Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

15/08/2009

O Inter se deu muito bem. O Avaí também

Noite quente no Palestra Itália.

Repleto, com 24 mil torcedores, 22 graus em pleno inverno e com um Botafogo surpreendente diante do líder Palmeiras.

Tão surpreendente que, depois de levar uma bola na trave em cobrança de falta de Cleiton Xavier, abriu o placar com André Lima, que se aproveitou de uma bobeada do miolo de zaga alviverde depois de cobrança de falta por Lúcio Flávio.

Quem com bola parada fere, no entanto, com bola parada será ferido.

E assim o zagueiro Danilo empatou ao desviar uma cobrança de falta batida por Cleiton Xavier para o Palmeiras.

Seria justo, não fosse o fato de, ainda com 1 a 0, Pierre ter cometido pênalti em Lúcio Flávio.

Verdade que, no segundo tempo, o bandeirinha inventou um impedimento de Cleiton Xavier quando ele tinha condição de entrar com bola e tudo.

Verdade, também, que depois de ver o Botafogo perder dois gols incríveis no começo do segundo tempo, um deles por milagre de Marcos com o pé esquerdo depois de finalização de André Lima, outro com Fael, eis que Diego Souza perdeu gol feito ao adiantar a bola e entregá-la ao goleiro Flávio, que falhara no gol alviverde ao sair mal da meta, mas que se recuperou depois.

Muricy Ramalho tirou Sandro Silva para estrear Robert e Ortigoza para entrada de Daniel.

E o estreante Estevan Soares tirou Jônatas e botou Laio, além de trocar Thiaguinho por Léo Silva.

O Palmeiras foi melhor no segundo tempo, mas o Botafogo soube segurar o resultado que foi bom para ele e muito ruim para o líder.

Enquanto isso, num gramado horroroso em Santo André, com golaço de Taison, aos 23 do segundo tempo, de Alecsandro, de pênalti, o Inter batia, com absoluta justiça, o Ramalhão por 2 a 0 e mantinha firme sua idéia de ser o campeão do turno, feliz com o empate do Palmeiras, contra quem jogará, por sinal, no domingo que vem, em São Paulo.

E o Avaí sofria mas batia o Náutico, com três gols catarinenses.

Um gol, o primeiro, a favor, em cobrança de falta de Eltinho, no primeiro tempo.

O de empate, de Emerson, contra o próprio gol, no segundo tempo.

E, no fim, aos 43, Marquinhos fez 2 a 1.

O Avaí está há nove jogos sem perder.

Por Juca Kfouri às 20h24

Vasco dança o vira diante da Lusa

No clássico português da Série B, de Basco, o Canindé viu um primeiro tempo chato, com a Lusa na frente desde o quarto minuto, com gol de Dinei.

Renê Simões imaginou que estrearia bem na Portuguesa.

Ficou na imaginação.

Porque num segundo tempo quente, com quatro expulsões, três dos paulistas, e belas defesas dos dois lados, o Vasco virou.

Com mais vascaínos do que lusos no estádio, o Vasco virou com Gian, aos 11, e Adriano, aos 38.

Aos 49, quando a Lusa parecia que chegaria ao empate, de pênalti, Élton fez 3 a 1 e fechou o placar.

Mamãe Portugal fica mais feliz assim.

Por Juca Kfouri às 18h11

14/08/2009

Sem multa, pena de Teixeira é simbólica, diz MPF

Do TERRA MAGAZINE

Marcelo Oliveira 

Atual responsável pela ação de improbidade que resultou em condenação da Justiça Federal do Rio de Janeiro ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o procurador da República Fábio Aragão disse a Terra Magazine que deve recorrer da decisão para pedir a aplicação de multa ao cartola. Para o procurador, sem a multa, a condenação é "meramente simbólica. Formalmente, ele sofreu uma sanção, mas o efeito prático é nulo", disse. 

Teixeira, também presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, foi condenado, nesta quarta-feira, pela 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, à perda dos direitos políticos e está proibido de contratar com o poder público, como pessoa física, por três anos, em virtude do episódio conhecido como o "vôo da muamba", no qual a seleção tetracampeã mundial, de 1994, trouxe 17 toneladas de mercadoria dos EUA na bagagem e não pagou os impostos. 


O presidente da CBF, Ricardo Teixeira
Foto: Reinaldo Marques/Terra

Para Aragão, a pena de multa de duas vezes o valor dos prejuízos aos cofres públicos seria a única punição efetiva para o presidente da CBF, que é acusado pelo MPF de ter atuado junto à Alfândega para que a delegação não tivesse a bagagem retida para inspeção e, consequentemente, fosse liberada do aeroporto sem o pagamento de impostos. A multa foi pedida pelo MPF na ação que resultou na sentença, mas o juiz não a aplicou. Estima-se que a sanção seria na casa de algumas centenas de milhares de reais, dado o tamanho da carga.

"O descontentamento, a primeira vista, do MPF, é que na ação pedimos condenação pecuniária, aplicação de multa contra o Ricardo Teixeira. E como diz o ditado popular, a parte mais sensível do homem é o bolso, essa seria uma punição efetiva, ele ter que indenizar os cofres públicos pela atitude dele", disse Aragão.

O procurador também lamentou que o servidor da Alfândega Belson Martins Puresa, que liberou a bagagem da delegação da CBF, também não tenha sido punido pelo juiz. "Ele disse que os jogadores não desfilariam se a bagagem fosse retida, mas isso não pode servir de mecanismo de pressão para não pagar tributo", afirmou Aragão.

A investigação do voo do Tetra começou em 1994, a ação de improbidade foi ajuizada em 1999 e a sentença de primeira instância saiu dez anos depois. Para Aragão, isso revela descaso do judiciário. "Falam que a memória do povo é curta, mas a do judiciário é curta também. Este é um caso que deveria ter sido tratado com uma certa urgência. Um caso dessa relevância foi tratado com descaso. A sentença levou 15 anos. É um processo debutante", lamentou.

O advogado de Teixeira, Carlos Eugênio Lopes, também diretor jurídico da CBF, disse em entrevistas logo após a divulgação da sentença que também vai recorrer da decisão. Para o advogado, a punição não tem qualquer influência sobre os trabalhos do dirigente na CBF ou no Comitê da Copa de 2014. 

Por Juca Kfouri às 16h38

A derradeira rodada do primeiro turno do Brasileirão

A última rodada do primeiro turno do Brasileirão merece um tratamento especial.

No mínimo, um palpite para cada um dos 10 jogos, porque, enfim, novamente, teremos 10 jogos.

No sábado, é fácil.

Três jogos às 18h30, três resultados obrigatórios.

No Palestra Itália, o líder Palmeiras passa pelo Botafogo, mas ainda não festeja a conquista do primeiro turno e do Troféu Osmar Santos, do diário "Lance!".

Mais difícil, porém também obrigatória, será a vitória do Inter, mesmo fora de casa, diante do Santo André, mais para lá do que para cá.

Assim, o Colorado permanecerá com possibilidade de chegar aos mesmos 39 pontos do Palmeiras, mas, então, com 12 vitórias contra 11.

Ao Inter ainda faltará enfrentar Santos, na Vila Belmiro, no dia 26 deste mês, e o Galo, no Beira-Rio, dia 2 de setembro, pelo primeiro turno.

Ainda no sábado, o Avaí recebe o Náutico e deve passar de passagem como se dizia antigamente.

E vem o domingo.

Às 16h, cinco jogos.

Mesmo desmanchado, para evitar uma catástrofe diante de sua torcida, o Corinthians deverá surpreender o Galo que, se vencer no Pacaembu, será mesmo candidatíssimo não à vaga na Libertadores, porque isso já é, mas ao título.

O Grêmio recebe o Flamengo e no Olímpico não dará chance para o rival.

Assim como o combalido Fluminense deverá fazer com o ainda mais abatido Coritiba, no Maracanã.

Idem com batatas para Goiás e Vitória, no Serra Dourada, prontinho para novo triunfo esmeraldino, pois não.

Na Ilha do Retiro, o São Paulo será o segundo visitante a se dar bem na 19a. rodada, porque o Sport não assusta mais ninguém, um Leão que perdeu os dentes em algum lugar do passado recente.

Fica faltando comentar apenas os dois jogos das 18h30.

Mesmo recebido com muito carinho pelos Perrelas, Vanderlei Luxemburgo voltará de cabeça inchada e reclamando da arbitragem no Mineirão, porque o Cruzeiro, outro que se desmancha como vítima da política de armazém de secos e molhados, vencerá o Santos.

Empate mesmo só um: o Grêmio Barueri freará a reação do Furacão na Arena da Baixada, embora este seja o palpite que o blog dê com menos convicção.

Por Juca Kfouri às 00h01

13/08/2009

Juventus Rumo a Tóquio

Por RAFAEL MUNICELLI* 

Nos tempos do futebol business, dos jogadores pop stars e dos milhões envolvidos no esporte, nada paga assistir a um jogo em um final de semana ensolarado na Rua Javari.

Estive presente no estádio da Mooca neste sábado assistindo Juventus e Palmeiras B.

O jogo é apenas um detalhe quando se passa pelo que restou do Cotonifício Rodolfo Crespi e se chega ao acanhado estadio da Rua Javari.

Para começar não tem fila para comprar os ingressos, e eles ainda são de papel.

Catracas eletrônicas?

Imagine, o bom e velho bilheteiro é que destaca o canhoto.

Toda atmosfera criada ao entrar no estadio, nos leva a um passado que infelizmente não volta mais.

Um passado onde o futebol tinha alma, e que nunca morrerá enquanto ainda existir um clube como o Juventus e seu acanhado estadio da rua Javari.

E que rendeu um bela curta metragem, de 15 minutos.

Um curta de Andréa Kurachi , Helena Tahira e Rogério Zagallo.

Domingo de sol, rua Javari congestionada de torcedores a caminho do tradicional Estádio Conde Rodolfo Crespi.

Tinha palmeirense, corintiano, santista, são paulino... mas naquele dia, todos eram juventinos.

O segundo time de coração de muito torcedor paulista tentava uma vaga inédita na Copa do Brasil.

Assim começa o "Juventus Rumo a Tóquio", um curta que registra a emoção que tomou conta do estádio da Javari, na Mooca, numa final de campeonato em novembro de 2007.

"Juventus Rumo a Tóquio" acaba de ser selecionado pelo Festival Internacional de Curtas de São Paulo.

E vai ser exibido no programa especial "Unidos na Paixão".

Locais e horários:

Dia 21/08, às 16H00, no Centro Cultural São Paulo

Dia 22/08, às 20H00, no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso

Dia 23/08, às 17H00, no Cine Olido

Dia 27/08, às 18H00, no Cineclube Grajaú

O 20° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo começa dia 20 e vai até 28 de agosto, com entrada gratuita.

*Rafael Municelli é...um romântico.

(E bem-aventurados os românticos...)

Por Juca Kfouri às 17h31

Arruda se enrasca

Por GABRIEL CASTRO*

O Ministério Público do Distrito Federal entrou com uma ação de improbidade administrativa contra o governador José Roberto Arruda e o secretário de Esportes, Aguinaldo de Jesus.

O motivo é o pagamento de 9 milhões de reais a uma empresa de fachada, a Ailanto, responsável, no papel, por organizar o amistoso entre Brasil e Portugal, no ano passado.

Eles terão 15 dias para responder sobre o assunto.

A denúncia se baseia em diversos indícios de irregularidades.

A CBN revelou em março as suspeitas sobre o contrato.

A companhia de fachada tinha sede num apartamento no Rio de Janeiro, nunca havia prestado qualquer serviço e possuía um patrimônio de apenas 800 reais.

A empresa foi criada por Eduardo Duarte, ligado a Daniel Dantas.

Antes que o acordo fosse firmado, um parecer da Procuradoria distrital apontou 11 falhas no documento, e recomendou alterações.

Mas a maior parte das sugestões foi ignorada.

Não há qualquer detalhamento de como o valor seria utilizado.

Em média, a confecção de cada ingresso de papel ficou em  13 reais, bem acima da média. (No Maracanã, por exemplo, o custo médio de um ingresso não chega a 2 reais).

No relatório das despesas do jogo, constam, por exemplo, gastos com segurança, transporte e hospedagem - que, na teoria, deveriam ser pagos pela própria Ailanto.

*Gabriel Castro é repórter da CBN em Brasília.

Pró-memória

Publicado em 24 de março de 2009

Amistoso em Brasília sob suspeita

O repórter Gabriel Castro, da CBN-Brasília, revelou ontem que o contrato que resultou no jogo amistoso, em novembro passado, no Distrito Federal, entre Brasil e Portugal, e que terminou com a goleada brasileira por 6 a 2, está sob investigação do Ministério Público.

Um contrato de R$ 9 milhões.

Tudo porque o contrato, assinado pelo governador José Roberto Arruda e por uma tal Vanessa Almeida Preste, além do secretário de Esportes do governo do DF, foi feito com uma empresa aparentemente fantasma, a Ailanto Marketing Ltda, de Vanessa Preste e de Alexandre Rosell.

A Ailanto foi registrada pelo advogado Eduardo Duarte, apontado como laranja do banqueiro Daniel Dantas pela Operação Satiagraha, e não tem nem sequer telefone.

O governador José Roberto Arruda preferiu não se manifestar e a CBF disse desconhecer qualquer intermediação para jogos da Seleção Brasileira, cujos direitos são da empresa ISE, com sede nas Ilhas Cayman.

É interessante lembrar que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira já se viu em maus lençóis por causa de operações semelhantes que redundaram em duas CPIs.

E que um dos membros do Comitê Organizador da Copa do Mundo no Brasil, o advogado Francisco Mussnich, não só advogou para o banco Opportunity de Daniel Dantas como é namorado da irmã do banqueiro.

Alexandre Rosell, citado na reportagem como dono da Ailanto e ligado a ISE, é mais conhecido como Sandro Rosell, ex-presidente da Nike no Brasil quando a empresa passou a patrocinar a Seleção Brasileira, ex-vice-presidente do Barcelona e íntimo amigo de Ricardo Teixeira.

 

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 24 de março de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Ouça a reportagem de Gabriel Castro.

http://cbn.globoradio.globo.com/home/2009/03/23/EMPRESA-DE-FACHADA-RECEBE-R-9-MI-DO-GOVERNO-DO-DF-PARA-REALIZACAO-DE-JOGO-ENTRE-BRASIL.htm

Por Juca Kfouri às 16h27

Do prefeito de Barueri...

    Prezado Juca,

 

 
                              Agradeço, sinceramente, o fato de você ter divulgado em um veículo de comunicação tão importante as maravilhas que DEUS tem feito na minha vida. 
 
                              Sugiro a você que procure também o caminho de Deus, porque, se ELE fez maravilhas na minha vida, igualmente fará na sua.       
 
 
 
 
Prefeitura Municipal de Barueri
Rubens Furlan



 

Por Juca Kfouri às 13h50

Adaptando o calendário do futebol brasileiro ao calendário mundial

Por LUIS FILIPE CHATEAUBRIAND*

A ideia de se adaptar o calendário do futebol brasileiro ao calendário europeu – que, pouco a pouco, vai-se tornando mundial – suscita polêmicas as mais diversas.

Há os defensores e os detratores dessa possibilidade. 

O presente documento visa mostrar por que adaptar nosso calendário ao que acontece na maioria dos países é algo vantajoso para os clubes do futebol brasileiro.

É comum que os defensores da adequação do calendário daqui ao da Europa sejam chamados de "colonizados".

A dita adaptação seria uma imitação do que acontece em outro continente e, se a procedêssemos, estaríamos agindo como meros agentes reprodutores do que se faz lá fora.

 Contudo, existem três argumentos a se opor a essa crítica.

O primeiro é que, sem a dita adaptação, os clubes se veem desfalcados de seus principais jogadores, transferidos à Europa, em meio à "janela" que vai de junho a agosto.

Assim, os clubes perdem o time base montado em meio à temporada e, o que é pior, em meio ao Campeonato Brasileiro, principal competição de futebol do país. 

Portanto, proceder à adaptação mitigaria o problema, pois a temporada começaria com os clubes podendo planejar os jogadores que utilizarão ao longo de toda a temporada, com a redução da saída de jogadores ao longo desta. 

É claro que os críticos da adaptação podem argumentar que há uma "janela" para a saída de jogadores em janeiro e, assim, o problema só mudaria de época. Mas uma análise mais atenciosa demonstra que:

a "janela" de janeiro é muito mais curta que a janela de meio de ano. Consequentemente, há menos tempo para viabilizar transferências de jogadores.

A "janela" de janeiro é voltada para que os clubes europeus façam ajustes em seus elencos, e não para montá-los. 

Em outros termos: a quantidade de jogadores que se transfere na "janela" de janeiro é muitíssimo menor que a quantidade de jogadores que se transfere na "janela" de meio de ano.

Nesse sentido, portanto, a adaptação faz com que muito menos jogadores se transfiram na "janela" alternativa, a de janeiro, do que se transferem na "janela" atual, a de meio de ano.

E, consequência imediata: se a "investida" dos clubes europeus só for sentida em janeiro, pela demanda ser menor, fica mais fácil resistir a fazer a transferência, que pode ser postergada para o final da temporada, em maio. 

O segundo argumento a favor da adaptação é que, do ponto de vista de um calendário racional e bem montado, é ideal que, quando há competições de seleções, não haja competições de clubes.

E a grande maioria das competições de seleções é em junho e em julho, com a adaptação já feita ao calendário europeu e, cada vez mais, mundial. 

Portanto, haver jogos oficiais de clubes em junho e julho é um contra senso, que se pratica no Brasil.

Destarte, o que acontece?

 O Campeonato Brasileiro em andamento e, ao mesmo tempo, ou Copa do Mundo, ou Copa das Confederações, ou Copa América.

O torcedor é obrigado a decidir se dá mais atenção ao clube de coração ou à seleção de seu país.

Não é por nada, não, mas passa uma ideia de desorganização e falta de profissionalismo.

Não deve acontecer – o que se evita procedendo a dita adaptação. 

O terceiro argumento em prol da adaptação é que, com ela, a pré temporada dos clubes europeus coincide com a pré temporada dos clubes brasileiros.

E essa coincidência é benéfica, pois permite que os clubes brasileiros possam fazer jogos amistosos com clubes de outros países, obtendo boas quotas financeiras para isso.

É o que acontece, por exemplo, com os grandes clubes argentinos.

Já os clubes brasileiros, estes, não podem aproveitar a oportunidade, devido à falta da adaptação.

O principal argumento das vozes contrárias à adaptação é que isso viola as férias dos profissionais, que tradicionalmente acontecem em dezembro e janeiro.

Argumentam que, se houver jogos nesse período, serão disputados no excessivo calor do verão brasileiro. 

Em primeiro lugar, jogar no excessivo calor do verão brasileiro não é problema se os jogos de fins de semanas forem, por exemplo, às 18 horas, quando o sol já está se pondo.

Obviamente que os jogos de meios de semana, por serem noturnos, não acarretam nenhum problema. 

Em segundo lugar, já se joga, sem a adaptação, no verão escaldante, pois é sabido que, na segunda metade de janeiro, já há jogos pelos Campeonatos Estaduais, no anacrônico calendário atual.

 Em terceiro lugar, o verão é a época em que as pessoas estão mais dispostas a se divertirem, e o futebol é uma opção alternativa para tal.

Isso faz com que haver futebol no verão seja desejável. 

Fica, portanto, demonstrado que quem deseja a adaptação do calendário do futebol brasileiro ao calendário não só europeu, mas sim mundial, não se move pela atitude de "colonizado", mas sim pela ideia de propiciar aos clubes de futebol nacionais a oportunidade de gerarem mais riquezas e prosperidade.

*Luis Filipe Chateaubriand é autor do livro "Futebol brasileiro: um projeto de calendário", pela editora Publit (www.publit.com.br).

www.universidadedofutebol.com.br 

Por Juca Kfouri às 13h37

Richarlyson: uma vítima da intolerância

Por RICARDO FLAITT*

Richarlyson teve uma nova oportunidade com a chegada de Ricardo Gomes e está recuperando seu bom futebol.

Com seu estilo versátil, de marcação forte baseado na força física, e com boa participação no ataque vindo de trás, retomou seu padrão de jogo, que um dia o levou à Seleção Brasileira.

No entanto, mesmo sendo um símbolo de raça e superação no atual contexto Tricolor, o atleta tem de conviver com intolerância (para não dizer imbecilidade) de uma torcida "organizada", que na teoria foi criada para incentivar a equipe, mas parece se mobilizar somente para desagregar e desestabilizar os jogadores.

Richarlyson é vítima da intolerância de uma "organizada" que nunca o ovaciona antes e durantes as partidas.

Como a intolerância não tem limites, agora o jogador tem de conviver com uma canção de protesto descabida composta por uma torcida "organizada". 

Mas ao entoarem essa canção, a verdade é que estão cantando o hino de sua própria cegueira e imbecilidade, composto por aqueles que um dia também cantaram pedindo a saída de Kaká...

A diretoria do São Paulo tem de se manifestar também em apoio ao jogador, que defende veementemente as cores do nosso Tricolor Paulista.

Posição - Aproveito aqui para parabenizar a postura de Nelsinho Calil, editor-chefe do Tricolor Paulista Net, que manifestou o seu apoio à Richarlyson, com uma atitude de quem analisa com sobriedade e lucidez o universo que se configura entre as quatro linhas do campo e, consequentemente, da vida.

*Ricardo Flaitt é jornalista.

Por Juca Kfouri às 10h51

Ricardo Teixeira não poderá votar na sucessão de Lula

Será interessante observar o próximo encontro entre o presidente da República e o da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014.

Porque Ricardo Teixeira foi condenado ontem pela Justiça por causa do famoso vôo da muamba, aquele que trouxe a Seleção Brasileira campeã mundial de 1994, nos Estados Unidos.

Nada menos de 17 toneladas de bagagens que não foram vistoriadas pela alfândega, porque o cartola ameaçou jogar fora as condecorações dadas pelo então presidente Itamar Franco e não permitir que os jogadores desfilassem no Rio de Janeiro.

Teixeira está com seus direitos políticos cassados e não poderá votar no sucessor de Lula, além de estar proibido de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, pelo prazo de três anos.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 13 de agosto de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

 

Por Juca Kfouri às 00h21

Goleiros empatam o J O G A Ç O no Mineirão

Foi um jogaço!

J O G A Ç O!!!

Como prometia.

E repleto de alternativas.

E com mais de 51 mil torcedores.

O Galo provou que tem time sim para ir longe.

E o Palmeiras jogou com a força de um campeão.

O gol de abertura, de Éder Luís, aconteceu graças aos erros dos Marcos, Marcão e São Marcos.

O Galo só marcou porque Marcão errou na saída de bola e São Marcos errou a tentativa de rebater.

O jogo tinha apenas 5 minutos.

E o Palmeiras foi à luta até empatar, com Ortigoza, de cabeça, em jogada todinha de Diego Souza, aos 35.

O Palmeiras de Muricy Ramalho mais parecia um torniquete.

Mesmo recheado de meninos, o Galo não deixou de ameaçar.

O Palmeiras voltou ainda melhor no segundo tempo e, aí, foi a vez do goleiro Bruno, substituto de Aranha, fazer duas senhoras defesas, em chutes de Diego Souza, que ele desviou para a trave, e de Cleiton Xavier, que ele evitou com arrojo.

Quando parecia que o Palmeiras viraria, eis que Wendel fez pênalti em Thiago Feltri, aos 12.

Renan Oliveira bateu com paradinha, São Marcos deu uma adiantadinha e defendeu, para se redimir da falha no gol em sua 450a. partida pelo Palmeiras.

Saudades de Diego Tardelli na torcida mineira...

Pedro Oldone entrou aos 26 no lugar do vaiado, e aplaudido, Renan Oliveira, menino promissor.

Júnior também saiu e entrou Tchô, aos 28.

Em seguida, Cleiton Xavier perdeu um gol impossível, cara a cara, embaixo do travessão.

Mas a impressão permanecia: estava maduro o segundo gol do Verdão.

Celso Roth tentava de tudo.

Serginho se machucou e Wellington Saci que entraria no lugar de Thiago Feltri voltou ao banco, para a entrada de Alex Bruno, aos 33.

Muricy Ramalho, satisfeito, com razão, com o desempenho de seu time, não mexia.

Até que, aos 39, Daniel e David Saconni entraram nos lugares de Ortigoza e Sandro Silva.

O Palmeiras queria mesmo a vitória.

Aos 44, Diego Souza tirou lasca da trave, porque, no fim do jogo, só dava, só deu Palmeiras.

E se fosse para ter um vencedor, este deveria ser o Palmeiras, embora não se possa dizer que o empate tenha sido injusto.

Além de ter sido o resultado que o Goiás, o Inter e o São Paulo queriam.

Mas, mais que isso, num J O G A Ç O! 

Por Juca Kfouri às 23h44

12/08/2009

Corinthians atrás de Fernandinho

O vice-presidente de futebol do Corinthians, Mário Gobbi, esteve hoje pela manhã com o prefeito de Barueri, Rubens Furlan, para tentar trazer o meia Fernandinho para o Parque São Jorge.

Furlan, que não tem mais nada a ver com o Grêmio Barueri e até está brigado com seu presidente, intermedeia as negociações porque tem forte influência sobre o jogador, para quem teria dado um Ford Fusion.

Ambos são hoje da mesma igreja, já que Furlan atribui a Jesus ter se livrado do vício do jogo. 

Por Juca Kfouri às 19h42

Enfim, Ricardo Teixeira é condenado pelo vôo da muamba

A Vigésima Segunda Vara Federal do Rio de Janeiro condenou o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, à suspensão de seus direitos políticos por três anos, devido a prejuízos causados aos cofres públicos em razão da liberação das bagagens dos jogadores da seleção brasileira de futebol, sem o desembaraço aduaneiro, no desembarque ocorrido na Copa do Mundo de 94.

O dirigente esportivo também está proibido de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, pelo prazo de três anos.

O Ministério Público Federal ajuizou a ação de responsabilidade pela prática de atos de improbidade administrativa, alegando que, após a conquista do título mundial de 94, a delegação brasileira de futebol e seus convidados retornaram ao Brasil trazendo 17 toneladas de produtos importados.

Segundo a sentença, depois que a fiscalização da Receita determinou a liberação apenas das bagagens de mão, o réu teria condicionado o desfile dos jogadores à liberação das mercadorias. Em seguida, as mercadorias foram liberadas sem qualquer controle da Receita.

O episódio ficou conhecido como o "vôo da muamba".

Levou 15 anos, mas, enfim, a Justiça apareceu.

Por Juca Kfouri às 19h28

Treino em Tallin

No primeiro tempo do treino da Seleção Brasileira contra a da Estônia, num estadiozinho simpático de nome Le Coq Arena (Arena do Galo), parece que Dunga mandou o time não deixar o adversário pegar na bola e não se preocupar em fazer gol.

E o time cumpriu à risca.

Ficou 70% do tempo com a posse de bola e só marcou no fim, aos 42, depois que Luís Fabiano aproveitou uma bola mal despachada por um adversário e que bateu em Kaká para sobrar para ele.

A nota negativa da prática foi que mais uma vez o volante Kléberson se machucou no ombro e deverá ser operado.

Ou seja, se o caça-níqueis enriquece ainda mais a CBF, o Flamengo agora que se vire com a perda de seu jogador.

(Uma luxação nunca é "só" uma luxação, como foi dito na transmissão da Globo. Luxações, em regra, doem mais que fraturas e, às vezes, são até mais difíceis de curar).

Diego Tardelli, que estreou na Seleção na Arena do Galo e desfalca o Galo, à noite, no Mineirão, diante do Palmeiras, entrou no lugar de Robinho, embora Grafite, eleito melhor jogador, artilheiro e campeão do último Campeonato Alemão, merecesse uma chance ainda mais do que ele.

Sem se dizer que não atrapalharia o andamento do Campeonato Brasileiro.

No segundo tempo, repleto de reservas à medida que o jogo corria, tinha mais gente querendo mostrar serviço, razão pela qual a bola rondou com mais perigo o gol estoniano.

Mas gol que é bom mesmo, necas de pitibiribas.

Grave?

Ora, treino é treino, jogo é jogo.

Ah, e deu sono, apesar da porrada ter corrido solta em alguns momentos.

Em tempo: a Argentina, em Moscou, ganhou de 3 a 2 da Russia, no jogo entre a oitava e a sexta melhores seleções do ranking da Fifa.

A Argentina se prepara melhor para o jogo diante do Brasil do que o Brasil se prepara para o jogo diante da Argentina, dia 5 de setembro, em Rosario?

Puede ser.

Pero, nosotros, por supuesto,estamos em situação muito melhor que a deles nas Eliminatórias.

Por Juca Kfouri às 16h06

A técnica, a disciplina e a academia

Por ROBERTO VIEIRA 

Era a última rodada da primeira fase do Campeonato Nacional de 1971.

Era o primeiro encontro em Brasileirão de Atlético e Palmeiras.

O Atlético que viria a ser o primeiro campeão do torneio.

O Palmeiras que viria a ser campeão em 1972 e 1973.

Em campo, o Galo imortal de Renato; Humberto, Grapete, Vantuir e Odair;

Vanderlei e Spencer;

Ronaldo, Dario, Pedrilho e Romeu.

Romeu das cambalhotas.

Do outro lado um Palmeiras em transformação.

Leão; Eurico, Luís Pereira, Nelson e Zeca;

Dudu e Ademir da Guia;

Edu, César, Leivinha e Pio.

Pio que tinha uma bomba nos pés.

O Atlético seria um campeão sem mácula.

Sob o comando de Telê Santana foi campeão na bola, na técnica e na disciplina.

Sem uma expulsão sequer.

Fato tão impressionante que até hoje ninguém acredita.

Já o Palmeiras vinha com seu toque de bola refinado.

Com o ritmo cadenciado de Ademir da Guia.

No encontro entre o novo e o eterno.

Com arbitragem de Arnaldo Cesar Coelho.

A regra foi clara:

Não poderia haver vencedor.

Atlético e Palmeiras ficaram no empate sem gols.

Leão mantinha o tabu de não tomar gols do artilheiro Dario.

Grapete e Vantuir anularam César e Leivinha.

E Telê foi abraçado pelos velhos amigos de infância nos vestiários.

Telê que nasceu em Itabirito.

Com o mineiro sentimento do mundo...

Por Juca Kfouri às 13h10

Um joguinho e um jogão

Enquanto a Seleção Brasileira, primeira do ranking da Fifa, enfrentará a Estônia, a 112a., a Argentina, oitava, jogará contra a Russia, a sexta.

A Seleção Brasileira se prepara para enfrentar a da Argentina no próximo dia 5 de setembro e a Argentina se prepara para enfrentar o Brasil, em Rosario, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

O time de Dunga jogará para no máximo 10 mil pessoas no jogo amistoso que comemora o centenário do futebol na Estônia, mas receberá dois milhões de euros pela apresentação.

E deverá jogar com um adversário muito mais fácil do que seria um treino coletivo entre titulares e reservas.

Já a Argentina, terá dureza.

Por isso é que o melhor mesmo é voltar todas as atenções para o clássico do Mineirão, entre Galo e Palmeiras.

Este sim deverá ser um grande espetáculo e para mais de 50 mil torcedores.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, dia 12 de agosto de 2009.

Por Juca Kfouri às 02h45

11/08/2009

Na 'Folha' de hoje

CLÓVIS ROSSI

Antes, a neta: agora, a filha

SÃO PAULO - Ofereço, de graça, ao senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, uma defesa infalível para a eventualidade de ele vir a ser denunciado ao Conselho de Ética por ter pago viagem da filha aos Estados Unidos com dinheiro público.

É grátis porque se trata de cópia da defesa que o presidente do Senado, José Sarney, usou para justificar a sua interferência para empregar o namorado da neta às custas do meu, do seu, do nosso bolso.

Basta que Guerra diga, como Sarney, que pai nenhum se recusaria a atender a um pedido da filha para acompanhá-lo no delicado momento de uma consulta médica nos Estados Unidos (a propósito, o Senado não tem um belo corpo médico, também pago com o meu, o seu, o nosso dinheirinho?).

Se o argumento de Sarney serviu para que todos os pedidos de investigação fossem arquivados por aquele sub do sub do sub que preside o Conselho de Ética, por que Guerra também não seria sumariamente absolvido?

Aliás, o sub do sub do sub acaba de inventar um artigo novo na praça.

Antes, havia condenação sumária; agora, há absolvição sumária.

Investigação, que seria o correto, nadica de nada.

Repetir a, digamos, "defesa Sarney" teria tudo a ver.

Afinal o, digamos, "espírito Guerra" é idêntico.

A qualquer mortal comum jamais ocorreria usar dinheiro público para levar a filha para viajar.

Para um senador é o normal.

Mesmo que, em uma urgência urgentíssima, o senador tivesse que fazer a filha viajar por conta do Senado, imediatamente depois ele correria, não fosse o "espírito Sarney/Guerra", a devolver o dinheiro aos donos (eu, você, todos nós).

Mas, como senador é um animal acima dessas miudezas, Guerra diz que não devolveu nem vai devolver porque não foi cobrado.

Aposto que o sub do sub do sub aceita também esse argumento.

Por Juca Kfouri às 10h38

Galo e Palmeiras: o jogo

Esta é a semana da última rodada do primeiro turno do Brasileirão, que será disputada no fim de semana.

Mas, antes, nesta quarta-feira, no Mineirão certamente lotado, ainda pela penúltima rodada, Galo e Palmeiras se enfrentarão.

Pena que o Galo sem o goleiro Aranha, o meio-campista Márcio Araújo e o artilheiro Diego Tardelli.

Já o Palmeiras não terá nem o experiente defensor Edmilson nem o lateral-esquerdo Armero.

De todo modo, o clássico entre o primeiro e o segundo campeões brasileiros de futebol nos anos 70 tem tudo para ser eletrizante e certamente chamará muito mais atenção do que o jogo, também amanhã, mas à tarde, entre Estônia e Brasil.

É, pensando bem faz sentido: Estônia e Brasil farão a preliminar de Galo e Palmeiras...

Por Juca Kfouri às 01h31

10/08/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 21h19

Bola dentro

O autor reúne neste livro a história dos jogadores brasileiros que foram trabalhar em times no exterior.

 

Embora hoje se fale muito da venda de jogadores para os times europeus, esse tipo de transação começou há muito tempo.

 

O primeiro caso foi em 1914, quando Arnaldo Porta deixou Araraquara para jogar pelo Verona, na Itália.

 

Com a bagagem de quem conhece como ninguém o mundo futebolístico, PVC revela fatos inéditos dessas transações milionárias, como a ida de Falcão para a Roma no anos 80, a de Pelé para os EUA em 1977, até chegar nos dias de hoje com a venda de Kaká e Nilmar.

 

O livro traz ainda tabelas com as negociações mais milionárias e a lista dos jogadores de todos os tempos que atuaram ou atuam no mercado europeu.  

“Paulo Vinícius Coelho relata neste livro a saga dos jogadores brasileiros que atravessaram fronteiras para vender suas habilidades a clubes estrangeiros.

 

Foi com muito orgulho que me vi no primeiro capítulo desta epopéia emocionante, contado com tanta fidelidade que identifiquei até mesmo detalhes já esquecidos.

 

Tenho certeza de que outros personagens retratados nesta obra ficarão felizes em ver parte de suas carreiras redesenhada pelo texto elegante de PVC. [...]

 

Ele titulou o seu livro, muito apropriadamente, de Bola Fora, para caracterizar o futebol de exportação do nosso país.

 

Mas eu posso assegurar que se trata de uma bola dentro, um gol de placa deste craque do jornalismo esportivo nacional.” (Do prefácio de Paulo Roberto Falcão)   

A noite de autógrafos será no dia 18/08, na livraria Cultura do Bourbon Shopping Pompéia, às 19h.

Por Juca Kfouri às 12h49

Na 'Folha' de hoje

JUCA KFOURI

A era Ricardo Gomes


O novo técnico do São Paulo começa a provar que tem, sim, tamanho para comandar a forte máquina tricolor



APARECEU ONTEM , no Morumbi, mais uma diferença entre o São Paulo de Ricardo Gomes e o de Muricy Ramalho, apesar de dois dos gols tricolores terem sido fruto de bolas alçadas na área, como nos tempos do ex-técnico.

Só que o São Paulo de Gomes fez seu primeiro gol no último minuto do primeiro tempo e veio para o segundo em busca de outros, em vez de se preocupar em manter a vantagem adquirida.

E capaz de jogar um futebol bem mais vistoso do que vinha apresentando na gestão anterior.

Sim, também é verdade que o São Paulo de Muricy reagiu para ser tri, como este de Gomes reage para ser tetra.

E sabe por quê?

Sem comparar técnico com técnico, um já provado e o outro provando, a resposta é porque é o São Paulo.

Ou porque está voltando a sê-lo.

Timão dá sono

Mesmo com 50 mil torcedores no Maracanã e com todo o barulho de que eles são capazes, o primeiro tempo entre Flamengo e Corinthians foi só sonolento.

Porque o desmanchado alvinegro de Bruno, Diogo, Henrique, Moradei, Boquita, Bill e Marcelinho não dá a menor sensação de que, um dia, poderá fazer um gol.

E Adriano perdeu os dois que se apresentaram a ele nos primeiros 45 minutos.

Como perdeu outros dois no segundo tempo, um logo no começo, outro bem no fim.

Menos mal, para ele, para a justiça do placar e para a imensa torcida do Flamengo, que das cinco chances de marcar que se apresentaram ao Imperador, e artilheiro do Brasileirão, conseguiu fazer a mais difícil.

E o Corinthians, que no zero estava, no zero permaneceu.

E se aproxima perigosamente da zona do rebaixamento, enquanto se afasta, é claro, do grupo dos líderes.

Lei, ora a lei

Se não há uma lei fiscal para os clubes de futebol, até porque é discutível se pode haver sem ser como contrapartida à entrada de dinheiro público em seus cofres, há, desde 2003, uma que responsabiliza a cartolagem por seus atos.

Que o deputado Gilmar Machado (PT-MG) quer sabotar no prometido Estatuto do Esporte, de maneira a isentá-la.

Se a chamada Lei da Moralização não é aplicada são outros quinhentos, mas precisa ficar claro para os homens do governo que a história do Brasil não começou com eles e que ninguém é tão néscio a ponto de se deixar enganar por propostas que nada têm de inovadoras.

Como está evidente que o presidente do Palmeiras tem noção clara do que precisa ser feito e até a ilusão de que seja possível, com seu jeito polido e sem rupturas.

Mas acreditar no presidente do Clube dos 13 equivale a acreditar em duendes, porque faz anos que ele diz uma coisa e faz outra, principal representante dos privilegiados que não querem e não abrirão mão de seus privilégios.

Palavra de quem acompanha essa história há quase quatro décadas e foi enganado por gente como presidente do Clube dos 13 durante uns bons anos e até pelo presidente da CBF por alguns meses, embora o mais deprimente tenha sido ser ludibriado pelo presidente da República e seus ministros do Esporte.

Por Juca Kfouri às 12h34

09/08/2009

Cresce o comparecimento da torcida

Faltam dois jogos para completar a 18a. e penúltima rodada do primeiro turno do Brasileirão.

Nesta segunda-feira, no Beira-Rio, o Inter recebe o Sport.

E na quarta-feira, no Mineirão, o Galo recebe o Palmeiras.

O Beira-Rio deve pegar um bom público, uns 30 mil torcedores, para festejar a tal taça que o Colorado ganhou no Japão.

E o Mineirão terá no mínimo 50 mil para o jogo dos donos das duas melhores campanhas do campeonato.

O que deve elevar a média de público desta rodada de 17 mil para 22 mil pagantes por jogo.

Por enquanto, o melhor público foi o do Maracanã, com 47 mil torcedores para Flamengo e Corinthians.

E o pior em Barueri, com 4.500 pagantes para o jogo entre os Grêmios, o local e o de Porto Alegre.

E foram marcados 22 gols em oito jogos.

Por Juca Kfouri às 21h58

O mais difícil aconteceu...

Por ALMIR MOURA

Com um gol aos 45 do segundo tempo, o Central venceu o Sergipe, em Aracaju, e deu aquela maõzinha de que o Santa Cruz tanto precisava para avançar de fase. 

Faltava a parte que cabia ao próprio Santa neste latifúndio. 

Dentro do mundão do Arruda, a equipe coral necessitava vencer o CSA para consumar o milagre da classificação. 

Mas, a maior folha salarial da Série D mais uma vez decepcionou. 

Mesmo com apoio irrestrito de sua torcida, uma das mais apaixonadas deste país e responsável por uma das maiores médias de público de todas as divisões do futebol nacional (42.518 por partida) o time não conseguiu. 

Frustou sua torcida mais uma vez. 

E assim, com apenas uma vitória em seis jogos, o Santa Cruz se despede de forma melancólica da Última Divisão do Futebol Nacional na desagradabilíssima lanterna do grupo.

Por Juca Kfouri às 21h13

Querida CBF,

Por ROBERTO VIEIRA

 

Querida CBF, 

Venho por meio desta solicitar que o Clube Náutico Capibaribe perca mais uns três ou quatro mandos de campo nesse campeonato. Explico.

No sábado próximo passado, a torcida alvirrubra se viu forçada a jogar em Caruaru, mais precisamente no estádio do Central. O passeio foi jóia. Compramos um monte de coisa na feira da sulanca, deu pra comer um bom bode assado e, surpresa! A cidade estava colorida de vermelho e branco. Fato comum em Caruaru nos velhos e bons tempos do Comércio, porém fato raro nos tempos atuais.

O jogo não podia ser melhor. Estava lá em Caruaru a mesma rapaziada dos Aflitos, desta vez acompanhada dos torcedores do interior que nunca podem assistir a um jogo de Série A. A gente derrubou até os aficionados das parabólicas que insistem com os times do sul por falta de um joguinho nos fins de semana.

Claro que tudo terminou ainda melhor com os dois gols de Carlinhos Bala e a vitória sobre o Ramalhão.

Portanto, caros amigos da CBF, não precisa nem pensar duas vezes quando decidirem punir o Náutico: Mandem a gente pra bem longe de casa. Pra Caruaru.

A gente termina o jogo e ainda dá tempo prum forró pé de serra numa sala de reboco.

Ou Caruaru não seria a capital do forró!

Saudações alvirrubras,

O Timbu.

 

Por Juca Kfouri às 21h09

Olha o São Paulo aí, gente!

O Goiás não veio ao Morumbi, com 28 mil torcedores, para empatar.

Buscou vencer, embora tenha sido inferior ao São Paulo durante todo o jogo.

São Paulo que carimbou o travessão de Harlei duas vezes, no começo e no fim do primeiro tempo.

Uma num foguete de Richarlyson que, se entra, furaria a rede e seria um golaço, porque fruto de um rebote da defesa esmeraldina que o jogador tricolor pegou de primeira.

A outra de Júnior César, imediatamente anterior ao cruzamento de Jorge Wagner na cabeça de Washington, que fez 1 a 0, aos 46.

O São Paulo não se contentou com a vantagem e voltou no segundo tempo em busca de ampliar, jogando ainda melhor que no primeiro e criando possibilidades reais de fazer 2 a 0.

Antes do 20o. minutos, Ricardo Gomes tirou o autor do gol são-paulino e pôs Borges em seu lugar.

Aos 30 foi a vez de Dagoberto carimbar o travessão goiano e o 1 a 0 estava longe de ser o espelho da partida.

A ponto de, no minuto seguinte, por puro descontrole, Rafael Tolói dar um soco em Dagoberto e ser expulso de campo.

Na cobrança da falta que causou a correta expulsão, Jean fez Harlei fazer excelente defesa.

E na cobrança do escanteio por Hernanes, foi a vez de Jorge Wagner fazer de cabeça, aos 33: 2 a 0.

Irretocável.

Numa bobeada tricolor, o Goiás, com Bruno Meneghel diminuiu para 2 a 1, e Richarlyson, no fim, perdeu gol feito, embora, minutos antes, tenha sofrido um pênalti claro que não foi marcado.

Mas, no fim mesmo, Borges não perdeu e fez 3 a 1, placar final.

O São Paulo está invicto há sete jogos e o Goiás perdeu sua série de seis.

Enquanto isso, o Cruzeiro massacrava o Coritiba, no Couto Pereira, e fazia 3 a 1, com gols de Wellington Paulista, batendo pênalti, aos 20 do primeiro tempo e de Thiago Ribeiro, aos 6, e novamente Wellington Paulista, aos 11, inteiramente livres, como se o time coxa tivesse desistido de jogar.

Marcelinho Paraíba, para variar, ainda diminuiu, mas de que vale?

Assim, em seu centenário, o Coritiba voltará para a Série B, pois não conseguiu, em casa, aquilo que o rival obteve no Mineirão, na rodada passada.

Renê Simões, é claro, caiu.

Em Barueri, no clássico Grê-Grê, deu o paulista contra o gaúcho, num show particular de Fernandinho que também fez o gol da vitória, aos 10 do segundo tempo.

O Grêmio perdeu a última chance de ganhar um jogo fora de casa no primeiro turno.

O Grêmio Barueri livrou três pontos sobre o gaúcho.

Por Juca Kfouri às 20h26

Fla sem forçar, Flu com suor

O primeiro tempo no Maracanã deu sono, apesar dos 50 mil torcedores presentes.

A não ser por dois lances que Adriano desperdiçou, nada mais a se registrar, exatamente como queria o desmanchado Corinthians, que parecia saber que não tinha como ganhar do Flamengo.

Só mesmo o rubro-negro Willians mereceu destaque.

O segundo tempo foi diferente, porque o Flamengo voltou melhor, mais aceso, menos disposto a aceitar o ritmo corintiano.

E aí Adriano perdeu um gol feito, debaixo do travessão, logo no começo, aos 3.

Para, em seguida, os 12, fazer o gol mais difícil em todas as chances que teve: 1 a 0.

Com 10 gols, o Imperador já é o artilheiro do Brasileirão.

Petkovic, cansado, saiu e entrou Zé Roberto, enquanto no alvinegro entraram Marcelinho e Henrique nos lugares de Diogo e Dentinho.

E Adriano, aos 31, perdeu um gol ainda mais fácil, em bobeada de Marcelinho.

A vitória carioca era justa, justíssima, tanto que o Flamengo foi dono absoluto do jogo.

Moradei saiu e entrou Boquita, entendeu?

Marcelinho, Diogo, Henrique, Moradei, Boquita, este é o Timão, para não falar de Bill, Bruno, Jucilei...

Quem sabe um dia, não é?

Como era justo o empate de outro rubro-negro, o Vitória, no Barradão, com o Fluminense, 2 a 2.

No primeiro tempo, equilibrado, 1 a 1, depois que o Vitória saiu na frente com Willian, aos 15, e o Flu empatou, aos 29, com

Luis Alberto, depois de passe de calcanhar de Kieza.

Com Roni, logo aos 3, o Flu virou, mas, aos 10, Roger tratou de deixar tudo igual outra vez.

O Vitória (quatro jogos seguidos sem vencer) cai a olhos vistos, juntinho do Corinthians (cinco jogos consecutivos sem vitória).

O Flu esboça reagir.

Por Juca Kfouri às 17h57

Na 'Folha' de hoje

 JUCA KFOURI

Surto de sinceridade

O presidente da CBF e sua filha foram de uma franqueza e transparência raras e, de fato, sensacionais!

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RICARDO TEIXEIRA , que vinha alardeando que não haveria dinheiro público em estádios e plantando aqui e ali, mais ali do que aqui, notinhas para se distinguir do presidente do COB, Carlos Nuzman, um habitual tomador do nosso dinheiro, teve um acesso de sinceridade e disse aquilo que os chatos de plantão já vinham dizendo desde que se anunciou a candidatura brasileira à Copa de 2014: vão enfiar a mão no nosso dinheiro.

O país agradece ao cartola da CBF por tamanha transparência e sabe que a reação do ministro do Esporte, que insiste em dizer que não se dará um tostão da Viúva para os estádios, não passa de demagogia de quem, em breve, sairá do ministério para se candidatar à Câmara dos Deputados, ora pois não.

Ele, aliás, é até capaz de dizer que o dinheiro do BNDES não é público, descoberta típica de um membro do neo-PC do B.

Ao se equiparar ao colega do COB, até porque a matriz é a mesma, crias que são de João Havelange, Teixeira tira a máscara e, diferentemente do que se fez no Pan-2007, bota a faca no peito do governo desde já, sem essa de deixar para a última hora. Melhor assim.

Por falar em Havelange, Joana Havelange, neta dele, não filha como o sobrenome pode fazer supor, porque filha do presidente da CBF e do comitê organizador da Copa, do qual é secretária, foi também de uma sinceridade comovente ao dizer que a Fifa está muito feliz por não ter nenhum membro do governo no comitê.

Não é verdadeiramente sensacional, para se aplaudir em pé?

Essa gente é assim mesmo.

Muito ciosa da sua privacidade, adepta da iniciativa privada desde que com o dinheiro de todos.

Porque, afinal, trabalham pelo Brasil, são empreendedores capazes de, como no caso de Teixeira, se sacrificar patrioticamente por mais de 20 anos à causa pública, embora numa entidade privada, como faz sempre questão de ressaltar.

Ora, um membro do governo, sinônimo de política, essa coisa imunda como vemos na lavagem de roupa (está escrito “de roupa”, não de dinheiro) suja entre os Sarney, Simon, Collor, Calheiros, Jereissati, todos farinhas do mesmo saco -como dizia o PT antigamente e não diz mais porque está no fundo, no meio e no topo dele, o saco-, mancharia o comitê, além de poder fiscalizá-lo, imagine a pretensão do bofe.

A palavra de ordem exigida é dê e não receba, nem recibo, porque estamos acima do bem e do mal e foram vocês mesmos, do governo, que nos deram tamanha dimensão.

E tratemos de mudar a missão do BNDES, assim como a Lei da Responsabilidade Fiscal e do Endividamento, para que os Estados possam atender às necessidades da Copa do Mundo, como se sabe, prioridade número um deste imenso paraíso chamado Patropi.

Se não bastasse, com pelo menos cinco anos de atraso, assim como foi para aceitar o campeonato de pontos corridos que o Estatuto do Torcedor, sabotado pela CBF e pelo Clube dos 13 desde sempre, enfiou-lhe goela abaixo, eis que Rico Terra agora também quer adequar o calendário brasileiro ao mundial, que muitos chamam de europeu.

Algo necessário, mas não suficiente, porque não é panacéia.

Por Juca Kfouri às 11h10

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico