Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

19/12/2009

Enfim, Barça!

AP

Messi comemora o gol do título

O Estudiantes resistiu até os 44 do segundo tempo, quando o menino Pedro empatou um jogo que parecia perdido.

Porque desde os 37 do primeiro tempo, quando os argentinos abriram o placar de uma partida em que só se defendiam, mas com rara eficácia, que os catalães pareciam nervosos demais, traumatizados talvez pelo gol de Gabiru, três anos atrás.

Mas o Barça tanto fez que levou o jogo para a prorrogação, quando já tinha pela frente os argentinos mortos de cansaço.

Gol do menino Pedro, 22 anos, nascido em Tenerife, nas ilhas Canárias, bem longe da Catalunha.

Aí, aos 5 do segundo tempo, Daniel Alves cruzou e Messi fez o gol da virada, do título, da justiça, com o peito.

O argentino Messi, de Rosario, também tem só 22 anos.

O Barça ainda teve um pênalti não marcado no primeiro tempo.

Mas time campeão ganha também de erro de arbitragem.

Por Juca Kfouri às 16h32

18/12/2009

Nada. Tudo

Satiro Sodré

César me fascina,

não me canso de dizê-lo.

Cielo é o rei da piscina,

não há quem possa vencê-lo.

 

Por Juca Kfouri às 16h51

A questão da justiça esportiva brasileira não é geográfica

 

O senador Osmar Dias (PDT-PR) resolveu jogar para torcida.

Para a torcida do Coritiba.

E propôs que o STJD se mude do Rio de Janeiro para Brasília.

Como se a Capital Federal fosse garantia de bons modos, e não exatamente o contrário como se vê no Senado presidido por Sarney.

Ou na Câmara de Temer e no governo de Arruda, para não falar da casa da Dinda, ou dos mensalões dos tucanos, dos petistas, dos demo e por aí afora.

A solução para a Justiça Esportiva é de outra ordem.

Passa por concursos para os auditores e por tribunais de penas, com ritos sumários, como se faz na Copa do Mundo, pela Fifa, e ninguém chia, nem recorre, nem exige direito de defesa, do contraditório, ou pede efeito suspensivo.

É claro que por ser no Rio, a tendência é a do STJD ter mais gente da cidade, gente que não se constrange a julgar casos que envolvem o time do coração dela e é claro que se fosse em Brasília menos gente gostaria de fazer parte do circo.

Mas não seria a solução.

Porque o STJD é a mais perfeita herança da tradição bacharelesca e cartorial que caracteriza os usos e costumes de nossos colonizadores há mais de 500 anos.

 

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 18 de dezembro de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 00h04

17/12/2009

Pegaram o Coritiba pra Cristo?

Esta na GAZETA DO POVO, de Curitiba.

Se pegaram, que, de fato, sirva como exemplo!

Porque não nos esqueçamos que a direção do clube subvencionava os "organizados", como confessou ao dizer que deixará de fazê-lo;

que um funcionário do clube foi preso como um dos agressores e pegou 720 dias de suspensão;

 e que, como decorrência dos tumultos no gramado, uma enfermeira perdeu três dedos da mão.

E ainda há quem ache que a punição foi demasiada...

Certamente porque não foram os seus dedos.

E a errada impunidade de uns não pode servir para justificar a impunidade de outros.

Por Juca Kfouri às 12h46

Andrade fica na Gávea em busca do tetra, do bi e do hepta

Alguém já disse que o técnico Andrade lembra Paulinho da Viola.

De fato, os dois são elegantes, discretos e competentes.

Andrade, enfim, renovou com o Flamengo e seguirá na Gávea.

Nem receberá tudo que queria nem o Flamengo pagará apenas o que pretendia.

A solução intermediária foi o que de melhor poderia ter acontecido tanto para Andrade quanto para o Flamengo.

Agora é pensar no tetra do campeonato estadual, no bi da Libertadores e no heptacampeonato brasileiro.

Já imaginou.

É conseguir a triplice coroa, trocar o Paulinho Viola pelo Michael Jackson e renovar pelo quíntuplo do que ganhará em 2010.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 17 de dezembro de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 01h48

16/12/2009

Congresso Nacional 1, Copa 2014 0

Comissão de Fiscalização da Câmara aprova por unanimidade relatório da  Subcomissão da Copa de 2014 

Por WILSON TEIXEIRA SOARES*           

 Relatório do deputado Paulo Rattes critica o governo federal e a CBF por não terem realizado um planejamento estratégico para o Mundial do Brasil

Brasília, 16 de dezembro. A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou hoje, por unanimidade, o relatório da Subcomissão da Copa de 2014, de autoria do deputado Paulo Rattes (PMDB-RJ).

Intitulado "Brasil - Copa 2014: Desafios e Responsabilidades", o texto critica o governo federal e a CBF por não terem realizado um planejamento estratégico para preparar o Brasil para receber o Mundial de Futebol FIFA.

- A decisão da FIFA de estabelecer o sistema de rodízio para definir as sedes das Copas de 2010 e de 2014 antecipou a vitória da candidatura brasileira antes mesmo do presidente Lula assinar o Caderno de Compromisso da FIFA. 

Havia, portanto, um confortável espaço de tempo para que os responsáveis pela realização do Mundial do Brasil levantassem os problemas a serem enfrentados, as ações a serem realizadas e quanto custariam aos cofres públicos - disse o deputado Rattes, depois da aprovação do relatório.

Autor do requerimento que criou, no dia 5 de março, a Subcomissão da Copa de 2014, para o deputado Paulo Rattes ficou claro que nem o governo federal nem a CBF se prepararam adequadamente para as demandas naturais decorrentes do direito de sediar o Mundial.

O que, segundo ele, ficou evidenciado na medida em que os requerimentos da Subcomissão encaminhados à Casa Civil da Presidência da República e aos ministérios das Cidades e do Esporte solicitando informações pontuais sobre ações e custos para a realização do evento foram respondidos evasivamente.

- Ficou claro para os integrantes da Subcomissão da Copa de 2014 que o governo federal acordou tardiamente para a necessidade de saber quais as verdadeiras necessidades dos estados e das cidades-sede onde a Copa do Mundo será disputada. A prova disso é que, até hoje, o governo federal não conseguiu informar quanto gastará, por exemplo, em mobilidade urbana, obras de infraestrutura aeroportuária, saneamento básico e transporte público - afirmou Rattes.

Em seu relatório, o deputado critica, também, a CBF.

Segundo ele, ao contrário da África do Sul, que optou por um modelo transparente de organização, envolvendo a Federação Sul-Africana de Futebol, o governo, organizações sindicais, o empresariado e as comunidades locais, o Comitê Organizador Local da Copa de 2014 "constitui, na verdade, um pequeno enclave, sob a regência do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

- Esse fato ficou evidente, na medida em que tanto o presidente da CBF quanto o presidente do Comitê Organizador Local da Copa de 2014, Carlos Langoni, apesar dos reiterados convites da Subcomissão, negaram-se a comparecer à Câmara dos Deputados para debater as necessidades do país para realizar, adequadamente e sem gastos abusivos, o Mundial - criticou Rattes.

Ressaltando que o sentimento dos integrantes da Subcomissão da Copa é de preocupação, em virtude de o governo federal não ter, até hoje, divulgado dados substantivos sobre quanto custará o Mundial, Paulo Rattes salientou o o risco de os aeroportos brasileiros não terem capacidade para suportar o aumento da demanda turística internacional que ocorrerá em julho e agosto de 2014, estimada em pelo menos 500 mil turistas.

Rattes salientou, no texto aprovado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, que "o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA), José Márcio Molo, assegurou, em audiência pública realizada pelas comissões de Viação e Transportes e de Desenvolvimento Urbano, que as empresas aéreas preveem a possibilidade de o Brasil viver uma nova crise aeroportuária".

Essa crise, segundo o SNEA, a persistir a situação atual dos principais aeroportos do país, ocorrerá em 2013, ano da Copa das Confederações.

Na conclusão do relatório, o deputado Paulo Rattes recomenda ao Poder Executivo que crie uma Comissão Organizadora da Copa de 2014 integrada por representantes dos governos federal, estaduais e municipais, do Congresso Nacional, de entidades independentes e representativas da sociedade civil, da indústria e do comércio, de entidades sindicais, da CBF, do Ministério Público Federal, dos Tribunais de Contas da União, dos Estados e dos Municípios e, também, da Controladoria Geral da União (CGU).

Ele também recomenda que o levantamento elaborado pela Associação Brasileira de Infraestrutura de Bases (ABDIB) para o Ministério do Esporte e a CBF, encaminhado à presidência da República no mês de agosto, seja finalmente apresentado ao Congresso, para que a sociedade fique sabendo quanto  custará para a Nação organizar a Copa de 2014.

O relatório sugere, ainda, que as ações e gastos federais com a Copa de 2014 sejam identificados no Orçamento Geral da União; que seja elaborado e divulgado pelo Poder Executivo estudo realizado por instituição internacional sobre os legados pretendidos com a realização da Copa; e que sejam concedidas pela Receita Federal às micro e pequenas empresas nacionais que, na condição de terceirizadas, comercializarão produtos e serviços relacionados com a Copa de 2014 as mesmas facilidades fiscais que serão oferecidas à FIFA.

*Wilson Teixeira Soares é jornalista e assessor da Comissão de Fiscalização da Câmara dos Deputados.

Por Juca Kfouri às 16h22

O de sempre no Mundial de Clubes

O Estudiantes passou pelos violentos coreanos do sul ontem, 2 a 1, e o Barcelona atropelou os mexicanos hoje, 3 a 1.

Verdade que os argentinos nem susto levaram, a não ser a pancadaria, e os espanhóis saíram atrás, logo aos 4 minutos, quando o Atlante abriu a contagem.

O empate só veio aos 35, com Busquets.

Messi (que entrou e mudou o jogo) virou aos 9 do segundo tempo e Pedro fechou a fatura aos 21.

O quarto gol esteve por sair diversas vezes e os mexicanos, ao menos, souberam perder.

Porque a troca de bola do time catalão é de enlouquecer.

Sábado, às 14h, o de sempre: o campeão da Libertadores contra o da Liga dos Campeões.

Veremos o que Verón fará para manter a cabeça no lugar.

Bem que poderia ser o Cruzeiro...

Por Juca Kfouri às 15h49

Rir é o melhor remédio

Por Juca Kfouri às 12h55

15/12/2009

Coritiba recebe a punição que mereceu

O Coritiba pegou a pena que merecia em 1a. Instância: Couto Pereira interditado por 30 jogos, mais R$ 610 mil de multa.

Se a sentença não for drasticamente suavizada no pleno do STJD, em janeiro, o time coxa não fará nenhum jogo da Série B em seu estádio.

Mas que o torcedor verdadeiro não fique preocupado com o prejuízo causado pelos vândalos e pela incúria da direção do clube: o que houve hoje foi só um recado demagógico, de fim de ano, para tentar salvar a cara do STJD de tantas lambanças em 2009.

Em janeiro, novo ano, mês de férias, a pena cai para menos de 10 jogos e algumas cestas básicas.

Pode apostar.

Por Juca Kfouri às 22h21

Cordeiro ajuda a transparência

O ex-ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, que era do PCdoB, depositou R$ 30 mil em conta judicial para pagar uma ação que movi contra ele em função de uma série de bobagens que disse a meu respeito, emprenhado pelo ouvido por conhecidos mentirosos natos.

À época da ação, fiz constar que o dinheiro da indenização deveria ser depositado na conta do PCdoB, "para formação de melhores quadros".

Como Agnelo, cordeiro em italiano, saiu do PCdoB e entrou no PT e como o PCdoB não tem mesmo mais jeito, decidi que o dinheiro será depositado na conta da ONG Transparência Brasil.

Por Juca Kfouri às 17h53

Tabelinha frustrada

Orlando Silva e Protógenes Queiroz não vão trabalhar juntos.

A Polícia Federal não liberou o delegado para o ministério do Esporte, sob o óbvio argumento de que não pode ceder um funcionário que foi afastado da instituição.

A tabelinha frustrada dos dois pecedobistas revela que o ministério do Esporte e o da Justiça não falam a mesma língua ou, no mínimo, não se falam.

A lambança poderia ter sido facilmente evitada.

Por Juca Kfouri às 17h37

Que lançamento!

Paulo Roberto Falcão, um dos melhores jogadores da história do futebol, lançou "O time que nunca perdeu", a saga do Inter de 1979, o único campeão brasileiro invicto.

O livro tem histórias deliciosas dos protagonistas daquela campanha inesquecível, é da editora AGE, tem 117 páginas, com comentários de Falcão sobre cada jogo da campanha, além da ficha técnica, e custa só R$ 29.

E com apenas um errinho, que o blogueiro tenha percebido, ao menos: a primeira partida das semifinais contra o Palmeiras, 3 a 2 para o Colorado com dois gols de Falcão, um deles um golaço e diante de 61 mil torcedores, foi no Morumbi e não no Pacaembu como está na ficha.

Livro imperdível.

Por Juca Kfouri às 12h45

Protógenes Queiroz vira o jogo

Nunca se soube que o delegado Protógenes Queiroz fosse comunista.

Mas ele se filiou ao PCdoB, que já foi da linha chinesa, da albanesa e agora parece ser de qualquer linha, desde que dê liga e poder, qualquer poder, mesmo que seja no Esporte.

Razão pela qual o delegado foi requisitado pelo ministério do Esporte, para fazer parte da recém criada Secretaria do Futebol.

Protógenes tem experiência no assunto, pois fez não só o inquérito sobre a parceria MSI/Corinthians como também investigou o rumoroso caso Edilson Pereira de Carvalho.

É verdade que todos da MSI e o ex-árbitro estão livres, leves e soltos.

Protógenes faz parte também, e por indicação de Ricardo Teixeira, da comissão sobre lavagem de dinheiro da Fifa, sem que se conheça nenhum resultado, nem mesmo em relação ao que foi apurado em duas CPIs do Congresso Nacional nove anos atrás e que indiciou 13 vezes exatamente o presidente da CBF.

Mas Protógenes diz que acabou com a lavagem de dinheiro no futebol.

Muita gente tem no delegado da PF um exemplo de cidadania.

Teme-se que tal admiração esteja por um fio.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 15 de dezembro de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

 

Por Juca Kfouri às 02h14

14/12/2009

Questão de fé

Como já disse Samuel Johnson sobre o segundo casamento ("O segundo casamento é o triunfo da esperança sobre a experiência"), também os clubes de futebol apostam mais em seus desejos do que se fiam nos exemplos acontecidos em seus rivais.

Não fosse assim e um certo tipo de profissional teria as portas fechadas.

Mas técnicos que custam os olhos da cara e passam anos sem dar retorno aos seus empregadores continuam a ter mercado.

Jogadores que rodam mais do que pião, apenas com um brilhareco aqui, outro ali, conseguem até promoção.

Se o Galo está obviamente no primeiro caso, o São Paulo está no segundo ao trazer Léo Lima depois de tudo que ele não fez nos clubes grandes pelos quais passou, embora até tenha cumprido um bom papel no Goiás, seu último emprego.

É verdade que às vezes a esperança é satisfeita, caso de Carlos Alberto, no Vasco.

Tomara que Luxemburgo e Léo Lima (que jura ter mudado depois que nasceu sua filha) trilhem o mesmo caminho, embora nenhum deles esteja no começo da vida, como o ídolo vascaíno.

Parecem mais casos como Gustavo Nery, Denílson etc.

Mas quem sabe se um não resolve voltar a se dedicar ao seu ofício e o outro tenha mesmo amadurecido?

Por Juca Kfouri às 16h28

Ninguém liga para o Mundial de Clubes

Está acontecendo em Abu Dhabi, no Emirados Árabes, o Mundial de Clubes da Fifa.

As semifinais do que deveria ser o mais importante torneio de clubes do mundo acontecerão amanhã e depois.

Já se sabe que o Atlante, do México, será o adversário do Barcelona, na quarta-feira, às 14h.

E que o Estudiantes enfrentará o Pohang Steelers, da Coréia do Sul, amanhã, às 14h.

Mas até agora ninguém deu muita pelota por aqui para os jogos que definiram os semifinalistas que vão enfrentar os campeões da Europa e da América do Sul.

O que revela que o Mundial de Clubes, sem clube brasileiro, ainda tem menos repercussão no Brasil do que, por exemplo, a Liga dos Campeões da Europa.

O que talvez torne mais claro o motivo de os europeus só valorizarem o torneio quando conseguem vencê-lo.

Coisa que poderemos comprovar novamente caso o Barcelona confirme seu favoritismo.

Aparentemente, o Mundial não ganhou nada desde que deixou de ser apenas o cruzamento entre o campeão da Libertadores e o da Liga dos Campeões da Europa.

Impressão que só mudará quando a decisão tiver um sapo de fora.

Será agora?

Por Juca Kfouri às 00h01

13/12/2009

Frase do dia

 "A função do jurista é lutar pelo direito. Mas no dia em que encontrares o direito em conflito com a justiça, luta pela justiça".

Eduardo Couture, jurista uruguaio (1904-1956).

Por Juca Kfouri às 22h09

Brilhante, Giorgetti!

No 'Estadão' de hoje:

Guerreiros ou brameiros

Ugo Giorgetti

Não sei por que ando pensando muito num comercial da Brahma que andou, ou anda, pelas televisões.

De fato ele não me sai da cabeça.

Fiquei tão intrigado que recorri até ao site do Clube de Criação de S.Paulo, onde não só o encontrei na íntegra, como tive a surpresa de encontrar também declarações do diretor de marketing da Brahma que, por sua vez, vieram aumentar meu assombro.

Queria, logo de início, pedir licença ao diretor da empresa para refutar uma de suas declarações.

Diz ele: "Com a campanha não queremos impor nada a ninguém. Queremos apenas ser porta-vozes do povo brasileiro."

Bem, meu porta-voz esse comercial não é, isso eu posso garantir.

E, espero, também não seja de boa parte do povo brasileiro.

Para quem não sabe, o comercial descreve a atitude ideal do torcedor brasileiro em relação à Copa do Mundo que se aproxima.

Consta de uma sucessão de imagens bélicas e melodramáticas, onde supostos torcedores carrancudos, gritam, choram e batem no peito.

Para deixar ainda mais claro a observadores menos atentos que o que se espera realmente são guerras e batalhas, mistura essas cenas com outras, fictícias, devidamente produzidas e filmadas, de um grande exército medieval em ação.

Se as imagens falam por si, o pior é o som.

Vozes jovens alucinadas urrando palavras de ordem num tom ameaçador, histérico, a lembrar manifestações das mais radicais e intolerantes agrupamentos que, infelizmente, existem no interior de qualquer sociedade.

Eu me permito transcrever algumas das frases vociferadas: "Eu queria que a seleção fosse para a Copa, como quem vai para uma batalha!" "Eu quero guerreiros!", "Vamos para a guerra juntos! 180 milhões de guerreiros!" "Sou guerreiro!" No final do filme, num golpe de surrealismo que faria as delícias de Luis Buñuel, o locutor, contrariando o tom anterior de toda a mensagem, recomenda sabiamente: "Beba com moderação."

O diretor de marketing da Brahma, no mesmo site do Clube de Criação continua: "A mensagem que queremos passar ao torcedor é que, além de ser a primeira marca brasileira a patrocinar oficialmente uma Copa do Mundo, o desejo da Brahma é despertar a atitude guerreira da seleção em todos os 190 milhões de brasileiros."

Com todo o respeito que tenho pela Brahma, cuja publicidade acompanho, até por dever de ofício, há mais de quarenta anos, e que me pareceu sempre celebrar a alegria e a irreverência popular, essas declarações inspiram alguns comentários.

O que eu espero da seleção é que jogue bola.

Acho que o que nos derrotou em 2006 não foi a falta de guerreiros, mas foi o Zidane, que não era exatamente um guerreiro.

Quanto aos 190 milhões, espero que honrem nossa tradição de saber perder, como fizemos em 1950 em pleno Maracanã, ou como fizemos em 1982, encantando o mundo.

O resto é apenas apelar para o que há de pior na sociedade brasileira.

Que é o que faz esse equivocado comercial dessa grande empresa.

E de repente, a razão pela qual penso nele com tanta freqüência me aparece claramente: é que, de certo modo, o confundo com as cenas reais que aconteceram no estádio de Curitiba domingo passado.

Ao revê-las me ocorre uma pergunta: os torcedores que, ensandecidos, fizeram o que fizeram no Paraná seriam "guerreiros" ou "brameiros"?

Ou os dois?

Infelizmente não foi possível alertá-los para invadirem e quebrarem tudo "com moderação".

 

Por Juca Kfouri às 13h08

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico