Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

20/02/2010

Que sono...

Diante de mais de 10 mil abnegados, o Corinthians ficou no 0 a 0 com o Rio Branco.

Não me peçam para comentar os 90 intermináveis minutos do que houve na Arena Barueri neste longo sábado de 25 horas.

Até amanhã.

Por Juca Kfouri às 21h20

Cruzeiro, para variar

O 1 a 1 do primeiro tempo no Mineirão não espelhava o jogo.

Que teve o Galo superior, com três chances claras de gol, uma delas milagrosamente salva por Leonardo Silva, o mesmo que viria a falhar no gol do empate atleticano, marcado por Jairo Campos, aos 31 e, depois, daria a vitória ao time azul.

Antes, aos 22, Gil tocou no escanteio cobrado por Gilberto e Leandro desviou de barriga para dentro do gol, num lance de muito azar e que punia quem estava melhor em campo.

O Cruzeiro voltou com Pedro Ken no lugar de Diego Renan e o Galo voltou igual.

Prova de que um técnico estava feliz com seu time e, o outro, não.

Assim que começou o segundo tempo, ainda mais rápido que o Cruzeiro, Diego Tardelli marcou o gol da virada, anulado pela arbitragem que viu um impedimento que, pela TV, não existiu.

Aos 8, de novo, Leonardo Silva tirou o que seria um gol, desta vez de Muriqui.

Aos 13, Kléber que mais encenava do que jogava, foi pisado, fora do lance da bola, em pênalti que a arbitragem não viu e que se visse teria de redundar em expulsão.

Aos 15, Muriqui furou na cara do gol.

Depois de uns 12 minutos pouco empolgantes, os dois treinadores resolveram atender aos pedidos das duas torcidas: Adilson Batista pôs Roger para estrear, e no lugar de Gilberto, e Vanderlei Luxemburgo fez entrar seu ídolo, Obina, no lugar de Renan Oliveira.

Aos 32, o veterano Júnior substituiu Ricardinho, apagado.

O Cruzeiro já era melhor no gramado.

Aos 33, Roger deu na medida, num passe de 30 metros, para Thiago Ribeiro bater de primeira e quase desempatar.

Aos 37, Roger bateu escanteio pela esquerda e Leonardo Silva cabeceou firme para fazer 2 a 1.

Foi a vez de Jonílson sair para Marques entrar porque o Galo queria, ao menos, empatar.

Mas, qual: entra ano, sai ano, o Galo muda de presidente, de time, de técnico, e segue freguês do Cruzeiro.

Thiago Ribeiro deu lugar a Bernardo, para fechar.

Mas quem fechou mesmo foi Roger.

Fechou o placar, aos 43, num golaço de fora da área.

E o 3 a 1 ficou estampado no Mineirão, diante de 41 mil torcedores. 

Mais uma vitória de Adílson Batista, até nas substituições.

Elegante, Vanderlei deu bananas à torcida vitoriosa.

Um luxo!

Por Juca Kfouri às 18h52

O desabafo de um jornalista palmeirense

Por FELIPE GIUNTINI*

Estou muito tenso e preciso desabafar.

A minha tristeza é muito grande com o Palmeiras.

Sabe aquela angustia de quem foi traído, iludido e de quem está apaixonado e perde o chão?

Pois é! É assim que me sinto.

Eu trabalho numa emissora de TV em São Paulo e quando o Belluzzo começou como presidente no Palmeiras, eu o encontrei nos corredores da emissora. Ele estava seguindo para um programa ao vivo. Quando o vi, não tive dúvida: fui até ele e apertei sua mão com convicção.

Eu disse:

- Muito obrigado, presidente.

Ele sorriu e seguiu a caminho dos estúdios.  

Acompanhando o programa mais tarde, vi que ele citou no ar, que quando chegou na emissora um rapaz (eu) lhe agradeceu . Belluzzo disse ainda que isso lhe deixava animado e que ainda não entendia muito o carinho do torcedor.

Pois é, hoje, depois de um ano esse mesmo rapaz está chateado com o presidente... Sem exageros, está envergonhado. 

E eu fico pensando o que poderia fazer caso essa situação se repetisse? O que poderia falar para o Belluzzo sem ser indelicado?  

Depois de 10 anos de técnicos fracos, eu realmente me iludi, acreditei e até sonhei com esse time! E aí... 

A diferença é que antigamente eu me conformava, não esperava muito e por isso não sofria. Posso dizer agora, com toda a certeza, nunca estive tão triste com o Palmeiras, nem mesmo no rebaixamento.

Pra piorar tudo, anunciaram o Antonio Carlos como treinador.

Me desculpe, mas em hipótese alguma eu entrarei num estádio ou assistirei na TV um jogo, enquanto meu time for comandado por um técnico racista e um presidente medroso (ou sem ousadia, pra quem preferir).

Meu pai tem 51 anos e há tempos me diz pra não ligar pra futebol, que isso não é coisa séria. Mas eu sempre custei a acreditar. Eu achava que podia deixar de me importar sim, mas quando estivesse mais velho.

Engraçado né? Com 25 anos vejo a indiferença chegando e parece inevitável.
 

*Felipe Giuntini é jornalista em São Paulo.

Por Juca Kfouri às 00h18

19/02/2010

Prévia do Mineirão?

Deu azul na prévia do grande clássico deste sábado, no Mineirão, entre Cruzeiro e Galo, às 17h.

Só que, neste caso, jogo de vôlei, o azul foi a cor do Galo, porque a cor do Minas Tênis de Clube.

Que ganhou do Cruzeiro, por 3 a 2, num jogaço, em Belo Horizonte, pela Superliga masculina.

Cruzeiro que é líder do torneio (o Minas, tetracampeão da Liga, é o quinto) e estava invicto há 18 jogos.

E o Minas era Galo não só porque seu presidente, Sérgio Bruno Zech Coelho, já foi dirigente do Atlético Mineiro, como porque, principalmente, quem joga contra o Cruzeiro tem sempre a torcida alvinegra a seu lado.

Em tempo: o Cruzeiro jogou de branco.

Ah, as parciais, veja só: 25/22; 22/25; 25/22; 23/25 e 15/13.

Por Juca Kfouri às 23h40

Nada como um dia após o outro...

Todas as vezes em que, aqui, foram feitas críticas ao ex-imperador do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, o mundo quase vinha abaixo, com iradas reações de torcedores do Furacão.

O dono deste blog está curioso por saber o que andam pensando os petraglistas diante do que anda contando sobre ele o atual presidente do rubro-negro, e ex-aliado dele, Marcos Malucelli.

Dê um pulo no sítio do Atlético Paranaense e veja com seus próprios olhos.

www.atleticoparanaense.com

Por Juca Kfouri às 22h48

Ao melhor futebol jogado hoje no Brasil

Por Juca Kfouri às 14h25

Muricy Ramalho fez mau negócio

Muricy Ramalho foi o cara certo no lugar errado.

Como em certos cargos públicos, Muricy Ramalho deveria ter cumprido um período de quarentena.

Sair do São Paulo diretamente para o Palmeiras, está claro agora, não poderia mesmo dar certo, como não daria no Corinthians.

Jamais o uniforme verde lhe caiu bem e ele caiu bem na hora que sua imagem tricolor começava a ficar mais longínqua.

Por mais dinheiro que tenha recebido, e vá receber de multa contratual, não foi um bom negócio para Muricy Ramalho.

Em menos de um ano, duas demissões.

Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro, terá de começar tudo de novo.

E Antonio Carlos Zago, o novo técnico do Palmeiras?

Parece ser o cara errado no lugar certo.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 00h00

18/02/2010

Show na Vila

O Bragantino não é de nada, embora seja atrevido.

Até pagou caro pelo atrevimento, pois tomou seis gols do Santos.

Mas, ao menos, marcou três, na Vila Belmiro.

Vila que viu seu time se divertir.

Viu André fazer dois gols e Weslei fazer um, o primeiro.

E viu Robinho fazer um gol, o segundo, e um golaço, o quinto, por cobertura.

Viu ainda, no finzinho, Zé Eduardo fazer o sexto gol, em ótimo contra-ataque.

De novo, deu gosto ver o Santos, 25 gols em nove jogos, quase três por partida.

Aqueles uniformes brancos, imaculados, ainda sem patrocínio (que deverá vir logo) lembram, ah, como lembram...

Ah, deixa pra lá.

Por Juca Kfouri às 22h50

A crise do Palmeiras e a demissão de Muricy.

Por Paulo Massini*

 

O jornal "O Estado de S.Paulo" publicou, no dia 28 de dezembro de 2009, um estudo sobre a saúde financeira dos clubes brasileiros, referente ao ano de 2008, realizado pela Casual Auditores.

Confesso que fiquei surpreso com o resultado: o Palmeiras é o clube grande de São Paulo que tem a menor dívida, R$ 55 milhões.

O São Paulo deve R$ 143,2 milhões, o Santos R$ 134,2 e o Corinthians R$ 118,2.

Este é o problema palmeirense que reflete dentro de campo: má qualidade de gestão dos seus recursos.

O clube tem um estádio muito bem localizado, dois centros de treinamento, um clube de campo inútil, e o seu maior patrimônio, 15 milhões de torcedores.

Mesmo assim, os seus dirigentes não conseguem transformar os bons números, inclusive o da sua dívida em recursos financeiros para as devidas contratações.

Em janeiro de 2011 o Palmeiras complerá seis anos de gestão pós Mustafá Contursi e o resultado é ruim.

Luiz Gonzaga Beluzzo foi eleito presidente e trouxe com ele uma idéia de modernização, não só do futebol, mas também do clube social.

Até o momento a Arena Palestra não saiu do papel e a gestão do futebol sob o comando de Gilberto Cipullo e Toninho Cecílio cometeu muitos equívocos.

Começou com a contratação de Vanderlei Luxemburgo.

Um ex-técnico ainda em atividade e muito centralizador.

Luxa mandou contratar Edmilson e Mozart. Eles custaram R$ 500 mil reais por mês enquanto vestiram a camisa palmeirense inflacionando a folha de pagamento.

Com eles vieram outros:Jumar, Sandro Silva, Jeferson e Marcão.

Luxemburgo não fez questão de segurar o zagueiro Henrique, afinal ele tinha um substituto pronto para jogar.

Indicou e a direção contratou Gladstone.

Valdívia não queria sair, foi negociado a preço de banana porque Luxa acreditava que o chileno e Diego Souza não poderiam jogar juntos.

Kleber foi embora e o Palmeiras não fez o esforço devido para segurá-lo.

O presidente Beluzzo, renomado economista, mandou diminuir o orçamento do futebol em 30%.

Manda quem pode obedece quem tem juízo.

Com menos recursos, o torcedor do Palmeiras segue sendo iludido com as promessas de Kleber, Valdívia e outros nomes.

Quando Beluzzo demitiu Luxemburgo e arrumou a casa com Jorginho, o título brasileiro estava próximo.

Nova mudança de rumos com a contratação de Muricy Ramalho.

O time caiu de produção também pela falta de planejamento do elenco

O técnico no momento decisivo, não encontrou substitutos para Pierre, Cleiton Xavier e Maurício Ramos que se machucaram.

O resultado vocês já sabem qual foi: Muricy Ramalho demora muito para acertar os times que dirige.

Não teve e não terá este tempo no Palmeiras, pois foi demitido e levou com ele o gerente de futebol Toninho Cecílio.

Mais uma multa para a surrada folha de pagamento.

Muricy tem responsabilidade na queda do time em 2009 e no futebol ruim deste início de temporada.

No tempo em que permaneceu deixou claro, honesto como sempre foi, que não queria jogador meia boca da Traffic e afastou Marquinhos e outros.

Na base abriu diálogo com os técnicos do Junior e do Palmeiras B, aproveitou Gualberto que estava de saída , João Arthur e Gabriel Silva bons jogadores e no final perdeu a guerra fria com o Cipullo.

Como já vimos os dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras não conseguem transformar em recursos, seja humano ou financeiro, os seus valiosos bens.

Estádio próprio e bem localizado, a menor dívida dos grandes times de São Paulo, dois centros de treinamento, um clube social e outro de campo totalmente inútil, além do seu maior capital, os 15 milhões de torcedores ávidos por uma gestão decente e competente.

Ainda há tempo para correção de rumos.

Este grupo que comanda o futebol hoje, denominado MUDA PALMEIRAS, que nasceu com a marca da esperança de reorganização de um clube e de luta contra a tirania, precisa refletir, se unir e agir com inteligência e rapidez, para que o mal e seus asseclas mustafianos não retornem como um tsunami.

Mama mia!

*Paulo Massini é comentarista da Rede CBN de rádio.

Por Juca Kfouri às 22h46

Derrota da paradinha

Entre os frequentadores do blog, com 2600 manifestações, 66% são contra a paradinha na hora do pênalti.

Por Juca Kfouri às 22h32

O Palmeiras quer Zago

Daqui a pouco a direção do Palmeiras se reúne e tenta acertar a contratação de Antonio Carlos Zago como seu novo técnico.

A queda de Toninho Cecílio foi uma concessão à Mancha Verde, mas, segundo se diz dentro do clube, ele continuará a assessorar o vice-presidente de futebol Gilberto Cipullo, discretamente.

Em bom português: o Palmeiras vai de mal a pior.

Por Juca Kfouri às 19h32

Um erro atrás do outro

O Palmeiras cometeu o erro que faltava: demitiu o mordomo, quer dizer, o técnico.

Nada mais tradicional.

Fez a opção pela política interna do clube, porque o vice de futebol é forte.

Melhor teria sido, então, ouvi-lo no fim da temporada passada, quando já pedia a cabeça do treinador.

Dá-la agora é a receita de sempre.

Quanto engano!

Por Juca Kfouri às 17h50

Tudo azul na Quarta-feira de Cinzas alvinegra

Cinza é cinza, mas, ontem, foi preta e branca no Maracanã.

Que viu o Botafogo superar o favoritismo do Flamengo e se classificar para a final da Taça Guanabara.

O Glorioso saiu perdendo, empatou, virou quando era inferior e vai enfrentar o Vasco no domingo.

Preta e branca no Rio, em São Paulo a Quarta-Feira de Cinzas foi azul.

Não é que o São Caetano. o Azulão, goleou impiedosa e humilhantemente o Palmeiras, no Palestra Itália, por 4 a 1?

E esteve com 4 a 0 a seu favor.

O Azulão completou a alegria também de outros alvinegros, os corintianos, que, ainda por cima, viram seu time fazer 3 a 0 no Mogi Mirim.

Ah, sim, azul é também, uma das cores da Unidos da Tijuca, a grande campeã do Carnaval carioca.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, dia 18 de fevereiro de 2010.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 00h14

17/02/2010

Vexame no Parque!

Na primeira "Tabelinha" deste ano, aqui no UOL, o blogueiro disse que o Palmeiras era, naquele momento, a quarta força de São Paulo.

O presidente do clube reagiu e retrucou ao dizer que uma afirmação como aquela era típica de quem não entende de futebol.

Ele tinha razão.

O Palmeiras, no Parque Antarctica, diante de mais de 3 mil torcedores, acaba de levar uma goleada do São Caetano: 4 a 1.

E está em oitavo lugar no Paulistinha.

Por Juca Kfouri às 23h44

Botafogo vira e é finalista!

Marco Antonio Rezende/UOL

Marcelo Cordeiro comemora seu gol

Foi um jogaço no Maracanã, com 40 mil torcedores, 32 mil pagantes.

Desde os primeiros minutos, quando o Botafogo criou duas chances de gol e o Flamengo uma, ainda mais clara.

Melhor em campo, o rubro-negro abriu o marcador com Vinícius Pacheco, mas viu Marcelo Cordeiro, 10 minutos depois, aos 34, empatar num golaço, depois de grande defesa de Bruno.

O Flamengo voltou ainda melhor no segundo tempo, mas o Império do Amor não estava numa noite feliz.

Adriano desperdiçou ótima chance, em passe de Petkovic, que entrou na metade do segundo tempo.

Vágner Love que tinha dado o primeiro gol, perdeu duas chances de ouro e, aos 39, viu Caio, numa rara pontada alvinegra, fazer 2 a 1, para acabar com uma série de 10 jogos sem vitória do Botafogo e para classíficá-lo para jogar a final da Taça Guanabara contra o Vasco, no domingo.

E perdeu, também, a chance do empate.

Não foi a primeira vez que o Botafogo passou por cima do favoritismo do Flamengo.

Joel Santana sorri, glorioso.

Por Juca Kfouri às 23h42

Baile em Mogi!

O Corinthians não deu a menor pelota ao frágil Mogi Mirim e fez 3 a 0 sem forçar.

Souza marcou duas vezes e Chicão fechou o placar, no campo do adversário com apenas 4.700 pagantes.

Na volta a São Paulo, é possível que o time invada a quadra da Gaviões da Fiel para protestar contra o quinto lugar no Carnaval paulistano, atrás até da Mancha Verde.

Mas deveria mesmo é protestar contra a direção do clube que deu dinheiro para a torcida dita organizada fazer seu desfile e a viu promover mais uma cafajestagem no sambódromo.

Por Juca Kfouri às 23h41

Gildo Marçal Brandão (1949-2010)

Muita gente escreveu ao blog para manifestar estranheza pela ausência de comentários do blogueiro sobre o jogo entre Milan e Manchester United e sobre mais uma manifestação violenta da Gaviões da Fiel, agora na apuração das notas do desfile do Carnaval paulistano. A razão está abaixo. A morte de um amigo querido. 

 

Amigos e companheiros,
Simone, Joana, Carolina e Lucas,
Dona Eva, dr. Brandão e demais parentes de Gildo

Aqui estamos para prantear o desaparecimento de um personagem singular.

É interessante assinalar que Gildo antes de tudo era um sobrevivente na batalha pela sua existência.

Segundo o relato de sua mãe, dona Eva, na infância os médicos não acreditavam que o primogênito daquela família, nascido no inóspito sertão de Mata Grande, iria sobreviver.

Os diagnósticos eram irrefutáveis. O garoto padecia com a chamada tetralogia di Fallot que afetava de forma total seu sistema cardíaco.

Todavia, dona Eva, com o apoio total de seu esposo, não se curvou diante desse prognóstico.

Recorreu a tudo que a medicina naquela época poderia fazer para salvar seu filho.

Assim, teve início uma batalha que durou quase sessenta anos, porque exatamente hoje Gildo completaria 61 anos de idade.

Mas essas seis décadas foram sobretudo uma sequência de sofrimentos e sacrifícios inauditos desse alagoano fisicamente fraco, mas com fibra de aço. Volta e meia era internado em hospitais e sempre estava preso a dietas intoleráveis.

Duas vezes seu músculo cardíaco teve de ser aberto e na primeira delas sua vida dependeu da perícia do doutor Zerbini.

Recentemente, recorreram à implantação de um marca-passo, que, afinal, não impediu o enfarte que o derrotou anteontem.

Sua grande amiga, cardiologista do Incor, a doutora Ana Maria Braga, sempre nos advertiu: “Fiquem preparados para o que pode acontecer com Gildo”.

Então, na verdade, o sucedido anteontem foi um fato absurdo, mas anunciado, pois a falência de seu sistema cardíaco fora adiada durante seis décadas.

Em primeiro lugar pelo extremo cuidado recebido na infância e na mocidade, graças ao carinho de seus familiares.

Outros fatores básicos foram essenciais na formação dessa figura excepcional como teórico e militante político em nosso país.

Em segundo lugar contribuiu decisivamente seu profundo amor à vida, ao trabalho que realizava como cientista político, sua convicção de que suas pesquisas seriam de enorme importância para o futuro do país.

Note-se que fugiu de São Paulo para uma praia a fim de poder terminar a aula que deveria prestar na segunda semana de março.

Todos sentiam como seus deveres como professor o consumiam, embora sempre apreciasse as coisas boas da vida.

Não por acaso seu último de vida foi um passeio maravilhoso numa praia.

O outro fator básico que permitiu essa atividade espantosa foi o apoio absoluto, total e vigilante de Simone, sua companheira que tudo fazia para que Gildo pudesse viajar, tomar parte na vida social e manter em sua residência um afetuoso e acolhedor clima de amizade com inúmeros amigos, com estudantes estrangeiros que ali se hospedavam, e auxiliando os pós-graduandos orientados por Gildo.

A contribuição de Simone também foi essencial para garantir um melhor padrão de vida da família.

Pois bem, esse alagoano travou essa batalha sem se submeter às normas impostas a uma pessoa fisicamente frágil.

Sua vida é um exemplo de um envolvimento permanente com toda a sorte de dificuldades financeiras, políticas, policiais e de extremo amor a diversas instituições de pesquisa, particularmente a Universidade de São Paulo.

Agora a fatalidade o derruba quando dentro de um mês iria disputar o mais alto posto na academia, a função de professor titular da USP.

O ponto de partida de Gildo na universidade foi o estudo sistemático de filosofia, o que lhe deu uma base teórica que sempre lhe permitiu fazer análises profundas na ciência política e na sociologia.

Daí suas posições ao lado dos que no movimento comunista assumem uma atitude firme na defesa do valor universal da democracia e da firme disposição de aprofundar a correção dos erros cometidos pelos que se engajam na luta por uma sociedade mais justa.

Com orgulho Gildo Marçal Brandão relatava sua qualidade de militante comunista.

Relembro sua disposição de participar ativamente da rearticulação da direção comunista em São Paulo, quando a repressão policial assassinou diversos dirigentes comunistas em 1974 e 1975.

Naquele ambiente de absoluto terror, Gildo cuidou de reorganizar a direção estadual dos comunistas e participou do lançamento do semanário “Voz da Unidade”, que circulou durante vários meses.

Essa atuação criou um problema para ele, porque o afastou durante vários meses da vida acadêmica.

Assumiu o compromisso de uma participação teórica mais intensa no lançamento da revista “Temas de Ciências Humanas”, abordando aspectos essenciais da atividade comunista no Brasil e no mundo.

Para sobreviver viu-se forçado a trabalhar em várias publicações, na qualidade de “free-lancer”, inclusive na “Folha de S. Paulo”, quando foi acolhido por Cláudio Abramo.

Retornando à atuação na academia, Gildo jamais deixou de lado sua atuação destacada como um dos teóricos que dedica parte de seu tempo à elaboração programática do ideário comunista no Brasil e no mundo.

Comecei meus contatos com Gildo depois da minha saída da prisão, em 1979.

De início era um relacionamento distante, mas que foi se estreitando cada vez mais.

Com o passar dos anos diariamente debatíamos problemas e desafios. Tudo o que eu fazia submetia a ele. E ele sempre exigia minhas opiniões. Raramente discordávamos. Agora fico meio perdido sem saber como vou trabalhar sem antes ouvir suas observações.

Assim minha sensação é de perplexidade e de insegurança.

Mas tenho clareza em relação a um ponto.

A contribuição de Gildo foi poderosa e profunda, deixando dois importantes legados.

De um lado, foi sua colaboração intensa para a criação na USP — principalmente nos Departamentos de Ciência Política e de Sociologia — de um clima de renovação entre os professores, visando o aggiornamento do ensino superior no Brasil nas ciências humanas.

De outro lado, pode-se medir a repercussão de seu trabalho na USP através da formação de um grupo de doutores e mestres que leva em conta suas análises críticas.

Encerro minhas palavras fazendo um apelo para que esforços sejam feitos a fim de ser publicado o memorial preparado por ele para o concurso de professor titular da USP.

Documento que, no dizer dele, é um resumo de suas opiniões.

Assim, a divulgação dessa derradeira reflexão será a maior homenagem a um mestre cujo exemplo é um orgulho para a comunidade acadêmica brasileira.

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Fala de Marco Antônio Coelho, no crematório da Vila Alpina, em São Paulo, 17 de fevereiro de 2010.

 

Por Juca Kfouri às 22h51

No diário 'Lance!' de hoje

Por JOSÉ LUÍS PORTELLA

Lei da desmoralização

MÁSCARA NEGRA

Vem mais uma tunga por aí.  

Deve ser com o Banco do Brasil.

Grana do Papai Estado.

Cartolas que têm acesso a Lula trabalham em mais um ato: o Banco do Brasil, provavelmente, absorveria as dívidas dos times e as refinanciaria em condições amigáveis por 30 anos ou mais.

Certo estava Márcio Braga quando acalentava a Timemania: "Vamos nessa que depois vem outra".

Ou seja, mais uma vez os times parcelavam suas dívidas e, depois, novamente deixariam de pagar os impostos e pediriam outro parcelamento.

Uma festa, como em vezes anteriores.

A tese é simples: clube é patrimônio cultural e nunca será fechado.

Com esse argumento malandro de sapato branco constroi-se a história da pendura futebolística.

A mágica que querem empurrar para o Banco do Brasil não é muito diferente do que aconteceu com os bancos americanos que quebraram recentemente na orgia do subprime.

Se até os economistas neoliberais atacaram esse apelo desaforado ao Papai Estado na Meca do capitalismo, imagine a reação dos economistas desenvolvimentistas brasileiros que ostentam em seus currículos o repúdio a esse modo dos banqueiros procederem: "Governo só atrapalha; a menos quando nos salva da falência".

É a mesma festa da ganância irresponsável.

Lá, ninguém aguentava ter lucro menor que o concorrente e botava o pé na lama de um crédito bem podre.

Aqui, os clubes procedem igualmente.

"Se o co-irmão faz, temos que fazer", diz o diretor de futebol, docemente constrangido, sustentado pelo ledo presidente.

Na Timemania, que assimilou até apropriação indébita, dinheiro desviado pelos cartolas, negociava-se a dívida dos times com o Governo.

Agora é a dívida privada feita com a máscara negra do cartola.

Segundo ato: a atual mudança, na Câmara Federal, da chamada Lei de Moralização.

Cartola não responde mais por endividamento.

Em toda atividade comercial, como é a indústria do entretenimento, onde militam os clubes de futebol, ou se é empresa ou se responde com os próprios bens nas transações, para dar segurança aos agentes parceiros.

O futebol será a exceção.

Uma desmoralização.

Para disfarçar, enfiaram o termo "gestão temerária", que é crime só previsto para o sistema financeiro.

Ou seja, inventaram algo inócuo.

Férias morais.

Com o terceiro ato que vem aí – o Banco do Brasil a premiar gestores irresponsáveis que manipulam a paixão do torcedor –, nada ficamos devendo aos banqueiros de Tio Sam. Aliás, os superamos.

Papai Estado vai bancar a folia privada dos clubes.

"Que bom te ver outra vez. É carnaval."

 

Por Juca Kfouri às 14h49

Samba, suor e futebol na Guanabara

Os olhos do país estão voltados para a Cidade Maravilhosa.

Afinal é lá que duas das maiores paixões nacionais vão viver momentos de decisão.

À tarde, no Sambódromo, sai o nome da escola vencedora do Carnaval mais badalado do mundo.

A Unidos da Tijuca é a grande favorita.

E à noite, no Maracanã, sai o adversário do Vasco na final da Taça Guanabara.

O Flamengo é o grande favorito.

Mas do mesmo modo que o Botafogo pode surpreender no gramado, o júri pode apontar outra escola vitoriosa em sua urna.

Certeza mesmo só uma: vai fazer calor, muito calor, tanto na apuração como no jogão.

Por Juca Kfouri às 00h01

16/02/2010

Da coluna, e do blog, do Torero

Hoje, excepcionalmente como ele fez em seu blog, publico aqui a coluna de José Roberto Torero na "Folha de S.Paulo".

Torcedor + trouxa = Trouxedor

Por JOSÉ ROBERTO TOREIRO 

(hoje, excepcionalmente, publico aqui o texto da Folha de S.Paulo)

“Torcedor”, segundo o dicionário Houaiss, significa “Aquele que torce nas competições esportivas”. Já “trouxa” quer dizer “Aquele que é facilmente iludido; tolo”.

Pois bem, creio que precisamos de uma nova palavra: “trouxedor”. Uma mistura de trouxa com torcedor. É isso que nós, aqueles que gostamos de ver uma partida de futebol ao vivo, somos.

Para começar, a ida ao estádio é um suplício. Se você vai de ônibus, fica com inveja das sardinhas. Se vai de carro, tem que deixar algum dinheiro com o flanelinha, o primeiro de vários malandros que você encontrará em seu caminho até o campo. Este personagem não passa de um chantagista. O dinheiro que você lhe paga não é para que ele cuide do seu carro, mas para que não o risque.

Neste domingo fui comprar ingresso no estádio do Pacaembu várias horas antes do jogo, e eles já estavam lá. Para quem não sabe, o Pacaembu tem zona azul, mas mesmo assim havia muitos deles.

Pois bem, depois de você deixar um cartão de zona azul no seu carro e de também pagar o flanelinha, você vai para a fila. Uma grande fila. Os responsáveis sabem que o número de compradores será enorme, mas nem se pensa em colocar mais gente trabalhando, o que pode não ser apenas incompetência, mas conivência com um esquema de corrupção que explicarei logo abaixo.

Depois de esperar quarenta minutos na fila, vi um torcedor sair do guichê dizendo em voz alta: "Cuidado aí, pessoal, eles estão vendendo ingresso de estudante a preço de inteira!"

Logo depois, um fiscal se aproxima da fila e esclarece: "Para o tobogã só há meia entrada. Mas tudo bem, todos poderão comprá-la e só pagarão metade do preço."

Porém, quando chego ao guichê, o bilheteiro, um sujeito usando uma camisa do Santos, diz que a entrada custaria trinta reais. Eu protesto e repito o que o fiscal havia dito. O bilheteiro resmunga e, milagrosamente, a entrada volta a custar R$ 15,00.

É claro que, se você preferir não enfrentar a fila, pode recorrer aos cambistas. Pagará uma “tarifa de conforto” e depois basta torcer para que o bilhete não seja falso. Em resumo, na hora da compra do seu ingresso, você pode escolher o pilantra para o qual vai deixar seu dinheiro.

E é um bom dinheiro, caro trouxedor. O ingresso mais barato custava R$ 30. Se você quiser um lugar melhor, o preço vai para R$ 50 ou R$ 60, mais que o ingresso de cinema mais caro da cidade, o do shopping Cidade Jardim (R$ 46).

Então, depois de pegar uma longa fila para entrar no estádio, você sentará sob o sol, no cimento, e será vítima de outro malandro: o ambulante. Neste caso, nem sei qual é pior, se o clandestino ou o oficial. Este vende seus produtos a preços inacreditáveis (um picolé custa R$ 4,00). Os do clandestino são mais baratos, mas não venha reclamar da qualidade.

Não, você não tem saída, trouxedor. Pois, se não quiser mais ir ao estádio, vai acabar no pay-per-view, que tem preços absurdos.

Ou, pensando melhor, há uma saída. É jamais comprar de cambistas, é fotografar bilheteiros pilantras e colocá-los na internet, é levar seu próprio alimento, é reclamar e dedurar os pilantras.

O torcedor desorganizado tem que se organizar de alguma forma. Senão será para sempre um trouxedor.  

Por Juca Kfouri às 20h53

Sem limites

Você já tinha visto anúncio de mau gosto maior que este da Vivo, no qual a menininha fica feliz da vida porque ganha um celular do pai que acaba de se divorciar?

Quando você pensa que o lance do brameiro é o que pode haver de pior, eis que alguém se supera.

 

Por Juca Kfouri às 00h21

15/02/2010

Mais um time de prefeitura

Olinda, apesar da beleza de seu carnaval, vestígios históricos e mar verde esmeralda, tem alto índice de pobreza e doenças medievais, como a tuberculose e a filariose.

Sabe o que o prefeito Renildo Calheiros - que não se perca pelo sobrenome, pois é irmão de Renan - está fazendo?

Formando um time de futebol profissional e um construindo um estádio de futebol para 15 mil pessoas.

Adivinha quem vai custear o sonho irresponsável do prefeito eleito com discurso demagógico do "social"?

Ganha uma fatia de bolo de rolo, quem disser que é o trouxa do projeto é o contribuinte.

Renildo Calheiros é do PCdoB, partido do ministro do Esporte, Orlando Silva, que financiará o estádio.

Por Juca Kfouri às 13h05

Pouco futebol no Carnaval

Faltou futebol no fim de semana de Carnaval.

Em São Paulo, Corinthians e Palmeiras só empataram e depois de estar atrás no placar.

São Paulo e Santos venceram, mas sem jogar o que deles se espera.

No Rio, só os pênaltis decidiram um dos finalistas da Taça Guanabara, o Vasco.

E, em Minas, o Galo segue desafinado, colecionando empates contra os pequenos.

De chamar a atenção mesmo só a torcida do Santos, que botou 32 mil pagantes no Pacaembu -- mais que os 26 mil que viram as partidas do Corinthians, do São Paulo e do Palmeiras juntas.

Pena que Robinho não tenha desfilado.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010.

Por Juca Kfouri às 02h02

14/02/2010

Giovanni salva o Santos

Robinho levou mais gente ao Pacaembu neste domingo do que levaram Corinthians, São Paulo e Palmeiras no sábado.

Foram 32 mil pagantes contra 26 mil dos outros grandes no Canindé, em Itu e em Ribeirão Preto.

Gente que só não saiu frustrada  do estádio paulistano porque viu o Santos lutar até virar contra o Rio Claro, um dos lanternas do Paulistinha.

Jackson abriu o placar para o time do interior, aos 39 do primeiro tempo, e André empatou aos 25, fruto de uma jogada entre o veterano Giovanni e o baixinho Mádson, que haviam entrado exatamente para tentar salvar a lavoura.

E Giovanni, de cabeça, aos 45, em linda jogada de Neymar ao driblar um zagueiro adversário e deixá-lo descadeirado, fez o gol da virada: 2 a 1.

Robinho teve três chances claras de gol: na primeira, furou; na segunda, finalizou fraco e na última, já nos acréscimos, obrigou o goleiro rival a fazer ótima defesa.

Está claramente sem ritmo de jogo, há tempos que, de fato, não joga.

Menos mal que Neymar, e o velho Giovanni, aos 38 anos, resolveram.

E o time que foi vaiado no intervalo, e teve um pênalti não marcado a seu favor, saiu aplaudido no final, líder isolado do campeonato, com o ataque mais positivo.

Por Juca Kfouri às 18h54

Ronaldinho Gaúcho divide

Com quase 2500 opiniões, 51% apoiam Dunga na não convocação de Ronaldinho.

Mas ponderáveis 49% discordam do treinador.

Há quem jure que Dunga irá chamá-lo na última convocação, porque sabe bem do que ele é capaz.

Mas do mesmo modo há quem jure que Dunga não correrá o risco de contaminar o grupo.

Tudo bem dividido, como se vê.

Por Juca Kfouri às 12h14

Leia antes de se alimentar

Do blog do brilhante jornalista Dacio Malta:

Ministro da tapioca cala para manter boquinha

A foto oficial do ministro. De boca fechada.

A foto oficial do ministro. De boca fechada.

No dia 1º de fevereiro, esse blog postou o seguinte texto com o título “Qual será a posição do ministro?”
“Esse blog enviou, essa manhã, as assessoras de imprensa do ministro Orlando Silva -  Maria José Mundin e Marcia Oliveira Gomes  - as seguintes perguntas para serem respondidas pelo ministro do Esporte:
1. O que o senhor achou da contratação do ex-premier Tony Blair para ser consultor das Olimpíadas de 2016?
2. Qual a sua opinião sobre o ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha?
3. Quando o senhor embarcou para Londres, já sabia dessa agenda com Tony Blair, ou foi surpreendido?
4. O senhor comunicou ao seu chefe, o Presidente Lula, de que participaria desse encontro?
5. Os dirigentes de seu partido, o PCdoB , foram informados previamente?
6. O sucesso das Olimpíadas depende da consultoria de Blair?
7. Pelo o que diz o governador Cabral, um grupo de empresários pagará as despesas dessa assessoria. Não existe nenhum outro item mais relevante, no orçamento, que poderia se pago por esse grupo de empresários?
8. O senhor não seria mais útil às Olimpíadas de 2016 se fosse detentor de um mandato popular, como o de deputado federal, já que seria na Câmara o porta-voz natural dos interesses olímpicos do país?”
Passados 13 dias, o ministro Orlando Silva nada respondeu, embora tenha, com certeza, recebido as perguntas.
O ex-presidente da UNE se comporta mais como um secretário de Sergio Cabral, do que como um ministro do Presidente Lula. E por isso ele não responde. Na verdade, ele não tem o que dizer.
Político sem voto, Orlando Silva de Jesus Junior, que adotou, políticamente, o nome do “Cantor das Multidões”, decidiu pegar a boquinha das Olimpíadas e está feliz da vida.
Conseguiu um emprego que vai até 2016 - isso é mais do que o mandato de um governador ou de um presidente. E o melhor, sem ter a chateação de prestar contas a quem quer que seja.
Aliás, prestar contas nunca foi o forte do ministro.
Até o episódio dos cartões corporativos, pouco se ouvia falar nele. Até o dia em que foi descoberta a farra dos cartões, quando chegou a pagar uma tapioca de R$ 8,30, com dinheiro dos cofres públicos.
A tapioca foi a ponta do iceberg.
Depois, viu-se que, dentre todos os ministros, ele tinha sido o terceiro que mais utilizara o cartão.
Só em um jantar em São Paulo, na região dos Jardins, o  ministro pagou uma conta de R$ 485,05, em um restaurante, onde o valor médio de uma refeição é de R$ 150,00. O pior é que, nesse dia, não constava de sua agenda nenhuma atividade em São Paulo.
Certo dia, a agenda dizia que o ministro ficaria em Brasília em despachos internos. Mas ele gastou nessa data R$ 196,23 em uma churrascaria do Rio. Descobriu-se que ele pagara hotel para a esposa, a filha e a babá, durante um final de semana na cidade sede das Olímpiadas de 2016.
Menos de 24 horas depois que a colega Matilde Ribeiro foi exonerada, por uso abusivo do cartão, Orlando Silva, em pleno sábado de Carnaval, convocou a imprensa para fazer um anuncio em tom solene: estava devolvendo aos cofres publicos, de uma só vez, não apenas a tapioca, mas tudo o que havia gasto com o cartão de crédito corporativo: R$ 30.870,38.
E assim salvou o pescoço.
Pode-se dizer que isso nada tem a ver com a visita que ele fez a Tony Blair.
Tem sim, pois assim como ele falseava o cartão – tanto que devolveu tudo o que gastou – ele falseia o governo a quem serve, e falseia o seu próprio partido, o PcdoB.
Quando Orlando Silva foi chamado a depor na CPI dos cartões, o ministro reclamou das distorções da imprensa:
“Tomei a decisão de recolher aos cofres públicos todas as despesas utilizadas por mim com os cartões corporativos. Foi uma atitude política, um gesto político, que refletiu a minha indignação. Eu percebi que havia uma escalada na distorção de informações que envolvia a minha própria reputação e a minha família. O meu patrimônio é minha família e minha história política. Não poderia tolerar ataques à minha honra, minha ética”.
Para que não houvesse novas “distorções” sobre o pensamento do ministro, esse blog enviou as perguntas.
E por que ele não responde?
Porque teria que discordar de Sergio Cabral. E isso ele não faz, pois quer a boquinha de autoridade olímpica durante os próximos seis anos?
Quem se dispõe, por livre e expontânea vontade, a tomar chá com Blair, além de sorrir para fotos e apertar a mão de um facínora, está disposto a tudo.
Ter Tony Blair como consultor das Olimpíadas será muito ruim.
Mas ter Orlando Silva como gestor das Olimpíadas do Rio será péssimo.
O Rio não merecia isso.
Apesar de jovem, o ex-presidente da UNE representa o que existe de mais atrasado na política brasileira.
O ministro também é o responsável pela requisição do Palácio Gustavo Capanema, onde quer instalar o seu gabinete de trabalho, quando estiver morando no Rio.
Até Carlos Nuzman já tirou o corpo fora. Disse que não conhecia as instalações e nada tinha a ver com essa idéia.
Já o ministro continua calado.
Se perder o emprego terá de disputar votos para que possa continuar na vida pública.
E eleição, pelo jeito, é o tipo de esporte que Orlando Silva prefere distância.

http://youpode.com.br/blog/alguemmedisse/2010/02/13/ministro-cala-para-nao-perder-boquinha

Por Juca Kfouri às 12h06

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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