Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

27/06/2009

Atenção! Não é merchan. Mas é surpreendente...

Por Juca Kfouri às 22h51

Botafogo em risco. Avaí também

O Botafogo foi goleado impiedosa e inapelavelmente pelo Goiás, por 4 a 1, e no Engenhão, com 6.689 pagantes.

O Goiás fez a parte dele e não tem nada a ver com os problemas do Botafogo.

Que, no entanto, precisa parar para pensar e fazer umas contas: se é verdade que é elogiável a política de pés no chão da nova direção alvinegra, não é menos verdade que a busca de reforços agora, por mais que custe um investimento que o clube tenha de se endividar ainda mais para fazer, deve custar menos que uma nova queda para a Série B.

E o risco da queda é óbvio.

Como é grande o risco que o Avaí corre de voltar à Segunda Divisão.

O simpático e bem organizado time catarinense até que tentou, até que mereceu, mas não conseguiu nem sequer empatar com os reservas do Cruzeiro agora há pouco no Mineirão, com apenas 3.453 pagantes.

Zé Carlos, aos 41 do primeiro tempo, de pênalti, fez o único gol da vitória mineira.

Por Juca Kfouri às 20h13

'Descordou' e foi 'dimitido'

E cometeu um erro de digitação, ou teria sido de 'degitação'?

Porque foi essa a explicação dada por Vanderlei Luxemburgo: erro de digitação.

Mesmo que entre o E e o I haja (Aécio Neves diria "hajam") quatro teclas, as das letras R T Y U.

Mas quem já confundiu V com W e I com Y pode mesmo cometer mais essa pequena confusão.

Só fica uma perguntinha, no entanto: não seria mais fácil admitir pelo menos este errinho?

Aqui neste blog, por exemplo, erra-se tanto.

Que coisa!

(Agradeço aos blogonautas Gilmar Siqueira e smvbr69 pela idéia do título desta nota).

Do Twitter de Vanderlei Luxemburgo:

 

Olá pessoal. Cometi um erro de digitação e escrevi "descordar" no lugar de "discordar na madrugada de ontem.

Desculpem o vacilo.

 

Quem me alertou sobre o erro foi o "professor" Juca Kfouri. 

Por Juca Kfouri às 18h35

Barueri faz festa junina com os mineiros

Em dia de festa junina na escola da neta, desculpe, mas futebol passa a ser tema secundário.

Por isso acompanhei mais a narração do que vi os jogos das 16h10.

O Furacão, enfim, venceu na Arena da Baixada (17.119 pagantes), como era obrigatório contra os reservas do Corinthians, gol de Paulo Baier, no fim do primeiro tempo, em cobrança de falta que não existiu.

Também o São Paulo cumpriu com sua obrigação na estreia de Ricardo Gomes, no Morumbi (7.977), ao vencer o Náutico por 2 a 0, gols do zagueiro Jean no começo do segundo tempo e de Hernanes, no fim.

Mas com direito a vaias para Washington.

E, em Barueri (3.613), eis que o Grêmio habilitou-se a se dar bem no Campeonato Mineiro.

Porque depois de ganhar do Cruzeiro por 4 a 2 no Mineirão, na rodada passada, eis que agora acabou com a invencibilidade do Galo, que era o último invicto.

Ganhou também por 4 a 2, depois de estar ganhando por 2 a 0 no primeiro tempo (ganhou do goleiro Aranha o segundo gol), tomar o empate em dois pênaltis cobrados por Diego Tardelli no segundo (o primeiro pênalti também de presente do zagueiro da casa e o segundo, inexistente), mas ainda fazer mais dois gols para sacramentar sua vitória, embora o terceiro, fruto de uma falta também inexistente que ainda resultou na expulsão de Werley.

Não é por acaso que o presidente do Galo diz que prefere jogar com um grande carioca do que com um pequeno paulista.

E o Galo além de perder o jogo e a invencibilidade perdeu também a cabeça, na expulsão, ainda, de Evandro.

As impressões, em negrito e grifo, sobre o jogo em Barueri foram atualizadas às 21h30, depois de ver todos os lances na Sportv.

Por Juca Kfouri às 18h05

Um Parque para Muricy Ramalho

O ex-ponta-direita do Palmeiras, e atual técnico das categorias de base do Palmeiras, Jorginho, está neste momento reunido com o comando de futebol do clube para definir o time que enfrentará o Santos, amanhã, no Palestra Itália.

Enquanto isso, Muriciy Ramalho é o objetivo, ele que tem a simpatia do presidente Luiz Gonzaga Belluzzo e a amizade de Fábio Raiola, o homem de finanças do clube.

Mas tem mais: tem o alerta do parceiro da Traffic, J.Hawila, que ainda na terça-feira passada virou-se para o comando alviverde, depois de se queixar que Vanderlei Luxemburgo não tinha dado padrão ao time e ainda desvalorizava alguns de seus jogadores, e lembrou: "Não percam o Muricy!".

Tudo indica que não perderão.

E o Corinthians que não perca o título da Copa do Brasil.

Porque os cartolas alvinegros serão bem capazes de querer trocar Mano Menezes por Luxemburgo.

O que, sem trocadilho, seria má troca.

Por Juca Kfouri às 09h25

Luxemburgo passou dos limites

Vanderlei Luxemburgo, ao dizer que não trabalharia mais com Keirrison, agiu como se mandasse no Palmeiras.

E ainda provocou: "Ou me mandem embora", disse.

Pois deverá ser enquadrado neste sábado.

Ou mandado embora.

Tudo indica, aliás, que é o que ele quer, depois do fracasso na Libertadores e pela possibilidade de ainda receber mais de R$ 1 milhão de multa.

Mas é possível que ao ser enquadrado, publicamente, ele mesmo peça para ir embora.

O que será a melhor solução para quem verdadeiramente interessa,  a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Que poderá retornar às mãos de quem, de fato, ama o Palmeiras.

Um sábado decisivo.

Por Juca Kfouri às 23h52

26/06/2009

A CBF perde mais uma

Leia uma decisão, em laranja abaixo, de lavar a alma:

ESTADO DO RIO DE JANEIRO PODER JUDICIÁRIO COMARCA DA CAPITAL REGIONAL BARRA DA TIJUCA JUÍZO DA 4a VARA CÍVEL

 

Processo nº 2007.209.007825-2

 

S E N T E N Ç A: CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL ajuizou ação indenizatória de rito ordinário em face de JOSÉ CARLOS AMARAL KFOURI (nome profissional JUCA KFOURI), alegando que o Réu, conhecido e experiente jornalista, mantém no site "uol esporte" o "Blog do Juca", no qual veicula suas opiniões acerca de diversos assuntos ligados ao esporte nacional, tendo no dia 26 de maio de 2007 publicada nota intitulada Navalha na bola, com o seguinte texto:

"Não bastasse o Senador Delcídio Amaral, agora um peixe ainda maior cai na rede da onda causada pela "Operação Navalha": o Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Amaral e Calheiros receberam da CBF, em 2002, R$ 100 mil reais cada um para suas campanhas eleitorais. E foram os grandes responsáveis pela aproximação de Ricardo Terra Teixeira com o Presidente Lula, que não gostava do cartola e não fazia nenhuma questão de esconder. A "bancada da bola" é mesmo uma bola. Não há escândalo no país que atinja seus membros. Quando tem empreiteira no meio, então..."

Tal nota lançada no blog teve como pano de fundo doação feita pela CBF ao Senador Renan Calheiros.

Para a Autora da ação...Fica claro que o Réu tenta relacionar a CBF à empreiteira Gautama, alvo da "operação navalha" da Polícia Federal, insinuando para os leitores que a Autora teria doado, de forma irregular, dinheiro para a campanha eleitoral do Senador Renan Calheiros.

Esqueceu-se o Réu de esclarecer que doações de campanha são legais e passam pelo crivo da Justiça Eleitoral.

Quis o Réu com essas insinuações colocar em dúvida a reputação da Autora e causar-lhe toda a sorte de problemas institucionais.

Desta forma, postula a Autora a condenação do Réu ao pagamento de indenização por danos morais.

A petição inicial veio instruída com o texto questionado.

Citado, o Réu ofereceu contestação, afirmando inicialmente que o pedido formulado nesta ação é infundado, tratando-se de mais uma investida da CBF e de seu presidente Ricardo Teixeira no intuito de intimidá-lo.

Existem diversas ações ajuizadas pela CBF e por Ricardo Teixeira em face do Réu, que tem combatido em sua carreira com determinação todo e qualquer fato que se relacione à corrupção, suborno e outras mazelas que infelizmente também atingem o mundo do esporte.

O interesse do Réu é fazer prevalecer, não só no esporte, mas em toda a sociedade, o compromisso sério com a ética e com os interesses da população.

E é sabido que há anos o Réu incomoda a direção da CBF em razão de sua atuação crítica e corajosa.

Sobre o caso dos autos, aduziu o Réu não ter ofendido a Autora.

Não há qualquer ofensa no relato objetivo de um fato verdadeiro.

As doações foram feitas e o Senador Renan Calheiros caiu na rede da Operação Navalha, que visou desmantelar o esquema de fraudes em licitações de dimensões impressionantes, supostamente comandado pela empreiteira Gautama, levando à prisão várias autoridades.

Descobriu-se que o Senador Delcídio Amaral recebeu R$24.000,00 da referida empreiteira, havendo sido citado o nome do Senador Renan Calheiros na referida investigação realizada pela Polícia Federal.

No texto jornalístico publicado no seu blog, o Réu se limitou a mencionar o fato de que a CBF doou R$100.000,00 à campanha dos referidos Senadores.

Não foi afirmado nem sugerido que a doação fosse ilegal ou que o dinheiro doado teria origem ilegal.

Tais ilações decorrem de interpretação fantasiosa.

Fato é que a CBF, entidade máxima do futebol brasileiro, que exerce função de nítida natureza e interesse públicos, realizou doação vultosa à campanha dos Senadores cujos nomes estiveram envolvidos em investigação de fraude.

A menção a tal fato, cuja veracidade é incontroversa, atende ao interesse público de livre circulação de informações.

Pretendeu o Réu única e exclusivamente chamar a atenção do público leitor acerca da forma como a CBF administra suas verbas e o próprio futebol brasileiro que, como é sabido, envolve cifras milionárias.

Salienta o Réu ter agido no exercício regular da atividade de imprensa, não podendo responder por interpretações fantasiosas.

Lembrou o Réu que a CBF e o presidente Ricardo Teixeira tiveram suas condutas examinadas por duas Comissões Parlamentares de Inquérito instauradas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal sobre irregularidades na administração do futebol brasileiro.

O futebol é patrimônio cultural imaterial, merecendo proteção contra aqueles que nele enxergam apenas possibilidades de lucros desmedidos.

E como resultado de tais CPI's, foram requeridos inúmeros indiciamentos e providências de natureza fiscal e penal.

Logo, o comentário feito pelo Réu bem demonstra sua opinião acerca da forma como a CBF administra o futebol brasileiro e seu vultoso orçamento, consubstanciando, portanto, lícito e legítimo exercício de crítica jornalística.

A Autora manifestou-se em réplica, destacando que o Réu empreende cruzada pessoal contra a CBF e seu atual presidente, em seu blog, em seus pronunciamentos na televisão e na Rádio CBN.

Nenhuma outra prova foi produzida.

Feito o relatório, passo a DECIDIR.

É cediço que a pessoa jurídica pode sofrer dano moral (Súmula 227 do STJ), mas isto não ocorreu, com certeza, no caso sub examen.

Não é preciso grande esforço para se concluir que o Réu não ofendeu de qualquer modo a honra objetiva da Confederação Brasileira de Futebol.

Com uma simples e rápida leitura do texto jornalístico questionado se verifica que a única menção feita à CBF diz respeito às doações de cem mil reais que a entidade máxima do nosso futebol realizou em benefício das campanhas eleitorais dos Senadores Delcídio Amaral e Renan Calheiros.

Apenas isso.

E essas doações não foram contestadas pela Autora.

Aconteceram de fato.

Portanto, como pode a Autora pretender responsabilizar o jornalista pela divulgação de fatos reais?

Esta investida da CBF beira a litigância de má-fé, isto sim!

Já soa estranho a qualquer um o fato de ter a CBF doado dinheiro para as campanhas eleitorais de dois Senadores. A CBF é uma associação de direito privado, de caráter desportivo, dirigente do futebol brasileiro.

 Embora se trate de entidade privada, a CBF é responsável pelos destinos do futebol brasileiro, e o futebol não tem dono.

O futebol não é da CBF e de seus dirigentes, tão-somente.

O futebol é de todos nós, é do Brasil e é do mundo.

O futebol é uma maravilha, uma bela criação dos ingleses!

E futebol é coisa séria, desperta sentimentos agudos, paixões.

É a rivalidade sadia que o homem inventou para expressar sua virilidade.

É a guerra do bem, que não destrói, só constrói, que não deixa mortos e feridos.

Esporte completo, sinônimo de saúde, habilidade e força.

Repito: não tem dono!

E é por conta dessa força e dessa magia que o futebol movimenta muito dinheiro, gerando riqueza.

Pouco importa a natureza jurídica da Autora, de entidade privada, pois dita associação lida com um patrimônio do povo brasileiro.

O futebol brasileiro é o maior produto de exportação deste país.

Logo, deve ser gerido com seriedade e austeridade, administrado com transparência, como se fosse uma instituição pública.

Seus recursos devem ser empregados em prol do desporto e em ações sociais, como fazem diversos clubes neste país.

Nesse contexto, fica realmente difícil compreender o sentido dessas doações de vultosas quantias a determinados políticos.

E não interessa a este debate se as doações foram feitas sem violação da lei.

Não é este o cerne da discussão.

Sendo assim, foi a própria CBF que, com a sua conduta, deu margem à veiculação da notícia e aos comentários críticos feitos pelo jornalista Juca Kfouri em seu blog.

Aliás, o Réu revelou que foram instauradas CPI's em Brasília no intuito de se apurar desvios e irregularidades na administração do futebol brasileiro, com o exame de atos praticados pela CBF, que resultaram em indiciamentos e na adoção de diversas providências de natureza fiscal e penal em face dos envolvidos, não tendo a Autora negado a ocorrência de tais fatos em seu pronunciamento acerca da contestação.

Cumpre acrescentar que o Réu não afirmou em sua nota que tais doações seriam ilegais ou que o dinheiro doado teria origem ilícita.

A nota jornalística em apreço não contém ataque à instituição demandante.

Não se extrai de seu conteúdo a intenção deliberada do Réu de denegrir gratuitamente a imagem e a credibilidade da CBF.

Há sim, nas entrelinhas, uma veemente crítica à administração da entidade, baseada em fatos reais.

O Réu não pode ser responsabilizado pelo relato de fato verdadeiro, incontroverso, por sua manifestação no exercício legítimo de informação e crítica jornalística.

Existe um interesse social pela notícia.

Se é certo que devemos repudiar e combater todo e qualquer abuso de jornalistas que violam a liberdade e a honra de terceiros, de outro lado existe a necessidade de se preservar uma imprensa livre para a manutenção da democracia.

A imprensa exerce papel fundamental na vida de um país livre e democrático, e é através dela, do jornalismo investigativo, que muitos ilícitos praticados vêm à tona.

Não vislumbra este Juízo no texto de autoria do Réu, desvio ou excesso na informação veiculada, de modo a caracterizar um comportamento ofensivo, que atente contra a honra objetiva da entidade máxima do futebol brasileiro.

Em tais circunstâncias, JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado na inicial, resolvendo o mérito na forma do artigo 269, inciso I do CPC. Face à sucumbência, condeno a Autora ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios que arbitro em R$8.000,00 (oito mil reais). P.R.I.

 

Rio de Janeiro, 23 de junho de 2009.

 

Carlos Alfredo Flores da Cunha

JUIZ DE DIREITO

Por Juca Kfouri às 16h41

O 'partidaço' de André Santos

Quem acompanha este blog sabe que o dono dele não é exatamente fã do futebol nem da personalidade de André Santos.

O lateral-esquerdo é deficiente na marcação e se acha muito melhor do que é.

Por isso o blog invariavelmente o critica nos jogos do Corinthians.

E não foi diferente em relação às suas atuações na Seleção Brasileira.

Tanto que aqui se propôs pôr um dos laterais-direitos, Maicon ou Daniel Alves, na esquerda.

Mas, ontem, este blogueiro achou que André Santos fez sua melhor apresentação com a camisa amarela.

Como, aliás, o repórter André Plihal, da ESPN-Brasil, que está na África do Sul, também achou.

Como Fernando Calazans, no "Globo" de hoje, achou também.

Até vi o José Trajano hoje dizer que vou sair do "Linha de Passe" e ir para o "Loucos por futebol" por causa de minha avaliação.

"Partidaço", de fato, soa como exagero e nota 8 é uma demasia, fiquemos com 7, uma boa nota.

Mas o que acho mais engraçado é que os que caíam de pau com minhas críticas ao atleta, que as consideravam perseguição a um corintiano, não vieram ao blog para, ao menos, me gozar por ter dado o braço a torcer.

E os que vieram para criticar o exagero da avaliação a atribuíram exatamente ao fato de eu ser corintiano.

Não entenderam nada, portanto.

Porque, repito, eu sempre o critiquei e, provavelmente, continuarei a criticar.

A menos que ele passe a jogar sempre como ontem...

Por Juca Kfouri às 14h16

Injúria, talvez, racismo, não!

Por RODRIGO BARROS OLIVEIRA 

Após mais um episódio de preconceito no meio esportivo, o caso da acusação feita por Elicarlos contra Maxi Lopes, vejo se repetirem os equívocos cometidos pelos veículos de informação na abordagem do assunto.  

Novamente a imprensa veicula a informação de maneira errada, sem esclarecer de maneira técnica o assunto. 

O crime cometido pelo jogador argentino, caso a alegação do jogador Elicarlos se confirme verdadeira, não é crime de racismo.

A conduta praticada pelo atacante Maxi Lopes configura sim crime de injúria qualificada, previsto no Código Penal.

O atleta ofendeu a dignidade do outro e de maneira alguma tal prática configura o crime de racismo.

Os crimes de racismo, previstos na Lei 7.716/89, são condutas muito diversas da praticada pelo jogador argentino.

Racismo é dar tratamento diverso a alguém em função de sua raça, cor, etnia, ou nacionalidade, em situações em que estes devam ser tratados igualmente aos outros.

O fato de o jogador brasileiro ter acusado erradamente o argentino não deveria ser seguido pela imprensa, que deveria sim informar corretamente, dizendo que NÃO SE TRATA DE RACISMO.

Logo, procedeu corretamente a delegada em não deter o argentino, já que a lei não prevê tal hipótese.

Além do mais ninguém deve ser preso, a princípio, antes de ser condenado.

Seria um absurdo deter o argentino com base na simples alegação de Elicarlos.

Se no "Caso Grafite" houve detenção, foi um ato arbitrário e, aí sim, RACISTA, por dar tratamento diverso do estipulado em lei pelo fato da sua nacionalidade argentina.

Resta a imprensa passar a cobrir tais fatos elucidando a verdade e esclarecendo a todos de maneira a evitar esses desatinos e depoimentos lamentáveis, de pessoas totalmente leigas sobre o assunto.

Tem-se observado é que, nós, brasileiros, somos muito mais racistas com eles, os argentinos, nesses episódios, do que os comportamentos a eles atribuídos, muito embora sejam censuráveis.

Porque temos tratado esses casos com tremenda desproporção lhes atribuindo falsos crimes, além de tratamentos severos na condução dos agentes às delegacias coercitivamente após as partidas, algo que é indevido nos casos de ação penal privada como os crimes de injúria.

Por Juca Kfouri às 00h45

Tio Sam exige respeito do time de Dunga

Brasil e Estados Unidos vão decidir a Copa das Confederações neste domingo, às 15h30 no horário de Brasília.

Outro dia mesmo as duas seleções se enfrentaram e a brasileira ganhou de 3 a 0.

Lembremos, porque fizemos essa mesma conta uma semana atrás: são 11 jogos na história, dez vitórias brasileiras, apenas uma norte-americana.

Vitórias apertadas, nada menos do que sete, por apenas um gol.

Duas vitórias por dois gols, um 2 a 0 e outro 4 a 2, e duas por três gols, ambas por 3 a 0, a primeira em 1992 e a outra agora, lá na África do Sul mesmo.

Como cada jogo é um jogo e depois da derrota para o Brasil os Estados Unidos passaram pelo Egito e pela badalada Espanha, sempre será bom lembrar que cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Com seriedade e humildade o time de Dunga tem tudo para ser o primeiro tricampeão da Copa das Confederações.

E seriedade e humildade o time dele tem mostrado, mesmo quando não joga bom futebol, como ontem, na vitória apertada sobre a África do Sul.

Por Juca Kfouri às 00h09

Decepcionante Internacional

O Inter foi, mais uma vez, uma grande decepção.

Num Beira-Rio festivo, com 30 mil torcedores, o colorado achou de completar sua sexta partida sem vitória, agora diante da LDU, pela primeira partida decisiva da Supercopa Sul-Americana.

Pior: perdeu de 1 a 0, depois de fazer um primeiro tempo apático e um segundo confuso, que não honra os talentos individuais que tem.

Já o time equatoriano, que ganhou a Libertadores passada em pleno Maracanão, há de estar pensando que nada é mais fácil do que vir ao Brasil e ganhar de seus representantes.

Verdade que a arbitragem foi um fiasco, mas nada justifica o desempenho brasileiro, mesmo com 10 jogadores a partir do 26o. minuto do segundo tempo, quando Bolivar foi corretamente expulso.

O Inter ficou devendo novamente, longe de honrar a imagem de melhor time do país.

O jogo de volta, na altitude de Quito, será no dia 9.

E Tite que se cuide diante do desemprego de Muricy Ramalho.

Por Juca Kfouri às 23h50

25/06/2009

Que estrela, Dunga!

Reuters

O que houve de melhor no primeiro tempo de África do Sul e Brasil foi a atuação de André Santos, que jogou como gente grande.

E, verdade seja dita, a coragem africana em agredir o time nacional também merece registro.

Se jogou fechado atrás, nem por isso o time sul-africano deixou de buscar o gol, com chutes sempre perigosos e com uma cabeçada que passou muito perto.

As melhores oportunidades brasileiras nasceram de alguns poucos contra-ataques e o 0 a 0 acabou sendo o resultado que espelhava o jogo.

O consolo estava em que, ontem, no intervalo, os EUA já venciam a Espanha e anunciavam a zebra que estava por acontecer.

Se no primeiro tempo André Santos foi muito bem, no segundo Felipe Melo foi muito mal e armou um ataque tão perigoso dos africanos que Júlio César teve de fazer a defesa, em bola desviada, mais difícil do jogo, aos 12.

A coisa começava a ficar feia para a Seleção Brasileira.

Robinho era de uma inutilidade irritante e o time tinha dificuldades pelo meio e explorava menos do que deveria os flancos do campo.

E o gol do time verde parecia mais maduro que o do time amarelo.

Kaká marcadíssimo, Ramires com menos espaço e Maicon mais preso que o habitual, viam Luis Fabiano lutar feito um leão, mas isolado.

Aos 36, Dunga se mexeu e tirou André Santos para entrar Daniel Alves, até como este blogueiro já andou querendo ver, mas, que, no caso, não era o caso.

Enfim, vá entender cabeça de técnico. E de blogueiro.

Porque, em seguida, aos 41, Ramires foi derrubado na entrada da área, pela esquerda.

E Daniel Alves bateu a falta com a perfeição de que é capaz para fazer 1 a 0.

As cornetas não tocaram nem o toque do silêncio.

Apenas calaram por um breve, profundo, triste, para eles, instante.

Luis Fabiano, aos 45, ainda perdeu o segundo gol, ao chutar em cima do goleiro.

Domingo, às 15h30, tem Brasil e Estados Unidos, de novo.

Kleberson e Julio Baptista entraram para ganhar tempo.

NOTAS:

Júlio César fez uma defesa que salvou a pátria: 8;

Maicon não foi o mesmo de outros jogos: 6;

Lúcio na dele como sempre: 7,5;

Luisão também foi bem: 7;

André Santos fez um partidaço: 8;

Daniel Alves entrou no lugar e fez o gol: 8;

Gilberto Silva cumpriu seu papel, discretamente: 6

Felipe Melo lembrou o antigo: 4,5

Ramires teve dificuldades com a marcação severa, mas se mexeu: 6,5;

Kaká foi muito marcado e muito esforçado: 6,5;

Robinho parece não entender a seriedade de alguns jogos: 5;

Luis Fabiano, ao contrário, é sempre sério: 6,5;

Kleberson e Júlio Baptista sem nota;

Dunga, demorou para mexer, mexeu aparentemente errado, mas deu tão certo, mas tão certo, que não será este blogueiro que queria mesmo ver Daniel Alves na outra lateral que deixará de dar uma nota alta ao treinador: 8.

 

 

Por Juca Kfouri às 17h23

E o 'soccer' foi para a primeira página do NYT

 

Published: June 24, 2009

The stunning 2-0 victory by the United States over Spain — the best team in the worldis probably the greatest victory by the men’s national soccer team.

And when you think of it, the victory Wednesday is probably the second-biggest upset by an American team, behind only the 1980 Miracle on Ice by the hockey team over the Soviet Union in the Olympics.

Those Soviets were state-supported professionals, beaten by amateurs from the United States. On the field in South Africa on Wednesday, everybody was a professional, although just about every Spanish player is employed at a higher level than his American counterpart.

This shocking match in the Confederations Cup in Bloemfontein was the equivalent of those one-off thrillers, like Gonzaga or Davidson beating one of the giants of American college basketball. Compelling? Sure. Significant? Not necessarily.

Coming from essentially nowhere, after weeks of ragged play, the upset was exciting to watch, for Americans and presumably for the South African fans, all bundled up in winter gear, and for fans rooting for the underdog in climates and time zones all over the world.

The United States did not suddenly become a powerhouse because Jozy Altidore and Clint Dempsey scored hard-earned, opportunistic goals in each half against Spain, winner of last year’s European championship and undefeated since 2006.

The inequity is what made this match such a spectacle. The Spanish players are regulars for Barcelona and Liverpool in the richest leagues of Europe. The Americans play in the earnest Major League Soccer or are mostly role players and reserves in Europe.

But for these 90 minutes on Wednesday, the Americans were better than the Spaniards — brave and smart and lucky, too — and they will always have this result, like the Americans who shocked England in the 1950 World Cup, a simpler time, and the Americans who demoralized Mexico and then nearly beat Germany in the giddy quarterfinal in the World Cup in 2002.

“Most teams respect them a little too much and back off of them,” Landon Donovan said of the Spanish players after the game. “I think we did a good job being harder and more aggressive than most teams.”

The most immediate benefit to American soccer is not even the result of the Confederations Cup final on Sunday, when the United States team will play the winner of Thursday’s Brazil-South Africa match. That one is gravy.

The real boon to the American team will come on Dec. 4, at the World Cup draw in Cape Town, when the ayatollahs of FIFA divide the 32 qualifiers into four ranks of eight. In recent draws, the United States was seeded below its regional rival Mexico, which effectively meant the Americans would have to face two tiers of tough opponents.

Now that the Americans have held off the quick and talented Spaniards, FIFA will have to remember that the United States has moved ahead of Mexico and is the best team in its region.

Nobody in the American soccer federation will dare to claim that this was the day the country came of age in the world’s most important sport. Not until American boys and girls play feral soccer on their own, for the love of the sport, will the nation develop its own Jordan, its own Pujols, its own Crosby or Malkin, its own Maradona.

But this was a step, the product of many intricate changes, some of them made by Bob Bradley, the American coach who was under attack in blogs in recent weeks. (Yapping about the coach is a great step forward for the United States.)

Among the reasons the United States beat Spain was that Altidore finally played himself into shape after rusting on the sideline for his club in Spain. He looked trimmer and more alert than he did in recent weeks.

Other changes were: The captain Carlos Bocanegra returned from injury to stabilize the defense; Tim Howard played a marvelous match in goal after getting a day off against Egypt last Sunday; Bradley had to stop using DaMarcus Beasley, not the player he used to be; the makeshift back line had to knit in the absence of three seasoned defenders; and Donovan had to dig in for the grittiest match of his national team career, much the way Claudio Reyna did against Mexico in 2002.

This was not the World Cup, but it was an important tournament in the march toward 2010. This victory needs to be savored on its own by the players and their loyal fans.

To be fair, American men and women have come up with other great victories in soccer, basketball, softball and ice hockey, most notably the memorable 1996 Summer Olympics and the 1999 Women’s World Cup in the United States. But most of the time these American teams were expected to dominate, to be a factor. The Yanks of Bloemfontein were not even expected to be in the semifinals. The No. 14 team in the world — a rating that looked quite generous — has now beaten the No. 1 team in the world. For loyal American fans, it feels so good precisely because it was an upset. 

Por Juca Kfouri às 13h05

Na 'Folha' de hoje

JUCA KFOURI

O Rio de Janeiro continua devendo 

 

O futebol carioca não só já dominou o país como sempre se distinguiu por ser bom de se ver. O que há?

COMO BAIRRISMO não é a praia da coluna, esta será dedicada hoje a lamentar.

A lamentar a terrível queda do futebol carioca.

Veja que na semana passada tivemos quatro jogos especiais para o futebol brasileiro: Nacional x Palmeiras, Corinthians x Internacional, São Paulo x Cruzeiro e Grêmio x Caracas.

Em nenhum deles, nem pela Libertadores nem mesmo pela Copa do Brasil, tinha um representante que fosse do futebol do Rio.

Verdade que, no ano passado, o Fluminense chegou à finalíssima da Taça Libertadores, embora a tenha perdido, em casa, e para a LDU, que nunca tinha sido campeã.

É inegável que tanto há uma crise grave no futebol carioca que desde 2000, quando o Vasco foi campeão brasileiro, nunca mais houve o que se comemorar por lá além dos títulos estaduais -- e duas Copas do Brasil, em 2006/07 da dupla Fla-Flu*.

E aí talvez esteja uma das razões do fracasso nacional e internacional do quarteto de grandes da antiga Guanabara: comemoram demais os títulos estaduais, como se fossem façanhas que na verdade não são, tanto que os principais colunistas do Rio chamam seu Estadual de "me engana que eu gosto".

Dia desses mesmo o companheiro Fernando Calazans, no "Globo", discutia as razões da fragilidade do futebol carioca neste século.

Porque é bom que os mais moços saibam que não foram poucas as épocas em que os cariocas dominavam tecnicamente o nosso futebol.

Não só com sua seleção estadual, nos tempos do Campeonato Brasileiro de seleções, como com seus clubes.

O Flamengo, por exemplo, foi o time dos anos 80 e o Botafogo de Mané só não foi nos 60 porque teve o azar, e o mundo inteiro a sorte, de esbarrar no Santos de Pelé.

Mas, além da hegemonia e independentemente dela, havia um jeito, um estilo, uma escola carioca de jogar bola.

E não era de chinelinho, não. Eram arte e leveza puras.

Se o futebol mineiro surgiu nacionalmente nos anos 60 com o Cruzeiro de Tostão, firmou-se nos 70, até pelo primeiro título do Campeonato Brasileiro conquistado pelo Galo, e se o gaúcho tomou conta nos 70 com o tricampeonato do Inter e se firmou nos 80 com o Grêmio campeão mundial, o futebol do Rio só vem definhando.

O que é rigorosamente uma pena.

E uma pena para os paulistas que gostam de bom futebol e que precisam da rivalidade saudável do eixo Rio-São Paulo.

Sim, porque por aqui também se comemoram os títulos estaduais, mas ninguém se deixa iludir.

Como se treina em dois períodos, como se tem bons campos de treinamentos, centros de recuperação do melhor nível etc. e tal.

O Rio parece que parou no tempo.

E esta coluna faz questão de dizer que, entre as inúmeras teorias que defende, está a de que o Brasil só será o país que sonhamos quando o Rio de Janeiro se reencontrar com o que parecia que seria nos anos 50/ 60.

Razão pela qual, apesar de paulistano, o colunista defende que final da Copa do Mundo tem mesmo que ser no Maracanã e que, se um dia houver condições de se fazer uma Olimpíada no Brasil, a cidade certa é a Maravilhosa.

Mas o futebol do Rio tem de acordar. E já!

Acorda, Rio!

 (*Acréscimo feito à coluna do jornal).

Por Juca Kfouri às 12h48

Homenagem a Muricy Ramalho

Por Juca Kfouri às 10h08

Cruzeiro fere, mas não mata

Foi um baita primeiro tempo, com um Mineirão efervescente.

O Cruzeiro teve mais a bola e o comando do jogo.

O Grêmio teve as melhores chances.

Mas o Cruzeiro fez o gol, aos 37, com Wellington Paulista, de cabeça, em cruzamento de Kléber, infernal, pela direita.

Antes disso, aos 5 e aos 7, Alex Mineiro e Jonathan, perderam gols incríveis, um para cada lado.

De cabeça, fraquinho, em seguida, Alex Mineiro perdeu outro. Mineiro ou gaúcho?

E, aos 22, Maxi Lopez perdeu o gol mais feito do primeiro tempo, mais feito até que o, de fato, feito.

Azar gaúcho, quem não faz toma, como ensinaram os mineiros.

Mineiros e gaúchos que andaram trocando sopapos que o árbitro chileno preferiu fingir não ver.

Bem à moda Libertadores.

O segundo tempo não poderia ter começado melhor para o Cruzeiro.

Wagner chutou de fora da área, a bola desviou em Tcheco e...2 a 0.

Aos 13, Alex Mineiro, em terrível jejum de gols, deu lugar a Herrera.

Em vão.

Porque o Cruzeiro continuou melHor e como a fortuna sorri para quem trabalha, Marquinhos Paraná, que joga demais, pôs a bola na cabeça de Fabinho, que fez 3 a 0, aos 22.

O Grêmio era churrasqueado na brasa do Mineirão.

Kléber apanhava como de costume, não se exasperava e quem acabou se machucando foi o árbitro chileno, que acabou substituído pelo quarto árbitro.

E deu sorte para o Grêmio.

Porque, aos 33, Souza bateu falta como se fosse com a mão e fez o gol que pode significar a sobrevivência gremista no Olímpico.

Mas ainda faltavam uns 15 minutos.

Só que, estranhamente, o Mineirão, com mais de 51 mil torcedores, gelou e os gaúchos foram para cima.

Aos 40, Adílson Batista tirou Elicarlos e pôs Jancarlos.

Em seguida tirou Wagner e pôs o menino Bernardo.

O Grêmio, que perdeu sua invencibilidade na Libertadores, continuava mais perigoso, como se o segundo gol fosse mais possível que o quarto.

E, com um 2 a 0 em casa, com o goleiro Vitor de volta, se classifica às finais.

Já o Cruzeiro joga por qualquer empate e até por 1 a 0 contra. E com Ramires de volta.

Porto Alegre viverá dias de expectativa de viradas.

No Beira-Rio, na quarta-feira, e no Olímpico, na quinta.

Ambas difíceis, ambas possíveis.

Por Juca Kfouri às 23h44

Já não se entende mais esse mundo

Por FELIPE SANTOS*  

 
O título deste texto também intitulou o relato de um diário, da Andaluzia, no dia seguinte ao Brasil x Itália de 1982. Claro, referia-se à incredulidade com a derrota brasileira.
 
Jogo, aliás, que fez com que muitas pessoas passassem a qualificar o derrotado como - adivinhe - "amarelão".
 
E que, até hoje, é repetido com relação às seleções de muitos países.
 
Portugal e Holanda, por exemplo.
 
Outro açoitado, a Espanha, minorou um pouco o estigma, com o título da Eurocopa. Mas a derrota em Bloemfontein trouxe novamente à mente dos espanhóis o adjetivo. "Amarelona".
 
Racionalmente, seria injusto se tal fama voltasse com força. Uma partida não apaga as 35 de invencibilidade, nem faz prever que a Espanha terá dificuldades  nas Eliminatórias da Copa de 2010 (como não teve, até agora - bem, teve contra Turquia e Bélgica, quando só virou para 2 a 1 no fim de ambas as partidas).
 
Sem contar que a Espanha nem jogou mal na semifinal contra os Estados Unidos. Criou chances, pressionou no início do segundo tempo, quando uma reação era provável. Mas esbarrou num time eficiente nos contra-ataques - e com dedicação férrea na defesa.
 
Além do mais, confesso que sempre tive profunda repulsa por apelidar assim qualquer tipo de esportista, em qualquer modalidade.
 
A razão é a seguinte: do jeito que se fala, parece que o competidor em questão  borra as calças só de ouvir falar no nome de um adversário mais tradicional. Parece que ele não só nunca vencerá, como nunca terá o direito a isso. Apenas por ter menos camisa do que o outro, ou por já ter perdido vitórias quase certas no passado. Nunca por "apenas" jogar pior do que o oponente.
 
E a crueldade chega a tal ponto que, quando ele ganha, não tem compreendido um comportamento mais arrevesado contra os críticos da derrota. É como se lhe fosse dito "se perder, vai ter de aguentar as gozações nossas; se ganhar, não pode falar um pio".
 
Um exemplo? A seleção brasileira de vôlei feminino, campeã olímpica no ano passado. Poucas vezes se viu tamanho massacre como o feito após a derrota para a Rússia, nas semifinais de Atenas-2004. E, no entanto, quando venceram foram novamente criticadas, por manifestações mais ácidas contra os detratores.
 
Atitude pouco recomendável? Sim. Compreensível? Na minha opinião, também.
 
Só que a vitória da seleção de Bob Bradley me trouxe alguns grilos na cuca. Fez-me pensar se essa coisa de "amarelismo" não tem um fundo de verdade.
 
Será que os analistas esportivos que se arriscam um pouco mais, que enchem a boca para dizer "fulano é amarelão, sim", ou "o Brasil é que joga bola, o resto é resto" estão tão errados assim?
 
Será que a preocupação excessiva em analisar as coisas não acaba se transformando, muitas vezes, em excesso de zelo? Como no caso de uma equipe que consegue um bom desempenho numa competição,  causa várias advertências como "olha, esses daí vão dar trabalho..." e depois fracassa?
 
Será que a porcentagem do item "tradição" na formação de um time vencedor é maior do que a que se imagina?
 
Pode ser que não. Afinal de contas, pré-1958, o Brasil também poderia ser chamado de "amarelão" no futebol. Perdera uma Copa em casa, e fora traído pelos nervos noutra.
 
Mas venceu a Copa da Suécia, cresceu e tornou-se um dos "favoritos vitalícios" a qualquer competição que dispute.
 
Bem, eu não sei.
 
Só sei de uma coisa: esse mundo continua sendo incompreensível.

 
*Felipe Santos é colunista de futebol holandês/belga, e de Eliminatórias, no site Trivela. E estagiário no mesmo site. E na revista. 

Por Juca Kfouri às 23h21

24/06/2009

Enfim, o TCU pegou a relação COB/Tamoyo

ACÓRDÃO Nº 1248/2009 - TCU – Plenário

Processo TC-004.676/2009-3

Responsável: Carlos Arthur Nuzman, Presidente.

Interessado: Voetur Turismo e Representações Ltda.(CNPJ 01.017.250/0001-05).

Unidade: Comitê Olímpico Brasileiro (COB). 

 

em suas licitações futuras, inclusive na modalidade pregão eletrônico, nas quais haja previsão de aplicação de recursos públicos, adote as seguintes medidas com vistas a assegurar a seleção da proposta mais vantajosa:

abstenha-se de desclassificar propostas por inexequibilidade, sem oferecer oportunidade às licitantes de demonstrar a viabilidade de suas propostas, em atenção aos princípios da eficiência e economicidade,

determinar à Secretaria Federal de Controle que nas próximas fiscalizações junto ao COB e durante toda a vigência do contrato firmado com a empresa Tamoyo Internacional Agência de Viagem e Turismo Ltda.verifique se foram alocados recursos oriundos da Lei 9.615/1998, alterada pela Lei 10.264/2001, para custear pagamentos à empresa Tamoyo Internacional Agência de Viagem e Turismo Ltda. no âmbito do contrato celebrado em decorrência do Pregão Eletrônico 3/2008, realizado pelo COB; 

encaminhar ao Comitê Olímpico Brasileiro, a título de subsídio para o aperfeiçoamento de seu modelo de contratação de agências de viagens, cópia das Portarias 265/2001 e 41/2005, ambas do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; 

VISTOS

relatados e discutidos estes autos de representação encaminhada pela empresa Voetur Turismo e Representações Ltda.,noticiando possíveis irregularidades no Pregão Eletrônico 003/2008, promovido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para contratação de serviços de turismo, com destaque para o fornecimento de passagens aéreas nacionais, internacionais, passagens terrestres e marítimas, reservas de hotéis em âmbito nacional e internacional, traslados nacionais e internacionais, dentre outros,  

ACORDAM

os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em sessão do Plenário, em conhecer desta representação por considerar que, sob a ótica da possibilidade de aplicação dos recursos públicos federais, restam preenchidos os requisitos de admissibilidade para, no mérito, considerá- la parcialmente procedente; determinar ao Comitê Olímpico Brasileiro, que em decorrência das irregularidades constatadas no Pregão Eletrônico 3/2008, abstenha-se de empregar recursos públicos federais, no custeio do contrato decorrente do Pregão Eletrônico 3/2008;

Por Juca Kfouri às 22h08

Que vergüenza, Espanha!

Taí!

Para quem só pensava no Brasil, eis que conheceu, em plena África, uma zebra listrada de vermelho e azul.

A zebra que os ingleses conheceram em 1950.

Os Estados Unidos fizeram um gol em cada tempo, aos 26 e 28 (Altidore e Dempsey), e eliminaram os campeões europeus: 2 a 0, apesar do domínio espanhol.

Porque o futebol tem dessas coisas e para quem estava há 35 jogos sem perder, não seria um time tão fraco que a venceria, pensaram os espanhóis.

Imagine o que o Dunga está falando para seus jogadores neste momento.

Que o time de Joel Santana é isso, é aquilo e é aquilo outro.

No que faz muito bem.

Porque o time do Felipão, um dia, numa Copa América, perdeu para Honduras, também por 2 a 0.

E, registre-se, apesar da posse de bola e da pressão, chance de gol mesmo a Espanha quase não teve, porque os americanos não deixaram.

Não há o que contestar na vitória ianque.

Por Juca Kfouri às 17h16

Ninguém escapa do Coronel

 

O coronel Antonio Carlos Nunes de Lima, nomeado chefe da delegação da seleção brasileira na Copa das Confederações para diminuir o desgate com o Estado do Pará (porque Belém ficou fora da Copa), já tinha feito um discurso constrangedor diante do prefeito de Bloemfontein quando a seleção chegou à cidade sul-africana.

Na ocasião, o coronel, que é presidente da Federação Paraense de Futebol, disse que Bloemfontein era uma cidade no fim do mundo e que iria ficar conhecida somente porque a seleção estava lá, causando um grande constrangimento no prefeito local.

Agora o coronel atacou de novo, falando que não existe a mínima segurança em Johanesburgo.

As coisas ditas podem ser absolutamente verdadeiras, mas não ficam bem na boca de um diplomata, função que ele exerce no momento.

A esta altura não adianta mais desautorizá-lo.

A única solução seria mandá-lo de volta para casa mais cedo.

 

Por Juca Kfouri às 13h55

Tudo azul na América do Sul?

Sim, pelo menos nesta parte, que começa em Belo Horizonte e termina em Porto Alegre.

Dois times lutam pelo tricampeonato da Libertadores e é impossível dizer quem se dará melhor.

O fator casa sempre pesa e o primeiro jogo será no Mineirão, certamente lotado.

Daí o pequeno favoritismo mineiro neste jogo, mas não para ganhar a vaga na final.

Gosto mais do time azul estrelado, mas acho o azul mosqueteiro mais competitivo.

Curioso ver Adilson Batista do lado mineiro, ele que é tão gaúcho, embora seja mesmo paranaense.

E Paulo Autuori do lado gaúcho, ele que é muito mais mineiro, embora seja mesmo carioca.

Certo é que estamos diante de um clássico imperdível.

Em todos os sentidos, literalmente.

Por Juca Kfouri às 12h13

Morumbi, o pomo da discórdia

O presidente Lula visitou o Morumbi ontem à noite.

E diante de não poucas testemunhas, virou-se para o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, e ralhou:

"Diga ao Ricardo para parar de falar merda. É preciso baixar a crista dele. O Morumbi é o estádio de São Paulo para a Copa do Mundo".

O Ricardo, no caso, é esse mesmo que você pensou, o Teixeira, presidente da CBF.

Com quem o presidente da República anda meio desgostoso desde que Manaus foi escolhida em lugar de Belém.

Mas se Lula quer o Morumbi, não é só Ricardo Teixeira que não o quer.

O presidente da FPF não quer e  o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab tem outra opção, a mesma de um grupo de empreiteiros e do presidente da FPF, Marco Polo Del Nero: o estádio em Pirituba, parte de uma grande obra com centro de exposições, edifícios residenciais etc.

Que depois seria utilizado pelo Corinthians, mesmo que seu presidente, Andrés Sanchez, subitamente, tenha ontem dito que apóia o Morumbi.

Coisa só para Lula ver.

(Atualizado, com a frase completa de Lula, às 13h10, de 24/6).

Por Juca Kfouri às 02h08

23/06/2009

A mesma mão que afaga é a que apedreja...

 

 

Ambas as artes são de Guedex, a primeira na véspera do hexacampeonato brasileiro do São Paulo.

A segunda de hoje.

Por Juca Kfouri às 17h46

O chato da era digital

Por RICARDO C. ROCHA*

Sempre fui um torcedor de acompanhar jogos no estádio, mas também sempre tive prazer em assistir aos jogos pela televisão, pela experiência de analisar as partidas por todos os ângulos possíveis, os detalhes de cada jogada, a magia dos replays, coisas que só são possíveis devido à infinidade de câmeras que as emissoras utilizam nas coberturas esportivas.

Com a era digital, essa sensação está maximizada, pela qualidade nas imagens e dos aparelhos de LCD e Plasma.

Tudo seria uma maravilha, não fosse um pequeno detalhe: a variedade de tecnologias para transmissão de jogos vem fazendo com que a experiência de assistir jogos pela TV esteja cada vez menos emocionante.

Parece um paradoxo, mas não é: basta observar que em cada lance de perigo (ou de gol efetivamente) aparece algum vizinho vibrando antecipadamente.

Seria um visionário? Um vidente? Ou um simples telespectador com sinal de TV aberta ou analógica?

O sinal que vem da TV a cabo (ou via satélite, como a Sky), demora cerca de 2 a 3 segundos a mais para transmitir a imagem.

Pode parecer insignificante, mas para o futebol, é uma eternidade.

Na quarta feira passada, estava em um bar com uns amigos, e havia uma única TV captando sinal aberto da Globo (enquanto as demais transmitiam o jogo via cabo).

Qual não foi a minha surpresa, quando alguns torcedores já gritavam “Gooool” enquanto o Marcelo Oliveira ainda nem havia cruzado a bola para o Jorge Henrique!

E na disputa pelo “mais ao vivo dos ao vivos”, o rádio leva imensa vantagem, por não necessitar da decodificação de sinal que os aparelhos receptores de TV a cabo necessitam.

Sorte daqueles que viveram na era do rádio, onde o gol acontecia ao mesmo tempo para todos, e  cada um tinha sua própria imagem mental de um gol, que ficava mais ou menos bonito de acordo com quem o estava contando.

Provavelmente, muito mais bonito do que qualquer câmera da atualidade possa captar...

*Ricardo C. Rocha é publicitário, romântico, como se lê e, no que diz respeito à demora de segundos, está coberto de razão.

Por Juca Kfouri às 17h31

Os espanhóis parecem ansiosos

Os espanhóis já falam no jogo contra os brasileiros, no domingo, pela final da Copa das Confederações.

Os brasileiros só falam do jogo contra os sul-africanos, na quinta-feira, pelas semifinais da Copa das Confederações.

Os espanhóis dão como certo que vão passar pelos americanos, na quarta-feira, pelas semifinais.

E devem passar mesmo, assim como os brasileiros devem ganhar dos anfitriões.

Mas, em futebol, como tudo na vida, se dá um passo de cada vez.

E a ansiedade dos espanhóis em enfrentar os brasileiros mais parece aquele sentimento que se confunde com temor, quando se tem um desafio pela frente e você quer que chegue logo, como se não pudesse conviver com a expectativa.

Normalmente, quando isso acontece, o ansioso se dá mal, come frio ou queima a língua.

Melhor subir cada degrau, sem pressa.

Porque se é verdade que a Espanha é hoje a primeira do ranking da Fifa e vem jogando há mais tempo um futebol convincente, não tenha dúvida de os espanhóis se preocupam mais com os brasileiros do que os brasileiros se preocupam com os espanhóis.

Por Juca Kfouri às 01h33

Muricy, o vizinho do 74

 

Por JOSÉ TRAJANO

Somos vizinhos há mais de dez anos. E raramente nos vemos no condomínio. Moramos em prédios diferentes, e jamais fora a seu apartamento. Nossos filhos, porém, são amigos. Jogam bola e participam de torneios de videogame no salão de festas. Na noite de sexta-feira, o vizinho do 74 era o nome mais falado da cidade. Todos os telejornais e sites divulgavam com alarde que ele havia sido demitido do emprego. Um emprego e tanto! E, então, decidi visitá-lo.

Resolvi interfonar para não usar a prerrogativa de ser vizinho. Ele não estava, mas deixei recado com sua mulher que se chegasse e estivesse disposto a conversar, me telefonasse. Poucos minutos depois, ele ligou e pediu que fosse até lá. No caminho, fiquei pensando que deveria estar cercado de gente, de amigos, ex-companheiros de clube ou coisa parecida. Qual não foi a minha surpresa quando me recebeu com a porta já aberta e sozinho na sala.

Ao contrário do que imaginava, estava tranquilo e sereno. Sem nenhuma ponta de mágoa, rancor, bronca. Parecia ter tirado um peso das costas. Seu rosto revelava a certeza de que havia saído de cabeça erguida e com a sensação do dever cumprido. Fora o momento que se queixou de Cuca, por ter ligado ao presidente Juvenal para pedir conselho se deveria sair ou continuar no Flamengo, atitude que ele enxergou como falta de ética, o vizinho conversou sobre tudo com muita tranquilidade.

Para ele, a diretoria anda mais preocupada com o Morumbi do que com o time. Os cartolas só pensam no estádio, na Copa do Mundo de 2014, e os problemas do time ficaram em segundo plano. E havia problemas no elenco. Falta de parceria, disse. Que eu entendi como ciumeira de alguns jogadores com os novos que chegaram este ano.

Sem levantar a voz ou tentar se desculpar pelos maus resultados, o vizinho lamentou não ter conseguido Conca como reforço. "Ele esteve duas vezes aqui, mas o negócio não vingou", disse. Um bom meia de ligação teria feito o time jogar diferente, com mais liga entre a defesa e o ataque, sem precisar jogar à base de lançamentos longos para o setor ofensivo.

O vizinho desconfiava que, mais cedo ou mais tarde, a demissão iria acontecer, porque ele não tem o jeitão que alguns dirigentes imaginam para um técnico do São Paulo. Não é de frequentar bons restaurantes para fazer companhia aos cartolas, não gosta de interferências na contratação de reforços e acredita até que a maneira de se vestir deixava essa turma incomodada. "É o meu jeito, simples, sem frescura, sem afetação, que as vezes eles não gostam."

Toquei na decisão que tomamos em não mais ouvi-lo depois de uma entrevista que achei grosseira . Ele disse que não guardou mágoa e que somos meio parecidos na defesa de quem trabalha com a gente. Até os filhos brincaram com ele, achando que andava meio rabugento.

Já era de madrugada quando fui embora. Um pouquinho antes de sair, chegaram Pi e Fabinho, dois de seus três filhos. O vizinho me contou que o Pi (sou testemunha que joga muita bola) voltou muito irritado do Morumbi depois da derrota para o Cruzeiro e prometeu não torcer mais pelo São Paulo. O vizinho discordou do filho e disse que não podia abrir mão de sua paixão, que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Voltei para casa com a impressão de que meu vizinho é mesmo aquilo que diz. Gosta de ficar em casa, em companhia da família, dos cachorrinhos que leva sempre para passear, de lavar louça para passar a ansiedade e de ir ao sítio em Ibiúna para descansar. É um cara simples, um trabalhador do esporte. Sem banca, sem arrogância, não tem nada de "professor".

Ele sabe que foi a derrota da arquibancada para a numerada. Mas sabe também que saiu por cima. A torcida gritou seu nome a todo instante, e isso ele não esquecerá nunca. Quer dar uma parada, já jogou no lixo tempos atrás uma proposta milionária do Catar, mas não creio que fique parado por muito tempo. Continuo achando que precisa ter mais educação nas entrevistas, após uma partida, mas me conquistou pela sinceridade e autenticidade.

É um bom sujeito o vizinho do 74. Boa sorte para ele.

www.espn.com.br

Por Juca Kfouri às 00h44

22/06/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 21h16

Los Angeles de Cappa e a "final" na Argentina

Por ROMERO CARVALHO*

Responda rápido: o América é o quinto grande do Rio ou o primeiro pequeno? 

A resposta, na verdade, pouco importa, já que o fato de existir a pergunta já denota que o América já foi grande e agora passa por dificuldades. 

Em uma escala bem maior, outro exemplo é o Bahia, que segue forte por seu povo, um dos mais admiráveis do mundo, mas, infelizmente, continua militando em divisões inferiores.

 Na Argentina, esse clube é o Huracán, do bairro de Parque Patrícios, em Buenos Aires. 

"Grande no se hace, grande se nace" (grande não se faz, grande se nasce), diz a bandeira da torcida do Globo, como é conhecido. 

Na Argentina, o grupo dos grandes, que conta com Boca, River, Independiente, Racing e San Lorenzo, não admite convidados. 

Nem as três Libertadores do Estudiantes servem. 

Nem o fato do Rosario Central ser a sexta maior torcida do país. 

Nem o mundial do Vélez, nem a Libertadores do Argentinos Juniors, tampouco os títulos do Newell’s. 

O único intruso a esse seleto grupo de cinco era, justamente, o Huracán,, que, por décadas, foi considerado o sexto grande. 

Dono do estádio Tomás A. Ducó, com capacidade para 48 mil pessoas e uma das mais belas fachadas do mundo, o clube, fundado em 1908, foi campeão argentino em 1921, 1922, 1925 e 1928, ainda na era amadora do futebol no país, e sua maior glória é o título de 1973, sob o comando do então inexperiente César Menotti. 

O time de 1973 entrou para a história do futebol argentino e é lembrado com saudade pelos "quemeros", como são conhecidos os "hinchas" do clube, até hoje. 

No próximo dia cinco de julho, porém, mais um capítulo glorioso pode ser escrito. 

O Huracán, após rebaixamentos nos anos 1980 e 2000, que acabaram com o seu status de "sexto grande" e o deixaram atolado em dívidas, é a sensação do futebol portenho em 2009. 

Comandados pelo técnico Angel Cappa, tido antes como mais um saudosista do esporte e agora ovacionado no país, o time pratica um futebol que valoriza a escola clássica de toque de bola da Argentina, além contar com jovens promissores, como Defederico, Bolatti e Pastore, chamados de "Los Angeles de Cappa". 

O treinador é daqueles que dizem que a vitória de 1 a 0 foi ruim porque o time jogou mal. 

Impossível não lembrar de Telê. 

Ontem, a uma rodada do fim do torneio, o Huracán alcançou a liderança do Clausura, um ponto à frente do Vélez e no último jogo, dia cinco de julho, só precisa de um empate para ser campeão diante do... Vélez!!!! 

Um roteiro sensacional. 

O Campeonato Brasileiro é quase ignorado na Argentina e o contrário aconteceu aqui por muitos anos. 

Uma pena, já que é um torneio cheio de clássicos, estádios lotados, equilíbrio e muita rivalidade. 

Hoje, talvez até pelo distanciamento da Amarelinha, já tem muitos brasileiros torcendo para a Seleção Argentina e fãs incondicionais de clubes do país, em especial do Boca. 

Eu, como admirador de histórias de superação no futebol, grandes torcidas que sofrem e clubes outrora vencedores que passam por dificuldades, torcerei para o sexto título do Club Atlético Huracán, "el sexto grande". 

Mesmo que sua torcida seja para o Vélez ou para nenhum dos dois, para quem gosta de futebol, a "final" é imperdível.

E talvez sirva de alento para outros grandes que sofrem ao redor do mundo.

*Romero Carvalho é jornalista.

Por Juca Kfouri às 13h36

Aos que choram

Renato Marsiglia é gaúcho, foi árbitro na Copa de 1994 e, na opinião deste blogueiro, disparado o melhor comentarista de arbitragem do país.

Renato Marsiglia não está nem aí nem para Corinthians (ao contrário deste blogueiro) nem para o São Paulo (diferentemente dos que protestam pela opinião aqui dada de que não houve pênalti em Marlos ou porque aqui se escreveu que o tricolor talvez deva começar a se acostumar com derrotas).

Marsiglia também acha que Marlos deixou a perna e disse isso com todas as letras no Sportv.

E a opinião sobre talvez se acostumar com derrotas está diretamente relacionada aos erros da demissão de Muricy Ramalho e da contratação de seu substituto.

Ser sensível é uma das melhores qualidades do ser humano, com o que concordo com Marco Aurélio Cunha.

Sensibilidade extrema, no entanto, é só choro de perdedor.

Como choraram tantas vezes em passado bem recente os corintianos diante dos são-paulinos.

Por Juca Kfouri às 12h55

21/06/2009

Muricy Ramalho deveria ter ficado

Dos quatro mil que responderam à sondagem, 76% foram contra a demissão de Muricy Ramalho.

Provavelmente no blog do Juvenal Juvêncio o resultado seria o inverso.

Por Juca Kfouri às 22h53

Recorde positivo de gols e negativo de público

Se você olhar a tabela completa do Campeonato Brasileiro só verá um zero.

Na coluna das derrotas.

Um zero relacionado ao Galo, único invicto que resta depois de sete rodadas.

Porque o zero que havia na coluna das vitórias, não existe mais, já que o Avaí ganhou.

Foi também uma semana corintiana, que não só ganhou do Inter, e do São Paulo, como viu os rivais Palmeiras e São Paulo serem eliminados da Libertadores.

Libertadores que terá Cruzeiro e Grêmio nesta quarta-feira, no Mineirão.

A rodada do Brasileirão teve recorde de gols, 43, 4,3 gols por jogo.

E a menor média de público, apenas 11.200 pagantes por jogo, provavelmente por causa do jogo da Seleção Brasileira, que goleou e eliminou a italiana e que jogará nesta quinta-feira contra a anfitriã África do Sul, pelas semifinais da Copa das Confederações, que terá Espanha e Estados Unidos na outra semifinal.

O melhor público da sétima rodada do Brasileirão aconteceu na Arena da Baixada, com 18 mil pagantes.

E o pior foi em Santo André: só 2300.

Por Juca Kfouri às 21h27

Galo, Galo, Galo! Líder e único invicto

O Santos teve seu gol de empate, aos 50, com Molina, anulado sem que ninguém entendesse.

Seria o 3 a 3.

Mas o Galo não tem nada com as lambanças de um árbitro que até já tinha terminado o jogo e o recomeçou em seguida.

E saiu da Vila Belmiro não só líder como já era, mas, ainda por cima, invicto.

Diego tardelli não só fez um lindo gol, o segundo, o do empate do Galo que saira perdendo no primeiro tempo, gol no finalzinho de Neymar, também muito bonito, como teve bela sacada, quando o jogo terminou mesmo: "Melhor ir embora correndo antes que o juiz comece tudo de novo", disse.

Seu gol, logo no princípio do segundo tempo, foi o alento de que o Galo precisava para virar com Evandro, ampliar com Carlos Alberto e ficar na posição de destaque em que se encontra no Brasileirão.

Porque o primeiro tempo foi todo do Santos, que perdeu gol em cima de gol.

Léo ainda diminuiu e Molina empatou depois que o  jogo acabou e recomeçou.

Mas Djalma Beltrami inventou uma falta de Kléber Pereira.

Fábio Costa e Maikon Leite saíram da Vila Belmiro, o primeiro no começo do jogo, o segundo no fim, com suspeitas de graves lesões nos joelhos.

Por Juca Kfouri às 20h28

Um Pedrão na vida do Cruzeiro

É claro que o Cruzeiro só pensa no Grêmio.

Mas no de Porto Alegre.

Porque o de Barueri enfiou-lhe um 4 a 2, no Mineirão, que não estava nos planos de ninguém na Toca da Raposa.

E parecia que seria mole, quando Jonathan, com 2 minutos, fez 1 a 0.

Thiago Humberto empatou, aos 10, e Pedrão desempatou, aos 26.

Mas Wellington Paulista repôs as coisas no lugar, aos 43: 2 a 2.

Agora era tratar de ganhar no segundo tempo.

Mas, qual?

O Grêmio Barueri fez 3 a 2 com Márcio Careca logo aos 3 e Pedrão fechou o caixão aos 30, seu sexto gol no campeonato, artilheiro isolado.

Que o Grêmio de Porto Alegre seja mais leve.

Por Juca Kfouri às 20h24

Teve até olé no Pacaembu

Corinthians e São Paulo faziam um clássico frio no Pacaembu longe de sua lotação completa (apenas 16 mil torcedores) porque, de fato, este é um jogo que assusta o torcedor sensato.

O São Paulo era melhor, tinha as ações do jogo, chutara três vezes de fora da área, mas não assustava.

Marlos deixou a perna para tentar um pênalti, mas o árbitro não foi na dele.

E o Corinthians cochilava, sentindo os efeitos da intensidade do jogo contra o Inter.

Até que Cristian resolveu também ele arriscar de longe e deu o arremate mais perigoso do jogo.

Animou-se.

E ao receber de Diogo na intermediária corintiana, achou Douglas que devolveu com rara habilidade para ele invadir a área e, de novo, fazer gol no tricolor.

Fez e saiu, porque sentiu uma dor na coxa, assim como Marcelo Oliveira sentiu também e teve de sair, já aos 8 minutos, para entrada de Diego.

Preocupações para a Copa do Brasil.

No lugar de Cristian quem entrou foi Jucilei.

E o jogo esquentou, porque Junior César pegou Douglas deslealmente e porque Hugo foi separar uma discussão entre Jorge Henrique e Richarlyson e acabou empurrando o rosto do corintiano.

O árbitro, banana, deu só cartões amarelos.

O segundo tempo foi outra coisa.

O Corinthians tomou o comando logo de cara e foi criando chances até que Chicão, de falta, aos 12, ampliou: 2 a 0.

E a pequena torcida são-paulina cantava o nome sabe de quem?

De Muricy Ramalho.

Que não estava lá para ver o terceiro gol alvinegro de Jucilei, de cabeça, em cobrança de escanteio por Jorge Henrique.

Bem que Richarlyson advertiu que perder do Corinthians seria "vergonhoso".

Menos pela derrota, normal num clássico e previsível diante das circunstâncias antes do jogo.

E ele foi atrás de diminuir o prejuízo, ao fazer belo gol depois de receber, de calcanhar, uma bola do menino Oscar.

Mas teve até olé.

E André Dias deu um soco em Jorge Henrique, aos 43.

Coisa de quem não sabe nem está acostumado a perder.

Talvez seja o caso de começar a se acostumar.

E agradecer pelo pênalti não marcado de Renato Silva em Elias, já nos acréscimos.

Por Juca Kfouri às 20h23

Flamengo detona o Inter

O Flamengo tinha de ganhar ou ganhar do Inter no Maracanã.

Era previsível que ganhasse e acabasse com a invencibilidade gaúcha.

Ainda mais porque o Inter vinha de um jogo disputadíssimo na quarta-feira, com o Corinthians.

Mas o Flamengo foi cruel.

Crudelíssimo!

Ainda no primeiro tempo já vencia por 3 a 0, com dois gols de Adriano e outro de Emerson, sem dar tempo ao Inter de respirar, aos 13, 35 e 45, este último numa cobrança perfeita de falta do Imperador.

O mesmo que fez 4 a 0, de pênalti, em Léo Moura, aos 22 do segundo tempo.

Nem o mais fanático dos rubro-negros sonharia com tamanha goleada.

E nem o mais pessimista dos colorados imaginaria tamanho pesadelo para o fim da invencibilidade.

Por Juca Kfouri às 20h22

Uma exibição de gala

AP

Foi muito mais fácil do que se poderia supor.

O primeiro tempo da Seleção Brasileira foi simplesmente irretocável.

E antes mesmo que Luis Fabiano fizesse 1 a 0, aos 36 do primeiro tempo, já estava fácil.

Com Ramires, aos 5, e Lúcio, aos 33, a Seleção já havia mandado duas bolas nas traves italianas, para não falar de um milagre de Buffon, aos 34, em chute à queima-roupa também de Lúcio.

Depois que Luis Fabiano fez 1 a 0, a porteira arrombada dos campeões mundiais virou uma festa: Kaká e Robinho armaram o contra-ataque, aos 42, o ex-santista não chegou a tempo de concluir e, mais esperto do que ele, Luis Fabiano marcou de novo.

E, aos 44, Robinho foi lançado em novo contra-ataque, deu fraco para Ramires, mas na tentativa de cortar, Dossena marcou contra: 3 a 0.

Fatura liquidada.

Em 13 confrontos entre as duas escolas mais vezes campeãs mundiais, em quatro oportunidades a diferença foi de três gols: em dois amistosos, em 1956 e 1963, deu Itália, 3 a 0; e, em 1976, na Taça do Bicentenário,nos Estados Unidos, assim como na final da Copa do Mundo de 1970, o Brasil ganhou por 4 a 1.

Naturalmente, a Seleção Brasileira afrouxou no segundo tempo e a Itália foi mais perigosa, exigindo que Júlio César trabalhasse.

Aos 30 minutos foi Felipe Melo quem impediu o gol italiano, embora ainda assim o time de Dunga tenha criado oportunidades para ampliar.

E tudo acabou em apenas 3 a 0, o que está de bom tamanho.

Com o que a Itália foi eliminada, porque os Estados Unidos ganharam do Egito também por 3 a 0 e se classificaram para enfrentar a Espanha nas semifinais da Copa das Confederações.

Brasil e África do Sul se enfrentam nesta quinta-feira, às 15h30, na outra semifinal.

Notas

Júlio César só trabalhou, e pouco, no segundo tempo: 7,5;

Maicon foi outra vez muito bem: 8;

Lúcio, igual que nem: 8,5;

Juan vinha bem e se machucou no meio do primeiro tempo: 7;

Luisão entrou no lugar e não teve problemas: 7;

André Santos foi outra vez discreto: 6;

Gilberto Silva cumpriu o seu papel: 6,5;

Kléberson o substituiu no fim, sem tempo, sem nota;

Felipe Melo jogou o feijão com arroz: 6,5

Ramires não foi tão bem como no jogo anterior, apesar da boa movimentação: 6

Josué, em seu lugar, sem tempo, sem nota;

Kaká merecia ao menos um gol: 7

Luis Fabiano fez dois gols. Precisa mais? 7,5;

Robinho ficou devendo mais eficácia: 6

Dunga escalou muito bem e viu um primeiro tempo exemplar: 8. 

Por Juca Kfouri às 16h47

Faz 20 anos hoje

 

Naquele 21 de junho...

 


Por BRUNO FORMIGA*

Naquele 21 de junho eu ainda era uma criança.


Queria ser igual ao papai em tudo.

E só.

Naquele 21 de junho tinha futebol na televisão.

Não era um jogo qualquer.

Era decisão de campeonato.

Flamengo x Botafogo.

Maracanã lotado.

Zico em campo.

Mas o papai era - e ainda é, claro - Botafogo.

Ou seja, da-lhe Paulinho Criciúma, Luizinho e Maurício…

Ah, Maurício…

Torcer Botafogo era a única coisa que não dava.

Desculpa, pai.

A influência dos primos e dos títulos mais novos pesou mais.

Naquele 21 junho a gente estava separado.

Melhor para o papai.

Naquele 21 de junho, ele venceu.

Um triunfo para sempre.

Há 21 anos o Botafogo não ganhava o Carioca - e na época os estaduais tinham valor.

Naquele 21 de junho conheci Maurício da pior maneira possível, voando por trás da zaga, empurrando Leonardo e a bola para dentro do gol.

Até hoje, as poucas palavras de Paulo Stein, pela TV Manchete, não me saem da cabeça.

- "Olha o Mazolinha!"
- "Maurícioooo!"
- "Gooooooool"

Naquele 21 de junho soube o que era sofrer por futebol.

Em 1989, chorei pela primeira vez.

Ao lado, papai sorria.

Coisas do jogo.

Foi dolorido.

Mas inesquecível.

* Bruno Formiga é jornalista.

Por Juca Kfouri às 12h12

Na 'Folha' de hoje

JUCA KFOURI

O gigante caído 

 

Mais do que pelo Cruzeiro, o São Paulo tem sido derrotado por si mesmo e está mais que na hora de mudar

JUVENAL JUVÊNCIO exagerou.

Mudou até estatuto para aumentar seu tempo no poder, como se fosse insubstituível, e comprou briga com quem não devia, certo de que venceria sempre.

Além do mais, fez da Copa de 2014 uma obsessão sem sentido e granjeou antipatias.

De raposa, virou ingênuo, sem entender o que se passa à sua volta.

Até trair o Flamengo traiu no episódio da taça das bolinhas, que, por sinal, continua longe da sala de troféus do Morumbi.

Brigou, também, com o Corinthians e o que menos interessa, no caso, é saber se tinha ou não razão, porque é o freguês quem sempre tem razão.

Pois o Corinthians sempre foi o maior cliente do Morumbi.

JJ imaginou que fazer a pazes com a CBF garantiria o seu estádio em 2014.

Calculou mal a capacidade que tem o presidente da entidade para se vingar na surdina.

E não pode desconhecer, ainda, que o governador de São Paulo não o engole.

O resultado está aí: futebol abandonado, o tetra da Libertadores ficou mais uma vez adiado e, se duvidar, o Morumbi verá a Copa por um binóculo, tantos são os interessados em minar o projeto tricolor, o Corinthians, com a CBF, inclusive.

E o Palmeiras, é claro, não é aliado, ao contrário.

Além de estar às voltas com seus problemas, que envolvem até contratações à revelia do presidente, casos de Mozart e Obina.

E desde a Segunda Guerra Mundial São Paulo e Palmeiras não se bicam.

Para não falar do sonho, embora aparentemente cada vez mais distante, da construção da sua arena, para rivalizar com o Morumbi.

Pois o São Paulo, em sua suprema arrogância, convencido de sua superioridade, que é inegável, mas só por ter um olho em terra de cego, fez questão de ignorar a tudo e a todos, certo de que passaria feito um trator por cima de quaisquer dificuldades, a ponto de fazer um projeto inicial simplesmente risível de reforma de seu estádio.

O resultado está aí.

Chamar eleições seria uma boa solução, muito melhor do que demitir Muricy Ramalho.

Mas sabe quando? Nunca!

Uma tristeza

A falta de bandeiras nos estádios paulistas entristeceu os jogos por aqui.

Se Vinicius de Moraes visse, diria que São Paulo é também o túmulo do futebol.

E não é, nem do samba, como se sabe.

Mas que só o gogó é pouco para enfeitar as arquibancadas parece fora de dúvida.

Se já não bastasse a exigência legal estapafúrdia da execução do Hino Nacional antes de cada jogo, rigorosamente sem que a torcida dê a menor pelota, num desrespeito que fere de morte o espírito da lei, salta aos olhos o empobrecimento do espetáculo pela falta dos estandartes e suas cores.

Decisões

Entre Grêmio e Cruzeiro, o Cruzeiro é melhor, mas o Grêmio recebe o último jogo na Libertadores.

Entre Inter e Corinthians, o Inter é melhor e recebe o último jogo.

Mas a vantagem corintiana não é nada desprezível nesta Copa do Brasil, que o tem pela segunda vez seguida na decisão.

Algo que por si só merece elogio, por mais que haja quem ache melhor perder antes do que na decisão.

Por Juca Kfouri às 09h45

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico