Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

06/06/2009

Noite incomum no Pacaembu

Uma noite rara no corintiano Pacaembu neste sábado.

Porque o estádio pegou pouca gente, apenas 6300 torcedores, porque o fumante Douglas fez um partidaço e porque Souza fez gol com bola em movimento.

Verdade que, um pouco antes, o centroavante havia perdido um gol imperdível em passe de Douglas, embora não menos imperdível do que aquele de Ronaldo contra o Vasco.

Fato é que, aos 45 minutos do primeiro tempo, depois de novo belo passe de Douglas para Alessandro e deste para Souza, o homem desencantou, para fazer justiça ao que Corinthians e Coritiba apresentavam até então, os paulistas querendo jogar, os paranaenses só se defendendo.

Nem bem o segundo tempo começou e foi a vez de Dentinho desperdiçar ótima chance, que permitiria praticamente liquidar a fatura.

Mas sofrer parece ser sempre a opção preferencial dos corintianos.

Porque, como era de se esperar, o Coritiba voltou disposto a buscar um gol, diferentemente do que fizera no primeiro tempo.

Tanto que, aos 5 minutos, mesmo de fora da área, obrigou Felipe a fazer sua primeira defesa na partida.

E, aos 9, Ariel chegou meio milésimo de segundo atrasado para perder o gol de empate.

Azar dele, e do Coritiba, porque, no ataque seguinte, Douglas, de cabeça, fez 2 a 0, em jogada todinha de Wellington Saci.

Era ou não uma noite rara?

Normal, apenas, para o Coritiba, que segue sem nem sequer uma vitória no Brasileirão, apesar de, pela primeira vez, Marcelinho Paraíba não ter feito gol.

Marcelo Oliveira voltou ao time alvinegro depois de 22 meses em recuperação e foi substituído por Jean, como Jucilei entrou no lugar de Alessandro, quando o Coritiba estava reduzido a 10 jogadores, pois Marcio Gabriel, aos 29, fôra corretamente expulso de campo ao derrubar Elias que ia em direção ao gol paranaense.

Aos 40, Souza, aplaudido (não disse que a noite foi rara?) saiu para entrar Henrique, que veio do Guarani que, por sinal, está 100% na Série B, 15 pontos em cinco jogos.

E Jucilei quase ampliou aos 45, em linda jogada pela direita, para ótima defesa do belo goleiro Vanderlei.

O Coritiba que se cuide depois da eliminação na Copa do Brasil.

Como o Vasco, que ficou num pobre 0 a 0 com o São Caetano, em São Januário.

Vasco e Guarani jogam sábado que vem, em Campinas.

Por Juca Kfouri às 22h51

Uma vitória para se comemorar

Um primeiro tempo maluco num gramado abaixo da crítica, porque não é só a Cbf que é complacente, a Conmebol e a Fifa também são.

Tão maluco que, sob pressão, a Seleção Brasileira fez 1 a 0 no primeiro chute, aos 11, que deu a gol, com Daniel Alves de longe, num frango mais por culpa do gramado do que do goleiro uruguaio, acostumado a jogar na Espanha.

Depois, por duas vezes Daniel Alves salvou a pátria, como se fosse autor de três gols.

E como se percebesse que na defesa o empate seria inevitável, o time de Dunga resolveu se aventurar.

Aliás, é incompreensível como um time com três volantes permite tanta bola alçada em sua área.

E Luís Fabiano foi derrubado na área sem que o árbitro argentino marcasse o pênalti, porque os apitadores também são globalizadamente ruins.

Aos 35, Juan subiu de cabeça mais que o goleiro uruguaio com a mão para fazer 2 a 0.

Se o goleiro deles deixava, e muito, a desejar, o nosso fez, ao menos, um milagre e outra excelente defesa.

O 2 a 0 tinha muito a ver com de um lado estar Viera e do outro Júlio César.

Para o segundo tempo os uruguaios voltaram com três atacantes, Louco Abreu entre eles.

Os 33 anos sem vitória no Centenário estavam sendo enterrados sem maiores problemas, num estádio lotado por mais de 50 mil torcedores.

Aos 6 minutos, a Seleção fez linha de passe na entrada da área uruguaia e Luís Fabiano, livre pela direita, recebeu de Elano para soltar uma bomba indefensável: 3 a 0.

Desenhava-se uma goleada, mesmo com Kaká irreconhecível.

Aos 13, por exemplo, Viera evitou mais um gol de Luís Fabiano.

Para quem, como este blogueiro, considerava o empate um bom resultado, não estava de bom tamanho, estava de ótimo tamanho.

E dava pena da Celeste.

Aos 18, Luís Fabiano, outra vez, teve a chance do quarto gol e a desperdiçou.

Aos 20, o centrovante foi expulso por simulação quando simulação não houve.

E Ramires entrou no lugar de Elano.

O juizinho tentava evitar a goleada.

Mas, aos 28, não teve como não dar um pênalti em Kaká, que o próprio converteu um minuto depois: 4 a 0!

E não se ouvia um rojão em São Paulo em pleno mês de festas juninas.

Bem que a Seleção mereceu.

O Uruguai fazia por merecer pelo menos um gol, mas até o travessão brasileiro não deixava.

Josué e Júlio Baptista entraram aos 40, nos lugares de Robinho e Kaká.

E mais não houve, nem precisava, a não ser outra expulsão, mas de um uruguaio carniceiro que deu um chute em Ramires.

Notas:

Júlio César segurou o Uruguai no começo do jogo, defendeu a vitória no meio e garantiu a goleada no fim: 9,5;

Daniel Alves foi fundamental ao fazer um gol e evitar dois, além de mostrar coragem: 9;

Lúcio andou sendo superado pelo alto no primeiro tempo, mas se firmou: 8;

Juan, como Lúcio, com a vantagem de ter feito um gol logo depois de quase tê-lo feito: 8,5;

Kléber foi discreto: 7;

Gilberto Silva é a própria discrição: 6;

Felipe Melo foi igual: 6;

Elano, sem ser o mesmo de outros jogos, apareceu algumas vezes bem na frente: 6,5;

Kaká parecia estar com a cabeça em Madrid e estava num gramado que não o favorece: 5;

Robinho se mexeu bastante, mas sem lá maiores resultados: 6,5;

Luís Fabiano fez um gol, quase fez mais dois, sofreu um pênalti e dois cartões amarelos injustos (e ainda ia ficando sem nota...): 8,5;

Ramires teve uma chance de gol, chutou mal e apenas estreou na seleção principal, o que não é pouco: 6

Josué e Júlio Baptista jogaram apenas os últimos minutos: sem nota;

Dunga fez mais uma para marcar seu nome na história, ao conseguir uma vitória como técnico que não obteve como jogador: 8.

Por Juca Kfouri às 17h54

05/06/2009

O que vem por aí

Não pude ver nem o Grêmio acabando com a invencibilidade do Náutico (3 a 0), no Olímpico estranhamente com pouca gente (9.215 pagantes) nem o emocionante empate entre Santo André e o invicto, mas vacilante, Santos (3 a 3), diante de apenas 7.718 pagantes.

E com Fábio Costa fazendo mais uma vítima, agora o lateral Gustavo Nery, que achou motivo para parar uns seis meses.

Amanhã tem Uruguai e Brasil, às 16h, em Montevidéu, mais um jogo da monótona série das Eliminatórias para a Copa do Mundo, com nossa pouco carismática Seleção e seu abençoado técnico.

Se a Seleção vencer, lavrará um tento, porque faz 33 anos que não ganha lá.

O empate, no entanto, é o mais provável, e olhe lá.

Já o Brasileirão terá oito jogos no fim de semana e em nenhum deles haverá grandes preservações porque Libertadores e Copa do Brasil só na outra semana.

Seja como for, num deles, exatamente no único do sábado, e às 21h , o Corinthians enfrentará o Coritiba sem Ronaldo que, embora tenha se mostrado sem ritmo diante do Vasco, seguirá seu condicionamento sem forçar a barra.

O time Coxa precisa começar a se recuperar e o alvinegro tentará impedir que aumente a distância que já é grande para os líderes.

O Coritiba foi melhor que o Corinthians no meio da semana, mas está em situação pior não só, é claro, na Copa do Brasil como, também, no Brasileirão.

Os paulistas devem vencer.

No domingo, sete jogos.

Quatro, às quatro da tarde.

Palmeiras e Vitória é jogo duro, mas ai de Luxemburgo se não vencer, ele que disse que muda de nome se disputar seis Libertadores seguidas e não vencer nenhuma.

O que mereceu o pertinente comentário do jornalista Marcelo Damato: "Só um time brasileiro disputou seis Libertadores seguidas e ele já mudou o nome uma vez...".

Sport e Flamengo é jogão na Ilha do Retiro, com o Leão atrás de sua primeira vitória e o Mengo em busca de se firmar agora que tem ataque.

É jogo com a cara do rubro-negro...

Como deve ser tricolor o embate na Ressacada, entre Avaí e São Paulo.

E o jogo entre os Atléticos, na Arena da Baixada?

Rubro ou alvinegro?

Empate será péssimo para o time da casa que ainda não ganhou, mas é o que pinta.

Três jogos fecham a rodada às 18h30.

Dois não emocionam: Fluminense e Botafogo, embora o Clássico Vovô, tem cara de sono, pelo que os dois vêm fazendo; e Goiás e Barueri é dose, embora o Goiás tenha tudo para vencer e bem.

Em compensação, por último, mas não em último, ao contrário, em primeiríssimo lugar nesta quinta rodada, tem Cruzeiro e Inter, no Mineirão.

Jogo para curtir intensamente e chance para o país inteiro, menos os colorados e os torcedores do Galo, torcer pelo Cruzeiro.

O Colorado defende 100% de aproveitamento e, diga-se, até aqui, em 2009, só perdeu quando pôde (não faz o menor sentido não acentuar...) perder.

Aposto nos mineiros.

Por Juca Kfouri às 16h57

Pôncio Pilatos é o novo presidente da CBF

Ricardo Teixeira lavou as mãos.

Ao saber da morte de mais um torcedor em São Paulo, perguntou:"Foi dentro do estádio?".

Ao ouvir a resposta negativa, pontificou:

"É o que eu sempre tenho dito em entrevistas. Tudo o que acontece fora do campo é caso de polícia. O problema é que se relaciona a violência ao fato de ter acontecido em um jogo. Certamente em várias cidades aconteceram vários casos de violência que não têm nada a ver com futebol. É um problema exclusivamente de polícia e de punição".

E mais não disse nem lhe foi perguntado, porque não precisava.

O maior cartola do futebol brasileiro, o chefe do comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil, fecha os olhos para mais uma morte, para o ônibus incendiado da torcida do Vasco, porque nada é problema dele.

E os torcedores, tratados feito animais, continuam a se comportar feito animais.

O que faz alguém acreditar que em 2014 será diferente?

Comentário para o Jornal da CBN desta sexat-feira, 5 de junho de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 01h58

04/06/2009

Sim, Corinthians e Inter, mas...

O Vasco foi melhor que o Corinthians nos dois tempos.

E mais ainda no segundo que no primeiro, quando teve a única chance clara de gol, com Élton, de cabeça, aos 23, em defesa de Felipe.

Por mais que a torcida incentivasse, o Corinthians errava passes em cima de passes e tinha a sorte de o Vasco, dados os seus naturais limites financeiros pela herança da gestão anterior, ter também claro limites técnicos individualmente.

Mesmo assim, no segundo tempo, foi o Vasco quem pressionou o Corinthians e teve novas chances de gol, uma em cabeçada de Nilton, além de um pênalti não marcado de Chicão em Élton, daqueles difíceis de ver, mas pênalti claro, puxão na camisa.

Verdade que, entre o 24 e 25 minutos, o Corinthians teve três chances de gol, com Dentinho, William e Boquita.

E que, aos 37, Ronaldo, que foi mal, permitiu que o goleiro Fernando lhe tirasse uma bola que tinha endereço certo.

Mas se alguém fez por merecer vencer, este alguém foi mesmo o Vasco, eliminado em pé no Pacaembu lotado por 36 mil torcedores.

Como foi eliminado em pé o Coritiba.

Que também num Couto Pereira tomado por 35 mil torcedores, agrediu o Inter o tempo todo, criou belas chances, viu Lauro fazer pela menos uma grande defesa, conseguiu fazer 1 a 0 com Ariel, num golaço aos 29 do segundo tempo, e até merecia mais.

O Inter correu sérios riscos, teve Bolivar expulso aos 38, em noite sem brilho de Taison e D'Alessandro, ambos substituídos e de quatro chances desperdiçadas por má pontaria ou ansiedade.

Porque não tem mesmo bicho-papão.

Nem o Corinthians foi o que prometia contra o Vasco, nem o Inter contra o Coritiba.

Isto é, contra todos os prognósticos, uma final entre Vasco e Coritiba não seria nenhum absurdo, embora a decisão tenha ficado mesmo para Corinthians e Inter.

O Vasco está no caminho certo na Série B.

O Coritiba precisa reencontrar o seu no Brasileirão e tem tudo para isso.

Corinthians e Inter têm de jogar mais futebol.

Ambos dirão que jogaram com o regulamento, blablablá.

Mas jogaram pouco.

A decisão será só nos dias 17 de junho e 1o. de julho. 

Por Juca Kfouri às 23h54

03/06/2009

A noite dos finalistas da Copa do Brasil

Hoje à noite saem os finalistas da Copa do Brasil.

No Pacaembu, em São Paulo, e no Couto Pereira, em Curitiba.

Tudo indica que serão o Corinthians e Inter.

Afinal, o Corinthians joga em casa e por um 0 a 0 contra o Vasco, que está na Série B.

E se o Vasco terá a volta do instável Carlos Alberto, o Corinthians terá a de Ronaldo Fenômeno que, realista, disse que seu time tem a obrigação de vencer.

E tem mesmo.

E deve cumpri-la sem maiores dificuldades.

Já o Inter, mesmo fora de casa, pode perder de 1 a 0 para o Coritiba, obrigado a ganhar de 2 a 0 para se classificar.

O Inter não terá Nilmar e o Coritiba terá Marcelinho Paraíba num jogo de dois times da Série A.

E que estão vivendo seus centenários neste ano.

Se o Corinthians for eliminado pelo Vasco, o baque será forte para a Fiel e a alegria transbordará na nau do Almirante.

E se o Inter for eliminado pelo Coritiba, o Brasil inteiro se surpreenderá, porque o time gaúcho é o grande favorito ao título.

Se der uma final entre Vasco e Coritiba, alguém dirá como este blogueiro: o mundo está mesmo virado de cabeça para baixo.

E viva o futebol!

Por Juca Kfouri às 01h27

02/06/2009

Os 'achismos' do presidente da CBF

O presidente da CBF classificou como "achismos" as informações sobre a disputa pela abertura da Copa de 2014 no Brasil e até mesmo sobre o palco da final, que ninguém tem dúvidas de que será no Rio, no Maracanã.

Mas como ele preferiu deixar a decisão sobre a abertura para depois da Copa da África do Sul, achou de fazer charme com o local da final.

Ache o que achar Ricardo Teixeira, a final da Copa do Mundo de 2014 no Brasil será disputada no Maracanã.

Já o palco da abertura é mais nebuloso mesmo.

Não só porque o cartola quer esperar pela definição do quadro sucessório para se decidir entre José Serra e Aécio Neves, São Paulo ou Minas.

Serra, que começa a ver a ministra Dilma Roussef cada vez mais nos seus calcanhares, é quem tem mais chances de levar, embora tenha um problema chamado Morumbi e Teixeira seja amigo de Aécio.

Serra garante que não porá um tostão de dinheiro público na necessária reforma do estádio, mas o São Paulo não tem achado parceiros para investir a montanha de dinheiro necessária para a obra, porque a crise está aí e o investimento tem que ser feito agora. 

Calcula-se que o custo seja da ordem de R$ 300 milhões, dos quais o São Paulo teria R$ 130 milhões já empenhados.

Brasília aparece como uma terceira via, com a justificativa de que é a capital do país e, enfim, a cidade onde estará morando o próximo presidente do Brasil, seja, por ordem alfabética, Aécio, Dilma ou Serra.

Ou Ciro.

Ou Lula?

Por Juca Kfouri às 00h59

01/06/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 20h05

Na 'Folha' de hoje

JUCA KFOURI
Acabou a farsa 
 

Fez-se de conta que é a Fifa quem escolhe as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 e não a dona CBF

O PRESIDENTE da CBF acredita que vive num país de néscios, razão pela qual passou meses repetindo que a Fifa é quem escolhe as cidades-sede da Copa do Mundo.

Verdade que há ex-jornalista em atividade que repete a falácia na TV, apesar de saber que o formal não existe no futebol, só existe o informal e a politicagem.

Mas vale saudar a escolha de quatro cidades do Nordeste, região que mais tem a ganhar com a Copa.

E lamentar a escolha de Cuiabá, no Mato Grosso do governador "motosserra de ouro", título dado a Blairo Maggi pelo Greenpeace, em homenagem ao maior produtor de soja do mundo e um dos maiores desmatadores do país.


Para uma Copa que se pretende ecológica, nada menos apropriado, embora Maggi tenha bem mais de um milhão de razões para influenciar decisões no mundo do futebol.

Tão natural como a escolha de Manaus para representar a espoliada Amazônia, apesar de Belém ter mais tradição futebolística, teria sido a de Campo Grande para mostrar as belezas do Pantanal.

Mas, de tudo, o que mais salta aos olhos é a indefinição sobre quem fará a abertura da Copa.

Claro está que Ricardo Teixeira esperará quanto tempo puder para se definir entre São Paulo e Minas Gerais, ou melhor, entre José Serra e Aécio Neves, além de guardar Brasília como uma terceira hipótese, mais para constar e disfarçar o que está, de fato, em jogo.

Não fosse a dúvida sobre qual dos dois será o candidato tucano à sucessão de Lula e o cartola já teria se resolvido pelo ungido, embora seu coração penda claramente para Neves, seu amigo e mais parecido com o yuppie Fernando Collor -até pelo silêncio que impõe à imprensa mineira, como se fosse a alagoana-, a quem o ex-genro de João Havelange chamava de "meu presidente".

Se ele pudesse ver José Serra pelas costas já estaria vendo, também pela presença de José Luís Portella no governo paulista, alguém que Teixeira desgosta tanto que ameaçou não entrar na cerimônia de lançamento do Museu do Futebol, no Pacaembu, quando soube da presença do atual secretário dos Transportes Metropolitanos no local.

Portella, lembremos, foi o arquiteto do Estatuto do Torcedor.

A fragilidade do primeiro projeto de reforma do Morumbi foi a senha para justificar a dúvida, embora até o mais ignorante dos cartolas da Fifa saiba que São Paulo é a principal cidade do país, palco óbvio, ao menos, para a abertura da Copa.

Que o Mineirão é mais agradável que o Morumbi ninguém pode negar.

Só que como nada justifica a construção de uma arena para a Copa em São Paulo, a não ser a ganância dos de sempre, a festa inaugural tem de ser mesmo na casa tricolor.

De resto, é bom dizer que orgulha trabalhar num jornal que tenha feito o editorial que esta Folha fez, no sábado, sobre a miséria de nosso futebol.

E tenha dado a cobertura que deu, ontem, sobre a escolha das sedes, revelando quem é quem na Fifa e suas folhas corridas.

Em vez da celebração acrítica que cabe aos publicitários e aos donos da bola, o dedo nas feridas.

E não porque a CBF discrimina a Folha, mas porque o jornal não bajula a CBF para ter furos.

Por Juca Kfouri às 09h15

Na 'Folha' de ontem

Órgão responsável por seleção, Comitê Executivo da Fifa é composto por 25 integrantes, entre eles Ricardo Teixeira

Lista de casos envolve até o comandante da Fifa e vai de desfalques milionários a desvios de ingressos e venda de camisas falsificadas

DO ENVIADO A NASSAU

O anúncio das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 determinará a prioridade do investimento federal sobre 12 capitais nos próximos anos.

O governo se comprometeu a bancar a infraestrutura do evento.

A escolha que determinará o destino desses recursos, porém, passou longe de Brasília.

Foi feita por um grupo técnico da Fifa, juntamente com a CBF.

Mas quem bate o martelo são os 25 homens do Comitê Executivo da Fifa.

Só um é brasileiro -o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Todos foram eleitos em pleitos que só envolveram cartolas de suas confederações.

Vários deles já sofreram acusações de ilegalidades financeiras ou políticas.

Quem encabeça a lista de problemas é o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Em sua gestão, o então secretário-geral, Michel Zen-Ruffinen, acusou Blatter de ter feito gastos irregulares, somando prejuízo de 360 milhões de libras (mais de R$ 1 bilhão) para a entidade.

Uma das acusações era a de que ele pagara de forma irregular 69 mil libras ao russo Viacheslav Koloskov.

Na época, Koloskov não era do Comitê Executivo, mas recebeu verba como se fosse.

Hoje, ele está de volta ao órgão máximo da Fifa.

Por conta disso, 11 membros do Comitê Executivo da Fifa acusaram Blatter, em denúncia criminal, de utilizar dinheiro da entidade para comprar votos.

A disputa precedia a eleição de 2002 para a presidência.

Sob pressão, Blatter reconheceu erros e reviu determinados procedimentos dentro da entidade.

Foi reeleito, e o ex-secretário-geral saiu da Fifa.

A denúncia foi retirada.

A crise financeira da Fifa, levada a público por Zen-Ruffinen, foi desencadeada pela falência da ISL (International Sports License), ex-principal parceira comercial da entidade.

Sua ruína gerou um processo na Justiça suíça em que executivos da ISL admitiram ter feito pagamentos a dirigentes esportivos.

Não foram dados nomes.

Foi também em um processo que o atual secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, complicou-se.

Nos EUA, a Mastercard processou a entidade por rompimento de contrato -hoje, o patrocínio é com a Visa.

A corte apontou que Valcke, então diretor de marketing da entidade, mentiu na ação. Sua atuação foi classificada como "qualquer coisa, menos fair play", alusão ao lema da Fifa.

A entidade teve de pagar US$ 90 milhões para a Mastercard. Valcke sofreu pressão dentro da federação, mas foi perdoado.

E virou secretário-geral.

Um dos vices da Fifa, Jack Warner, de Trinidad e Tobago, foi acusado de lucrar US$ 1 milhão com a revenda ilegal de ingressos para a Copa de 2006, na Alemanha. Warner recebeu somente uma multa e foi obrigado a devolver o dinheiro.

Contudo seu prestígio no Comitê Executivo seguiu intacto.

Segundo homem da Fifa -é vice sênior-, o argentino Julio Grondona foi investigado por comissão da Câmara de Deputados de seu país, em 2000.
Motivo: apurar possíveis irregularidades nos contratos de TV da AFA (Associação de Futebol Argentina).

Havia alegações de favorecimento a uma das redes nacionais.

Revistas argentinas apontaram o enriquecimento de Grondona à frente da AFA, mas sem apontar desvio de recursos da entidade.

Mais tarde, a investigação da Câmara foi arquivada, e Grondona seguiu forte.

O guatemalteco Rafael Salgueiro, também membro do Comitê Executivo, foi acusado por um ex-funcionário da federação local de vender camisas falsificadas da Adidas.

É da cabeça de homens como esses que saiu a decisão que vai nortear o investimento em infraestrutura do Brasil até o ano da Copa.

(RODRIGO MATTOS)

Presidente da CBF foi alvo de duas CPIs

DO ENVIADO A NASSAU

Assim como seus pares no Comitê Executivo da Fifa, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, passou por investigações dentro do Brasil.

Foi alvo de duas CPIs, na Câmara e no Senado, que apresentaram diversas irregularidades em sua gestão na entidade.

Entre outros pontos, o cartola foi acusado de evasão de divisas em empréstimos feitos pelo americano Delta Bank à CBF.

Por conta disso, Teixeira e seus subordinados foram denunciados pelo Ministério Público Federal.

A alegação era a de que a confederação pagou juros acima do mercado.

Mas o Tribunal Regional Federal trancou a ação no Rio.

Teixeira sempre negou as acusações.

Apontou que os empréstimos ocorreram durante crise econômica mundial na década passada, o que elevou os juros.

Usou taxas cobradas por outros bancos para embasar sua defesa.

Também na investigação da CPI do Futebol foi apontado que a CBF tinha prejuízo nas operações com a SBTR, então operadora de turismo da seleção brasileira.

Segundo a comissão, a empresa foi favorecida em R$ 30 milhões em três anos.

Mas a acusação nunca se transformou em processo criminal.

A PF indicou que não estava configurado crime, nesse e em outros casos.

O Ministério Público Federal discordou, mas não deu seguimento a ações até hoje. (RM)  

 

Blatter coloca a culpa em "mídia direcionada"

DO ENVIADO A NASSAU


Dirigentes da Fifa sempre negaram as acusações de se favorecerem do futebol para enriquecer ou ganhar poder.

Mais atacado entre eles, o presidente Joseph Blatter foi também quem mais recorreu à mídia para se justificar.

"Você não pode imaginar o que é ser acusado por parte da mídia direcionada que diz que sou um homem mau. E vocês também são todos maus", defendeu-se Blatter, após a eleição em que foi acusado de comprar votos.

O vice-presidente Julio Grondona também afirma nunca ter se beneficiado dos cargos que ocupou. "Jamais, em nenhuma época, obtive vantagem. Sempre atuei em favor das entidades esportivas, porque essa é minha vocação. Amo o futebol, e na minha carreira nunca tive o lucro como objetivo."

Jerome Valcke admitiu seu erro na corte dos EUA, no processo contra a Mastercard.

Pediu desculpas e não sofreu maiores traumas.

Rafael Salguero e o russo Viacheslav Koloskov não falaram sobre as acusações sofridas em seus países. (RM)  

Por Juca Kfouri às 09h05

31/05/2009

Mais de 22 mil torcedores por jogo no Brasileirão

Gols foram poucos, só 28, menos de três por partida.

A presença de público foi impressionante, alimentada pelas festas nas cidades-sede da Copa de 2014, que já sabiam que seriam escolhidas.

O Maracanã pegou o maior público, com mais de 68 mil pagantes, seguido pelo Morumbi que trocou ingressos por mantimentos, com quase 52 mil torcedores.

O pior público foi o de Barueri, com apenas 5 mil pagantes.

Só um visitante venceu, o Goiás, em Curitiba.

0 a 0 também só um, entre Galo e Santo André, além de mais três empates.

A média de público foi, de longe, a melhor do Brasileirão em quatro rodadas: mais de 22 mil torcedores por jogo, oito mil torcedores em média maior que os 14 mil da primeira rodada, que era a melhor.

Invictos há apenas quatro times: Inter, Santos, Náutico e Galo.

Em compensação, há seis times que ainda não venceram: Avaí, Barueri, Botafogo, Sport, Atlético Paranaense e Coritiba.

E, com 100% de aproveitamento, só o Inter.

Por Juca Kfouri às 21h51

Inter 100%, gol de Obina, falha de São Marcos e...

Vipcomm

O Palmeiras fez um primeiro tempo bisonho em Barueri e não saiu do 0 a 0 com o fraco Grêmio.

Obina começou jogando.

E o Palmeiras ainda deu sorte, porque o árbitro Paulo César de Oliveira deixou de dar pênalti claro de Pierre em Fernandinho, aos 17 minutos.

O Inter, em compensação, com seus reservas -- só o goleiro Lauro e Kléber, que vai para a Seleção, de titulares -- foi fazendo, já aos 15, 1 a 0 no Avaí, no Beira-Rio, com Talles Cunha, que soltou uma bomba do bico direito da pequena área.

O Avaí até teve duas boas chances para empatar, mas o Inter também teve duas de ampliar no primeiro tempo.

No segundo tempo o Inter ficou sem Maycon, aos 9, expulso, mas três minutos depois o Avaí também ficou com 10.

Em seguida, Alecsandro fez 2 a 0, Inter 100%, 12 pontos em quatro jogos, com os reservas, três pontos adiante do segundo colocado, pensando no bi da Copa do Brasil, mas, também, no tetracampeonato brasileiro.

Vítima de um pênalti inexistente (não houve a falta e o lance foi fora da área), o Inter sofreu seu primeiro gol no Brasileirão, marcado por Lima, aos 42.

No segundo tempo, em Barueri, o time da casa resolveu ficar um pouco mais atrevido e, de fora da área, obrigou Marcos a fazer duas defesas.

Aos 11 minutos, no entanto, Diego Souza pegou pela direita e enfiou na medida para...Obina.

Ele recebeu, invadiu a área e soltou o pé para fazer 1 a 0 e marcar seu primeiro gol em 2009.

No banco, Vanderlei Luxemburgo assumiu aquele ar que só os gênios são capazes.

Porta arrombada, quatro minutos depois foi a vez de Keirrison, de primeira, se aproveitar de um cruzamento da direita

Em seguida, no entanto, sentado, Pedrão diminuiu, mandando a bola no ângulo.

Era a noite dos artilheiros...

Marquinhos e Ortigoza entraram aos 24 nos lugares de Mozart e Obina, saudado pela pequena torcida alviverde presente ao estádio.

Luxemburgo poupava seus mais recentes reforços, ambos longe de melhor condicionamento físico.

E não é que, aos 28, Marcos saiu jogando mal com o pés, a bola sobrou para Thiago Humberto que viu Pedrão livre para empatar?

É...

Armero saiu para Jefferson ir ao ataque, só que ele virou uma avenida, sendo driblado com facilidade.

E chovia, chovia canivetes em Barueri.

O Palmeiras completava sua quinta partida seguida sem vencer.

Para piorar, aos 36, Wendel foi expulso.

O jogo era uma correria só, sem técnica, lá e cá, porque tudo era possível.

Divertido de se ver, se você não é palmeirense, principalmente porque os anfitriões, com um a mais, estiveram sempre mais perto do terceiro gol.

O 2 a 2 foi ótimo para o time de Barueri e, novamente, muito ruim para o Palmeiras.

 

Por Juca Kfouri às 20h25

Visitantes se dão mal no domingo à tarde

EFE

Os reservas do Corinthians não jogavam mal na Vila Belmiro diante do Santos.

Mas o poder de fogo dos titulares santistas era muito maior diante de apenas 10 mil pagantes.

E assim, mesmo num jogo equilibrado, o Santos, com dois gols de Paulo Henrique, fez 2 a 0 ainda no primeiro tempo, aos 16 e 29, sem muito forçar.

Um clássico tão tranquilo que houve apenas cinco faltas nos primeiros 30 minutos, uma apenas do Corinthians.

E até o primeiro gol praiano foi diferente, porque a bola passou apenas milimetricamente a linha fatal.

Quando o segundo tempo começou, com o Corinthians com Marcinho, ex-Noroeste, no lugar do, hoje, vacilante Jucilei, a sensação era a de que os donos da casa ampliariam.

Mas, aos 5, Morais chutou, Fábio Costa rebateu e o zagueiro Renato diminuiu.

Aos 10, covardemente, o grandalhão Jean deu dois pontapés no endiabrado baixinho Madson e recebeu só o cartão amarelo, por pusilanimidade do árbitro Vuaden.

O Santos voltou a dominar o jogo e a levar pancadas, tanto que Boquita e Renato também levaram cartões amarelos.

Parece que o drible virou ofensa no futebol brasileiro.

Léo, no Santos, e Morais, no Corinthians, jogavam bem, como Paulo Henrique, que jogava demais.

E, enfim, Lulinha foi expulso por pegar Léo por trás, aos 20, quando Pará e Neymar entraram nos lugares de Luizinho e Molina.

O goleiro corintiano Júlio César se virava como podia, e bem.

Não fosse ele e o jogo terminaria, no mínimo, com quatro gols santistas.

E o lateral-esquerdo campeão da Taça São Paulo, Bruno, entrou no lugar do firuleiro Saci.

E Jadson substituiu Moradei, na tentativa de Mano Menezes em buscar um empate que não seria justo.

Madson, aso 45, pegou um chute cruzado de Germano que acabara de entrar no lugar de Léo e fez 3 a 1, que ficou baratíssimo para o Corinthians com a cabeça na Copa do Brasil.

No Morumbi, com 51 mil torcedores que trocaram mantimentos por ingressos, o panorama foi bastante parecido no primeiro tempo, embora São Paulo e Cruzeiro tenham jogado com seus titulares.

Mas também numa partida equilibrada e com o São Paulo estreando Marlos, que foi bem, o primeiro tempo terminou com 2 a 0, gols de Washington e Borges, aos 11 e 32, para os paulistas, que até bola na trave levaram dos mineiros.

Que não se conformaram com a derrota parcial e voltaram agressivos no segundo tempo, com Athirson no lugar de Magrão.

O São Paulo tentava apenas controlar a vantagem e caçava Kléber impiedosamente.

Wellington Paulista saiu e entrou Zé Carlos.

Washington saiu para entrar Dagoberto, porque a bola só ficava nos pés do Cruzeiro, que queimou sua última troca ao fazer entrar Eli Carlos no lugar de Athirson, aos 28.

O Cruzeiro esbarrava na muralha tricolor e não levava perigo.

E foi Dagoberto que num contra-ataque, pela direita, chutou cruzado e liquidou o jogo: 3 a 0.

Então, quem diria, Hernanes entrou em campo, no lugar de Marlos, que estreou bem.

No duelo rubro-negro no Maracanã, o Flamengo batia o Furacão por 1 a 0, gol contra de Antonio Carlos, aos 14, na tentativa de evitar que uma bola passada por Juan chegasse ao estreante, e bem participativo e desenvolto, Adriano.

Nem bem o segundo tempo começou e o Imperador, de cabeça, fez 2 a 0, para coroar a comemoração de um festivo Maracanã com mais de 68 mil pagantes.

Os paranaenses dimimuiram aos 24, de pênalti, que "aconteceu" fora da área mas Gaciba deu uma de seu conterrâneo Simon, com Rafael Moura.

E, nos Aflitos, Fred, logo aos 8 minutos, ia salvando a pele de Carlos Alberto Parreira, ao fazer 1 a 0 para o Fluminense diante do Náutico.

Nada vi, além dos gols e os cinco minutos finais.

Segundo ouvi,  Ricardo Berna viveu  tarde inspirada, ele que jogou no lugar do barrado Fernando Henrique, mas não a ponto de evitar o gol de empate, aos 49, quando Maicon derrubou Anderson Lessa e Gilmar converteu.

Alívio nos Aflitos, com 18 mil trocedores, invencibilidade mantida e o Náutico escapou de ser o único anfitrião derrotado.

Finalmente, também nada vi a não ser o gol, mas, no Barradão, o Vitória, nos acréscimos, diante de 15 mil torcedores, derrotou o Grêmio, 1 a 0, com gol de Leandro Domingues, de fora da área.

 

Por Juca Kfouri às 18h04

No 'blog do Cruz'

 

Inquérito civil

 

anúncio sobre a sede olímpica dos Jogos 2016 será em outubro, mas o Comitê Olímpico Brasileiro já tem muito com o que se preocupar, mas na área judicial.

Uma decisão do procurador da República Federal no Distrito Federal, Paulo Roberto Galvão de Carvalho, transformou em inquérito civil a denúncia do advogado paulista, Alberto Murray Neto, de que foram gastos R$ 44,1 milhões só na candidatura desse evento.

Na prática, os valores vão bem além, pois o custo da candidatura foi de R$ 80 milhões, sendo que o Ministério do Esporte pagou, até agora, a metade, isto é, R$ 44,1 milhões.

O

Essa despesa ocorre num momento de extremo desgaste para o esporte olímpico nacional, que não consegue, através de sua entidades filiadas, as confederações, nem sequer ocupar com eventos atrativos os caríssimos espaços esportivos construídos para o Pan-2007.

Estão praticamente esquecidos, abandonados.

Mas já se fala em construir mais...

Para que se tenha uma idéia do que a candidatura para outro evento sonhador, os R$ 80 milhões representam praticamente o que o COB recebeu das loterias federais, em 2008 (R$ 92 milhões), para aplicar na formação e preparação de atletas.

A decisão do procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho consta da Portaria n. 117/2009, da Procuradoria da República no Distrito Federal.

Em um de seus argumentos, ele aponta:

"... tendo em vista que o Tribunal de Contas da União, no Acórdão 2101-38/08-Plenário, apontou uma série de irregularidades na utilização de recursos públicos para o financiamento dos Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro, tornando-se necessário o acompanhamento dos gastos para evitar a repetição dos mesmos problemas, resolve instaurar INQUÉRITO CIVIL, mediante conversão do Procedimento nº 1.16.000.003459/2008-13...

http://www.correiobraziliense.com.br/blog/blogdocruz/ 

Por Juca Kfouri às 16h53

Na 'Folha' de hoje

 

JUCA KFOURI

O melhor que pode acontecer

 

Está a cada dia, a cada jogo mais claro que o Palmeiras precisa levar um choque para não nos frustrar


QUE O palmeirense desculpe e não imagine que o que lerá aqui é coisa de quem não gosta do Palmeiras.

Que se lembre, ao menos, de toda a confiança e esperança aqui depositadas quando Luiz Gonzaga Belluzzo assumiu o comando do Palestra Itália.

Confiança que se mantém, esperança que se reduziu.

E por quê?

Porque o professor Belluzzo caminha celeremente para ser mais uma vítima da estrutura carcomida do futebol, capaz de triturar até gente da melhor qualidade, em todos os sentidos, como ele.

Daí o vatícinio terrível, que nada tem de quanto pior melhor, teoria que nem mesmo na ditadura brasileira fez a cabeça deste colunista: mas o melhor que pode acontecer ao Palmeiras, agora, é ser eliminado da Libertadores pelo Nacional.

Para que Belluzzo se liberte, sem trocadilhos sem graça.

Se liberte da gastança desenfreada e nem sempre bem explicada de seu verdadeiro primeiro-ministro, Gilberto Cipullo.

Se liberte de uma comissão técnica que, faz tempo, só tem custo e nenhum benefício, como até as ruas próximas ao Parque Antarctica estão cansadas de saber.

Se liberte de um treinador que agora deu para acusar a torcida alviverde de ser pouco participativa, além de alimentar um doentio complexo de perseguição.

E de ver são-paulinos e corintianos em sua sombra quando foi ele quem tirou Keirrison para fazer entrar Jumar e avalizou Obina, para não falar de Capixaba, Mozart e por aí afora.

E se liberte de uma parceria que, aos poucos, de adiantamentos em adiantamentos, até para pagar os nababescos salários do treinador, torna-se sócia majoritária de um clube que se perde também nas promessas de uma arena que caminha para virar picadeiro, como já aconteceu em outro Parque.

Belluzzo anda envenenado pelo ambiente do futebol, refém das mazelas que envolvem os ditos torcedores organizados, irritado com as críticas que viram manifestações "fascistas", por mais corretas que sejam, ferido ainda pela tal "mídia alviverde", aliada nos tempos de oposição a Mustafá Contursi.

Contursi que tem velhos correligionários como Antonio Corcione e Mauro Marques entre os que hoje apoiam os situacionistas, no velho estilo das alianças que infelicitam o país há mais de 500 anos.

Belluzzo veio para mudar isso, consciente que sempre foi da necessidade de um choque, de uma ruptura em busca da modernidade, alicerçada por uma sólida erudição que não pode se limitar a apontar a ignorância alheia, mas que deve respaldar a mudança bem fundamentada.

Nem que o custo seja o da política realista, pés no chão, que não permita grandes conquistas imediatas, mas a construção de alicerces suficientemente bem estruturados que possibilitem ao Palmeiras ser no século 21 o que foi no 20.

Porque só está faltando ouvir Belluzzo juntar sua voz à dos cartolas que atribuem à Lei Pelé o estado falimentar de nosso futebol.

Por isso, o melhor é cair fora da Libertadores.

Porque, enquanto o sonho persistir, nada mudará.

E, se for realizado, apenas sedimentará tudo o que está errado.

Por Juca Kfouri às 09h46

Sem Brasil na NBA

Para quem sonhava em ver, pela primeira vez na história da NBA, dois brasileiros na decisão, o sonho acabou.

E não só não haverá dois brasileiros na final como não haverá nem um.

Nem um!

Nenê já tinha sido desclassificado ontem com o Denver Nuggets.

E Varejão foi agora há pouco com o Cleveland Cavaliers.

Orlando Magic e Los Angels Lakers farão a decisão.

Por Juca Kfouri às 00h18

A 'indignação' do cartola

Arquivo/AFP

Ricardo Teixeira acha que engana alguém.

Mostrou-se "indignado" com o vazamento da escolha das 12 cidades-sede da Copa-2014.

Ninguém de sua confiança, detentor da informação, teria coragem de vazar sem o OK dele, porque seria facilmente identificado.

Ele apenas joga para a platéia, ou melhor, tenta comprar a complacência dos veículos que não favorece.

Mais velho que andar para frente.

Não é diferente de sua tentativa de convencer os ingênuos de que quem escolhe as sedes é a Fifa.

Alguém acredita que a Fifa escolheria uma cidade que não fosse do agrado do presidente da federação do país que sediará uma Copa do Mundo?

Se você acha que sim, que é possível que seja assim mesmo, responda rápido: por que a romaria de políticos em visita à CBF?

Por Juca Kfouri às 23h27

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico