Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

22/08/2009

Enfim, Palmeiras!

Enquanto o Sport despachava o Vitória, com 17.064 pagantes na Ilha, ao vencê-lo por 2 a 0, e o Santo André complicava a vida do Coritiba, no ABC, com 1.240 testemunhas, ao derrotá-lo por 1 a 0, o Palmeiras, de camisa nova, esmagava o Inter no Palestra Itália, com mais de 22 mil torcedores.

Ganhou por 2 a 1, com gols de Obina, de pênalti claro, e de Ortigoza, um em cada tempo, o primeiro no fim do primeiro tempo, aos 38, o segundo no começo do segundo, aos 2.

E não ganhou por mais porque deixou de ter um pênalti assinalado ainda quando estava 0 a 0, quando um defensor colorado cortou com o cotovelo acima do ombro uma falta que tinha endereço batida por Diego Souza.

O primeiro tempo foi só verde, quando o colorado ficou mais com a bola nos pés, mas só finalizou perigosamente uma vez, e nos segundos finais.

Já o Palmeiras cansou de chutar contra o gol gaúcho.

Como o time paulista ampliou o placar logo no recomeço do jogo, o Inter teve que ir à luta e aí o jogo ficou mais equilibrado, com direito a bola no travessão de Marcos.

E a um golaço de Juliano, aos 41, da entrada da área.

Tite tentou de tudo, até tirando a dupla Andrezinho e Taison, para as entradas de Wagner e Bolaños.

Muricy Ramalho trocou Edmílson, que jogou muito e cansou, para botar Jumar.

E tirou Deyvid Sacconi para a entrada de Sandro Silva.

Fato é que o líder do Brasileirão ganhou um clássico de seis pontos, depois de quatro jogos sem vencer, e aprofundou a desconfiança de que o Inter é de muito falar e de pouco ganhar.

O colorado até ainda pode até vencer o primeiro turno, mas nem que ganhe os dois jogos que lhe faltam ultrapassará o Palmeiras no campeonato.

E por falar em clássico de seis pontos, o próximo jogo do Palmeiras será contra o São Paulo, no Morumbi.

Em tempo: que bela camisa, hein, palmeirense!

Por Juca Kfouri às 20h25

Na 'Folha' de hoje

Dona Nadir, seus remédios e a bronca no Juca 

Por RICARDO GALLO

Dona Nadir ligou brava para a rádio predileta naquele outubro de 2000.

O apresentador do CBN Esporte Clube não havia falado as horas no ar -o que a fizera esquecer-se de tomar seus remédios.

Juca Kfouri recebeu o recado ao chegar para o programa, que estreara na noite anterior ("Rádio é prestação de serviço. Ele tem que falar a hora").

Obedeceu: "Dona Nadir, tá na hora de tomar o seu remédio. Oito e meia", disse.

Às 21h, novo aviso.

Ela gostou.

No outro dia, deixou mais um recado -era muita gentileza de Juca, colunista desta Folha, avisá-la.

Os remédios eram necessários desde que um AVC, em 1993, paralisou parte do seu corpo e a deixou em cadeira de rodas.

A doença, aliada a um problema na visão, fez do rádio sua companhia diária.

Pois dona Nadir e seus remédios viraram bordão e passaram a ser lembrados no programa todos os dias.

Até entrevistada ela já foi: no dia em que um convidado faltou, entrou no ar para falar de futebol -são-paulina, disse ter visto Leônidas da Silva estrear pelo tricolor em 1942.

Eduardo, um dos filhos, não sabia desse detalhe, mas lembrava da mãe bem-humorada, piadista e ansiosa.

Nascida em São Simão (SP), ela foi professora até 1972, quando virou dona de casa.

No dia 11, internada havia quatro dias, dona Nadir morreu de parada cardiorrespiratória.

Tinha 74 anos. Deixou o marido, dois filhos, um neto e o radinho portátil.

Ao saber da morte, Juca decidiu: às 20h30 e às 21h, continuaria a falar do remédio.

Por Juca Kfouri às 18h21

Vasco é uma alegria só

É evidente que o Vasco não precisa nem tem que provar nada para ninguém.

Mas foi sensacional ver o show de sua torcida hoje à tarde no Maracanã, batendo o recorde de público brasileiro no ano, com 76.211 pagantes e 79.636 presentes.

Tudo isso para ver uma vitória categorica, 4 a 0 (dois vira, quatro acaba), sobre o Ipatinga, fecho de ouro para o primeiro turno da Série B, de Basco, líder isolado do campeonato, três pontos na frente do segundo colocado e, mais importante, nove adiante do quinto.

Por paus ou por pedras, o fato é que não há hoje no Rio nenhum torcedor tão feliz como o vascaíno.

Por Juca Kfouri às 18h03

21/08/2009

Uma rodada são paulina

A primeira rodada do segundo turno do Brasileirão, 20a. rodada do campeonato, foi mais uma vez cruel para os times cariocas: os três perderam, assim como os dois gaúchos.

Já entre os paulistas, cinco times venceram e só um perdeu.

Tanto o Inter quanto o Palmeiras, que perderam, se queixam, e muito, da arbitragem.

A rodada, com apenas 24 gols e média de público de 12.405 pagantes por jogo, foi excelente para o São Paulo, que chegou ao segundo lugar e viu seus concorrentes mais próximos ou perderem, como Palmeiras, Inter e Goiás, ou só empatarem, como o Galo.

O Corinthians também não pode se queixar, principalmente da arbitragem.

O maior público da rodada foi o do Morumbi, com 22.115 pagantes. E o menor, é claro, em Barueri, com 2.243.

Cinco dos resultados dos 10 jogos da rodada terminaram com o placar 2 a 1, o que, não é nada, não é nada, não é nada mesmo.

Por Juca Kfouri às 23h39

Estão abertas as inscrições para o Torneio Gol de Letra 2009

 

 

A Fundação Gol de Letra abre as inscrições para a 6ª edição paulista do Torneio que leva o nome da ONG.

 

O evento acontece entre 24 e 26 de outubro e conta com vagas para 20 empresas.

 

O Torneio Gol de Letra promove uma disputa amistosa entre funcionários das empresas participantes e visa gerar recursos para os programas educacionais da Fundação.

 

O valor da inscrição é R$ 23 mil e cada empresa pode inscrever 15 jogadores, além de ter direito a 15 convidados para a torcida.

 

A etapa classificatória acontece em um final de semana diferenciado, com direito a futebol, música ao vivo e muita diversão.

 

Em cada dia, 10 das 20 empresas participantes, disputam a classificação.

 

A campeã e a equipe mais disciplinada (Fair Play) de cada dia seguem para a final, além do melhor jogador de cada time (Seleção do Torneio).

 

Ao fim de cada etapa, o artilheiro, o goleiro menos vazado e a melhor torcida são premiados.

 

A grande final acontece na noite da segunda-feira (26/10), no Estádio do Morumbi.

 

Primeiro se define o Troféu Fair Play para a vitoriosa entre as equipes mais disciplinadas.

 

Na seqüência, os finalistas disputam o título de campeão do Torneio.

 

Para encerrar o evento, um time de jogadores e ex-jogadores de futebol profissionais, além de outras personalidades, convidados por Raí e Leonardo, jogam duas partidas com a empresa campeã e a seleção de melhores jogadores das classificatórias.

 

Cafu, Rogério Ceni, Sócrates, Jair Rodrigues, Dan Stulbach, entre outros, já participaram do Torneio.

 

“Só tem coisa boa no Torneio, os funcionários das empresas ficam felizes de jogar no Morumbi ao lado de alguns ídolos, a Fundação sai ganhando e os convidados, muitos ex-jogadores de futebol, também gostam muito da oportunidade de se reencontrar e, claro, de contribuir com a nossa causa, que é a educação”, define Raí de Oliveira, presidente da Fundação.

 

Dentre as empresas já confirmadas para o Torneio 2009 estão Accor, Aliança do Brasil, Editora Abril, Electrolux, Leão & Leão Ltda Contrutora, Natura, Nestlé, Nextel, Nike, Red Bull Brasil, Sodexo.

 

A Fundação

 

A Fundação Gol de Letra é uma organização sem fins lucrativos da sociedade civil, instituída em 1998 pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo. 

 

A Gol de Letra desenvolve programas e projetos de Educação Integral que associam uma pedagogia provedora de conhecimento, cultura e cidadania ao trabalho com famílias e comunidades. 

www.goldeletra.org.br

Por Juca Kfouri às 23h19

20/08/2009

Goiás vacila, Galo estaciona e Cruzeiro vira

Time que quer ser campeão não pode perder um certo tipo de jogo.

Precisa estar no lugar certo na hora certa.

E o lugar e a hora para o Goiás eram o Recife e esta noite.

Mas não foram.

Porque o Goiás perdeu para o Náutico nos Aflitos, por 2 a 0 -- e com gol contra, de Leandro Euzébio, ainda por cima.

No fim, Anderson Lessa, fez o segundo gol, quando o Goiás já estava com 10 jogadores, porque, injustamente, Leandro Euzébio tinha sido expulso.

Sim, o Goiás meteu duas bolas no travessão do Timbu, como recebeu outra, além de ter sido ajudado por Acosta, que perdeu o gol mais feito do Brasileirão até agora, quando já estava 1 a 0.

O Goiás preferiu guardar Fernandão para o jogo do domingo, no Serra Dourada, contra o Santos, opção que pode ter custado muito caro para quem já não poderia escalar Iarley.

Quem não se recuperou foi o Galo, ao empatar com o Avaí, no Mineirão, por 2 a 2, com gols de Éder Luís, aos 2, e Marcos Rocha, aos 7, tudo no segundo tempo, que viu o time catarinense, que não se entrega, mais uma vez ir buscar o empate, com Eltinho e Muriqui, em falha grotesca do goleiro Edson.

No Maracanã, o Flamengo saiu na frente com Emerson no primeiro tempo e tomou a virada do Cruzeiro, em gols de Diego Renan e Fabrício, no segundo, o primeiro deles entre a pernas de Bruno e o segundo em falha do goleiro: 2 a 1.

Por Juca Kfouri às 22h56

O deus das trincheiras

No "Globo" de hoje

Por LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Dizem que na Primeira Guerra Mundial, durante as tréguas de Natal, de uma trincheira se podiam ouvir as comemorações na trincheira inimiga.

Nos dois lados cantavam hinos cristãos e havia sermões e imprecações a Deus, que era o mesmo para os dois lados, mesmo que as religiões não fossem as mesmas.

Os capelães militares sempre tiveram a dura tarefa de convencer as tropas e a si próprios de que o Deus a que rezavam lhes daria a vitória.

Já que não podiam dizer que cada lado tinha o seu Deus e o deles era mais forte, inferiam que o Deus invocado era único, mas tinha seus gostos, e os preferia.

Deus torcia por eles, não importava o que dissessem os capelães do inimigo.

Não existem capelães com o mesmo problema no futebol, mas está implícita em toda mobilização de fé religiosa antes do jogo um pedido para que Deus favoreça um lado e não ouça o outro.

E em todo agradecimento para o alto depois de um gol ou de uma vitória, e em toda frase de exaltação a Jesus impressa numa camiseta, está implícito um reconhecimento da parcialidade de Deus.

Deus deveria ser banido dos campos de batalha para não se comprometer com a pior das atividades humanas, agravada pela hipocrisia, e proibido de entrar em campo de futebol para não arriscar sua reputação de isenção e fair-play.

A única função de Deus num campo de futebol deve ser a de evitar a perna quebrada e o mal súbito. E, está bem, dar uma fiscalizada no juiz.

Nada contra a fé de cada um.

Acreditar é bom e é bonito, e é claro que a maioria dos jogadores pede e agradece a Deus não vitórias, mas sua integridade física e seu sucesso pessoal, seja jogando no Palmeiras ou no Já Vai Tarde F.C.

Mas os jogos da seleção brasileira têm se transformado em verdadeiros bazares de ostentação religiosa.

Que algumas das marcas de fé exibidas são de picaretagens notórias nem vem ao caso.

As vitórias são publicamente creditadas a Jesus e sua bênção vitoriosa agradecida com fervor.

Imagino o constrangimento de jogadores e membros da comissão técnica que não são crentes, ou pelo menos crentes a esse ponto, obrigados a participar daquele círculo de oração de graças, ajoelhados, que tem encerrado as participações triunfais do Brasil em torneios internacionais.

Por coerência, o mesmo círculo deveria ser formado nos casos de insucessos brasileiros, para cobrar de Deus a mudança de trincheira.

Por Juca Kfouri às 18h16

O Goiás pode virar líder hoje à noite

O Goiás pode começar o segundo turno na liderança do Brasileirão.

Basta vencer o Náutico, nos Aflitos.

Basta, é claro, é modo de dizer.

Porque não será fácil, diante do desespero do Timbu, na ZR.

Mas, lembremos: o Goiás é o time com melhor campanha fora de casa no campeonato, cinco vitórias em nove jogos, com dois empates.

Galo e Avaí, no Mineirão, é outro jogo pra lá de interessante, porque os mineiros têm 32 pontos e os catarinenses 30, ambos na luta por vaga na Libertadores.

Por incrível que pareça, Flamengo e Cruzeiro, no Maracanã, é o jogo menos importante desta quinta-feira, 21h.

Por Juca Kfouri às 00h20

Coritiba, São Paulo e, surpresa: Corinthians!

Foi ruim o primeiro tempo no Couto Pereira.

Ortigoza perdeu um gol para o Palmeiras e Gabriel perdeu outro ainda mais imperdível para o Coritiba.

O Palmeiras perdeu Pierre expulso, aos 33, e o Coritiba perdeu Leandro Donizete, aos 42.

E o torcedor que não via o jogo não perdia nada, numa noite gelada e chuvosa em Curitiba.

Dez contra 10, o segundo tempo foi melhor, com mais espaço e velocidade e com os dois times querendo gol.

Aos 22, por exemplo, Edson Bastos teve que fazer ótima defesa para evitar o gol de Cleiton Xavier.

Funcionou como senha para o Palmeiras tomar conta.

Obina saiu, entrou Robert.

Mas Marcão fez pênalti e Marcelinho Paraíba fez 1 a 0 para o Coritiba, aos 45.

O Palmeiras que pode perder a liderança nesta quinta-feira, caso o Goiás bata o Náutico, nos Aflitos. 

No Morumbi, com 22 mil torcedores, Rogério Ceni estava em campo e o São Paulo não deu sossego ao Fluminense até que Richarlyson marcasse um belo gol, em passe precioso de Hernanes: 1 a 0.

Até aí, 22 minutos de jogo, Jorge Wagner já havia cobrado uma falta no travessão e, no rebote, André Dias também mandara no travessão.

E depois do gol, em jogada de Arouca, Jean perdeu gol certo, ao tirar lasca do travessão carioca.

Rogério Ceni precisou fazer apenas uma defesa, em cobrança de falta.

O São Paulo seguiu melhor, jogando com facilidade no segundo tempo, muito mais perto do segundo gol.

Aos 20, Borges entrou no lugar de Washington.

Em seguida, quase Rodrigo marcou contra, mandando no travessão de Rogério Ceni.

Perdido por um, perdido por 10, o Flu foi à frente.

E passou a até a merecer o empate.

Que, no entanto, não veio.

E o São Paulo, sete vitórias seguidas, está a um ponto do líder... 

Já em Porto Alegre, o Corinthians fez um começo de jogo simplesmente surpreendente no Beira-Rio, que o diga o atarantado Inter.

Mesmo esfacelado, o campeão da Copa do Brasil foi para cima e não descansou enquanto não fez seu gol, com Chicão, aos 10, numa confusão na pequena área, onde aconteceu até um pênalti em Jean, embora tenha havido impedimento alvinegro na origem do lance, um prato para o DVD de Fernando Carvalho.

Aí, o Inter acordou.

E passou a ser perigoso, apesar de correr riscos nos contra-ataques.

Até que, aos 34, Alecsandro, de cabeça, empatou, o que era justo, como foi até o fim de um primeiro tempo muito melhor do que a encomenda.

O segundo começou com a cara mais do colorado, que mandou bola no travessão meio sem querer e teve uma chance de ouro com Andrezinho.

Mano Menezes tratou de fechar, fazendo estrear o zagueiro Paulo André, no lugar de Marcinho.

E o Corinthians também passou a criar boas jogadas, num jogo que continuou bom.

Mas, aos 22, Alecsandro cabeceou no travessão.

Só que o Corinthians não se intimidou e seguiu também levando perigo ao gol vermelho.

Até pôs Bill no lugar de Henrique e, na verdade, tanto o 1 a 1 como qualquer um que marcasse faria justiça no placar.

Morais saiu e entrou Jadson.

Na primeira bola do menino alvinegro, aos 42, passe para Jorge Henrique que fez o gol da vitória corintiana, também em posição de impedimento, daqueles difíceis, diga-se: 2 a 1!

Que grande, extraordinária surpresa!

Em tempo: em Barueri, a via crucis do Sport teve mais um capítulo: o Grêmio o derrotou por 2 a 1.

Aliás, na primeira rodada do returno, a 20a. do Brasileirão, entre os seis paulistas, só o Palmeiras não venceu.

Por Juca Kfouri às 23h50

19/08/2009

Noite de vitórias para os santos

Quando o intervalo chegou na Vila Belmiro, com quase 7 mil torcedores (exatos 6.999) e com o 0 a 0 entre Santos e Grêmio, duas constatações se impunham:

1. o Santos merecia estar na frente, até porque teve um gol anulado em impedimento pra lá de duvidoso, além de ter causado uma bola no travessão gremista;

2. o Grêmio deveria contratar para ajudar Paulo Autuori, em jogos fora do Olímpico, ou o austríaco Sigesmundo Freud ou o gaúcho Analista de Bagé.

Porque era impressionante o não jogar gremista, a sua apatia irritante.

Características que se mantiveram no começo do segundo tempo, quando Vanderlei Luxemburgo voltou com Triguinho e Neymar nos lugares de Pará e Germano, o que deu mais velocidade ao time praiano.

Menos mal que, ali pelos 10 minutos, não se sabe se por ordem de Autuori, Freud ou do Analista de Bagé, Souza e Tcheco resolveram deixar de apenas marcar e trataram de equilibrar um pouco mais o jogo.

Mas, aos 20, Thiego entrou porque Tcheco, cansado, pediu para sair, assim como Léo já tinha saído para a entrada de Joílson.

Cansado aos 65 minutos de jogo?!

No Santos, Madson saiu e Robson entrou.

Difícil entender, porque o filho de Mad estava bem e o filho de Rob não melhorou em nada o ataque santista.

Aos 30, Douglas Costa substituiu o indefinível Jonas.

Quando o Grêmio parecia um pouco melhor, Paulo Henrique meteu a cabeça na bola em cruzamento de George Lucas e o Santos fez 1 a 0, aos 34. 

E Rafael Marques ainda achou de ser expulso, tornando uma reação quase impossível.

É, os gremistas andam precisando de uns bons joelhaços.

Enquanto isso, no Barradão, o Vitória interrompia a reação do Furacão, ao vencê-lo por 2 a 1.

E, no Engenhão, pelo mesmo placar, o Botafogo conseguia perder do Santo André, que jogou os últimos 20 minutos com apenas 10 jogadores.

É ou não caso de segunda divisão?

Por Juca Kfouri às 21h27

18/08/2009

Os três jogos mais importantes desta quarta-feira

Dos sete jogos que abrem o segundo turno, três envolvem times do G4.

Todos às 21h50.

E dois têm prognósticos fáceis.

O do Beira-Rio, entre Inter e Corinthians, tem tudo para ser uma doce revanche colorada da Copa do Brasil.

Porque embora o time gaúcho tenha desfalques como Índio, Kléber, D'Alessandro e Taison, o Corinthians não só vendeu três de seus titulares como ainda não terá o goleiro Felipe, Alessandro, William, Diego, Edu, Boquita e Ronaldo, além de Souza.

Ou seja, ao Inter só resta vencer e, com um pouco mais força, até golear.

Como ao São Paulo, que recebe o desmoralizado Fluminense no Morumbi com expectativa de grande público.

O tricolor paulista deve alcançar sua sétima vitória seguida na noite da volta de Rogério Ceni, do zagueiro Rodrigo e de Dagoberto.

Miranda e Renato Silva, suspensos, estão fora e Richarlyson será o terceiro zagueiro.

Jogo duro mesmo deverá ser o do Couto Pereira, onde o Coritiba precisa provar que está em recuperação diante do líder Palmeiras.

Que não vence há três jogos, não derrota o time coxa há 20 anos em sua casa em Brasileirões e não terá nem Marcos, nem Edmílson, nem Wendel e nem Diego Souza, seu melhor jogador de linha.

Jogo com cara de empate, ou seja, com cara de um resultado ruim para os dois.

Por Juca Kfouri às 22h23

Cruz no ar!

O Blog do José Cruz já está no ar.

http://blogdocruz.blog.uol.com.br

Por Juca Kfouri às 12h21

O terrível dia de uma campeã incomparável

Yelena Isinbayeva está para o salto com vara assim como Usain Bolt está para as provas de velocidade.

Aos 26 anos e detentora do recorde mundial com a incrível marca de 5,05m, primeira mulher a ultrapassar a marca dos 5 metros, 26 vezes recordista mundial, bicampeã mundial e olímpica, Isinbayeva tem um dia ruim ontem, em Berlim.

Um dia péssimo, na verdade. 

Ficou em último lugar no Campeonato Mundial de Atletismo, desperdiçando a chance do tricampeonato ao não conseguir saltar nem 4,75m, marca que valeu o título a polonesa Anna Rogowska.

Trinta centímetros menos que o recorde mundial da russa Isinbayeva.

Ela mesmo, em prantos, não foi capaz de explicar o que houve, embora tenha dito que jamais se esquecerá da derrota e que talvez deva voltar a se concentrar mais no esporte do que em sua vida particular.

O dia 17 de agosto de 2009 ficará marcado na história como a data em que a maior saltadora com vara de todos os tempos comportou-se como uma simples mortal.

Como quando Pelé perdeu na Copa do Mundo de 1966, depois de ter vencido em 1958 e 1962.

Lembremos, apenas, que Pelé voltou a ganhar em 1970.

Assim será também com a fabulosa Yelena Isinbayeva.

 

Por Juca Kfouri às 01h09

17/08/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 20h36

A grande estréia de amanhã

Senhoras e senhores, meninas e meninos:

é com grande alegria e honra que este blog anuncia a novidade que estará aqui no UOL a partir de amanhã;

o Blog do José Cruz, um dos mais sérios, brilhantes e competentes repórteres esportivos do país.

A notícia é mesmo ótima, embora se saiba que nem o COB, nem a CBF, nem o ministério do Esporte gostarão de saber, aliviados que andavam desde que ele saiu do "Correio Braziliense", nem bem faz um mês .

Por Juca Kfouri às 17h07

O 'sucesso' do Barueri

Como se sabe, o prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB) é muito religioso, fato aqui demonstrado na semana passada.

Mas não é, no entanto, tão cuidadoso com o dinheiro público, como se poderia desejar de alma tão pretensamente imaculada.

Basta dizer que o Tribunal de Contas de São Paulo condenou-o a devolver aos cofres públicos nada menos do que R$ 15.535.062,32, dinheiro que ele empregou no time de futebol do Grêmio Barueri, em 2006.

Não surpreende, portanto, o "sucesso" da equipe, embora o episódio tenha merecido a seguinte observação do TCE: "A (anotação) mais grave, sequer negada pela beneficiária, refere-se ao desvio de finalidade do recurso público para custear despesas com equipes de futebol profissional (...)".

E segue: "A Egrégia Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (...) decidiu julgar irregulares os repasses da Prefeitura Municipal de Barueri ao Grêmio Recreativo Barueri -- GRB, no exercício de 2006, e a comprovação de despesas, condenando os Responsáveis (Rubens Furlan, prefeito, e Walter Jorquera Sanchez, presidente do clube) ao ressarcimento do erário e suspensão de novos recebimentos pela beneficiária até que seja regularizada sua situação perante este Tribunal".

Por Juca Kfouri às 12h35

Usain Bolt

Se eu tivesse palavras, daria bom dia nesta segunda-feira falando de mais uma façanha de Usain Bolt.

Como não tenho, nem sequer bom dia darei.

Limitar-me-ei a dizer Usain Bolt.

Porque nada mais é preciso dizer.

Por Juca Kfouri às 00h17

16/08/2009

O turno que acabou sem acabar

Fazia tempo que não tínhamos uma rodada com 10 jogos.

A 19a. que deveria ser a última do primeiro turno do Brasileirão, enfim, teve.

Mas não foi a última.

Porque o Inter ainda tem dois jogos a disputar, contra Santos e Galo, que, é claro têm um cada um.

Além de Cruzeiro e Botafogo que também vão se enfrentar.

Com uma vitória e um empate, o Inter ganha o turno e leva o Troféu Osmar Santos.

Mas a rodada do fim de semana teve 29 gols, faltou só um para a exata média de três gols por jogo.

A média de público ficou na casa dos 15 mil pagantes por partida.

Santo André mais uma vez teve o pior público, com menos de 3 mil torcedores no estádio.

Menos mal que o time já anda pela ZR e tomara que caia.

Os maiores públicos foram os do Palestra Itália, no sábado, e da Ilha do Retiro, no domingo, com 24 mil torcedores.

Gente que saiu frustrada dos dois estádios, com o empate do Palmeiras e a derrota do Sport.

O São Paulo ganhou sua sexta partida seguida, igualando a série do Goiás.

O Avaí está há nove jogos sem perder e o Sport está a nove jogo sem vencer.

O Corinthians quebrou uma série de cinco jogos sem ganhar e Vanderlei Luxemburgo segue invicto diante do Cruzeiro desde que de lá saiu, em 2004, com seis vitórias e três empates em nove jogos.

O Grêmio fechou o turno invicto em casa, como o Palmeiras, o São Paulo e, até aqui, o Inter.

Mas, também, sem nenhuma vitória fora de casa, como os lanternas Fluminense e Sport.

Por Juca Kfouri às 21h22

Zero no Mineirão, Baier na Arena

O Cruzeiro tomou conta do primeiro tempo, no Mineirão, mas a grande chance de gol foi do Santos, com Kléber Pereira, que obrigou o goleiro Fábio a fazer um milagre.

O Cruzeiro tomou um baile no começo do segundo tempo, Kléber Pereira teve nova chance, Fábio a impediu de novo, mas, aí, quem fez milagre mesmo foi o goleiro Felipe, duas vezes, em chutes de Jonathan e Wellington Paulista.

Ali pela metade, o time celeste equilibrou as coisas, mas Paulo Henrique infernizava a defesa mineira, sempre capaz de achar Madson ou Kléber Pereira bem colocados.

Madson que saiu aos 26 para entrada de Neymar (que, desta vez, foi mal), depois que Gilberto saiu para a entrada de Soares.

Adilson Batista e Vanderlei Luxemburgo queriam a vitória.

Tanto que Germano também saiu e Robson entrou, aos 31, depois que Jonathan saiu e entrou o zagueiro Gil.

Aos 32, de cabeça, Soares tirou lasca da trave santista e o 0 a 0 era profundamente injusto com o jogo que merecia, ao menos, estar 2 a 2.

Mas terminou mesmo sem gol, único empate do domingo, único 0 a 0 na rodada, apesar de o Cruzeiro ter terminado o jogo melhor que o Santos. 

Enquanto isso, na Arena da Baixada, noite de Paulo Baier.

Aos 20 minutos de jogo, de carrinho, ele fez Atlético Paranaense 1, Grêmio Barueri 0.

Aos 35, de falta, e que falta!, fez 2 a 0.

Aos 11 do segundo tempo, por cobertura, ele fez mais um, embora anulado por impedimento.

E, no minuto seguinte, foi derrubado pelo goleiro Renê, que acabou expulso, permitindo que Marcinho batesse o pênalti e marcasse 3 a 0.

Quatro vitórias seguidas do Furacão!

ZR, o que é isso? 

Por Juca Kfouri às 20h23

Goiás!!!!!! São Paulo!!!! Grêmio!!! Coritiba!! Corinthians!

É muito jogo ao mesmo tempo na tarde de domingo.

A coluna da "Folha de S.Paulo", às segundas-feiras, obriga o blogueiro a ver os jogos de paulistas.

E o time do blogueiro faz com que ele dê mais atenção ao dito cujo, no blog que, lembremos, é um diário de alguém, no caso, de um jornalista, mas sem as mesmas obrigações de um jornal, revista, programa de rádio ou de TV.

E o Corinthians, enfim, depois de cinco rodadas, ganhou.

Sem maiores dificuldades, diga-se, porque foi melhor durante todo o jogo diante de um Galo desfigurado por desfalques e sem o menor entrosamento.

Verdade que a primeira grande chance de gol foi o Galo, com Tardelli, logo aos 4 minutos, quando Edu, que depois saiu machucado, cortou na linha fatal.

Mas Dentinho fez 1 a 0 ainda no primeiro tempo e Boquita fez 2 a 0 no começo do segundo, depois que até o goleiro Bruno o Galo teve de trocar.

Em seguida o alvinegro mineiro teve um jogador expulso e o jogo acabou com o Galo fora do G4, mas com um jogo a menos, e o Corinthians com 28 pontos, um a menos do que a metade dos 57 pontos que disputou em 19 jogos do turno.

No Recife, o São Paulo foi melhor no primeiro tempo e saiu na frente, com Washington depois de receber um presentaço de Borges, aos 24.

Como era de se esperar, o Sport veio com tudo no segundo tempo e passou a pressionar muito.

Aí, Miranda foi expulso corretamente, aos 24, a pressão aumentou, mas foi o São Paulo, aos 35, que mandou uma bola na trave, com Washington.

Wilson, do Sport, simulou um pênalti e foi bem expulso mas, em seguida, Renato, do tricolor, também foi: sem zaga, o São Paulo tomou o empate, gol do ex-tricolor Fabiano.

A pressão aumentou: o Sport achou que poderia encerrar uma longa série de oito jogos sem vencer.

Bobagem: Moacir foi desarmado por Júnior César, que atravessou o campo até cruzar para Hugo fazer o gol da vitória, em lance espetacular, daqueles que trazem a marca dos campeões, tetracampeões, heptacampeões: 2 a 1.

Por falar em não vencer, o Fluminense não venceu, ao contrário, perdeu para o Coritiba, no Maracanã, por 3 a 1, gols de Marcelinho Paraíba, aos 11 e aos 14, um em cada tempo, e de Kieza, que diminuiu, aos 31.

Marcos Aurélio, no entanto, fez 3 a 1.

No Olímpico, goleada: 4 a 1 para o Grêmio contra o Flamengo, depois de um empate 1 a 1(Perea e Everton) no primeiro tempo, quando o rubro-negro até poderia ter vencido.

No segundo tempo, Bruno comeu um frango depois de lindo lance de Réver, houve mais dois pênaltis e Jonas converteu ambos.

No Serra Dourada, sofrimento: o Goiás saiu na frente, fez 2 a 0, o Vitória buscou o empate, mas levou o terceiro gol, no fim, de Júlio César.

Parecia fácil para o donos da casa, que fizeram 1 a 0 com Felipe Menezes, aos 25, e ampliaram com Fernando, aos 30.

Mas, numa falha, permitiram que o Vitória descontasse aos 32, com Leandro Domingues, e empatasse, no segundo tempo, aos 13, com Nelo Berola, quando o Goiás já estava com apenas 10 jogadores desde o fim do primeiro tempo.

Fato é que o time esmeraldino é o vice-líder do Brasileirão.

Por Juca Kfouri às 18h03

Racha no Corinthians!

O Pacaembu é palco de um protesto hoje no jogo entre Corinthians e Galo.

 

Um grupo de corintianos, indignados com a filiação do presidente do clube ao PT, usará camisetas e distribuirá panfletos denunciando o uso do Corinthians para finalidades partidárias. 

 

Quem lidera o protesto é o advogado Eduardo Carnelós, um ex-petista de carteirinha e ex-integrante do grupo "Corintianos Obsessivos", intimamente ligado ao vice-presidente jurídico do clube, o advogado Sérgio Alvarenga. 

 

Trata-se do primeiro racha importante entre as forças que apoiaram a eleição de Andres Sanchez. 

 

As camisetas trarão, na frente, os dizeres "CORINTHIANS E PT: NADA A VER!!!" e nas costas "PATIFARIA, AQUI NÃO!!!". 

 

No último dia 8, Sanchez refiliou-se ao PT e foi objeto do seguinte comentário no twitter do senador petista por São Paulo, Aloisio Mercadante:  

 

"Neste sábado, o PT de SP fez um grande ato político, c/ + de 4 mil militantes, para receber, com entusiasmo e esperança, a companheira Dilma.

Neste ato foi feita a filiação do pres. do Corinthians, Andrés Sanchez, e eu o cumprimentei dizendo que era o cumprimento de um santista.

E ele falou: "eu sei que é o cumprimento de um santista, mas acima de tudo somos petistas".6:53 PM Aug 8th 

 

Ou seja, Sanchez se diz mais petista que corintiano, coisa que nem o presidente Lula, provavelmente, teria coragem de dizer...

Por Juca Kfouri às 12h28

Na 'Folha' de hoje

JUCA KFOURI

A última rodada


O Palmeiras bobeou, o Inter fez sua parte, e o Galo corre riscos hoje entre os times que estão no G4


GALO E PALMEIRAS mostraram suas garras na quarta-feira passada no Mineirão.

O alvinegro mineiro, mesmo sem seu artilheiro, provou que tem fôlego.

E o alviverde paulista mostrou, então, marca de campeão.

O empate em 1 a 1 não chegou a ser injusto, mas mais justo teria sido a vitória dos visitantes, mesmo que se considere o pênalti desperdiçado pelos anfitriões.

Anfitriões que visitam o Pacaembu neste domingo.

Visita indigesta, sem dúvida, principalmente porque o Corinthians que a recebe anda esfacelado.

O azar do vice-líder, no entanto, está exatamente na necessidade de o alvinegro paulista precisar interromper uma série cinco jogos sem vitória, situação que pode descambar se novo tropeço vier.

Por mais que o Atlético vá ter Diego Tardelli de volta depois da falta que fez no apinhado Mineirão, e por mais que o contra-ataque seja uma das melhores armas do também desfalcado time de Celso Roth, o Corinthians vive literalmente um momento de ou dá ou desce, verbo que o Parque São Jorge aprendeu a ter pavor de conjugar em 2007.

Daí alguma coisa dizer à alma, mais do que ao coração, do colunista, que o Corinthians vencerá.

Para alegria do Palmeiras, que, ontem, bobeou ao empatar com o Botafogo e viu o Inter passar por cima do velho time do Santo André, 2 a 0.

Sobra o Goiás, que terá o Vitória pela frente no Serra Dourada, obstáculo que deverá ultrapassar sem maiores dramas, embora seja verdade que não existam facilidades neste Brasileirão-2009.

Resta, ainda, o São Paulo.

Que irá à Ilha do Retiro encarar o traumatizado e dividido Sport, com a obrigação de vencer.

Vencer para, quem sabe, ocupar o lugar do Galo no G4 e dele não mais sair em sua perseguição ao Palmeiras, que mostra a personalidade carrancuda do técnico, Muricy Ramalho, por sinal muito estranho vestido de verde, inútil disfarçar.

Claro que tudo o que se prevê aqui para este domingo pode ser desmoralizado, como o Botafogo desmoralizou o favoritismo do Palmeiras em Palestra Itália com o 1 a 1 que tornou bem mais difícil a conquista do turno pelo alviverde.

E não foi a primeira vez.

Afinal, no ano passado, também numa última rodada, mas do returno, e no mesmo Palestra Itália, o Botafogo tirou a vaga do Palmeiras na Libertadores e o obrigou a disputá-la na pré-Libertadores.

Sem se dizer que é óbvio que o Galo tem todas as condições para vencer o Corinthians.

Aliás, diga-se mais: o Galo tem na derradeira rodada do turno a prova final para demonstrar que não é apenas candidato ao G4, algo que já não se previa antes de o Brasileirão começar.

Mas tem o teste que poderá fazer dele candidato real ao bicampeonato brasileiro.

E diante do adversário ideal.

Porque, se o Corinthians tem a força que tem em torno de si, está num momento de enorme fragilidade.

E previsões foram feitas para ser desmentidas.

Até amanhã.

Torcida fácil
Na briga da IURD contra a Globo é fácil ficar com a Globo.

E é incrível como o dinheiro leva pessoas antes do bem a manchar suas biografias.

Por Juca Kfouri às 11h45

Do 'Blog do Joca'

Richarlyson: mais que um homem, um exemplo

Por JOAQUIM LO PRETE PORCIUNCULA*

 

Ontem eu estava reclamando com meu pai da escola, dizendo que ela enchia o meu saco, que me sentia deprimido com a "má fase" dos últimos tempos.

Na lata, antes de desligar o telefone, ele me respondeu: "Tá triste? Pensa no Richarlyson."

Em um ato incomum nos últimos tempos, obedeci-o.

E senti dificuldades em dormir. Porque fiquei pensando. E por bastante tempo.

Confesso que caiu uma lágrima quando eu me lembrei do jogo entre São Paulo x Goiás, no ano passado, quando na comemoração pelo título, ao invés de gritarem o nome de Ricky (como gritaram o de seus 23 companheiros), entoaram um imbecil "Bicha! Bicha!"

Imagino como deve ser para ele ver a torcida Independente (depois falo dessas antas) gritando o nome do Sérgio Motta (com todo o respeito) e não o dele.

Um cara que deu a vida pelo São Paulo em 2006, 2007 e 2008.

Que para mim, mais que Thiago Neves e que Hernanes, foi o melhor jogador do Brasileiro em 2007.

O cara é xingado no domingo, e treina na segunda.

Dando o máximo de si.

É o mais simpático possível com os companheiros.

Não deixou de me cumprimentar em todas as vezes em que visitei o CCT do São Paulo.

Antes de eu ir lhe pedir autógrafo. Mais gente fina impossível. Humilde.

Eu não sei se Richarlyson é homossexual.

Também não quero saber.

Mas sei que ele é um exemplo.

Um exemplo para todos que se sentirem mal em momentos difíceis. Pense em como é viver um momento difícil, tendo todos contra você durante mais de três anos seguidos. Sei que, desde os tempos do Aloísio, não vejo um cara tão gente boa no elenco do São Paulo. E olha que tem muita gente boa ali.

Não sei se os atos que ele faz são homossexuais. Não quero saber, afinal saber para quê? Se eu descobrir que ele é um homo que pega 20 na parada gay ou que ele é o cara mais macho do mundo, vou continuar tratando ele da mesma forma. Por tudo o que ele passou, pelo que ele passa, e pelo que ele passará.

As torcidas brasileiras são em tese muito escrotas.

A Independente é uma das que passa muito da linha.

Consegue se rebaixar a um nível de imbecilidade e cultural tremendo, em um passe de mágica.

Nada de bom sai dela.

Músicas sem graça e racistas (quem não se lembra da que tem preconceito contra favelados?), atitudes impensadas (rezo para que, pois, se forem pensadas, aí chegarei a conclusão que eles têm um QI de formiga), preconceitos expostos e tudo que tem de ruim.

Eu não sei se ele é gay, mas tenho guardado e enquadrado um trecho de uma entrevista de Muricy Ramalho para a revista Trivela em dezembro de 2006:

"Os caras adoram ele aqui dentro. Ele é alegre pra cacete, está toda hora pronto para tudo, nunca reclama de nada, é sempre um dos primeiros a chegar. É determinado e responsável: faz faculdade à noite, quando tem concentração eu libero ele para ir na aula. Ele sabe muito bem o que quer, por isso saiu desta situação. E ele brigou com coisa feia. Eu sei com o que ele brigou, e foi fodido. A palavra é essa. Foi um puta homem. Por isso é que ele superou essa situação".

Concordo com tudo o que Muricy disse. Os imbecis da Independente não têm mente para isso, mas espero que vocês tenham.

FORÇA, RICHARLYSON! INDEPENDENTE QUE SE EMENDE! FORÇA, RICHARLYSON!

http://jocafuteblog.blogspot.com/2009/08/richarlyson-mais-que-um-homem-um.html

*Joaquim Lo Prete Porciuncula tem 13 anos, tem um blog (endereço acima) e vai longe

Por Juca Kfouri às 11h36

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico