49

13/04/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 19h48

Gestos...

Se São Marcos, fora de campo, faz o gesto, o que pensar de quem o faz no calor da partida?

Que ambos estão errados.

E que cada um precisa pesar a sua responsabilidade.

Por Juca Kfouri às 14h01

Cara de pau

Álvaro Melo Filho, um dos mais reacionários juristas esportivos brasileiros, deu um parecer favorável a Marco Pólo Del Nero a respeito do "caso Madonna".

E chegou à desfaçatez de citar Shakespeare, embora tenha grafado Sheakspeare, para elogiar quem lhe encomendou a peça.

"Alguns vencem por seus crimes, outros são derrrotados por suas virtudes", escreveu o genial dramaturgo.

Pois Melo usa a frase para dizer que "o denunciado Dr. Marco Pólo Del Nero quadra-se entre estes últimos...".

Até Nero corou.

Por Juca Kfouri às 12h59

A três passos do tri e do 31o. título

O Flamengo tem três jogos pela frente, diante do Botafogo, para ganhar seu quinto tricampeonato e o 31o. título estadual, o que significará a hegemonia no futebol carioca.

E resta saber se alguém quer que Cuca volte à beira do gramado ou prefere que ele oriente o time de cima, onde se vê melhor o jogo mesmo e, ao que parece, evita mau olhado.

Por Juca Kfouri às 12h23

O confronto no Morumbi

Nos confrontos entre Corinthians e São Paulo no Morumbi a vantagem é alvinegra:

44 vitórias do Corinthians, 50 empates e 35 do São Paulo.

E faz dois anos e cinco jogos que o Corinthians não perde para o São Paulo, desde fevereiro de 2007.

Foram duas vitórias e três empates. 

Por Juca Kfouri às 00h23

12/04/2009

O Fla treme. De contentamento

Satiro Sodré/AGIF/AE

A tremenda festa rubro-negra...

O Flamengo fez 45 minutos iniciais muito melhores que o Fluminense.

Só levou um susto, quando Thiago Neves bateu uma falta que triscou a forquilha rubro-negra, além de duas cabeçadas que passaram rente ao seu arco.

Antes, Juan tinha chutado de fora da área, a bola quicou na grama e Fernando Henrique falhou: 1 a 0.

No fim, Léo Moura perdeu gol certo, ao chutar em cima de Fernando Henrique.

No rebote, Josiel desperdiçou de novo o segundo gol, ao chutar em cima de Edcarlos.

O segundo tempo começou com o Flamengo muito mais em busca do segundo gol que o Fluminense em busca do empate.

Mas foi Thiago Neves quem perdeu a melhor chance.

Aqui já me explico e peço desculpas por qualquer omissão, porque o jogo do Pacaembu pegava fogo e roubava quase toda minha atenção.

Seja como for, cada vez que olhava para o Maracanã (com 68 mil pagantes) o que via era o Flamengo martelando e Fernando Henrique trabalhando e se redimindo.

O Fla pode ser campeão carioca pela 31o. vez.

O Flu não.

O que dirão os dois neurônios do presidente Horcades, do tricolor?

 

Por Juca Kfouri às 17h58

Só Cristian salva

Flávio Florido/UOL
Cristian faz o gesto grosseiro e depois pede desculpas


Com os vazios de sempre no Pacaembu quando se trata de clássicos, 32 mil torcedores presentes, logo aos 7 minutos Ronaldo deu um pisão desleal em André Dias e recebeu só o cartão amarelo, que ficou barato.

O Corinthians tinha a iniciativa do jogo, ao escalar três atacantes, e o São Paulo, com três zagueiros, tratava de esfriar os ânimos.

A primeira grande emoção do jogo aconteceu só aos 25, quando Jorge Wagner bateu falta pela direita sobre a área alvinegra, Miranda, num daqueles impedimentos que o bandeira, na dúvida, pode deixar seguir, empurrou Chicão e cabeceou para o fundo do gol: 1 a 0.

Nem bem se passaram três minutos, e Elias infiltrou-se pela área tricolor e tocou de biquinho para tirar qualquer chance de Rogério Ceni: 1 a 1.

Arouca se machucou e Joílson entrou em seu lugar.

Hernanes bateu escanteio, aos 44, Miranda subiu de novo, agora sem falta, cabeceou firme e, com Felipe sem ação, Elias apareceu na linha do gol para evitar o segundo são-paulino.

O primeiro tempo foi tenso, marcado, estudado, mas incomparavelmente menos emocionante que o jogo entre Santos e Palmeiras.

Aos 10 do segundo tempo, Ronaldo ficou cara a cara com Rogério Ceni e o goleiro evitou o gol certo.

Concomitantemente, o árbitro expulsou André Dias por um choque normal com Elias.

Em seguida, foi a vez de Rodrigo tirar o doce da boca de Ronaldo, que estava pronto para finalizar pelo gol.

Aos 15, embaixo da trave, Jorge Henrique conseguiu perder o gol em chute cruzado de Dentinho.

Joílson saiu, entrou Renato Silva para recompor a zaga.

Jorge Wagner, que havia errado o passe no lance da expulsão de André Dias, arriscou de longe quando poderia ter dado para Washington e obrigou Felipe a fazer boa defesa, porque a bola desviou em Chicão.

Aos 29, Douglas chutou de longe e Rogério Ceni ia levando mais um frango em sua recente série, o que só não aconteceu porque a bola largada foi à trave.

Dagoberto entrou no lugar de Washington aos 33.

E Rogério fez milagre três minutos depois num arremate de Elias, de dentro da área e com um monte de gente na frente dele.

O empate era ótimo para o tricolor e soava preocupante para o alvinegro, que tinha um a mais e teria de ganhar no Morumbi, no domingo que vem.

Mano Menezes tirou Elias e pôs Souza, sabe-se lá por quê. (Sabe-se. Elias pediu, explicou Mano depois do jogo).

E Rogério Ceni, que largou outra bola boba, parece viver uma fase infernal.

No último instante, Cristian roubou de Jorge Wagner,  pegou muito bem na bola e deu a vitória que o Corinthians buscou, num golaço redentor, que fez justiça ao que foi o jogo, embora ele tenha comemorado de maneira agressiva e provocadora, razão pela qual pediu desculpas, "de antemão", após a partida.

O São Paulo irá a Medellin no meio de semana, enquanto o Corinthians irá a Campo Grande.

 

Por Juca Kfouri às 17h57

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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