Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

13/06/2009

Só o Botafogo ganhou em casa

São Paulo e Santo André fizeram um bom jogo no gelado Morumbi, com apenas 9 mil pagantes.

O tricolor muito mais com a bola, o Ramalhão muito mais perigoso.

Basta dizer que o time do ABC fez 1 a 0 com Marcelinho Carioca, aos 27 do primeiro tempo, e, antes disso, tinha obrigado o goleiro Denis a fazer um milagre, o mesmo que a trave fez depois do gol, em dois lances de Antônio Flávio.

Verdade que Borges também pôs uma bola na trave e que se não fôra uma intervenção corajosa de Neneca o São Paulo também teria feito seu gol.

No segundo tempo quase só deu São Paulo, com direito a mais uma bola na trave, desta vez com Washington.

E, de tanto martelar, eis que Borges, aos 39, empatou, o que era justo.

Mas não dá para dizer que está tudo azul para o tricolor depois de só empatar com o Ramalhão e ter o Cruzeiro na alça da mira pela Libertadores. 

Enquanto isso, no Engenhão, também só com 6 mil torcedores, o Botafogo fez gato e sapato do Santos no primeiro tempo, mas não fez, para variar, o mais importante: gols.

E poderia tê-los feito em profusão, ao menos três.

Mas a pontaria botafoguense é tão deficiente que Fábio Costa nem precisou fazer nenhuma defesa, embora Fabiano Eller tenha salvado uma bola praticamente dentro do gol.

No segundo tempo o Santos tentou equilibrar e também conseguiu chegar com perigo com Kléber Pereira que, sozinho, tinha mais gols (4) que o ataque do Botafogo (3).

Mas os paulistas não justificavam seu favoritismo e agradeciam o 0 a 0 ao céu e a Neymar, que entrou no segundo tempo, a melhoria do time.

Nem Madson jogou bem, trocado por Robson.

E, aos 36, Batista, enfim, fez o gol botafoguense, para um mínimo de justiça no clássico alvinegro.

Aos 41, justiça completa, quando Laio ganhou um presente de Fabão, deu um drible da vaca em Fábio Costa, e fez 2 a 0.

O Botafogo venceu pela primeira vez no campeonato.

Só Inter e Galo permanecem invctos, porque o Santos já não é mais.

Já na Ilha do Retiro, com mais de 20 mil pagantes, depois de ver Ciro mandar bola na trave e Fumagalli perder gol imperdível no primeiro tempo, eis que o Leão viu o Furacão fazer 1 a 0, no segundo, com Rafael Santos, de cabeça, após escanteio.

Weldon, que destruiu o Flamengo, deu lugar a Vandinho no segundo tempo.

Waldemar Lemos estreou com vitória no Atlético Paranaense e Emerson Leão já perdeu em seu segundo jogo à frente do Sport.

Foi a primeira vitória do Furacão no Brasileirão e, ainda, a primeira na Ilha.

Por Juca Kfouri às 20h24

Brinco sem gols

 

Dos jogos mais interessantes do fim de semana, mesmo pela Série B, de Basco e de Bugre, Guarani e Vasco, no Brinco de Ouro da Princesa, ficaram devendo futebol e emoções, diante de quase 12 mil torcedores.

Verdade que os cariocas perderam pelo menos dois gols feitos e Fernando Prass teve de fazer ao menos uma grande defesa para evitar um gol paulista.

Mas o Vasco mostrou mais uma vez seu ponto mais fraco, exatamente por julgar ser seu ponto forte: Carlos Alberto.

Que, irritadinho, aos 44 do primeiro tempo, foi expulso ao tomar o segundo cartão amarelo.

Outro ponto fraco, desses que não suportarão a temporada toda no purgatório da Segunda Divisão é Léo Lima, que, inútil em campo, saiu aos 16 do segundo tempo e ainda fez cara feia.

O 0 a 0 ficou no placar, acabou com o 100% de aproveitamento do Guarani e deixou o Vasco numa posição incômoda, embora ainda entre os quatro primeiros.

Melhor será para Dorival Júnior, em vez de reclamar da arbitragem, trabalhar com jogadores médios que lhe dêem a certeza de poder contar do que com falsas estrelas que só lhe darão dores de cabeça.

 

Por Juca Kfouri às 18h06

Flamengo pára

Jogando no Rio, o Flamengo deu a sensação de que iria repetir o que fizera em Brasília, quando virou no começo do segundo tempo um jogo que parecia perdido.

Mas, desta vez, estava mesmo perdido, até porque não era dia de Marcelinho.

E o Universo/Brasília soube ampliar rapidamente a vantagem que tinha diminuído e, mesmo passando um certo sufoco no fim, venceu, com méritos, por 81 a 71.

Amanhã tem mais, tem o terceiro jogo, de novo no Rio, da série de cinco que está empatada com uma vitória para cada lado.

O Flamengo teve quebrada uma invencibilidade de 24 jogos.

Sua última derrota fôra, exatamente, para o time de Brasília.

A pior notícia para o Mengo é que obrigatoriamente haverá o quarto jogo e, de novo, na casa do Universo, embora lá também a torcida rubro-negra compareça em peso.

Por Juca Kfouri às 14h08

Acorda Recife...

Por ANTONIO AZEVEDO*

o recifense adora futebol e, felizmente, o curte com muita inteligência, o faz como o fazíamos aqui no sudeste nos anos 60... a alegria é contagiante!

 

talvez, por isso, que nos 6 anos que vivi no Recife, de 2001 a 2006, tenha frequentado tanto os Aflitos, o Arruda e a Ilha do Retiro.

 

em 2001 fui muito ao Arruda só para ver um centroavante de um futebol maravilhoso que depois viria a fazer muito sucesso, dá-lhe Grafite que apesar de, naquele ano, ter acompanhado o Santa Cruz de volta à segundona, teve um enorme destaque; inúmeros outros jogos lá assisti, sempre sem ressalvas aos torcedores mas, infelizmente, quanto ao estádio...

 

muitas partidas também assisti na Ilha, sempre na curvinha dos assentos especiais, jamais nas numeradas, pois ali se encontra a torcida mais fanática do Sport (é verdade, o fanatismo, com responsabilidade, dessa torcida de sócios é muito maior do que da organizada que fica atrás do gol); na curvinha ficam os torcedores tranquilos, as famílias e de lá assisti a muitos dramas e sucessos do Sport tentando o acesso à primeirona.

 

e o time da Av. Rosa e Silva... como são simpáticos e gentis os torcedores do Náutico, lá para se ter acesso às numeradas compra-se o bilhete da arquibancada e, num improvisado guichê embaixo dessas arqubancadas, já dentro do estádio, compra-se outro bilhete para se ter acesso às numeradas (isso para os não sócios), após os jogos iniciais que lá assisti, deixei de comprar o 2º ingresso e passei a assistir aos jogos junto com a maioria dos torcedores; sem exceção, sempre com muita cordialidade de todos os torcedores alvirrubros, até naquele fatídico dia da Batalha dos Aflitos foi isso que presenciei.

 

para quem mais torci nesse período? nunca tive preferências, fui Santa, Sport e Náutico, sempre torci para o time da casa (confesso... a não ser que do outro lado estivesse o meu Santos) e, entre eles, simplesmente assistia aos jogos me divertindo.

 

Recife, capital importante de um não menos importante estado do nosso Brasil, é uma cidade pequena, uma das menores capitais do país, apenas 217 km quadrados de área, mas com 1,5 milhão de habitantes, por ser uma cidade totalmente plana e de dimensões bem reduzidas é muito fácil a locomoção por toda cidade; os 3 estádios estão muito bem situados, tanto é que os torcedores vão a pé até os estádios e, muitos outros, de ônibus.

 

agora, agora... estádio em São Lourenço da Mata? estão loucos?

 

por que não recuperar o Arruda? ou melhor, o concreto do Arruda... sim, porque é um estádio decadente, é um estádio onde a tinta nos degraus das arquibancadas é bem-vinda e que quase sempre não sai disso, a sua situação é precária e precisa de uma ampla reforma estrutural; e os seus arredores? lamentável aquele esgoto a céu aberto no canal bem ao lado do estádio... e por que não acabam com aquela favela também ao seu lado dando melhores condições de vida aos seus moradores?

 

há outra possibilidade, ampliar o melhor estádio da cidade, a Ilha do Retiro, acessos fáceis e melhor estrutura existente, com certeza essa seria a mais barata das alternativas, mas não...

 

nos Aflitos daria para construir uma moderna arena parecida com a do Atlético paranaense, mas não...

 

estádio em São Lourenço da Mata? estão loucos?

 

Acorda Recife....

 

já não basta o que fizeram na Av. Boa Viagem com o monstruoso Parque Dona Lindu? para quem não sabe, a uns 300 metros do hotel em que a seleção neste último jogo se hospedou e que de vez em quando também hospeda o presidente da República havia o único grande terreno ainda vazio da praia; esse terreno pertencia à Aeronáutica e a população local reivindicou que lá fosse feita uma praça, com árvores, bancos, um pequeno parque infantil e nada mais.

 

sabem o que os políticos fizeram? contrataram um arquiteto famosíssimo, que adora concreto, gastaram muito, mas muito dinheiro desnecessário e hoje lá há 2 prédios, inacabados ainda, umas quadras de esporte e que até já foram inaugurados pelo nosso presidente (com certeza, ele ainda lá voltará para mais uma inauguração, quem sabe se a definitiva, assim como o fez na ampliação do aeroporto que teve várias inaugurações).

 

os moradores do bairro de Boa Viagem se opuseram à obra... mas não adiantou... lá estão os monstrengos... e o povo local só queria uns bancos e umas árvores naquele terreno.. seria uma obra bem baratinha...

 

Acorda Recife...

 

e a violência... Recife ou é a mais violenta cidade brasileira ou, com certeza, está entre as cidades de maior violência urbana; o que fazem os governantes do estado e da cidade? prometem, prometem... resultados? pífios....

 

Acorda Recife...

 

praia de Boa Viagem maravilhosa... são apenas 8 km de praia na cidade e nos últimos 30 anos o mar a está engulindo... as autoridades o que fizeram até então? NADA... ah, desculpem, da divisa com Jaboatão até depois da pracinha, já está no Castelinho, colocaram milhares de pedras e mais pedras para segurar a água do mar e não cair o passeio de pedestres... só isso e isso não é NADA, a cidade ficará sem praia se nenhuma atitude mais séria for tomada... promessas e mais promessas de aumentar os arrefices a 100 metros da praia são realizadas há muitos anos... promessas...

 

Acorda Recife...

 

estádio em São Lourenço da Mata? estão loucos? 

 

juntem-se recifenses, unam-se jornalistas, estudantes, operários... façam com que o seu dinheiro tenha uma utilização justa, não deixem construir um estádio lá longe, certamente ficará ocioso... quem o ocupará? o Náutico após a venda da sua valorizada área? a sua torcida não irá para lá, é muito longe, nem na cidade é... os Aflitos tem história, é central, é aconchegante... o Santa e o Sport precisam de melhorias, mas nas atuais dependências... dêem um basta a esse desperdício...

 

Acorda Recife...

 

ainda dá tempo... 

 

*Antonio Azevedo é um santista que vive e ama São Paulo e ama Recife. 

Por Juca Kfouri às 01h21

12/06/2009

Santo Oberdan

Por ROBERTO VIEIRA

Há 90 anos, no dia 12 de junho de 1919, nascia um santo.

Porque muito antes de São Marcos, existiu Santo Oberdan.

Oberdan dos tempos do Palestra.

Oberdan que entrou em campo com a bandeira do Brasil.

Quando o Palestra virou Palmeiras. Quando o azul tornou-se verde.

E o verde Palmeiras tornou-se campeão.

Em um jogo de 1942 que virou guerra contra o São Paulo.

Não estivesse o mundo todo em guerra.

Oberdan Cattani conhecia o gol tão bem.

Como conhecia o volante de um caminhão.

Oberdan que acordava às duas da manhã.

Para trazer laranja e cebola de Sorocaba até o Mercado Municipal de São Paulo.

Um dia Oberdan foi fazer um teste no Palmeiras.

Oberdan que era palestrino mas jogava, infâmia, no Corinthians de Sorocaba.

Coitado do formidável Gijo. Perdeu a vaga de titular.

Oberdan entrou e foi logo convocado para a seleção paulista e brasileira.

Fenômeno.

Mas Oberdan Cattani tinha um defeito: A sinceridade.

E a CBD deixou Oberdan na geladeira depois do Sul Americano de 1945.

Cattani assistiu pelo rádio Barbosa e Castilho sofrendo no Mundial de 50.

Cattani que também sofreu em outro Mundial no Brasil. A Copa Rio.

No dia 8 de julho no Pacaembu.

Bonipertti, Praest e Karl marcaram 4 gols nas redes de Oberdan.

O Palmeiras perdeu por 4 x 0 para a Juventus da Itália.

O treinador Ventura Cambon não teve dúvida:

Oberdan para o banco.

E o Palmeiras foi campeão da Copa Rio com Fábio Crippa no gol.

Com um santo no banco.

Quem sabe pagando penitência?

Oberdan jogou até 1954 no Palmeiras.

Tão elegante, virou reclame de lâmina de barbear.

Porém, reza a sabedoria popular, ninguém é profeta em sua própria casa.

Final de carreira. O Presidente Pascoal Giuliano vira para o velho Oberdan e decreta:

"Seu salário agora vai ser cortado pela metade!"

Oberdan olha para o presidente. Olha para o seu clube do coração.

Arruma as malas e vai jogar no Juventus.

"Onde já se viu tanta falta de respeito!"

Pouco depois pendura suas chuteiras.

Hoje Oberdan é conselheiro vitalício do Palestra.

Muita gente imagina que ele tenha um busto no Parque Antarctica.

Como Neco no Corinthians. Mas tal fato é impossível.

Busto no Parque Antartica só de quem jamais jogou contra o Palmeiras.

E Oberdan vestiu a camisa grená da Mooca.

Pra quem gosta de futebol, tanto faz.

Santo é santo.

Basta invocar o seu nome santo.

Seja ele Marcos.

Seja ele Cattani...

Por Juca Kfouri às 10h57

NBA sensacional

Mais um jogo empolgante, repleto de alternativas, nas finais da NBA.

Outra vez em Orlando, o time da casa até deu a sensação de que ganharia com facilidade no primeiro tempo.

Mas, no segundo, o Los Angeles Lakers reagiu, passou na frente e o jogo virou uma loucura até o segundos finais.

Aos faltarem 11 segundos, o jogo estava 87 a 84 para o Orlando Magic, quando Dwight Howard perdeu dois lances-livres para os anfitriões.

O LAL foi ao ataque e, a 4,6 segundos, Derek Fisher encestou de três pontos: 87 a 87!

Bola com Orlando.

Que erra.

Vem aí mais uma prorrogação.

A segunda em quatro jogos.

Na primeira, no segundo jogo, deu LAL, em LA.

Kobe Bryant parecia disposto a se redimir dos dois erros fatais cometidos no jogo anterior e acertou seus dois primeiros chutes, ambos de dois pontos.

Mas errou os dois seguintes, embora com falta não marcada no quarto chute, que nem bateu no aro.

Howard errou mais um lance-livre, acertou o segundo e empatou em 91, quando faltava um minuto e pouco. 

Ao faltarem 61 segundos, com 91 a 91,  a bola estava com LAL, ou melhor, com Bryant, que erra de novo, mas Gasol pega o rebore e sofre falta.

Bola em jogo, Derek Fisher, de novo, mete de três pontos: 94 a 91.

Posse de bola para Orlando Magic, quando faltavam 31 segundos, muuuuuuuuuuito tempo.

Mas,...mal gasto e com erro crasso.

LAL recupera a bola e Pau Gasol, no contra-ataque, enterra e faz 96 a 91.

Orlando erra outra vez, Gasol faz mais dois pontos e ainda sofre falta, violenta, por trás.

Resultado final: 99 a 91. 

LAL 3, OM 1.

Domingo tem mais, ainda na Flórida, às 21h.

Por Juca Kfouri às 01h16

Os pitacos da sexta rodada do Brasileirão

No sábado, às 18h30, a sexta rodada do Brasileirão tem três favoritos claros: o São Paulo contra o Santo André, no Morumbi; o Sport contra o Atlético Paranaense, na Ilha do Retiro e o Santos, diante do Botafogo, mesmo no Engenhão.

São os favoritos e as apostas do blog.

No domingo as coisas não são tão óbvias assim.

Mas, às 16h, o Coritiba terá porque terá de ganhar do visitante Flamengo e é mesmo o mais provável, porque o time paranaense ou reage ou fica a perigo.

No Maracanã, o Grêmio leva mais jeito de ganhar do que o Fluminense, embora seja jogo com cara de empate.

Como no Serra Dourada, principalmente se Ronaldo jogar como parece ser o mais apropriado, o Corinthians tem mais cara de voltar a vencer o Goiás.

Entre Galo e Náutico, no Mineirão certamente lotado, dá Atlético e não se fala mais nisso.

Às 18h30 três jogos.

No jogo entre os Palestras de São Paulo e de Minas, no Palestra Itália, o blog ousa cravar um empate seco, apesar de não ser resultado bom nem para o Cruzeiro nem, muito menos, para o Palmeiras.

Em Barueri, enfim, o Avaí se dará bem.

E, no Beira-Rio, o Vitória de Carpegiani sentirá a força do Inter, que ele conhece tão bem.

Por Juca Kfouri às 00h31

11/06/2009

As chagas de Marinho

Por ROBERTO VIEIRA

No hospital a noite é longa. Sobra tempo pra voltar no tempo, vasculhar na memória os fatos mais distantes. Silêncio no corredor. Esqueceram o remédio da meia-noite. Quem sabe dá pra dormir um pouco sem o sedativo?

O velho campo dos Aflitos. Tudo era novidade pra quem vinha de Natal. Chegou no Náutico desconhecido. Cabelos louros. Cara de menino. Futebol de craque. Um repórter tascou precipitado:

"Chegou o amigo de Petinha! Será que joga alguma coisa esse rapaz?"

Primeiro treino. Bola presa entre os pés pela lateral. Cruzando o campo inesperadamente. Os companheiros observam o doido. A bomba sai violenta, letal, no ângulo: Reservas 1 x 0.

O Recife ficou pequeno em poucos meses. Fenômeno. Agnaldo Timóteo viu o menino jogando em Recife. Ligou pro Botafogo:

"Comprem! Urgente!"

Chegou no Rio com a mesma cara de menino.

"Domingo tu entra contra o Rei!"

Antes de o jogo começar, Pelé falou pra os companheiros:

"A mina é o Galego!"

Na primeira bola, Marinho se antecipa ao Rei e mete-lhe um chapéu. Como Garrincha nas canetas de Nilton Santos. Só que agora, Nilton Santos é Marinho. E Marinho é a alma do velho Garrincha. Infernizando os santistas. Impressionando o mundo. Desempregando os zagueiros que lhe fazem cobertura.

É convocado para a Seleção. Um holandês entre os brasileiros no Mundial de 74. Leão lhe desfere um soco depois do gol polonês.

"Irresponsável!"

Leão que falhara no primeiro gol holandês de Neeskens. Sem socos.

Amigos. Violão. Birita. Acorda no meio da madrugada. Sem saber onde está. Aos poucos recorda dos amigos de aluguel, das meninas, das noitadas. Os alemães sonham em levá-lo. Paul Breitner diz não!

"Gênio na esquerda aqui basta eu"

Marinho passeia entre os astros. No Cosmos. Aos poucos vai caindo na terra.

"Hepatite C, Marinho. Alcoolismo. Ou você deixa a bebida ou nada podemos fazer por você."

Mas como se a bebida é o último refúgio para as pernas que desobedecem ao drible? Como se apenas a bebida traz o Maracanã lotado? A defesa da Colômbia fechada. O chute que sai em curva, por sobre o arqueiro?

O copo sobre a mesa observa o antigo craque imaginando outro tempo.

Riachuelo.

Petinha morreu, Marinho.

Cadê o Arthur, o Dirceuzinho, o Jair, o Krol?

Quarenta e cinco minutos do segundo tempo.

0 x 0.

A vida encara o lateral esquerdo. Bola nos pés. Rente a lateral.

A vida faz que vai e vem. O lateral estático observa. Sua filha reza.

Marinho agora é o último homem.

Um drible pode ser fatal...

Por Juca Kfouri às 17h35

Flamengo sai na frente

Flamengo e Brasília começaram a decidir o título da NBB.

Em Brasília, na casa do Flamengo, portanto, que, é claro, tinha maioria no ginásio.

E o rubro-negro chegou a ficar 14 pontos atrás no primeiro tempo.

Tratou de reagir no fim e de empatar e passar adiante no começo do segundo tempo.

E ganhou, brilhantemente, por 81 a 74.

Os dois próximos jogos vão ser no Rio.

Quem segura o Mengão?

Por Juca Kfouri às 13h59

Dunga se vinga de Maradona

Sim, o jogo entre Argentina e Brasil só acontecerá no dia 5 de setembro, em Buenos Aires.

Mas neste momento a Seleção Brasileira está em primeiro lugar com 27 pontos e a Argentina está em quarto, com 22, dois pontos apenas à frente do quinto colocado, o Equador.

Ontem o Brasil passou bem pelo Paraguai e a Argentina perdeu para o Equador.

Dunga, na Copa de 90, na Itália, viu de dentro do campo Maradona passar para Cannigia fazer o gol que eliminou a Seleção em Turim.

Muitos o culparam por não ter impedido o passe, embora ele nem estivesse no lance, e ele acabou sendo vítima de um rótulo, "era Dunga", que o marcou até hoje, mais até que todas as críticas que vem recebendo como treinador, deste blogueiro, inclusive.

Mas agora, como técnicos, Dunga comandou a Seleção em 14 jogos nas Eliminatórias e perdeu apenas um, enquanto Maradona dirigiu a Argentina quatro vezes e perdeu duas, com direito a tomar 6 a 1 da Bolívia, além dos 2 a 0 do Equador de ontem.

Dunga já está na Copa da África do Sul.

Maradona ainda não.

E, cá entre nós, se não dá nem para comparar os jogadores Maradona e Dunga, apesar de Dunga ter sido um belo jogador, aparentemente também não dará para compará-los como técnicos.

Maradona jamais poderia imaginar tamanha ironia.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, dia 11 de junho, de 2009. 

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 00h59

Seleção bem no Recife

Reuters

A Seleção Brasileira fazia sua melhor partida em casa nestas Eliminatórias.

E sob o incomum aplauso da torcida pernambucana.

Verdade que ainda há quem ache, mesmo que até a audiência da TV desminta, que o país mantenha a velha paixão pelo time.

Ufanismo tolo, simplesmente.

Aí, aos 25, num lance de sorte do Paraguai, Cabañas, sempre ele, bateu falta, Elano desviou a bola que Júlio César defenderia sem dificuldade e estava 1 a 0.

Não era o que o jogo mostrava, mas era o resultado do jogo.

Que se complicou para a Seleção.

Felipe Melo e Kléber, que até então jogavam muito bem, caíram de produção e Gilberto Silva não se achava em campo.

A bola não chegava em Nilmar e Kaká, agora num ótimo gramado, não acontecia.

O azar paraguaio estava nos pés de Daniel Alves, outra vez muito bem, que cruzou, aos 40, na medida para Robinho empatar.

Menos mal e mais de acordo com a partida.

Aos 4 do segundo tempo, ficou melhor.

Felipe Melo enfiou uma bola preciosa para Nilmar, ele tentou dar de peito para Robinho, a bola bateu num paraguaio, voltou para Nilmar que tocou para decretar a virada: 2 a 1.

Robinho, em dúvida sobre sua posição, evitou dar o último toque para dentro do gol.

Pela primeira vez a Seleção ganhava as duas partidas num mesmo mês nas Eliminatórias 2010, embora fosse a terceira vitória seguida.

Aos 12, Kaká foi Kaká numa arrancada fulminante, deu para Robinho que chutou a gol em vez de devolver.

E Elano, que não esteve nada bem, saiu para entrar Ramires.

Felipe Melo, ao contrário, voltava a ditar o ritmo.

Aos 26, outra vez Kaká.

Pegou a bola na defesa brasileira e arrancou em direção ao gol paraguaio como uma flecha, só sendo parado, quase na área paraguai, com falta, digna de expulsão, coisa que o árbitro não fez.

Aos 29, Dunga pôs Pato no lugar de Nilmar, quando melhor teria sido tirar Robinho.

Mas vá lá.

Chovia a bem chover no Mundão do Arruda lotado por 56 mil torcedores.

Aos 35, em lançamento de Kaká, Robinho perdeu gol feito, porque o Paraguai buscava o empate e dava espaço para o contra-ataque.

E Klebérson entrou no lugar de Robinho aos 40.

O Paraguai, completo, dava trabalho e jogava muito mais do que na derrota que sofreu, em casa, para o novo vice-líder Chile, de Loco Bielsa.

E a Argentina, que perdeu para o Equador, em Quito, será a próxima adversária, em setembro, em Buenos Aires. 

Notas

Júlio César teve que fazer apenas uma defesa difícil: 7,5;

Daniel Alves foi novamente muito bem: 8;

Lúcio e Juan, Juan e Lúcio, a dupla: 8;

Kléber fez sua melhor partida pela Seleção, participativo: 7,5;

Gilberto Silva, com todo respeito que merece, por quê? 5;

Felipe Melo, sem dúvida, uma descoberta de Dunga: 8;

Elano, parece fora de suas melhores condições: 5;

Kaká, melhorou muito no segundo tempo: 8;

Nilmar, pouco servido, quando a bola chegou nele em condições, fez o gol: 8;

Robinho, muita movimentação, um belo gol, mas pouco produtivo no geral: 6,5;

Ramires, no pouco tempo que jogou, jogou bem melhor que Elano: 7;

Kléberson jogou menos tempo ainda, mas nas poucas vezes que pegou na bola, soube o que fazer com ela. É bom vê-lo de volta, recuperado: 7;

Pato sem nota porque também perdeu gol dado por Kaká.

Dunga tem todos os motivos do mundo para estar orgulhoso de seu trabalho e de bom humor. Tomara que siga assim: 8. 

 

Por Juca Kfouri às 23h46

10/06/2009

Aos amigos

Este livro é um presente que ganhei de três pessoas e que reúne colunas que escrevi para  "O Globo", para o diário "Lance!" e para a "Folha de S.Paulo", além de algumas da revista "Placar".

O primeiro a dar o presente foi o jornalista Márcio Kroehn, que selecionou as colunas e fez uma pequena nota na apresentação de cada um dos 57 artigos que ocupam as 145 páginas do livro, além de um "Quem é quem" das figuras citadas nas colunas.

Seis anos atrás, Kroen apareceu em minha vida para recolher dados sobre a história da "Placar", tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso na Faculdade de Jornalismo São Judas Tadeu.

Teve, então, a idéia de fazer um livro com minhas colunas, algo que rejeitei prontamente, porque sempre achei um jeito meio preguiçoso de se fazer um livro.

A idéia morreu.

Tempos depois fui procurado por José Bantim, da Disal Editora, que me pediu um prefácio para o livro "Filósofos Futebol Clube", do inglês Mark Perryman.

Bantim tinha sido meu professor de História do Brasil num cursinho pré-vestibular.

Em seguida, ele veio com a mesma idéia de Kroehn.

Pus os dois em contato e, cerca de seis meses atrás, soube que o livro estava quase nos finalmentes.

E que o prefácio seria de Tostão.

Que prefácio!

Faz valer quase 40 anos de profissão.

Se não faltasse mais nada, a capa do livro, encomendada à artista gráfica Paula Astiz, acabou por ter uma foto de Daniel Kfouri, meu filho, sem que eu soubesse até que a escolha estivesse decidida.

Enfim, melhor presente, impossível. 

Por Juca Kfouri às 16h23

Orlando vence

Orlando Magic acaba de vencer, em Orlando, o terceiro jogo das finais da NBA: 108 a 104.

Foi outro grande jogo, embora quase o tempo todo sob o comando dos donos da casa.

O principal responsável pela derrota do Los Angeles Lakers foi seu melhor jogador, Kobe Bryant, que cometeu dois erros infantis no fim da partida, além de errar lances livres decisivos de maneira quase inacreditável.

Assim é o esporte.

Agora está 2 a 1 para o LAL e o quarto jogo, também em Orlando, será na próxima quinta-feira, às 22h.

Por Juca Kfouri às 01h02

O torcedor quer sim a sua Seleção de volta

A Seleção Brasileira tem uma bela chance nesta noite, diante do Paraguai, de voltar a entusiasmar o torcedor nacional.

Quem sabe consiga sua segunda vitória consecutiva pela primeira vez nestas Eliminatórias e desperte o interesse que tem faltado a tal ponto que a bela vitória diante do Uruguai, no sábado passado, teve das audiências mais baixas de sua história na TV, apenas 20 pontos.

A dúvida hoje, no Mundão do Arruda, no Recife, está apenas no ataque, entre Alexandre Pato e Nilmar, dois paranaenses revelados no Internacional de Porto Alegre.

Com qualquer um dos dois no lugar do tanque Luís Fabiano, Dunga estará bem servido.

Com os dois formando uma dupla, então, nem se fala.

Já o time paraguaio, que divide a liderança em pontos ganhos com os brasileiros, terá a volta de sua espinha dorsal, no meio da defesa, no meio do campo e no meio do ataque, onde o algoz do Santos, do Flamengo e da própria Seleção Brasileira, Salvador Cabañas, estará de volta.

Ele é aquele centroavante roliço, de apenas 1,72m, mas que faz gols como se toma um picolé.

Nenhum torcedor tem se mostrado tão paciente com a Seleção Brasileira como o pernambucano.

Quem sabe a boa vontade da gente pernambucana se transforme, outra vez, em carinho generalizado pelo país afora.

Torçamos.

Por Juca Kfouri às 00h00

09/06/2009

Da 'Transparência Brasil'

Como, por algum motivo misterioso, o texto da "Transparência Brasil" teima em ficar empastelado neste espaço, tratei de exclui-lo.

E errei ao excluir junto os comentários, pelo que me desculpo.

Eis aí o link onde o texto está perfeito.

http://www.excelencias.org.br/@carga.php?carga=docs/SubcomissCopa.pdf

Por Juca Kfouri às 22h27

Kaká vai embora. Mas já não tinha ido?

Ontem foi oficializado o que já se sabia há dias: Kaká trocou o Milan pelo Real Madri.

Ou melhor: foi obrigado a trocar Milão por Madri, porque em meio a crise internacional os italianos não tiveram como recusar 65 milhões de euros oferecidos pelos espanhóis.

Doce constrangimento, pois Kaká receberá 9 milhões de euros por ano, 10% dos quais destinados ao time da Renascer da bispa Sônia e do marido dela, aqueles que conhecem o sol quadrado de Miami.

Kaká é craque e não chuta a santa, como aquele perna de pau do time da IURD, seja lá o que tal sigla significar.

Mas a pergunta é: comove algum torcedor brasileiro mais uma transação envolvendo um jogador da Seleção há tantos anos ausente do Brasil?

Que diferença faz ele ir embora da Itália se o destino é a Espanha?

Kaká diz que não quer a camisa 5 que foi de Zidane, como o próprio francês sugeriu.

No que faz bem, porque deve mesmo se preocupar em construir sua história no Real, sem ser comparado com ninguém.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 9 de junho de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 01h44

08/06/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 21h33

Tudo a declarar

Por ROQUE CITADINI

As explicações das autoridades públicas sobre o trágico episódio do choque de torcidas da última quarta-feira, no jogo Corinthians x Vasco, pouco explicam e muito confundem.

No episódio caiu morto um torcedor corinthiano e, segundo a mídia, foram presos 19 corinthianos e um vascaíno.

Tanto a Polícia, quanto o Ministério Público, afirmam que o episódio foi uma emboscada de corinthianos contra torcedores do Vasco da Gama.

Difícil entender.

Como explicar que aqueles que fizeram a emboscada estivessem em um ônibus e quatro automóveis contra os mais de quinze ônibus dos vascaínos?

Esta tal desproporção entre os que se preparam para um ataque à delegação vascaína, se fosse confirmada, mudará os manuais de guerra no mundo todo.

Não é possível que um número diminuto de torcedores procurassem encurralar ou emboscar uma legião quase vinte vezes maior.

Estranho que o corinthiano morto, há mais de 500 metros do local do choque, foi massacrado por torcedores que, depois, foram ao Pacaembu vangloriar-se do ocorrido. Igualmente estranha a manifestação das autoridades públicas no sentido de que os torcedores corinthianos não gozavam de proteção por ser, sua torcida, uma dissidência dos Gaviões da Fiel sem CNPJ ou estatuto.


Ora, com o lamentável fato de quarta-feira, ficamos sabendo que há torcidas organizadas protegidas pela Polícia e outras que a Polícia não protege.

 


É a mais completa confissão do fracasso da Administração Pública, diante de um evento desportivo.

Agrava tudo isto o fato de que entre os protegidos estão torcidas (com CNPJ e estatutos) que nos últimos tempos tiveram problemas com a própria Polícia.

Numa delas foi descoberto um depósito de drogas, noutra, encontrou-se um arsenal de fazer frente aos radicais do Hamas ou do exército israelense.

O melhor que faria a Administração Pública seria definir uma política de segurança para o Estado, sem conchavos com Organizadas ou dirigentes do futebol, pois o que estes querem é exatamente não mudar a atual situação.

Pior de tudo ainda é passarem a perseguir aqueles que não tomam parte em seus conchavos.

Os torcedores corinthianos da rua São Jorge, ou de outros locais, merecem que as autoridades públicas esclareçam esse episódio e também se sua política de segurança ficará restrita a conchavos e conluios com "torcidas com CNPJ".

Não defendo nenhum ato de violência.

Em todo o período em que dirigi o Departamento de Futebol do Corinthians recebi críticas e mais críticas de todas as Organizadas, por isso, neste episódio, não tenho nenhum constrangimento em dizer que os maiores equivocados estão na Administração Pública.

Por Juca Kfouri às 16h52

O exemplo que vem de cima

O Corinthians foi expulso do Mundial sub-18 na Espanha, porque o time provocou uma pancadaria quando perdia por 3 a 0 do Real Madri.

E está suspenso por cinco anos do torneio.

Nada que altere o valor do dólar, apenas mais um episódio vergonhoso quando a MSI começava a ser esquecida.

Mas surpresa não foi.

A delegação alvinegra é chefiada por André Luiz de Oliveira, o André Negão, que até indiciado por contravenção (leia-se jogo do bicho) já foi nos anos 80.

Leia, abaixo, a nota oficial do clube:

A direção do Sport Club Corinthians Paulista vem por meio desta lamentar as atitudes tomadas pelos seus atletas, categoria Sub-18, Paulo Vítor e Cleber.

As atitudes agressivas acontecidas no final da partida pelos atletas acima citados não cumprem as normas regidas dentro do departamento de futebol amador, que é de respeito mútuo e cumprimento das normas de boa conduta e especialmente voltadas ao fair play.

Em nenhum momento da competição houve um ato de indisciplina dentro do treinamentos, jogos e no dia-a-dia do hotel. Após os lamentáveis incidentes os atletas foram imediatamente repreendidos dentro do vestiário pela direção e equipe técnica, explicando que tais atitudes agressivas não são voltadas para as diretrizes tomadas pela nossa agremiação.

Pedimos desculpas à organização do Campeonato, ao Real Madrid, aos atletas agredidos e especialmente aos torcedores que testemunharam esses atos lamentáveis.

Os atletas que participaram do tumulto estão arrependidos e envergonhados pelas atitudes tomadas e especialmente por ferir a imagem desse conceituado e organizado Campeonato Mundial Sub-18.

E vem respeitosamente pedir desculpas.

Por Juca Kfouri às 14h25

Sem dúvida, Kléber pisou o pé de Lauro

Kléber diz que vai embora do Brasil porque é "perseguido", tão bonzinho que ele é.

Esquece que suas duas expulsões na Libertadores foram decididas por árbitros estrangeiros.

E faz de conta que apenas empurrou o jogador colorado, quando, na verdade, pisou em Lauro antes de ser agredido.

As expulsões foram justas e mal faz o Cruzeiro em acobertá-lo do mesmo modo que o Santos faz com Fábio Costa.

Veja na imagem da ESPN-Brasil. Clique aqui

Por Juca Kfouri às 12h44

LAL na frente!

Faltando nove segundos, 88 a 88 em Los Angeles, segundo jogo entre o LA Lakers e o Orlando Magic.

No primeiro jogo, também em LA, vitória fácil do quinteto da casa por 100 a 75.

Bola com Kobe Bryant que vai ao ataque, sobe para o chute e é limpamente bloqueado.

A bola sai pela lateral, com posse dos visitantes.

Sobram seis décimos para uma  tentativa, agora, de Orlando.

Na ponte-aérea, por pouco, os visitantes não empatam a série para poder ir para Orlando jogar três vezes e tentar liquidar a decisão.

Vem a prorrogação.

Ao faltarem 1'14 o LAL está seis pontos na frente, 97 a 91.

Ao faltarem 29 segundos está 99 a 93.

Quando faltam 26 o jogo fica 99 a 96.

Jack Nicholson vai à loucura, fanático que é pelo LAL.

Fundo bola, marcadíssima, para o LAL.

Restam 22 segundos e LAL tem dois lances livres.

Ambos são convertidos: 101 a 96.

Acaba o jogo.

A série está 2 a 0.

Terça-feira tem mais, em Orlando.

Mas apenas uma vez na história da NBA, de 63 anos, um time fez 2 a 0 na final e não levou.

Aconteceu recentemente, em 2006, a vítima foi o Dallas Mavericks e o algoz o Miami Heat, igualmente da Flórida, como o Orlando Magic.

Por Juca Kfouri às 00h07

07/06/2009

Três times ainda não perderam, cinco não venceram

Invictos, só três times: Inter, Galo e Santos.

Talvez por isso, os três estejam entre os quatro líderes.

Com o empate do Inter, 100% não tem mais ninguém.

Sem vencer tem ainda cinco equipes: Barueri, Avaí, Botafogo, Coritiba e Atlético Paranaense e, certamente, por isso estão aí os quatro últimos.

Foram 31 gols, mais de três por jogo.

Mas pouca gente nos estádios, talvez pelo frio.

A média de público ficou na casa dos 12.800 torcedores.

O melhor público da quinta rodada foi para o jogo mais extraordinário da rodada, na Ilha do Retiro, onde o Sport em oito minutos transformou uma derrota de 2 a 0 numa vitória por 4 a 2 sobre o Flamengo: mais de 25 mil torcedores.

O pior público ficou para o jogo menos atraente mesmo, entre Goiás e Barueri: apenas 4 mil pagantes.

Por Juca Kfouri às 21h31

Frustração na noite do domingo

Era para ser o melhor jogo do Brasileirão.

E começou dando ar de que seria mesmo, apesar de visto por apenas 16 mil torcedores.

Ainda mais que, logo aos 4 minutos, Magrão subiu e mandou uma bola em cobrança de escanteio para o fundo da rede do Cruzeiro.

O Mineirão se assustou com o gol do Inter, mas o Cruzeiro não.

Só que um tal apitador Antonio Hora (da morte) Filho tratou de estragar tudo, porque não teve pulso para domar os minutos iniciais de um jogo tenso.

E deixou de expulsar Bolivar num lance cavalar em Gerson Magrão, aos 16.

Resultado: os ânimos se acirraram ainda mais e três minutos depois ele teve de expulsar o goleiro Lauro e o centroavante Kléber.

O cruzeirense empurrou um colorado no goleiro que deu um chute no cruzeirense depois de ter seu pé pisado por ele.

Para substituir Lauro, Tite tirou Alecsandro.

E Kléber não enfrentará o Palmeiras na próxima rodada.

Evidentemente que o jogo sofreu com a perda de dois atacantes.

E o Cruzeiro só foi empatar aos 3 minutos do segundo tempo, quando Michel Alves soltou um chute de Zé Carlos nos pés de Wellington Paulista.

O Inter sentiu que a invencibilidade estava em risco e resolveu sacrificar os 100% de aproveitamento para mantê-la.

Wagner, que voltou hoje ao time celeste, cansado, deu lugar a Eli Carlos e o Inter tirou Andrezinho para botar Giuliano, como já tinha tirado Cordeiro, amarelado, para entrar Danilo Silva.

Logo de cara Giuliano adiantou demais uma bola preciosa que Taison lhe deu para fazer 2 a 1 e permitiu que Fábio saísse aos seus pés, em evidente falta que levaria a expulsão do goleiro, mas que o banana do apito nem marcou.

E o jogo terminou num 1 a 1 que acabou por frustar quem esperava um grande espetáculo.

Enquanto isso, no Serra Dourada, Goiás e Grêmio Barueri empataram 2 a 2 e, no Maracanã, com um belo gol de Fred no fim, e sem merecer, o Fluminense ganhou de 1 a 0 do Botafogo, num joguinho de dar dó.

Por Juca Kfouri às 20h25

Loucura na Ilha. E no Parque

O Vitória deveria ter ido para o intervalo com vitória em Palestra Itália, pois Roger fez um gol que Marcos tirou de dentro, sem que a arbitragem pudesse ver, aos 40.

O Palmeiras não tinha conseguido chegar nem uma vez sequer ao gol do rubro-negro baiano, apesar de, duas vezes, ter sido vítima de impedimentos mal marcados em ataques que poderiam ser perigosos.

Logo no primeiro minuto do segundo tempo, porém, fez-se justiça no jogo, com Apodi pegando o rebote de mais uma defesa de Marcos, em chute de Leandro Domingues.

Luxemburgo logo tirou Mozart e botou Ortigoza e o Palmeiras, embora passasse a pressionar, com Keirrison desperdiçando boa chance e Obina tentando de bicicleta, ficou muito exposto aos contra-ataques.

Então foi a vez de tirar Henrique para Souza entrar e ajudar na marcação.

Pois foi justamente numa jogada com a participação de Souza que, aos 20, Ortigoza empatou.

O Vitória não se intimidou e partiu para cima, em busca da vitória, como se jogasse do Barradão.

E a coragem do time de PC Carpegiani só não se transformava em gols porque São Marcos evitou um de Roger e o travessão evitou outro, no mesmo lance, de Leandro Domingues.

Keirrison saiu sob vaias para entrada de Dayvid Sacconi.

Ele e Ortigoza, em pouco tempo, fizeram mais que Obina e Keirrison juntos, porque Viáfara teve que começar a mostrar serviço.

Mas o que Roger perdeu de chances não está escrito em lugar nenhum.

O castigo veio no fim, com Maurício Ramos subindo mais que todo mundo e virando o jogo para o Verdão para explosão do Parque Antarctica, com 16 mil torcedores. 

Na Ilha do Retiro, loucura total.

Em menos de 10 minutos, Emerson fez dois gols, aos 5 e aos 9, para estragar a estréia de Leão no Leão.

Mas a alegria do Flamengo durou pouco.

Porque aos 35 minutos já estava 4 a 2 para o Sport, com um gol de Durval aos 26, de cabeça, em saída ruim de Bruno, e mais três de Weldon, aos 27, em furada de Ronaldo Angelim, e aos 30 e 34, este último em jogada do menino Ciro e lindo arremate de primeira.

Se em São Paulo a festa quase foi do rubro-negro baiano, no Recife era mesmo do pernambucano.

Claro que era demais querer gols também no segundo tempo.

E ainda bem que o Flamengo desistiu de fazer Adriano entrar com a camisa 87 e alusão ao título brasileiro daquele ano.

Não só seria uma provocação que o clima beligerante não permite no futebol de hoje em dia como teria saído pela culatra.

Também o rubro-negro paranaense não teve o que festejar, pois perdeu para o Galo, na Arena da Baixada, com gol do veterano lateral Júnior, aos 28 do primeiro tempo e de Diego Tardelli, aos 10 do segundo, além de mais dois de Eder Luiz, aos 32 e aos 35: 4 a 0 e Geninho com a corda no pescoço.

Enquanto isso, na Ressacada, Avaí e São Paulo disputavam uma partida tão equilibrada, e sem graça, que se terminasse 1 a 0 para qualquer lado não seria nada demais.

Poderia, também, ter terminado 2 a 2, tanto que chutaram bolas em cima dos goleiros Martini e Dênis.

Mas terminou mesmo num 0 a 0 que não deixou o torcedor Guga, presente ao estádio, feliz.

Por Juca Kfouri às 18h00

Federer, o melhor

Reuters

Foi fácil.

Roger Federer é o sexto tenista a ganhar os quatro torneios do Grand Slam.

Derrotou Soderling em Roland Garros por 3 a 0.

E fica autorizado a ser chamado de o melhor tenista da história, pois igualou-se a Sampras em número de vitórias em torneios do Grand Slam.

O suíço chorou.

E não era para menos.

Por Juca Kfouri às 12h10

Na 'Folha' de hoje

JUCA KFOURI

A violência que alimenta

O MINISTRO do Esporte, entre uma e outra festa para comemorar seu aniversário e lançar sua candidatura a deputado federal, diz que mais uma morte de torcedor em São Paulo não altera em nada a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

E não altera mesmo, ainda mais em se tratando de um pobre coitado, que não tinha nada que estar fazendo ali àquela hora.

O presidente da CBF, entre uma e outra solenidade com vistas exatamente à Copa de 2014, decreta que se a morte não foi dentro do estádio não é problema dele, é da polícia, embora, tempos atrás, tenha tentado se eximir, também, de sete mortos em Salvador, dentro da Fonte Nova, em outro campeonato organizado pela entidade que ele dirige.

E a PM paulista, junto à competente autoridade do Ministério Público, passa a defender jogos com uma torcida só.

Mas pára um ônibus com corintianos no trajeto de mais de uma dezena de ônibus com vascaínos.

Só pode ser por gosto, pois ninguém será capaz de convencer um observador isento que um ônibus, com mulheres dentro, prepare uma emboscada nem para outro ônibus, que dirá para mais de dez.

Esta coluna é mais radical na defesa da paz dos cemitérios: quer jogos sem torcida!

Já a Polícia Civil até hoje foi incapaz de achar os culpados do caso do gás, em Palestra Itália, e da fratura do braço do técnico do Palmeiras, no aeroporto de Congonhas, embora perca seu tempo com um bando de canastrões que se julga perseguido por este colunista.

É que a simulação de indignação com a morte de torcedores dá empregos e alimenta demagogias, ao mesmo tempo em que deixa nu o tamanho da incompetência, e do cinismo, de autoridades e cartolas.

Porque se tem gente que se sustenta na exploração dos ditos torcedores organizados, é sempre bom não perder de vista que do outro lado a violência até elege deputados, capazes de iludir os incautos do me engana que eu gosto.

E lembrar, principalmente, que na origem de tudo está o que deveria preocupar um presidente de CBF, ou seja, o tratamento animalesco que se dá aos torcedores em todos, repita-se, em todos os estádios brasileiros.

Com a óbvia contrapartida do comportamento animalesco dos torcedores, nas chamadas torcidas organizadas e nas numeradas das elites, basta lembrar episódios recentes com as equipes da CBN, no Pacaembu, da Sportv, na Vila Belmiro, e da ESPN Brasil, no Couto Pereira, em Curitiba.

O estádio de futebol e seus arredores viraram faixas de ódio, de covardia coletiva, de extravasamento da idiotia e do que de mais sombrio pulsa na alma humana, embora, registre-se, seja a minoria dos torcedores que assuma tal papel.

Ao contrário, todos os cartolas e autoridades brasileiros que algum dia trataram da questão (todos!) mostraram-se ou incompetentes ou conformados ou coniventes ou cúmplices, porque sustentam também essa minoria raivosa, belicista, irracional e facilmente identificável e isolada da sociedade.

Quando a inflação acabou no Brasil, logo se descobriu, com a falência de bancos, quem lucrava com ela.

No futebol é igual.

Por Juca Kfouri às 11h17

Além do futebol

Por ROMERO CARVALHO*

Nasceu em Belo Horizonte, mas tinha algo especial e diferente dos outros garotos: foi criado para ser torcedor do América. Afinal, o avô era um americano histórico e o pai um sobrevivente da torcida que passou 22 anos sem nenhum título, vendo Atlético e Cruzeiro se tornarem referências no país, em grandes esquadrões nas décadas de 1970 e 1980.

O garoto não tinha escolha. A casa dos avós era ao lado do Estádio Independência e ver o Coelho jogar era um programa dominical quase obrigatório. Na inocência de sua primeira infância nunca reclamou. Achava, aliás, que o verde era mais bonito que o azul e o preto e branco, além de gostar de brincar tranquilamente com outras crianças no estádio. Era americano e bem feliz com isso.

No entanto, a primeira infância passa e na escola ele era o único americano. Era normal atleticanos e cruzeirenses se enfrentarem em diálogos ríspidos. Mas com ele pouco acontecia isso. Estava fora da rivalidade e era motivo de piada quando dizia ser torcedor do América. O pai o encorajava, dizendo que ser diferente era bom e que só "as pessoas diferentes haviam feito algo realmente relevante nesse mundo". Gostava disso, mas, no fundo, sentia-se incomodado em não ser parte da maioria, em não frequentar um estádio grande lotado, ver conquistas e vitórias imponentes. Seu avô já tinha o consolo: "ser americano vai além de vencer". Mas isso não bastava para ele. Até porque, seu avô lhe contava lembranças de um grande América, de vitórias inesquecíveis e títulos conquistados com suor. Parecia contraditório demais.

Em 1997, um alento: o Mecão foi campeão da Série B com o Independência lotado! Sem dúvidas, um grande feito. Mas que não o comoveu mais. Seu pai ainda não sabia, mas ele já torcia em silêncio para o Cruzeiro. Queria ser grande, ser um vencedor, lotar estádio. Não lhe interessava tanto a admirável paixão atleticana. Gostava mesmo era do "espírito copeiro". E isso era com a Raposa. Não deixou, é claro, de ter uma grande simpatia pelo Coelho. Mas o coração já era de outra cor.

Celebrou sozinho as conquistas celestes e nunca apareceu com nenhum adereço azul em casa. Era o único neto homem e não queria magoar a família. Porém, outro detalhe passou a lhe incomodar. O América carregava uma fama de sempre complicar os jogos com o Cruzeiro. Na final da Copa Sul-Minas, em 2000, foi ao Mineirão com o pai e o avô e ficou quietinho na pequena torcida americana. Teve que engolir a seco e arrumar forças para celebrar o título heróico do Coelho sobre a Raposa. Nunca tinha visto o pai e o avô tão felizes. De certo, isso o deixou feliz também, num turbilhão de emoções paradoxais. Seguiu cruzeirense, contudo.

Em 2002, a experiência foi diferente. Impiedosamente, com juros, taxas e correções, o Cruzeiro aplicou 7 a 1 no América pela mesma Copa Sul-Minas. Despedaçava-se o último atual grande orgulho futebolístico do clube. Ai de quem ainda quisesse dizer que o Cruzeiro era freguês. E o time estrelado naquela tarde de 17 de fevereiro pareceu querer deixar bem claro, o tempo todo, a verdadeira parte que atualmente cabe ao Coelho no mundo do futebol.

Na arquibancada verde, uma desolação sem tamanho. Dentro do garoto, uma grande alegria. Era uma vingança silenciosa de tudo o que teve que ouvir contra o Cruzeiro do seu pai e avô após a final de 2000. Olhava para todos os cantos e via cenas de revolta, de desespero e consternação. Estava feliz por não ser parte de um grupo de "perdedores". Seu pai estava cabisbaixo. Resolveu olhar para o avô e, quase sadicamente, pedir para ir embora do estádio, já que "não aguentava mais aquele sofrimento". Mas seu avô chorava e essa era uma cena que ele nunca tinha visto. Abraçou o velho e disse que a culpa era do técnico e que, em breve, "eles iriam se vingar do Cruzeiro". E mais: "que ser americano vai além de vencer". Não adiantou. O vovô nunca mais quis ir ao estádio. O clube despencou, caindo pra terceira divisão do Brasileirão e até para o Módulo II do Mineiro.

Os jogos no Independência, além de raros, estão cada vez mais vazios. Os quadros na parede da sala do seu pai mais desbotados. Mas de uma coisa o garoto tem certeza: seu filho tem que ser americano.

*Romero Carvalho é jornalista.

Por Juca Kfouri às 00h08

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico