Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

06/02/2010

Na 'Folha de S.Paulo', dias atrás

CLÓVIS ROSSI

Grande momento, reação pequena

SÃO PAULO - Quando comecei no "Estadão", faz já longos 45 anos, o lendário jornalista Cláudio Abramo havia saído pouco antes, mas legara uma frase que seus contemporâneos repetiam aos que chegavam: "Um grande jornal se conhece nos grandes momentos".

Pena que o governador José Serra, que conviveu com Abramo, já na Folha, não tenha aprendido a lição, aplicada à política.

Se tivesse, saberia que é justamente em um "ano anômalo", como classificou este 2010, que começa horrível, que se conhecem os grandes administradores.

É verdade que as chuvas têm sido excepcionais, que a cidade cresceu de forma anárquica, que parte da população não colabora jogando lixo em tudo quanto é canto, que nem o prefeito nem o governador podem dançar a dança da chuva para que caiam menos águas ou, ao menos, que chova no mar, digamos.

Mas, dada a anomalia, que tal reagir a ela com um esquema igualmente fora do comum de defesa civil em todos os seus aspectos?

É tão difícil assim mobilizar todos os recursos da Companhia de Engenharia de Tráfego e da Polícia Militar para orientar os motoristas e tentar evitar que caiam nas ratoeiras que as chuvas armam ou para tirá-los delas?

É tão difícil assim montar frentes de trabalho emergenciais para limpar bueiros, córregos, rios, desobstruir enfim o máximo possível de pontos de alagamento?

Não existem na cidade mais rica do país especialistas em emergências para montar com eles e os funcionários públicos um gabinete de crise para pronta reação?

Tanto Gilberto Kassab como Serra reagem burocraticamente, molemente, nesses "grandes momentos" -tristes, mas grandes.

Não é exatamente o comportamento que se espera de quem se supõe que vai disputar uma eleição presidencial esgrimindo o bordão de gerente -e competente.

Por Juca Kfouri às 19h05

Na 'Folha de S.Paulo', dias atrás

cofre aberto

Verba pública financiará 94% dos estádios da Copa

Documento do Ministério do Esporte mostra que país vai gastar R$ 5,3 bilhões

Previsão de investimento em arenas para o Mundial de 2014 já ultrapassa em 167% o valor estimado há apenas dois anos pela CBF

MARIANA BASTOS
PAULO COBOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Agora é oficial.

A Copa de 2014, que Ricardo Teixeira, o presidente da CBF, dizia que seria o Mundial da "iniciativa privada", terá 94% dos R$ 5,342 bilhões para a reforma e a construção de estádios bancados pelos cofres públicos.

A conta foi formalizada pelo Ministério do Esporte, que divulgou documento que detalha as responsabilidades dos gastos do Mundial e especifica quanto custará cada um dos 12 estádios da Copa e quem irá pagá-los -também fez isso para as obras de mobilidade urbana necessárias para a competição.

O contrato mostra que R$ 3,427 bilhões para as obras nas arenas serão bancados com dinheiro do BNDES.

O governo federal argumenta que o banco estatal de fomento fará empréstimos em condições de mercado, o que não configuraria uso de verba pública.

Mas, desse montante, só R$ 175 milhões devem ser tomados por entidades privadas -R$ 25 milhões pelo Atlético- -PR e R$ 150 milhões pelo São Paulo.

O resto, ou quase tudo, será levantado pelos governos estaduais, que falharam na tentativa de angariar parceiros privados para as obras.

Além do dinheiro do BNDES, os Estados ainda preveem investir, com recursos próprios, quase R$ 1,6 bilhão nas arenas.

O governo de Brasília, por exemplo, promete bancar com dinheiro do seu orçamento R$ 345 milhões dos R$ 745 milhões que vai custar o novo Mané Garrincha, o mais caro de todos os estádios do Mundial.

Em 2007, quando o país ganhou o direito de abrigar a Copa pela segunda vez, a CBF, responsável pela candidatura brasileira na Fifa, estimava que o país gastaria pouco menos de R$ 2 bilhões com estádios. Ou seja: a estimativa atual já é 167% maior do que a original.

O fato de os cofres públicos assumirem quase toda a conta dos estádios vai na contramão do que Ricardo Teixeira discursava até ano passado.

Em maio, por exemplo, a CBF divulgou comunicado, assinado por ele, em que o cartola era categórico na defesa de verbas privadas.

"A Copa do Mundo será melhor quanto menos dinheiro público for investido. Essa equação é que norteia o projeto desde o início. Ao governo, em todos os seus níveis, caberá os gastos com obras que lhe dizem respeito. O investimento maior terá de vir da iniciativa privada", escreveu o cartola.

Os mais de R$ 5 bilhões que o Brasil pretende gastar com estádios ficam acima do despendido pela África do Sul nas arenas da Copa-2010.

A projeção de investimento dos sul-africanos é de R$ 3,9 bilhões.

São dois estádios a menos que o Brasil, mas alguns dos projetos são arquitetonicamente mais ousados que os brasileiros, como o do Soccer City, em Johannesburgo, e os das arenas da Cidade do Cabo e de Durban.

Os organizadores do Mundial brasileiro querem que as obras de todos os estádios comecem em março, mas nem todas as sedes cumprirão o prazo.

Por Juca Kfouri às 18h56

Treino e goleada

O Sertãozinho não existe.

O Corinthians não tem nada com isso.

Em ritmo de treino, debaixo de um aguaceiro e diante de 20 mil torcedores no Pacaembu, virou dois e acabou quatro: 4 a 0.

Chicão, num presente do goleiro, Jorge Henrique, em lindo gol, Marcelo Mattos, que até chorou ao comemorar, e Edno, que precisava, fizeram os gols.

O alvinegro volta a dormir líder do campeonato.

Por Juca Kfouri às 18h46

Do blog do José Cruz

 

O estranho silêncio sobre a CPI do Pan

Em junho do ano passado, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) apresentaram requerimento para uma Comissão Mista de Inquérito no Congresso Nacional.

Objetivo: averiguar denúncias de abusos com o dinheiro público nos gastos dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. O tal de R$ 4 bilhões, até hoje com prestação de contas escondida.

Pressão

A pressão do Comitê Olímpico Brasileiro foi enorme e, de repente, parlamentares que apoiaram a iniciativa começaram a tirar suas assinaturas. Coisa de gente de duas caras, sem caráter, claro.

Passou o tempo, e de repente, ninguém mais falou sobre o assunto.

Nem os autores da proposta. Estranha desistência de quem bateu tanto, não é mesmo?

Coincidência

Coincidentemente, no dia 24 de julho de 2009, Valéria Alves Fernandes Dias foi nomeada para "Gerente de Projeto da Representação Estadual do Rio de Janeiro da Secretaria Executiva do Ministério do Esporte".

E quem é Valéria Alves Fernandes Dias?

É sobrinha do senador Álvaro Dias, um dos autores da CPI do Pan que, desanimado, quem sabe, com a debandada do apoio dos companheiros, também não brigou mais pela causa.

Valéria, a propósito, era funcionária do Senado, mas acabou demitida, na leva que tirou de cena parentes de senadores.

Viagem

Quatro meses depois que assumiu o cargo no ministério, Valéria foi representar o Brasil na Soccerex, a feira mundial de negócios do futebol, em Joanesburgo, na África do Sul.

Está tudo registrado no Diário Oficial da União.

Escrevi ao senador Álvaro Dias para saber se ele havia influenciado na contratação da sobrinha pelo Ministério do Esporte, mas não obtive resposta.

Assim, sem CPI, e com os processos se arrastando no Tribunal de Contas da União devido a morosidade nas respostas dos envolvidos, o torcedor-contribuinte dos cofres públicos continua sem saber porque o Pan 2007 custou R$ 4 bilhões.

A dúvida sobre o uso da maior parte dos recursos cresce porque o Ministério do Esporte e o Comitê Organizador, que foi presidido por Carlos Arthur Nuzman, não tornam pública a prestação de contas.

 

http://blogdocruz.blog.uol.com.br/arch2010-02-01_2010-02-28.html

Por Juca Kfouri às 12h20

San-São de arrepiar os cabelos

O jogo do fim de semana será o San-São de Barueri.

Não vale nada e, por isso mesmo, pode ser o clássico que, diferentemente do que se dá no Rio, há tempos os paulistas não veem.

Porque o Santos tem se caracterizado por jogar para frente, num futebol alegre que terá o reforço(?) de Robinho, além da atração Neymar, agora maior de idade.

E o São Paulo deverá jogar completo, teste final antes de estrear na Libertadores.

Se o Paulistinha é um monstrengo com 20 clubes e tem uma fórmula burra -- ao contrário do Carioca, que é o mais charmoso desde sempre e, de novo, o mais importante do país porque com o campeão brasileiro -- neste domingo, ao menos, deverá concentrar as maiores atenções.

Por Juca Kfouri às 00h31

05/02/2010

Bebeu?

O empresário de futebol Wagner Ribeiro anda variando.

Publicou no twitter dele uma resposta a mim quando nada lhe perguntei.

Ou então quer aparentar uma intimidade que não temos.

Por Juca Kfouri às 21h46

Quando cai a ficha..., mas de boca torta

Nota do blog: Até mesmo quando reconhece um erro crasso, o cartola não abdica de sua arrogância, boca torta pelo vício do cachimbo.

Porque não cabe ao COB autorizar, expressamente ou não, a publicação de livro algum como está em sua nota.

Cabe ao COB, apenas, botar o rabo entre as pernas.

Por Juca Kfouri às 18h47

O povo (bem-humorado) é sábio

O que se diz em São Paulo:

Se a São Silvestre fosse em janeiro, o Cesar Cielo iria humilhar!;

A volta ciclística será feita de pedalinho;

Em vez de Fórmula 1 ou Indy, prova de submarino;

José Serra está lançando o Balsa-Família;

Gilberto Kassab tá trocando o bilhete Único pelo bilhete Úmido;

São Paulo inteira, agora, tem vista para o mar!

 

Por Juca Kfouri às 17h26

O COB volta atrás

A professora Katia Rubio acaba de ser comunicada de que o Comitê Olímpico Brasileiro não irá mais exigir a retirada de circulação de seu livro "Esporte, Educação e Valores Olímpicos".

Mais: o COB se desculpa por ter feito o que fez.

Melhor assim.

E ainda bem.

Nada como não se calar diante do absurdo.

Em minutos, mais detalhes.

Por Juca Kfouri às 17h02

04/02/2010

Neymar marcou um gol inesquecível

Folha Imagem
Folha Imagem/Ricardo Nogueira


Você se lembra do gol de Ronaldinho Gaúcho, contra a Venezuela, na Copa América de 1999, aquele em que ele deu um chapéu no rival antes de finalizar.

Pois é.

Neymar, o garoto do Santos que comemora hoje 18 anos e que já é o artilheiro do Paulistinha, com seis gols, fez um desses gols ontem, em Santo André.

Um golaço!

Driblou três rivais, enfiou a bola entre as pernas de um quarto, e fez o gol do Santos, que lidera o campeonato e acabou com o último invicto, ao vencer por 2 a 1.

Mas o que importa mesmo é o gol de Neymar.

Um gol de placa, um gol histórico, um gol inesquecível e que certamente vai marcar a carreira dele.

Daqui a 10 anos, 15 anos, ainda se falará deste gol.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, dia 5 de fevereiro de 2010.

Por Juca Kfouri às 22h54

Ninguém respeita mais nada mesmo

Como ninguém respeita mais nada neste país, o jogo em Santo André continuou normalmente, como se nada de extraordinário tivesse acontecido.

Antigamente, quando respeito era bom e nós gostavamos, um gol como o de Neymar exigiria que todos saíssem do estádio e comprassem outro ingresso.

Mas, qual!

Daí, num jogo bastante interessante, mesmo num gramado abaixo da crítica, o Santo André acabou por empatar, embora o Santos fosse melhor.

No segundo tempo, o time praiano, aproveitando-se de mais uma bela arrancada de Neymar, fez 2 a 1, com Ganso, num toque sutil depois de receber a bola de Carlinhos, ex-Santos, numa tentativa de desarmar o menino Neymar.

O Santos está jogando de maneira tão alegre, que se Robinho entrar com 40% da alegria que ainda tinha em 2004, certamente o Peixe se transformará no time mais gostoso de se ver no Brasil.

Mas, atenção: tanto Coutinho, o eterno parceiro do Rei Pelé, como Pepe, o maior artilheiro da história santista, porque Pelé é hors concours, acham que Neymar é melhor que Robinho (e Coutinho ainda acrescenta que, na Seleção Brasileira, prefere Nilmar a Robinho).

O Santo André era o último invicto.

Por Juca Kfouri às 22h43

Que gol! De placa!!

Neymar acaba de fazer, aos 25 minutos do primeiro tempo, em Santo André, um gol para entrar para a história do futebol brasileiro.

Ele comeu três rivais dentro da área e enfiou a bola entre as pernas do quarto para abrir o placar, Santos 1, Santo André 0.

O Ramalhão é o único time invicto do Paulistinha.

E Neymar com seis gols, já é o artilheiro do campeonato e completará 18 anos amanhã.

Que gol!

http://esporte.uol.com.br/ultimas/multi/2010/02/04/04029A3664E0C92326.jhtm?neymar-brilha-santos-bate-santo-andre-e-assume-a-lideranca-04029A3664E0C92326

Por Juca Kfouri às 21h31

Vôlei brilhante

AE

Via Vasco 1, Resende 0, gol de Dodô, para variar, desta vez de pênalti, depois de ter perdido uma outra penalidade.

Dodô, com sete gols, já é o artilheiro da Taça GB.

Mas o Resende com 10 jogadores desde o primeiro tempo e o Vasco, único 100%, com uma certa preguiça, já classificado para as finais da Taça Guanabara.

De vez em quando, uma olhadinha no jogo de volêi pela Superliga feminina, entre Pinheiros/Mackenzie e o invicto time do Bernardinho, 10 jogos, 10 vitórias, única equipe que ainda não tinha perdido.

Eis que o Unilever/Rio de Janeiro vencia por 2 a 0, sem maiores problemas.

Mas o time campeão paulista reagiu, empatou e levou o jogo para o quinto set, quando quebrou a invencibilidade das meninas do time mais vencedor do país.

Curiosamente, a Unilever fez 25 a 16 e 25 a 22, perdendo pelos mesmos números e na mesma ordem os dois sets seguintes.

No quinto, deu 15 a 11 para o time do Pinheiros.

Sensacional!

E bem mais animado que o jogo de futebol.

Por Juca Kfouri às 21h04

Empate justo

Palmeiras e Portuguesa fizeram um bom jogo nesta tarde em Palestra Itália.

Pena que exatamente nesta tarde, às 17h, como se tabela de campeonato fosse a mesma coisa que grade de programação de TV.

Resultado: pouco mais de 6 mil pagantes.

Que, aliás, tomaram muita chuva no começo do jogo, como tem sido habitual na desprotegida capital paulistana, onde, segundo o Macaco Simão, será lançado o plano Balsa Família.

Mas falando do jogo, que acabou com o justo empate de 1 a 1, no primeiro tempo só deu Lusa, que obrigou São Marcos a fazer pelo menos um milagre e fez seu gol,  com o estreante Luís Carlos, graças a um erro grotesco de Armero.

Já no segundo tempo só deu Verdão, quando Danilo empatou e Diego Souza mandou uma bomba na trave lusa.

Por Juca Kfouri às 18h55

Que vergonha!

From: "Paulo Murray"

Date: Thu, 4 Feb 2010 16:38:08

To: ;
Subject: vergonha

Caro Richer,


Do seu colega de COB, nada me espanta.

Mas muito me admira você compactuar com tamanha soberba.

Não posso acreditar que uma pessoa que viveu o Olimpismo por quase toda vida, possa corroborar com uma atitude covarde, medrosa , mesquinha e ditatorial como esta do Sr. Nuzman, ao tentar censurar uma das pessoas que mais se dedicam ao movimento Olímpico no país.

Vocês deveriam agradecê-la, ao invés de intimidá-la. 

O trabalho dela só beneficia o país, que segundo vocês é olímpico, mas na verdade nem sequer sabe o significado da palavra.

Andem pelas escolas e verão que nossas crianças não tem idéia que é o Movimento Olímpico.


Tudo isso porque ela não passou o penico pedindo dinheiro ao COB?

Vocês precisam entender que um país se forma através de opiniões divergentes e debates.

Esta cartilha de vocês talvez se enquadre na Venezuela, mas não mais aqui.


Se realmente tem , como dizem, o espírito Olímpico, tomem a única medida decente nesta situação e peçam desculpas à professora Katia Rubio.


Ao invés de se preocuparem com pessoas que estão ajudando, deveriam atentar para que o Rio 2016 não se torne no escândalo que foi o Pan 2007.


At,


Paulo Murray

Por Juca Kfouri às 18h41

Por São Luiz do Paraitinga

Capital paulista recebe Carnaval beneficente de marchinhas de São Luiz do Paraitinga

 

As fortes chuvas impediram que a cidade de São Luiz do Paraitinga recebesse nesse ano o tradicional Carnaval de marchinhas, que reúne foliões de todo o país em desfiles de blocos pelas ruas e em shows de bandas locais no coreto central do pólo turístico.

Mas os frequentadores de São Luiz têm ao menos um motivo para comemorar: no próximo dia 20 de fevereiro, a capital paulista recebe nas dependências do Sport Club Corinthians Paulista, na Rua São Jorge, 777, Tatuapé, a tradicional festa de Carnaval da cidade, animada por cinco das tradicionais bandas que fazem a alegria do carnaval de rua do interior.

O evento beneficente "São Luiz, sempre te quis, conte comigo" terá início a partir das 17 horas.  

 

Desfilarão no palco montado em uma arena nas dependências do clube as bandas: Lokomotiva Kabereka; Tânia Moradei e Banda; Confrete; Estrambelhados, e Quar d’Mata.

Os shows terão a duração aproximada de uma hora e meia cada.

O folião poderá matar as saudades das marchinhas de blocos como Barbosa, Juca Telles, Maricota, Pé Na Cova, Bloco do Lençol, entre muitos outros.

Os ingressos terão preço único de R$ 40 e começam a ser vendidos nesta quinta-feira, dia 04 de fevereiro, na rede credenciada Ingresso Mais.

Toda a renda arrecadada será revertida para a reconstrução da cidade, devastada pelas chuvas do final de 2009.

Pontos de venda

1. Parque São Jorge
2. Estádio do Pacaembu
3. Estacionamento VR Park, Av. Lins de Vasconcelos, 1.506 - Cambuci
4. Estacionamento VR Park, Rua da Consolaçao, 2.265 - Consolaçao
5. Auto Posto de Gasolina, Rua Conselheiro Furtado, 974 - Liberdade
6. Estacionamento VR Park, Rua França Pinto, 554 - Vila Mariana
7. Estacionamento VR Park, Rua Basílio da Gama, esquina com rua Gabus Mendes, República
8. Loja Poderoso Timão Rua São Bento
9. Loja Poderoso Timão Shopping Bonsucesso - Guarulhos
10. Loja Poderoso Timão Shopping Marechal Plaza - São Bernardo  

Por Juca Kfouri às 16h11

Cobre de seu deputado

Está para ser votado no Congresso Nacional o projeto que muda a lei que rege o esporte no país.

Um dos artigos mais modificados é exatamente o que pune os cartolas com o seu patrimônio em casos de má gestão.

Um texto que, é verdade, ainda não pegou, mas que é melhor do que o se propõe.

Porque o que se pretende é voltar à situação de só responsabilizar o cartola caso ele aja contra a lei ou contra o estatuto do clube.

Endividamento, por exemplo, que é o mais comum, ficará impune.

É a volta à Terra de Ninguém.

Só cabe pressionar para evitar tamanho retrocesso.

Por Juca Kfouri às 15h48

Caros generais, almirantes e brigadeiros

Por MARCELO RUBENS PAIVA

Eu ia dizer "caros milicos". Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?

Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.

Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.

Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.

Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo?

Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.

Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?

Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.

Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.

Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?

Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.

Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia...

Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi.

Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.

Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.

Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.

A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.

Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.

Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.

Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto.

Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.

Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco.

Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada.

Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.

Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças."

Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.

Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem.

*Publicado em "O Estado de S.Paulo" de 30 de janeiro de 2010.

 

Por Juca Kfouri às 15h28

Proteste você também

PELO DIREITO OLÍMPICO DE SE ESTUDAR E PESQUISAR ESTUDOS OLÍMPICOS NO BRASIL

POR KATIA RUBIO, professora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo

Desde que ingressei na Universidade de São Paulo como docente fui posta à prova em um processo seletivo, três concursos, além das bancas de mestrado, doutorado e livre docência.

Essa é a razão de ser da vida acadêmica. Sem contar na participação dos inúmeros editais que concederam auxílios ou bolsas aos projetos de pesquisa que desenvolvo. Com isso quero dizer que estou acostumada a ser avaliada e julgada de forma quase que ininterrupta há muitos anos.

Penso que aceitei o desafio da vida acadêmica porque fui criada e educada dentro do esporte. Aprendi ao longo da minha vida esportiva que o sucesso é o resultado de um processo que envolve dedicação, disciplina, determinação e que perder e ganhar faz parte do jogo. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar, já cantava Elis. Tive a felicidade de contar com excelentes professores e técnicos que apontavam a todo instante a fundamentação ética dessa atividade, sem necessariamente evocar essas palavras.

Talvez venha daí o meu compromisso como pesquisadora e educadora: tive grandes mestres que adotaram uma pedagogia mimética e me inspiraram a fazer o mesmo.

Quando me dediquei ao estudo, ensino e pesquisa da Psicologia do Esporte e dos Estudos Olímpicos os fiz porque tinha a convicção da importância que esse fenômeno representa para a sociedade. Isso não é nenhuma novidade, uma vez que Thomas Arnold, no século XIX já havia observado essa possibilidade na sociedade inglesa da época e pautando-se nessa convicção fundou a Rugby School. Dessa experiência pedagógica resultou a obra Tom Brown’s Schooldays. Hughes foi aluno de Thomas Arnold na escola de Rugby, marco da institucionalização do esporte nas escolas inglesas, e na obra Tom Brown’s relatou de forma romanesca e apaixonada o cotidiano e as preocupações de uma pedagogia pelo esporte. Essa foi uma das obras que inspirou o Barão Pierre de Coubertin a edificar seu ideário olímpico, tema central dessa manifestação.

O estudo do fenômeno olímpico me inspira de diferentes formas, seja por seus aspectos macro que envolve a história, bem como as questões sociais e filosóficas, até seu âmbito mais específico relacionado basicamente à psicodinâmica do atleta e das equipes esportivas. Entendo que reside na compreensão desse continun – sujeito-sociedade – o sucesso de uma intervenção que não é apenas clínica, mas essencialmente social.

Vejo "milagres" sociais serem operados por meio do esporte, e não apenas o olímpico, mas afirmo que é o esporte olímpico que fornece muitos grandes exemplos para que milhões de crianças desenvolvam o desejo do vir a ser. E é nisso que eu aposto minhas fichas, minha energia de vida e meu vigor acadêmico: no estudo do fenômeno olímpico e em suas reverberações em diferentes indivíduos, sejam eles crianças ou adultos, que se refletirão nos movimentos da sociedade de forma mais ampla.(...)

(...)Há anos estamos trabalhando na realização de projetos de educação olímpica em consonância com o pensamento de Pierre de Coubertin. Pensei que a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil fosse o momento oportuno e privilegiado para multiplicarmos essas ações que já ocorrem dentro de uma perspectiva de educação não-formal e informal. Nós da área acadêmica temos essa estranha mania de ter fé na vida e acreditar em coisas improváveis ou mesmo impossíveis.

Na última quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 tomei contato com um documento do Comitê Olímpico Brasileiro que me informa que devo recolher o livro Esporte, educação e valores olímpicos. Essa notícia além de me surpreender me causou enorme espanto por conta das alegações utilizadas para tal. Conforme o documento "o uso dos termos ‘olímpico’, ‘olímpica’, ‘olimpíada’, ‘Jogos Olímpicos’ e suas variações… são de uso privativo do Comitê Olímpico Brasileiro no território brasileiro."

Voltamos ao tempo da Inquisição onde apenas os iniciados poderiam fazer parte dos mistérios e os livros e publicações indexados deveriam ser expurgados impingindo aos descuidados o calor das chamas das fogueiras? É sempre bom lembrar que Hitler também fez suas escolhas de obras indexadas e termos permitidos.

O livro Esporte, educação e valores olímpicos foi gestado muito antes do anúncio da candidatura do Rio de Janeiro, uma vez que não tínhamos em nosso país nenhuma obra dedicada aos jovens para tratar do tema Olimpismo. Criei também um guia didático para uso dos professores em sala de aula apontando como usar o material como tema transversal, aproximando assim nossa tão desrespeitada educação física escolar de disciplinas "nobres" como a língua portuguesa, história, geografia, biologia etc.

Como diria Luther King "I have a dream" e continuarei a tê-lo, independente da ação do COB. Meu sonho continua vinculado ao país que tenho e ao país que desejo ter, e como o esporte pode contribuir para essa realização.

Publicar livros é dever de ofício de pesquisadores, principalmente das ciências humanas, e esse último é mais um entre os muitos que ainda pretendo publicar sobre o tema olímpico. Tenho um livro no prelo sobre as Mulheres Olímpicas Brasileiras. Que faço diante disso? Nomeio o inominável ou deixo que pisem as flores de meu jardim como no poema em homenagem a Maiakovsky?

"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"

Conto com o apoio de todos aqueles que estudam, pesquisam, ensinam e publicam sobre Olimpismo, Educação olímpica, Valores olímpicos, Ideais olímpicos, Imaginário olímpico, os deuses olímpicos não atletas, os heróis olímpicos de hoje e da Antiguidade para que essa forma de censura não se abata sobre nossas produções, para que prevaleça a liberdade de pesquisa e de expressão e para que o conhecimento possa chegar a toda a sociedade, saindo dos círculos restritos da universidade e contribuindo para uma sociedade mais justa e um país melhor.

Se de alguma forma essa notícia também lhe causa perplexidade escreva para:

 carlos.nuzman@cob.org.br 

 andre.richer@cob.org.br

 presidência@cob.org.br 

e manifeste sua opinião.

 

A Família Olímpica

POR GUSTAVO PIRES, professor da Universidade Técnica de Lisboa 

Há pessoas que no âmbito do Movimento Olímpico se julgam no direito de decidir quem pode e quem não pode dedicar-se ao estudo e à investigação das questões do Olimpismo. Na sua profunda ignorância e pesporrência estão convencidos que são proprietários de algo que os transcende. Quer eles queiram quer não, o Olimpismo é propriedade da Humanidade e não de uma qualquer casta que numa atitude profundamente xenófoba se gosta de chamar a si própria de "família olímpica".

Em Portugal, os dirigentes do Comité Olímpico de Portugal (COP) também se julgavam no direito de decidir quem podia ou não utilizar as palavras olímpico, Olimpismo ou, entre outras, Jogos Olímpicos, convencidos de que eram proprietários não só dos conceitos em si, como das próprias palavras que pertencem, como qualquer pessoa de bom senso sabe, à língua portuguesa e aos seus falantes.

Em conformidade, pretenderam acabar com uma organização de seu nome Fórum Olímpico de Portugal.

Para o efeito, contrataram um dos maiores escritórios de advogados do país mas o tiro saiu-lhes pela culatra.

Os Tribunais portugueses decidiram que a lei não lhes concedia o monopólio do uso das palavras pelo que o Fórum Olímpico de Portugal continua de boa saúde a produzir conhecimento na área do Olimpismo.

Entretanto, tomamos conhecimento que o Comité Olímpico Brasileiro (COB) quer obrigar uma investigadora da Universidade de São Paulo de seu nome Kátia Rúbio que investiga e publica há vários anos sobre a problemática do Olimpismo, a recolher o seu último livro intitulado "Esporte, Educação e Valores Olímpicos"! Tal como cá, os caras lá do Brasil também se julgam proprietários das palavras olímpico, olímpica, olimpíada, Jogos Olímpicos e suas variações...!!!

Há uns anos, tivemos a oportunidade de assistir no Rio de Janeiro a uma conferência sobre Olimpismo proferida precisamente pelo presidente do COB.

O que a generalidade das pessoas no fim da conferência comentou foi que o cara falou de dinheiro, de muito dinheiro, de marketing, de investimentos e de todos os termos possíveis e imaginários na área económica e financeira, contudo, ninguém o ouviu falar de Olimpismo, de valores do desporto, de educação ou de desenvolvimento humano.

O problema é que, como a generalidade dos dirigentes do Movimento Olímpico não fala sobre o Olimpismo e os seus valores, quer obrigar os outros a fazer o mesmo.

Não poderá Lula da Silva meter o sujeitinho na ordem.

Em Portugal foram os Tribunais através dos doutos acórdãos dos juízes que o fizeram.

O processo pode ser consultado em: www.forumolimpico.org

Veja mais em http://cev.org.br/, de onde este blog extraiu os dois escritos acima.

 

Por Juca Kfouri às 01h19

03/02/2010

Noite do Cruzeiro e da quebra de escritas

No jogo realmente importante da noite, o Cruzeiro goleou o Real Potosí, 7 a 0, e garantiu sua vaga na Libertadores.

Quando Marquinhos Paraná fez 1 a 0, já no fim do primeiro tempo, o jogo no Mineirão, com 40 mil torcedores, era para estar, no mínimo, 3 a 0.

Ou seja, se tivesse sido 10 a 0 não seria nenhum espanto, apesar do empate em Potosí, quando a altitude jogou.

Já em Campinas quem jogou foi Finazzi, que sofreu o pênalti que deu o empate à Ponte Preta e marcou o gol da virada de 2 a 1 sobre o Corinthians.

Escudero jogou abaixo da crítica e fez o pênalti.

No ano do centenário do Corinthians, a Ponte Preta sempre será lembrada, não só por ter sido o adversário que protagonizou o fim do jejum corintiano em 1977 como por ter quebrado a série invicta do rival.

Finalmente, quem deixou de ser 100% foi o Flamengo, que empatou 3 a 3 com o Olaria, no Maracanã, noutra escrita que se foi.

Bruno teve uma noite terrível, frangou duas vezes, embora tenha defendido um pênalti.

Adriano fez gol, Vagner Love fez mais dois e já jogou no Flamengo mais do que fez no Palmeiras.

A arbitragem não deu dois pênaltis para o Mengo.

Por Juca Kfouri às 23h48

Entre mortos e feridos, salvaram-se todos

O Flamengo resolveu apenas advertir o craque Petkovic.

E dar a ele uma assistência especial para que possa estar 100% nas semifinais da Taça Guanabara, razão pela qual não participará dos dois próximos jogos do campeao brasileiro.

Melhor assim.

O Flamengo vem se caracterizando por sua liberalidade nos últimos anos, motivo de muitos problemas mas, também, de soluções como Adriano, Vagner Love e o próprio Pet.

Que pisou mesmo na bola e a tal ponto que acabou pedindo desculpas no fim do dia de ontem.

Mas sem Pet o Flamengo não teria sido campeão brasileiro no ano passado e romper com ele agora seria não apenas triste como, também, um grave equívoco.

Que Petkovic, já bem crescidinho, não cometa mais infantilidades como a de domingo e que a direção rubro-negra siga em sua caminhada de ser capaz de perdoar, porque, afinal, perdão foi feito para a gente pedir.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010.

Por Juca Kfouri às 00h04

Bom dia!

Fim de férias.

Que só têm um problema: acabam.

O trabalho aliena, emburrece e estressa.

Mas, fazer o quê?

Enquanto alguns fazem anúncio de cerveja, como Dunga, outros têm de trabalhar.

E de lamentar.

A falta de sensibilidade do governador da cidade olímpica do Rio de Janeiro com a tragédia de Angra dos Reis, por exemplo..

Ou  a apatia dos governos paulista e paulistano nas enchentes de São Paulo e sua incapaz marinha tucana.

Ou a demagogia que cerca a catástrofe no Haiti.

Para não falar da pornográfica redução da pena de Diego Souza na justiça esportiva de São Paulo e da ridícula açao do COB contra o livro da psicóloga Kátia Rúbio, das mais sérias e respeitadas do país, apenas porque o título de seu livro tem a palavra "olímpicos".

Mas há, também, o que festejar.

Como a volta de Robinho, quem sabe a chance derradeira para que ele não venha a ser apenas mais um Denílson.

Ou a ressurreição de Vagner Love com a camisa que opera milagres.

O blog chama ainda a atenção para uma nova estrela que nasce no basquete norte-americano, na universidade de Siracusa, um menino de 22 anos chamado Wesley Johnson.

E saúda Tiago Fernandes, o tenista alagoano que ganhou o primeiro título individual juvenil brasileiro em torneios do Grand Slam, na Austrália.

Como espera um ano cheio de emoções aqui, na América do Sul, onde cinco brasileiros têm claras possibilidades de vencer a Libertadores, e na África do Sul, onde o hexacampeonato também será muito possível.

Enfim, olha nós aqui traveis!

Por Juca Kfouri às 00h02

02/02/2010

O processo. De Kafka?

Lílian Celiberti, quinta-feira, frente a frente com o sequestrador do DOPS

O policial Irno processa o jornalista que denunciou o seqüestro em 1978 

O ex-policial do DOPS gaúcho João Augusto da Rosa, codinome Irno, está processando o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor do livro Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios, lançado em 2008 pela editora L&PM.

O livro conta a história do sequestro de Lílian Celiberti, seus dois filhos menores e Universindo Diaz ocorrido em Porto Alegre em novembro de 1978. Irno - ex-inspetor do DOPS e membro da equipe do delegado Pedro Seelig, principal nome da repressão no sul do país durante a ditadura militar - foi o agente que recebeu Cunha com uma pistola apontada para sua testa, no apartamento da rua Botafogo, no bairro do Menino Deus, onde os policiais do DOPS e oficiais do Exército uruguaio mantinham Lílian seqüestrada. 

Irno – juntamente com outro policial do DOPS, o escrivão Orandir Portassi Lucas, o ex-jogador de futebol Didi Pedalada - foi reconhecido por Cunha e pelo fotógrafo J.B. Scalco como seqüestradores dos uruguaios. Ambos foram condenados pela Justiça em 1980.

 Na ação, Irno pede indenização por dano moral, alegando que Cunha não menciona sua absolvição por “falta de provas” no recurso que apresentou em 1983, em segunda instância. O policial esqueceu de dizer que as “provas” do seqüestro – Lílian e Universindo – estavam então presas, sob tortura, nas masmorras da ditadura uruguaia, que acabou apenas em 1985. 

 O seqüestrador do DOPS gaúcho tenta reverter na Justiça a verdade que a imprensa brasileira publicou na época e que é recontada, em detalhes, no livro de Cunha: “Lembro apenas uma história que o Brasil todo conhece. Irno é um dos policiais que nós identificamos como seqüestradores dos uruguaios. O livro conta e reafirma uma história que narrei há 30 anos, na série de reportagens da revista Veja que ganhou os principais prêmios de jornalismo do país”.

Agora, 32 anos depois do sequestro, Irno terá que enfrentar não só a verdade publicada pela imprensa.  Como uma das testemunhas de defesa de Cunha, a uruguaia Lílian Celiberti terá a chance de falar o que lhe foi sonegado dizer há três décadas.

Pela primeira vez desde 1978, Lilian estará frente a frente com o seqüestrador Irno na audiência do processo marcada para esta quinta-feira, dia 04/02, às 15h, na 18º Vara Cível, no Foro Central de Porto Alegre.

  Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios - que em 2009 recebeu o troféu Jabuti da Câmara Brasileira do Livro e a Menção Honrosa do prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos - acaba de ser agraciado em Havana no Prêmio Casa de Las Américas de 2010, que reuniu 436 obras de 22 países. Cunha ganhou menção honrosa na categoria Literatura Brasileira, vencida pela escritora Nélida Piñon. 

Por Juca Kfouri às 16h03

Um sonho impossível

O blogueiro está em férias.

Volta no dia 3 de fevereiro.
 
Mas deixa alguns capítulos do livro "Por que não desisto", lançado pela Editora Disal, em 2009, e organizado pelo jornalista Márcio Kroehn, autor dos pequenos comentários (em vermelho) que apresentam os artigos do blogueiro.

Um sonho impossível

Falar apenas da beleza do jogo nas quatro linhas, com um esporte transparente e com a corrupção debelada. É esse nirvana que se deseja para o futebol.

Como Don Quixote, ou Martin Luther King, eu também tenho um sonho. Um sonho provavelmente impossível, como se verá adiante.

No sonho, Paulo Roberto Falcão é o presidente do Inter. Raí preside o São Paulo, Casagrande o Corinthians, Júnior o Flamengo, Gérson o Fluminense e Tostão o Cruzeiro. Todos cercados por executivos profissionais para tocar o futebol dos clubes aos quais eles têm ligações históricas e pelos quais se tornaram vencedores e pessoas respeitáveis até hoje.

Mais ou menos assim como Bob Charlton na Inglaterra, Michel Platini na França e Franz Beckenbauer na Alemanha, para não falar dos diversos ex-atletas que têm postos de comando na Itália.

Carlos Alberto Parreira seria eleito o presidente da CBF, as federações estaduais desapareceriam por inúteis e o futebol brasileiro voltaria a conviver com estádios cheios e a encantar o mundo com seu talento.

Mas sempre acordo no melhor do sonho e me dou conta da realidade. E para que não me vejam como radical, informo: acho que é possível sim um acordo para salvar o futebol, no qual as presenças de Pelé e Zico seriam essenciais como garantia de seriedade - e não despertariam nenhuma suspeita sobre possíveis arranjos no mundo do marketing esportivo.

Bastaria que os principais cartolas renunciassem aos seus postos e pagassem o que devem à sociedade brasileira, de maneira a poder, depois, viver tranqüilamente suas vidas como ex-dirigente.

E é aí que, acordado, o sonho parece impossível.

Porque não há razão nenhuma para se acreditar que eles estejam dispostos ao gesto, como não há motivo algum para supor que queiram fazer um acordo, que venha a ser cumprido, em nome do progresso de nosso futebol, pois há décadas não cumprem nada do que prometem a cada temporada.

Esquecer o passado é a melhor maneira de repeti-lo.

(Publicado no "Lance!" de 07/02/2001)

Por Juca Kfouri às 00h43

01/02/2010

Tabelinha desta segunda-feira

Por Juca Kfouri às 22h46

Zagueira do Bangu

O blogueiro está em férias.

Volta no dia 3 de fevereiro.

Mas deixa alguns capítulos do livro "Por que não desisto", lançado pela Editora Disal, em 2009, e organizado pelo jornalista Márcio Kroehn, autor dos pequenos comentários (em vermelho) que apresentam os artigos do blogueiro.

Zagueira do Bangu


O futebol feminino mudou completamente desde 1998, quando o texto foi originalmente publicado. A camisa 10 do Brasil era de Sissi e agora é de Marta, vice-campeã Olímpica nos Jogos de Pequim 2008. O que não mudou foi a situação desse esporte no Brasil: inexistente, sem ao menos um campeonato organizado.

"E você já imaginou? Seu filho chega em casa com uma menina e a apresenta como sua namorada. Saí, você pergunta o que é que ela faz e ela responde: 'Sou zagueira do Bangu'. Não dá, né?!".

João Saldanha não gostava de futebol feminino e sempre repetia o exercício acima para quem tentava defende-lo.

Confesso que passei anos achando que o inesquecível João tinha razão.
Do mesmo modo que acho que esportes como vôlei e tênis são mais bonitos jogados pelas mulheres, os de choque, como basquete e futebol, são mais plásticos entre homens.

No vôlei e no tênis a bola fica mais um jogo, porque elas têm menos força que eles.

No basquete e no futebol, os gestos de autodefesa feminina, na parte de cima do corpo ao contrário dos homens que se protegem em baixo, tornam os duelos menos belos.

Nada, é claro, que impeça a formosura de uma Hortência ou de uma Paula.

Mas não é que o futebol feminino brasileiro está chegando ao mesmo estágio do nosso vôlei e basquete femininos? Até já admito a hipótese de que o velho João também mudaria de opinião se visse o que a seleção brasileira tem mostrado em matéria de jogo refinado e alegre.

Após o surpreendente quarto lugar nos Jogos de Atlanta, em 1996, e sob o comando do experiente técnico José Duarte, eis que as brasileiras chegaram ao estágio em que se encontram as norte-americanas, atuais rainhas do esporte.

Aliás, num país que adora jogos violentos, nada mas feminino que o futebol, o soccer para eles e elas.

Já é hora de todos prestarmos atenção em Sissi e companhia, menos pelos 66 gols a favor e só três contra em seis jogos no fraco sul-americano de Mar del Plata e mais pelo que elas poderão fazer no Mundial, em 99 nos EUA.

(Publicado na "Folha de S.Paulo" de 16/03/1998)

Por Juca Kfouri às 00h54

31/01/2010

Domingo da massa!

O cidadão volta ao país, ainda em férias, mas se vê diante de um domingo de Corinthians x Palmeiras, Fla-Flu e Gre-Nal.

Trinta mil torcedores no Pacaembu, 55 mil no Maracanã, estádio em Erechim lotado.

Roberto Carlos exagera no carrinho, como já havia exagerado em dois lances em que espanou mal uma bola e bateu mal uma falta de três dedos, no peito de um rival, e é exageradamente expulso antes do 10o. minuto de jogo.

O Corinthians, que já vencia por 1 a 0, gol de Jorge Henrique, de cabeça, passa a se defender.

E Felipe acaba com qualquer chance de reação palmeirense, ao fazer defesas importantes e garantir uma vitória corintiana sem Ronaldo, embora Diego Souza também não tenha jogado.

Já no Maraca, sem Fred, o Flu barbariza no primeiro tempo e faz 3 a 1, com gols de Alan, de Conca e de Cássio, contra um de Adriano, de pênalti, como tinha sido o de Conca.

Flamengo, no entanto, volta enlouquecido, e Vagner Love e Kléberson tratam de empatar, ainda nos primeiros minutos.

Só que Álvaro é expulso, aos 17, e o empate que seria ótimo para os campeões brasileiros passa a ser um desafio.

Desafio tão bem vencido que Adriano marca mais duas vezes para fazer 5 a 3, em jogadas fabulosas de Vagner Love e Vinícius Pacheco.

A massa já canta o tetracampeonato estadual, como a corintiana confia no seu bi.

E a do Inter?

A do Inter também confia, no tri.

Mas o Gre-Nal eu não vi, só sei que Alecsandro fez o gol da vitória colorada, aos 34 do segundo tempo, por 1 a 0.

O blog ainda está em férias, mas como não blogar num domingo destes?!!!

Por Juca Kfouri às 21h36

A Copa do Mundo da mentira

O blogueiro está em férias.

Volta no dia 3 de fevereiro.
 
Mas deixa alguns capítulos do livro "Por que não desisto", lançado pela Editora Disal, em 2009, e organizado pelo jornalista Márcio Kroehn, autor dos pequenos comentários (em vermelho) que apresentam os artigos do blogueiro.

A Copa do Mundo da mentira


Um país como o Brasil tem estádios nas principais capitais do país. O que vale mais a pena: modernizá-los ou construir novas arenas? Qual o custo para o cidadão e qual será a utilidade desse espaço pós-torneio?

Contarei aqui o que vi.

Nada que ninguém tenha me contado.

Desde 1982, na Espanha, cubro Copas do Mundo.

Nem em Sevilha, nem em Barcelona, cidades onde a seleção brasileira jogou, havia estádios novos. Nem em Madri, palco da final.

No México, em 1986, a mesma coisa: nenhum estádio novo.

Já na Itália, em 1990, teve um, em Turim, o estádio Delle Alpi. E só.
Nos Estados Unidos, no país mais rico do mundo, em 1994, então, também nenhum, sendo que o Brasil jogou no estádio universitário de Stanford e em campos adaptados para o futebol.

Fora os centros de imprensa feitos de madeira pré-moldada.

Na França, em 1998, de novo apenas o Stade de France, no subúrbio de Paris, mas o Parque dos Príncipes foi, naturalmente, usado.

Jogou-se, aliás, até no velho campo de Marselha, construído para a Copa do Mundo de... 1938!

O que originou um comentário de Ricardo Teixeira: "Se aqui pode ter jogo de Copa, o Brasil também pode organizar uma".

E ele tinha toda razão.

Mas, ao que parece, mudou de opinião. É bem verdade que, somente sobre o Maracanã, já mudou de opinião três vezes.

Sim, bem sei que as Copas na Ásia e na Alemanha modificaram conceitos, com a construção de uma porção de arenas, com dinheiro a rodo, modelo que a África do Sul tenta seguir -até porque não tinha estádios que pudessem receber uma Copa.

Mas o Brasil tem.

Quando se argumenta, por exemplo, que Maracanã e Morumbi não têm estacionamentos, são cometidos dois crimes: contra os fatos e contra o meio ambiente.

Na Alemanha, era preciso andar muito a pé para chegar a suas modernas arenas.

O novíssimo estádio do Arsenal nem estacionamento tem.

Tudo de acordo com, estes sim, novos conceitos, de evitar excesso de veículos e seus gases poluentes, para proteger a natureza.

O novo Wembley terá um estacionamento que será a metade do que tinha no velho Wembley.

Claro, Londres tem mais de 400 quilômetros de metrô, mas é nisso que precisamos pensar para 2014, e não em estacionamentos.

Conceda-se, por sinal, ao presidente da CBF, que ele anda mesmo preocupado com metrôs.

Tanto que ligou duas vezes para o governador de São Paulo, José Serra, para manifestar seu descontentamento com a nomeação de José Luiz Portella para a Secretaria de Transportes Metropolitanos.

Não satisfeito, aproveitando-se da boa relação do publicitário Nizan Guanaes, encarregado por ele de fiscalizar o atendimento ao caderno de encargos da Fifa, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também ligou para ele, pois vê em Portella um obstáculo aos seus projetos.

Portella, lembremos, foi o mentor do Estatuto do Torcedor e da chamada Lei da Moralização do Futebol, torpedeados por Teixeira e seus cartolas.

Ou, talvez, Teixeira queira mesmo que Barueri receba a Copa e queira levar o metrô paulistano, que é mais do que insuficiente hoje, para fora do município, algo que ninguém de bom senso aprovará.

O incrível nisso tudo é ver o governo federal, que pagará a maior parte da conta da eventual Copa do Mundo no país, assistir a tudo calado, como se abrisse mão de influenciar a escolha das cidades e dos locais das partidas.

Locais que serão usados, no máximo, para receber três jogos da Copa, evento que dura um mês.

Precisamos mesmo de 12 novos estádios ou de um mínimo de transparência e vergonha na cara?

(Publicado na "Folha de S.Paulo" de 04/02/2007)

Por Juca Kfouri às 00h08

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico