Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

05/12/2009

Chuva de gols no Mineirão encharcado

O Corinthians chutou uma bola na trave com Defederico, fez dois gols com Souza, o primeiro um golaço, o segundo de pênalti, em Defederico, e ainda viu o goleiro Júlio César pegar um pênalti muito mal batido por Diego Tardelli.

No Mineirão encharcado, ainda um houve um pênalti em Souza cometido por Carlini que o árbitro Vagner Tardelli não assinalou, talvez em homenagem ao atleta do Galo, seu xará de sobrenome, que perdeu a chance no primeiro tempo de assumir sozinho a artilharia do Brasileirão.

Menos mal que o apitador hoje se despediu do apito que nunca foi muito seu amigo.

No segundo tempo o Galo cansou de perder gols, numa falta de pontaria que nem o aguaceiro justifica.

E Bill, no fim do jogo, ainda fez 3 a 0, com requintes de crueldade.

Depois de três jogos com derrotas, o Corinthians se despede com vitória, mas com uma campanha abaixo da crítica.

O Galo se despediu com a quinta derrota consecutiva e com apenas 5.769 torcedores no estádio, além de ter ficado atrás do caçula Avaí, que ganhou do Náutico, nos Aflitos(2.830 pagantes), por 1 a 0.

Por Juca Kfouri às 21h25

Santos se livra de dois estorvos

Tumulto na Vila com vitória parcial da oposição interrompe apuração de votos

 

Fernando Prandi
Do UOL , em Santos

Cinco urnas apuradas, e a chapa do oposicionista Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro ganhava com tranquilidade as eleições no Santos, com 1124 votos contra 652. O cenário provocou a fúria de simpatizantes do atual presidente Marcelo Teixeira, que partiram para cima e iniciaram um tumulto generalizado.

Por isso, a contagem dos votos foi interrompida. Um gás de pimenta foi exalado e pessoas se sentiram mal, entre elas a irmã de Teixeira.

A confusão teria começado no meio das torcidas organizadas, que apóiam o atual mandatário, no poder desde 2000. Depois, seguiu para o palco do Salão de Mármore da Vila, onde acontece a apuração.

Um membro da oposição e outro da situação utilizaram o microfone para pedir calma aos manifestantes. Policiais chegaram para acalmar a situação e tentar dar sequência ao pleito.

Nota do blog: Custa crer que o já quase ex-presidente do Santos seja de uma família que tem uma universidade, e das grandes, em Santos.

Ele mais parece de uma família de...deixa pra lá.

Fato é que com uma eleição só o Santos se livra de um cartola desqualificado e de um ex-técnico em atividade.

Agora será cobrar do novo presidente tudo o que ele prometeu, dando-lhe o tempo necessário para botar a casa em ordem.

Atualização (20h57): Os votos da oposição já são suficientes para garantir a vitória de Luís Álvaro Ribeiro.

Que ele seja muito feliz e devolva ao Santos o lugar que o clube merece, mais conhecido clube brasileiro no mundo.

Resultado final: Luis Álvaro 1882 (62,5%), Marcelo Teixeira 1129 (37,5%).

Uma lavada!

Por Juca Kfouri às 20h30

Apenas o Sobrenatural de Almeida

Contra um time de meninos, o Flamengo só corre o risco de ser mais uma vítima do imponderável do futebol no jogo de amanhã contra o Grêmio.

Mas, talvez, corra mais risco do que o Cruzeiro contra o time titular do Santos.

Porque os meninos, às vezes, são mais perigosos que os experientes, cobras criadas, craques na dissimulação.

Ou não foi o que se viu quando o Flamengo enfrentou o Corinthians?

Repita-se: o Flamengo não tem nada com isso e o Grêmio só ganhou um jogo fora de casa neste Brasileirão, assim como a campanha do Corinthians, mesmo no Pacaembu, foi um fiasco.

Se juntar, aliás, o melhor do Grêmio com o melhor do Corinthians, der o nome de Mosqueteiros FC e puser para jogar amanhã no Maracanã, o Flamengo seguirá favorito absoluto.

Há que lembrar, no entanto, que o lema dos Mosqueteiros de Alexandre Dumas era "Um por todos, todos por um", ao passo que para corintianos e gremistas o que vale apenas é o próprio umbigo.

Por Juca Kfouri às 14h07

04/12/2009

Simplesmente ridículo

Para protestar porque a Globo também trata o Flamengo como virtual hexacampeão brasileiro, ex-cartola do Sport manda carta ao pai de Roberto Marinho, Irineu Marinho, ambos já falecidos.

O segundo em 1925!

Veja:

Ao Sr. IRINEU MARINHO – REDE GLOBO

Trinta e dois clubes disputaram o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1987, divididos em duas chaves, denominadas módulos verde e amarelo.

À revelia do regulamento da competição e das resoluções da CBF, a sua Rede Globo e alguns clubes do Sul e Sudeste "decidiram" que o vencedor do módulo verde seria o campeão brasileiro. Massificaram essa mentira com o objetivo torpe de obter vantagens, causando, dessa forma, imenso prejuízo financeiro e sobretudo moral ao SPORT e a outros clubes brasileiros.

A questão foi levada a todas as instâncias da justiça brasileira, culminando com sentença definitiva do STJ, que proclamou o SPORT, irrefutavelmente e definitivamente, Campeão Brasileiro de 1987. Isso tem força de lei.

Ao longo dessa semana, a Globo tem divulgado que o Flamengo, caso vença o campeonato desse ano, será hexacampeão. Isso equivale a dizer que o Sport não foi o campeão de 1987. Assim, a sua emissora deturpa a verdade, afronta a lei, desrespeita os quatro milhões de torcedores do Sport e alimenta a impressão de que a Globo seria anti-nordestina.

Como essa postura desrespeitosa diante do povo brasileiro, da CBF, da FIFA, da mais Alta Corte de Justiça Brasileira,e,sobretudo, do SPORT vem se perpetuando ao longo dos últimos 22 anos, ignorando os nossos protestos, finalizo advertindo a Rede Globo de Televisão de que, doravante, não exitaremos (sic) em incentivar atos públicos ou tomar todas as medidas judiciais contra essa infame campanha.

Já basta, Sr. Marinho . Sinta-se interpelado.

Homero Lacerda

Ex- Presidente e Membro Nato do Conselho do Sport Club do Recife.

Por Juca Kfouri às 22h40

Que este hexa seja seu, Cláudio!

Por PAULO LIMA*

Queria muito ter conhecido o Cláudio. Boa-praça, sujeito que falava com todo mundo.

Rubro-negro, como eu; não só de arquibancada, mas de resenha, muita resenha.

É o que a família, à qual me agreguei faz pouco tempo, sempre me relata. E, com dor no coração, lamento não ter partilhado de sua amizade.

Como muitos jovens no Rio de Janeiro, Cláudio foi vítima fatal da violência.

Mas o que abreviou sua alegria não foi uma bala perdida ou achada, uma briga ou um acidente de trânsito, ou drogas. Tratava-se de um rapaz de 18 anos, íntegro, bem-relacionado, cabeça-feita e sem vícios.

Seu único vício era o Clube de Regatas do Flamengo.

Cláudio José da Rocha Cardia deu entrada no hospital em 19 de julho de 1992.

Em coma, veio a falecer alguns dias depois.

Foi, portanto, uma das três vidas descartadas após o trágico episódio do segundo jogo contra o Botafogo.

Enquanto as atuais lembranças da data, positivas, giram exclusivamente em torno da última conquista rubro-negra no Brasileiro, nem um minuto sequer de reflexão é consagrado ao que se passou naquele dia de Maracanã.

E sobre o que existiu de evolução (?) sobre o tratamento ao torcedor em dezessete anos.

Cláudio era um arquibaldo assíduo.

Marcara presença em praticamente todos os jogos na campanha do penta.

Acordou naquele domingo, vejam só, sem qualquer disposição para assistir ao grande jogo.

Era sua primeira chance de ver uma decisão nacional do Flamengo, in loco.

As históricas e imensas filas dos dias anteriores não o animaram daquela vez.

Mas, horas antes do jogo, um amigo apareceu em sua casa com um par de ingressos, fazendo-o levantar da cama – sem muita animação, diga-se.

Sabia que tinha de cumprir um dever cívico rubro-negro. Deixou seu violão em cima da cama e nunca mais voltou para casa.

Morreu pelo Flamengo.

Desolada com o trágico acidente a família sequer levou à frente uma tentativa de reparação financeira por parte da Suderj.

Perfeitamente justo, a dor não se compra.

Nem mesmo ânimo houve para brigar por justiça e condenar os responsáveis pelo crime. Igualmente compreensível, o sofrimento suplanta a revolta.

Dezessete anos depois, fala-se no jejum rubro-negro de títulos brasileiros.

De fato, Cláudio não perdeu muita coisa. Pudesse estar vivo hoje, teria presenciado parcos títulos estaduais, uma Copa Mercosul (?), um centenário fracassado e uma Copa do Brasil. Nada tão espantoso, haja vista as sucessivas más administrações rubro-negras do período, que resultaram nesta ausência de grandes conquistas.

Espantoso mesmo é que, tivesse sobrevivido e acordado do coma somente nesta semana anterior ao jogo, se depararia, ao pisar novamente no Maracanã, com as mesmas dificuldades de comprar ingresso, com uma evolução nada cristalina no atendimento ao torcedor, com riscos não tão menores de acidentes e incidentes dentro e fora do estádio. A exemplo de 1992, nunca há culpados ou punidos.

Ficaria ainda mais abismado ao tomar conhecimento de que a "arena" em questão é a da final da Copa do Mundo de 2014 e a da abertura/encerramento das Olimpíadas de 2016. Eventos num horizonte correspondente à metade do tempo desde jejum rubro-negro.

Dezessete anos após uma era tão vergonhosa para a história política do Brasil, nosso jejum esportivo (o do Flamengo) e moral (o do Brasil) ainda assusta. Da mesma forma que os responsáveis pela morte de Cláudio nunca foram indiciados, governantes de todos os escalões e em todo o país ainda corrompem e são premiados pela impunidade, com a mesma facilidade.

Cláudio não pôde ver o penta. Mas, neste domingo, estará em nossos corações, ao menos no meu e no de sua família, em um jogo que pode tirar o Flamengo do ostracismo nacional, depois de tantos anos de espera. Anos que infelizmente não serviram para, ainda que sob o sacrifício de sua morte e de tantos outros, mudar radicalmente o Brasil.

Que o hexa seja seu, Cláudio. E que, desta vez, o título rubro-negro acompanhe alguma esperança por dias melhores.

 

*Paulo Lima é rubro-negro, jornalista e servidor público, atualmente lotado na Missão do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York. É marido da prima-irmã de Cláudio.

 

Por Juca Kfouri às 17h58

Ficou de bom tamanho

O Grupo G do Brasil não é nem fácil nem difícil.

Para o Brasil, é claro.

Porque é impossível para a Coreia do Norte.

É dificílimo para Portugal, de Cristiano Ronaldo.

E Costa do Marfim, de Drogba, que se cuide.

O time de Dunga treinará contra os asiáticos, terá de jogar para valer contra os africanos e decidirá a vida dos europeus.

Por Juca Kfouri às 16h56

O que corre no Rio Grande-2

Por Juca Kfouri às 15h00

O que corre no Rio Grande

Por Juca Kfouri às 09h58

A última rodada de um campeonato sem igual

Nunca houve no Brasil um campeonato assim tão disputado.

Nada menos do que quatro times podem ser campeões na última rodada, por mais que o Flamengo esteja com a faixa e a taça nas maõs e as chances do Inter sejam maiores que as do Palmeiras e do São Paulo.

Este blog aposta no hexacampeonato do Mengo e no vice-campeonato colorado, ficando o terceiro lugar para o São Paulo e o quarto para o Palestra, não se sabe se o de São Paulo ou de Minas Gerais.

Na luta para fugir do rebaixamento a aposta do blog favorece o Fluminense, embora  o blog não tenha coragem de apontar se quem cairá será o Coritiba ou o Botafogo.

No domingo à noite será mais fácil tratar de tudo isso.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 4 de dezembro de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

 

 

Por Juca Kfouri às 03h07

03/12/2009

Altamente recomendável!

Por Juca Kfouri às 17h07

Pela honra do futebol

Trecho de minha coluna de hoje, na "Folha de S.Paulo".

APOIADA PELA maioria dos torcedores, segundo apontam as pesquisas científicas e as sondagens não científicas, além da presença do torcedor nos estádios como não acontecia desde 1987, eis que a fórmula dos pontos corridos está na berlinda por supostamente favorecer a malandragem nas derradeiras rodadas, quando rivais tradicionais não se interessam pelas vitórias para não ajudar o outro.

O comportamento, de fato, é lamentável sob todos os aspectos.

E difícil de ser evitado num país de pouca cultura futebolística, de nenhum respeito pela liturgia do jogo e no qual a única regra que parece existir é a de levar vantagem em tudo, haja vista que temos mensalões democraticamente distribuídos por todos, repita-se, todos, os maiores partidos políticos do país.

Por aqui, dá-se o nome de pragmatismo à recepção de fanático que nega o Holocausto -e gente de respeito se perde ao botar lenha na fogueira da violência ou ao denunciar brincadeira de péssimo gosto de candidato que virou presidente como se fosse coisa séria.

Para não falar de candidatos potenciais que agridem mulheres e fica tudo por isso mesmo.

Isto é o Brasil.

E por que seria diferente no futebol?

Claro que o argumento dos que imaginam que só os pontos corridos favorecem malas brancas e corpos moles não se sustenta.

Porque a mala branca aparece também quando um clube precisa do resultado de um terceiro para ficar entre os classificados para os mata-matas.

E, do mesmo modo, nada impede que um Grêmio, se não tiver mais chance de ficar entre os finalistas, faça corpo mole diante de um Vasco, caso uma vitória sobre o adversário classifique o Inter.

A coluna inteira, só para assinantes do jornal ou do UOL está em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0312200916.htm

Por Juca Kfouri às 12h50

Novo patrocinador do CBN EC

É com imenso orgulho que apresentamos mais um patrocinador do CBN EC, que já tinha os seguintes merchans:

Chá de Cadeira, esperando a queda do Ricardo Teixeira;

Vinho de açaí, esperando o Carlos Nuzman cair;

Cerveja Como, você veja como tem canastrão fazendo merchan na televisão.

O novo anunciante é o Panetone Arruda.

Panetones Arruda, enquanto eles fazem a festa, o Brasil não muda!

Por Juca Kfouri às 01h04

02/12/2009

Deu! Mas não deu...

O Maracanã, mais uma vez, estava simplesmente maravilhoso, num espetáculo grená, branco e verde que Steven Spielberg assinaria orgulhoso, se soubesse fazer algo igual.

Mais de 65 mil pagantes, quase 70 mil presentes.

Tirante uma tentativa burra e desonesta de atrapalhar os adversários com raios lasers, tudo o mais beirava a perfeição.

E o Maracanã tricolor merecia ver o que viu no primeiro tempo: Flu 2, LDU 0.

Flu que correu o risco de perder Gum com 20 segundos de jogo.

Só não perdeu porque, embora ele merecesse o cartão vermelho pela falta que fez no carrasco do jogo de Quito, Mendéz, o árbitro achou que era muito cedo para atitude tão radical.

Sem atitude rigorosa do árbitro e sem altitude desumana de Quito, Diguinho logo fez 1 a 0, em chute de longe que desviou na zaga, aos 14.

Três minutos depois, foi como se o Maracanã estivesse para o Flu assim como os 2850 metros de Quito estiveram para a LDU.

O time equatoriano ficou com 10 jogadores pois De La Cruz foi tão violento com Diguinho como Gum tinha sido com Mendéz.

Mas já não era mais começo de jogo.

Se com 11 contra 11 só dava Flu, com 11 contra 10 virou uma farra.

Aos 40, da marca do pênalti, um pecado: Fred gira mas não consegue fazer o segundo gol que seria tão fundamental antes do intervalo.

Bem colocado o goleiro evitou o gol.

Três minutos depois, no entanto, Alan passou com precisão para Fred esperar a saída do goleiro e tocar friamente no canto: 2 a 0.

O Flu poderia descer para o vestiário com a metade do desafio já vencido.

Mas nem desceu, para continuar ligado na energia que vinha das arquibancadas ensandecidas do Estádio Mário Filho, que era rubro-negro, mas era, também, irmão de Nelson Rodrigues, sinônimo de Fluminense.

Nelson Rodrigues, ao lado de Gravatinha, via o jogo sentadinho na marquise do Maracanã.

E o segundo tempo ainda não tinha cinco minutos mas já vira três chances de gol, duas brasileiras, uma, a primeira do jogo, equatoriana.

Aos 12, Conca que, muito marcado, não era o de sempre, deu para Rui que acabara de entrar no lugar de Adeílson e a bola, reboteada nele, bateu na trave da LDU.

Aos 20 minutos já havia um certo clima de desassossego no Maraca.

A vitória era boa, mas não já não era tão boa, porque tinha dado a esperança devida e, afinal, 11 contra 10, tinha de dar. 

Aos 22, Cuca tirou Diogo e pôs o garoto Raphael Augusto.

Eram evidentes os sinais de desgaste do Flu.

Aos 26, o goleiro Dominguez evitou o terceiro gol ao botar para escanteio um arremate de Conca.

Mas, na cobrança do escanteio, Gum subiu para fazer 3 a 0.

Só faltava um.

Neeeeeeeeeeeeeeeeeense!Neeeeeeeeeeeeeeeeeense!Neeeeeeeeeeeeeeeeeense!

Era só o que se ouvia na Cidade Maravilhosa.

A goleada em que o blog acreditava estava feita.

Faltava fazer o que o blog não acreditava.

Não acreditava, no passado mesmo, porque passou a acreditar.

Passou a acreditar no 4 a 0 e, até, no 5 a 0.

Mas, aos 30, inexplicavelmente, Fred reclama acintosamente com o árbitro paraguaio Carlos Amarilla que lhe mostra o vermelho.

Daí em diante ficou mais fácil para a LDU cozinhar o jogo, na espera do apito final.

Aos 34, Reasco perdeu gol feito, ao tentar cobrir o goleiro Rafael, que evitou o primeiro gol do rival.

A expulsão do capitão, do artilheiro, do líder tricolor, foi como um balde de água gelada no caloroso Maracanã.

E a LDU conseguia ameaçar nos contra-ataques, com 10 contra 10.

Aos 36, no entanto, Campos também foi expulso e o Flu voltou a ter vantagem.

O estádio do irmão de Nelson Rodrigues voltou a pegar fogo.

Entra Maurício, sai, aos 42, Mariano.

O árbitro dá quatro minutos de acréscimos.

O goleiro Rafael vai para a área tentar cabecear.

Os equatorianos fazem cera.

Mas o placar não mais se alterou, embora o Flu merecesse.

Tudo bem.

Honra mais que salva.

Neeeeeeeeeeeeeeeeeense!Neeeeeeeeeeeeeeeeeense!Neeeeeeeeeeeeeeeeeense!

Agora, ao empate, ao menos, em Curitiba.

E o ano estará salvo.

Por Juca Kfouri às 23h09

O Orfeu das pranchetas

Por FABRÍCIO CARPINEJAR 

O Campeonato Brasileiro de 2009 escreve o derradeiro capítulo do livro "O Negro no Futebol Brasileiro", de Mário Filho, clássico de 1947 do irmão de Nelson Rodrigues.

O palco do épico curiosamente será o Maracanã neste domingo , no duelo entre Flamengo e Grêmio.

 No Maracanã, justo no estádio batizado de Mário Filho, o nome do escritor. Uma coincidência emocionante.

O protagonista é o mineiro Jorge Luís Andrade da Silva, o Andrade, ex-jogador do Mengo da geração vitoriosa dos anos 80, que formou uma das armações mais compactas e habilidosas do Brasil, ao lado de Zico e Adílio.

Andrade poderá ser o primeiro técnico negro campeão brasileiro.

Foram raros, foram poucos os que regeram a casamata do estádio.

Ele põe fim ao apartheid da última hierarquia do esporte. Até o exército foi mais justo antes.

Não há negros no comando dos nossos principais times.

 Existem preparadores físicos, assistentes, dirigentes.

Mas nunca existiu um negro mandando numa grande esquadra, organizando taticamente o elenco, dando a palavra final sobre a escalação.

 É como se ele pudesse chefiar com a bola nos pés, não fora do campo. Como se o negro fosse um operário, vetado como engenheiro, proibido como arquiteto das emoções das arquibancadas.

Como se relegasse ao negro o papel de ator, não permitindo seu desempenho como cineasta, barrando a função autoral e a inteligência operística.

Mesmo depois de Leônidas, Zizinho, Domingos da Guia, Didi, Garrincha e Pelé, o negro era um tabu como treinador dos maiores clubes.

E pensar que a mudança demorou a acontecer nas planilhas. Dentro de campo, estava resolvida na década de 50.

Segundo Mário Filho, o futebol passou por três grandes fases: 1900/1910 (elitização), 1910/1930 (exclusão de negros; Vasco é o primeiro time a adotá-los e lutar contra a discriminação) e 1930-1950 (ascensão social dos negros e liberdade racial).

Está caindo o último bastião do racismo no país. Acabaram as restrições.

Andrade é o Orfeu das pranchetas.

Realizou uma revolução no vestiário, uma revolução de abrigo, só comparável à grandeza heroica de um Pelé fardado.

 Desde 2004, espera sua chance de efetivação no Flamengo.

Já salvou o time da degola como interino, já foi suplente diante das demissões de Celso Roth, Joel Santana e Ricardo Gomes.

Durante cinco anos, engoliu sapos, recompôs diplomaticamente suas frustrações e expectativas, aceitou passivamente os interesses das bolsas de valores.

O folclore conta que Cuca o colocava para completar a barreira nos treinos, durante a cobrança de faltas.

Andrade é o principal personagem.

Não será Petkovic ou Adriano.

 É ele. Com seu temperamento discreto, abalou a onipotência dos supertécnicos como Luxemburgo e Muricy, mostrando que altos salários não significam sucesso.

É o gracioso urubu no meio das garças à beira do gramado.

Abre passagem a uma nova geração de estrategistas das categorias de base.

Indica que os responsáveis pela entressafra alcançam fartas colheitas.

Não briga com a imprensa, não grita mais do que o normal, não arma segredos de Estado, não se escandaliza com as críticas.

Difere do tom casmurro e embirrado de parte dos seus colegas e da histeria autoritária das estrelas de terno e gravata.

 Não é paranóico, não se vê perseguido e injustiçado nas coletivas.

Tem samba no sangue, uma alegria mansa, um amor antigo pelas redes.

É resolvido o suficiente para suportar qualquer pressão.

Escuta mais do que fala.

Porta-se com a audição de um juiz, longe da tradicional oratória e acusatória de um promotor.

Não é por acaso que faz acupuntura nos ouvidos.

Ao assumir o comando em julho, Andrade retirou o rubro-negro de baixo da tabela, conseguiu um aproveitamento de 72,5% nos derradeiros 17 jogos.

Mário Filho deve encontrar agora uma posição confortável no túmulo. Graças a Andrade, lavamos definitivamente o pó-de-arroz da pele.

http://rolocompressor.zip.net/ 

Por Juca Kfouri às 17h28

O Flu em nova missão impossível

Ao contrário do que fiz na quarta-feira passada, hoje vou ver o jogo do Flu contra a LDU.

E digo mais: digo até que acredito que o Flu possa golear a equipe equatoriana no Maracanã, embora não acredite que devolva os quatro gols de diferença de Quito ou fique com o título de campeão da Copa Sul-Americana.

Mas repito que morro de medo que o esforço desmedido pela Copa Sul-Americana possa custar caro demais em Curitiba, no domingo, e que o tricolor, time mais apaixonante da reta final do Brasileirão, mais até mesmo que este empolgante Flamengo virtual hexacampeão, acabe caindo para a segunda divisão.

Hipótese que menciono até para afastá-la.

E bato na madeira, mangalô três vezes!

Por Juca Kfouri às 01h01

01/12/2009

Sem limites

Você leu aqui que um conselheiro do Corinthians, filho de um de seus mais ilustres presidentes, Alfredo Ignacio Trindade, foi expulso do Conselho Deliberativo por faltar às reuniões sem justificar as ausências.

Você leu também que, por meio de outro conselheiro e seu amigo, ele as justificava, até com atestados médicos que revelavam a gravidade de sua doença.

Você leu, ainda, que o conselheiro expulso morreu, três meses atrás.

Pois, acredite ou não, chegou em sua casa a correspondência abaixo.

A malta que tomou conta do Corinthians passa de quaisquer limites:

Por Juca Kfouri às 18h21

Que chique! O blog agora tem twitter

O blog agora tem twitter!

Que se limita a reproduzir o título de cada nova nota.

Como, aliás, já faz um outro twitter, com meu nome, mas que não é meu, embora não me cause nenhum prejuízo e já tenha mais de 24 mil seguidores.

Mas não é meu, repito.

Este do blog, ao contrário, é meu, ou melhor, é acionado pelo pessoal do UOL, que acha inimaginável que eu não tenha e não alimente um twitter.

Tenho dito que já me basta o blog, meu feitor (com mais de 70 milhões de visitas em quatro anos no ar, visitas comprovadas no contador aí do lado esquerdo e pelo Google Analytcs, porque aqui se mata a cobra e se mostra a cobra morta...).

Não vou ficar dizendo para ninguém onde vou, onde estou, o que fiz, porque nada disso é da conta de alguém, além dos meus mais próximos.

Mas o blog agora tem twitter!

Pra lá de chique, hein?

http://twitter.com/BlogdoJuca

Por Juca Kfouri às 12h58

São Paulo FC para crianças

O CD Coração de 5 Pontas foi criado por Rui Branquinho, autor das melhores ideias do marketing são-paulino.

Ele propôs ao compositor Hélio Ziskind, autor de musicais para crianças do porte da Turma do Cocoricó, X-Tudo, Glub Glub e vários temas do Castelo Rá-Tim-Bum, todos da TV Cultura, que tratasse de musicar a história do São Paulo FC.

O resultado é magnífico, para enlouquecer a criançada tricolor, coisa de gente grande.

Por Juca Kfouri às 12h18

O Grêmio, sacola de pano e o Cirano de Bergerac

Por AIRTON GONTOW*

 

Aconteceu na manhã de ontem, 29 de novembro, no mercado ver-o-peso, na bela Belém do Pará.

No último dia de uma rápida viagem a trabalho, encontrei tempo para fazer compras pessoais e, claro, procurar alguns presentinhos para a família.

Ao chegar a uma banca de bolsas, vi que havia duas interessantes.

Uma era colorida e muito bonita. E tinha a cara da minha mulher!

A outra, embora também tivesse lá a sua beleza, era menos encantadora e, definitivamente, não fazia o estilo da minha esposa!

Infelizmente, um jornalista – o jovem repórter Rafael Seixas, do jornal "A Crítica", de Manaus, chegou um pouco antes. O rapaz descobriu as duas bolsas e decidiu que levaria uma. Olhou para mim e disse: "Eu não tenho bom gosto para este tipo de coisa. Qual você acha mais bonita?"

Meu coração bateu forte. Pensei em dar a resposta errada. Dizer que a mais bela era justamente a bolsa que eu não queria levar. O presente era para a mulher!

Olhei para o repórter amazonense e disse, ainda que com dor no coração: "a mais bonita, sem dúvida, é a colorida."

Por que eu disse a verdade? A resposta é simples e até óbvia: porque era o correto, independente do meu desejo.

Penso nesta pequena história vivenciada ontem diante do dilema de qual deve ser a atitude do meu Grêmio no decisivo jogo de domingo, contra o Flamengo, no Maracanã: o Grêmio deve entrar com o time titular contra a equipe carioca, lutar com todas as suas forças para empatar ou ganhar e, indubitavelmente, dar o título de campeão brasileiro ao grande e tradicional adversário? Ou deve entregar o jogo para não ajudar a dar mais uma glória ao terrível e centenário rival?

Para mim não há discussão. O Grêmio deve jogar com toda a sua tradicional garra e matar-se em campo em busca da vitória, ainda que o Inter conquiste pela quarta vez o título brasileiro.

Não importa que o Inter tenha jogado com o time reserva no ano passado contra o São Paulo, ainda que em contexto completamente diferente, já que disputava simultaneamente a taça sul-americana; não importa que o diretor Fernando Carvalho, não bastasse a trapalhada que fez no ano passado, com a história do vídeo denúncia, já tenha voltado a falar bobagens; não importa que, com mais essa conquista, o colorado gaúcho aumentará consideravelmente o seu já espantoso número de associados, venderá mais camisetas e diminuirá a desvantagem que tem em número de torcedores em relação ao Grêmio.

Não importa nem mesmo a opinião momentânea da maioria da torcida gremista, que é favorável à entrega da partida.

O Grêmio deve buscar a vitória ou empate contra o Flamengo porque – apenas isso – essa é a atitude correta.

Independentemente dos nossos desejos e sentimentos.

Como gremista, só detesto o Internacional porque o respeito como adversário.

E certamente há apenas um time que respeito mais que o grande rival.

Este time é o Grêmio.

E por respeitar o meu imortal tricolor exijo a dedicação total na partida do Maracanã.

Além disso, convenhamos, mesmo com o quarto título brasileiro os colorados não vão poder se vangloriar por estarem em vantagem em relação ao Grêmio.

Terão quatro Brasileiros e uma Copa do Brasil contra dois títulos do Brasileiro e quatro Copas do Brasil gremistas.

E uma Taça Libertadores contra duas do Grêmio.

Os colorados gostam de tripudiar em cima das quedas gremistas para a segunda divisão do país, mas é justamente aí que mora a principal diferença entre os dois grandes clubes do Rio Grande do Sul.

Por maior que seja, o Internacional não tem a dimensão épica gremista.

Não tem a incrível história do goleiro Eurico Lara.

Não tem títulos importantes conquistados no estádio do adversários.

Não tem a Batalha dos Aflitos.

O que poderia ser desonra, para nós, gremistas, é motivo de filme!

Que outra torcida no mundo tem, no fundo, mais orgulho de uma inacreditável conquista na Segunda Divisão arrancada com sangue, suor e lágrimas, com sete jogadores, em um acanhado de Recife, que do título mundial, conquistado em Tóquio?

O jogo do Maracanã, com todos seus dilemas, poderá ser uma nova Batalha dos Aflitos na memorável e história gremista.

Vencer e dar o título ao maior adversário, apesar da maior rivalidade do país, segundo votação recente entre jornalistas esportivos de todo o Brasil.

A dor de ser digno e dar o título ao inimigo.

A tristeza de ouvir os rojões colorados infernizando durante toda a noite o sono dos gremistas.

A tristeza – e o orgulho – de ser um Cirano de Bergerac. Ajudar o rival na conquista da mulher amada. Com digna e bela melancolia.

É preciso lutar – com garra e espada mosqueteira no Maracanã.

É melhor não dormir devido ao barulho ensurdecedor dos vermelhos, do que ter o sono estragado pela vergonha de não ter jogado com dignidade.

É melhor aguentar o rival que sucumbir aos nossos mais primitivos anseios, como o de "entregar" a partida.

Que atender ao grito desesperado e irracional da maioria.

Vamos fazer o que é certo, Grêmio!

Melhor assim, que ver-o-peso doendo na nossa consciência e manchando nossa história épica e inigualável.

 

*Airton Gontow é jornalista e cronista

P.S – Espero que o Grêmio lute com todas as forças contra o Flamengo mas vou, como todos nós gremistas, torcer pela vitória da equipe carioca. E claro, também pelo Santo André. Já pensou se o Grêmio empata e o Inter não vence, mesmo no Beira-Rio? Seria demais para esse pobre e velho coração tricolor... 

Por Juca Kfouri às 11h50

30/11/2009

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 23h03

Precisa falar mais alguma coisa?

Por Juca Kfouri às 18h58

CORINTHIANISMO

Por LEONOR MACEDO*

Se você gosta de futebol e já sabia que a rodada de domingo, 29/11, estava arranjada para favorecer o Flamengo antes mesmo de ela acontecer, aconselho que desista do esporte.

Que tente canalizar sua energia para algo mais legítimo, mais honesto, mais respeitoso, mais digno.

Porque futebol é isso: é o ópio do povo, é irracional e se pararmos para pensar, a gente pára de gostar.

É amor, é paixão, é utopia, é ingenuidade. É burrice.

Fui para Campinas, com toda a minha burrice e ingenuidade, confiando no discurso da diretoria do Corinthians e dos jogadores de que seria o "jogo do ano".

Ronaldo prometeu uma chuva de gols, outros jogadores afirmaram que dariam o sangue, o técnico se irritou ao ser questionado sobre um possível favorecimento ao Flamengo para eliminar as chances do São Paulo ser campeão: "o Corinthians estará empenhado para ganhar. Se o São Paulo não fez a sua parte, não é um problema nosso."

Acreditei e fui confiante!

Comprei meu ingresso mesmo sabendo que a renda do futebol seria destinada ao carnaval do centenário, em 2010.

Mesmo sabendo que o correto é utilizar a arrecadação do futebol com o futebol. Fui porque meu amor pelo futebol é muito maior do que meu ódio pelo carnaval.

Cheguei a Campinas cedo, ganhei uma carona de carro e almocei em um shopping relativamente próximo ao estádio.

Vi dezenas de corinthianos exibindo suas camisas orgulhosos, confiantes na equipe, assim como eu.

Porque me recuso a acreditar que algum corinthiano realmente estivesse interessado em uma derrota para o Flamengo apenas para prejudicar o São Paulo.

A rivalidade não pode ser maior do que a vontade de ver seu time ganhar qualquer coisa, até campeonato de Master.

Cresci aprendendo que existem apenas dois tipos de torcida no Brasil: a corinthiana e a anticorinthiana.

A nossa, até então, era a corinthiana.

Quando entrei no estádio (com uma entrada relativamente organizada nas catracas do Fiel Torcedor, diga-se de passagem), acomodei-me em um degrau semi-alagado e vi o Brinco de Ouro da Princesa lotar de corinthianos e flamenguistas, que também compareceram.

Foi quando Evandro Roman apitou e a vergonha começou.

Não falo apenas de erros grotescos de arbitragem porque, se eu sou ingênua a ponto de acreditar na hombridade de um elenco todo, sempre acreditei em juiz ladrão.

Falo de corpo mole, de recuar a bola para o goleiro em um ataque, de 90% de passes errados, de contusões inexplicáveis, da expulsão do nosso capitão, do nosso técnico.

De 10 jogadores caminharem dentro de campo (o único que tentou foi Defederico, que não fala português e que talvez não tenha entendido a recomendação de entregar uma partida), de um goleiro não tentar pegar a bola em forma de "protesto" contra a arbitragem (e o melhor protesto que ele podia ter feito ali era agarrar o pênalti e honrar os milhares de corinthianos que estavam na arquibancada).

De o nosso elenco fazer o que fez estampando o rosto de centenas de corinthianos na nossa camisa (a obrigação de ganhar a partida podia ser só por esse motivo).

De ouvir um meia do Corinthians que está de férias desde o fim do Campeonato Paulista justificar seus erros na arbitragem (concordo, Elias, que o juiz errou, é péssimo e tem que ser punido, mas quando foi que o Corinthians dependeu de juiz?).

De ver o nosso técnico ser expulso quando ele é o primeiro que tem que manter a cabeça fria para dar tranqüilidade ao elenco, honrando o salário milionário que ele recebe. E depois reclamar da arbitragem também, sendo que o próprio, no meio do campeonato, afirmou que a prioridade nunca foi o Campeonato Brasileiro, mas o time em 2010.

A prioridade, senhor Mano Menezes, é respeitar o torcedor do Corinthians e tentar vencer tudo o que se propuser a ganhar.

Eu não tenho seis meses de férias, nem ganho um centésimo do que o senhor ganha e trabalho com seriedade.

Saí do estádio sem conseguir falar uma palavra.

Atônita e surpresa sim, porque eu acreditava que o elenco do Corinthians pudesse, pelo menos, honrar aqueles que acreditavam.

Porque sempre acreditei que eu, como torcedora, pudesse ter alguma importância (mesmo que financeira) para o clube.

Voltei para São Paulo pensando que por muito menos a torcida expulsou do clube um dos maiores jogadores da história do futebol, o Rivelino.

Que, mesmo naquele contexto importantíssimo que é um Corinthians X Palmeiras, ele pode ter errado, mas jamais entregado uma partida a nosso rival.

Que a gente pode ter perdido um clássico, um título, mas que não perdemos a dignidade tanto quanto neste domingo, em Campinas.

Nem quando fomos rebaixados para a Série B.

Sei que a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians.

No próximo fim-de-semana, por exemplo, é a última rodada do campeonato e o Grêmio anunciou que pode escalar o time reserva contra o Flamengo apenas para prejudicar o Inter.

Que o mesmo Inter entregou uma partida para prejudicar o Corinthians contra o Goiás, em 2007.

Que muitas pessoas consideram isso absolutamente normal no futebol e depois reclamam de ética em seu trabalho, nas relações pessoais, enfim, em sua vida.

O futebol é espelho de tudo isto.

Se a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians e do elenco corinthiano, é com ela sim que eu me preocupo, porque eles, infelizmente, carregam o escudo que eu defendo.

Se todos os anos para mim terminam com o fim da temporada de futebol, 2009 foi o ano que terminou mais cedo.

Curarei minha ressaca futebolística longe de Corinthians X Atlético Mineiro.

Sei que a minha fé no futebol retornará assim que a ressaca passar.

Que eu encerrarei o papo de "não bebo mais" e continuarei enchendo a cara dessa cachaça.

Que seguirei acreditando que outro futebol é possível: com dignidade, honestidade e hombridade.

Com jogador que defende o escudo do clube acima de qualquer dinheiro, com dirigente que recusa mala branca e leva em consideração sua torcida, com elenco que não entrega a partida, com torcedor apaixonado que prefere ver o time ganhar a ver o rival se dar mal.

Morrerei velhinha acreditando.

E precisarei de dois caixões: um para mim e outro para a minha santa ignorância.

*Leonor Macedo é corintiana e jornalista.

Por Juca Kfouri às 16h48

Uma vergonha!

Depois do que fez o Corinthians ontem, no Brinco de Ouro, contra o Flamengo, que deixou para trás o Palmeiras e o São Paulo, além do Inter, que o alvinegro também tem atravessado na garganta desde que perdeu para o Goiás e acabou ajudando a queda dos paulistas em 2007.

Depois do que o Grêmio ameaça fazer no domingo que vem, no Maracanã, contra o Flamengo, para não ajudar o Inter, como candidamente confessou o Souza.

Depois que Vanderlei Luxemburgo defendeu antecipação de férias no Santos, que pega o Cruzeiro, que disputa com o Palmeiras uma vaga na Libertadores, parece só haver uma solução: que nos próximos campeonatos brasileiros a tabela preveja clássicos estaduais nas últimas rodadas, talvez o único meio para não haver corpo mole.

Mas que é uma vergonha, lá isso é.

Tipinhos, hein?

Por Juca Kfouri às 14h03

29/11/2009

Mudou tudo no Brasileirão

Mudou tudo.

Quem estava em primeiro, o São Paulo, está em quarto.

O Flamengo assumiu a liderança e só não será hexacampeão brasileiro se comemorar o título antes de jogar contra o Grêmio no Maracanã, que já foi palco de coisas que nem é bom lembrar.

O Inter é o vice-líder e o Palmeiras passou o rival São Paulo.

A rodada teve mais uma página heróica do Fluminense e uma vergonhosa do Corinthians.

O Náutico já está abraçado ao Sport na segunda divisão depois da penúltima rodada do campeonato.

Que teve 44 gols, 4,4 gols por jogo.

E média de público de 21 mil pagantes por jogo, melhor público o do Flu, mais de 52 mil torcedores, pior o do Santo André, pouco mais de mil torcedores no ABC.

Houve apenas um empate na rodada, entre Avaí e Santos, e apenas dois visitantes venceram: o Flamengo e o Inter.

Por Juca Kfouri às 21h18

Fla! Flu! Inter! Palmeiras!

No exato momento em que o Goiás empatava o jogo no Serra Dourada (28.574 pagantes), predominantemente tricolor, o Flamengo abria o marcador no Brinco de Ouro (25.755 pagantes) e assumia a liderança do Brasileirão.

O São Paulo tinha saído na frente com Washington, aos 15, e muito mais posse de bola.

Mas Vítor empatou num golaço, aos 21, e Rithelly desempatou em outro, aos 37: 2 a 1.

E Fernandão, de cabeça, aos 20 do segundo tempo, fez 3 a 1, aproveitando-se da letargia tricolor.

Washington descontou em seguida, como se percebesse que o São Paulo não poderia esperar ajuda de ninguém.

Mas Léo Lima fez 4 a 2, sem dar tempo para o tricolor reagir.

Tudo que o Flamengo queria depois de mandar bola na trave do Corinthians com Álvaro, criar mais chances e jogar melhor que o malaco time alvinegro.

Zé Roberto, aos 26, em excelente lançamento de Toró, abriu o placar.

Depois, o Corinthians perdeu um gol feito com Defederico ao finalizar fraco e permitir que Ronaldo Angelim salvasse na linha e ficou sem Edu e Ronaldo ainda na primeira metade do primeiro tempo, com problemas musculares.

Bruno também fez ótima defesa em cobrança de falta por Chicão que, no segundo tempo, foi expulso, como Mano Menezes havia sido no primeiro.

O incrível Escudero, que tomou seu oitavo cartão amarelo em oito jogos, se machucou sozinho ao dar um carrinho sem o menor sentido.

O Corinthians não queria nada com nada e o Flamengo agradecia, novo líder e dependendo só dele para ser hexacampeão brasileiro, além de já estar garantido na Libertadores, ou de uma derrota do Palmeiras, contra o Botafogo, no Engenhão.

A torcida do Corinthians aplaudia o resultado e ainda viu um pênalti que Léo Moura converteu para fazer 2 a 0 sem que Felipe esboçasse defender: 2 a 0.

Houve invasão de um torcedor e o Corinthians merece dupla punição, a moral e a disciplinar.

Foi uma vergonha!

Enquanto isso, no Palestra Itália (25.402 pagantes), o Palmeiras saía na frente logo de cara com Cleiton Xavier, sofria o empate de Diego Tardelli, fazia 2 a 1 num gol espetacular, talvez o mais extraordinário de todo o Brasileirão, Diego Souza pegando de primeira, do meio de campo, uma dividida que nasceu perto da área entre o goleiro Carini e Vagner Love.

O mesmo Vagner Love que fez 3 a 1 ainda no primeiro tempo e ao garantir a terceira colocação para o Palmeiras, tirou o Galo da Libertadores.

Já o Inter conseguia perder para o Sport na Ilha do Retiro (5.974 pagantes) deserta, 1 a 0, gol de Vandinho, aos 40, além de ter feito um pênalti escandaloso, do goleiro Lauro em Vandinho, não marcado pela arbitragem.

Mas o Inter virou para 2 a 1 no segundo tempo, com gols de Kléber, aos 22, e de Andrezinho, aos 39, assumiu a vice-liderança e depende do Grêmio diante do Flamengo para ser campeão.

O Cruzeiro batia o Coritiba, 2 a 1, de virada no Mineirão (27.298 pagantes), e ampliava para 3 a 1 no começo do segundo tempo e fazia 4 a 1 em seguida.

Mas depende de o Sport vencer o São Paulo no Morumbi ou de o Palmeiras perder para o Botafogo, no Engenhão, para, se vencer seu último jogo,contra o Santos, na Vila, ir à Libertadores...

E o Fluminense, o incrível Flu, num Maracanã, lindamente solidário, com 52.408 pagantes, melhor público da rodada, ganhava do Vitória por 2 a 0, com gols de Alan e Fred, para variar, aos 4 e aos 5 minutos de jogo.

No segundo tempo, aos 14 e aos 42, Conca ampliou: 4 a 0.

Com um empate em Curitiba, diante do Coritiba, o Flu fora da ZR, fará o impossível e escapará da Série B.

O Santo André derrubou o Náutico, no ABC (1.178 pagantes), pior público da rodada, é claro!): 5 a 3.

O Grêmio manteve a invencibilidade no Olímpico (13.896 pagantes) ao ganhar do xará de Barueri por 4 a 2.

O Avaí empatou com o Santos, na Ressacada, (8761 pagantes), depois de fazer 2 a 0: 2 a 2.

Na Arena da Baixada, (21.592 pagantes), o Atlético Paranaense botou o Botafogo na ZR e se livrou: 2 a 0.

Por Juca Kfouri às 18h52

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico