Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

23/12/2009

Nuzman é genial

O presidente do COB, Carlos Nuzman, disse ontem que manterá o sistema de votação popular para eleger o atleta e a atleta do ano.

Neste ano, a judoca Sarah Menezes, bicampeã mundial júnior, ganhou de Poliana Okimoto, campeã mundial de Maratona Aquática, que venceu nove das 11 etapas da competição e obteve um título inédito na história do esporte brasileiro.

A judoca, que é piauiense, foi objeto de campanha da prefeitura de Teresina e do governo do Estado para receber 46% dos mais de 375 mil votos da "eleição".

A óbvia distorção será mantida, porque segundo o genial Nuzman, "o Cristo Redentor foi eleito uma das sete maravilhas do mundo pelo mesmo sistema".

Não são mesmo coisas idênticas?

Uma questão de gosto versus uma avaliação de façanhas...

Dê a sua opinião aí do lado esquerdo, em nossa sondagem que também não tem nenhum valor científico, embora, ao menos, tente impedir que se vote mais de uma vez, diferentemente da jeito de fazer as coisas do COB.

Será que o Piauí voltará a votar em peso?

Por Juca Kfouri às 10h23

Uma mulher para botar ordem na casa do Flamengo

"Não subestimem a força de uma mulher. Garanto que o Flamengo será maior do que é hoje", disse ontem à noite, em sua posse na Gávea, a primeira presidenta do Flamengo, a ex-nadadora Patrícia Amorim.

Tomara que ela esteja certa.

Porque por dessas curiosidades do destino, Flamengo e Corinthians, os dois clubes mais populares do país, são também, historicamente, dois dos mais mal administrados clubes do país.

Tanto que o Flamengo tem uma dívida que supera a casa dos 300 milhões de reais e o Corinthians tem outra que passa dos 100 milhões.

E se o Flamengo tem mais mercado pelo país afora, o Corinthians tem mais torcida no maior mercado do Brasil, razões suficientes para que os dois clubes vivessem bem melhor.

Porque ganhar títulos não é o mais difícil.

Difícil é pagá-los. 

Por Juca Kfouri às 10h07

22/12/2009

Você sabia?

Você sabia que a vitória de Lionel Messi no prêmio da Fifa foi a maior da história da premiação?

Pois é.

Eu também não sabia, mas Marcel Pilatti sabia e informou: o argentino livrou 721 pontos sobre o segundo colocado, o português Cristiano Ronaldo (1.073 pontos a 352).

A maior diferença até então aconteceu em 2005, quando Ronaldinho Gaúcho teve 956 pontos contra 306 de Lampard, diferença de 650 pontos.

Por Juca Kfouri às 15h49

Chegou o salvador da pátria

Por ALBERTO MURRAY NETO

Chegou o salvador da pátria ôô, chegou o salvador da pátria ôa!

Foi assim, parodiando versos carnavalescos que o Comitê Olímpico Brasileiro anunciou aos quatro ventos a contratação do super Steve Rush e de sua consultoria norte americana, a TSE/Consulting.

Naquele debate havido no Senado Federal, em que o presidente Nuzman retirou-se do recinto, seu substituto na mesa, acuado pelas perguntas dos senadores, tentava explicar que um dos grandes legados do Pan Americano teria sido o know how adquirido por brasileiros em organizar competições de grande porte.

Ora, o ex-jogador de vôlei sentado ao meu lado, levantou a bola de maneira tão perfeita, que não me restou outra opção que não cortá-la e fazê-la explodir no chão da quadra adversária.

Ao ouvir aquele comentário do representante do COB, eu retruquei sem pestanejar:

"Ora, se vocês aprenderam com o Pan a organizar eventos de grande porte, por que razão contrataram a empresa suiça EKS, a peso de ouro, sem licitação pública, para prestar assessoria para a campanha olímpica?".

Uma moça que estava sentada na platéia olhou para mim e sorriu.

Os senadores sacudiram a cabeça positivamente. E não houve resposta da outra parte.

Pois é, o COB adora contratar consultoria no exterior.

Agora quem vem por aí é o Mister Steve Roush, ex-diretor de alto rendimento do Comitê Olímpico dos Estados Unidos ("USOC") e sua empresa de consultoria TSE/Consultings.

Ele vem para alavancar os resultados olímpicos em 2.012 e 2.016.

Além de seus conhecimentos olímpicos que nos farão virar potência, o Mister Roush vai trazer a mulher barbada, um doberman albino e o homem de três pernas, além de uma belíssima loura que vai cortar em três pedaços dentro de uma caixa e depois do olhar atônito dos nossos pajés olímpicos, retirá-la do mesmo caixote sem um arranhão sequer.

Além de dar conselhos olímpicos, Mister Roush também entortará colheres com a força de seu pensamento e tirará um ornitorrinco de dentro de um ovo de cordorna.

Vamos passar a chamá-lo de o Mago Steve Roush, aquele que em um passe magistral de ilusionismo, transformou o Brasil em potência olímpica.

Não interessa se não temos esporte nas escolas.

Mister Roush não quer saber se o país tem alguma política esportiva de longo prazo levada a sério pelo governo federal, que possibilite o esporte para todos.

Mago Roush fará do Brasil um celeiro de medalhistas, com a mesma simplicidade com que transformará um lenço em um pombo branco.

Afinal de contas, Mister Roush esteve à frente da equipe norte americana em três edições olímpicas.

E ainda afirmou, na nota divulgada à imprensa, que "o cenário esportivo brasileiro atual é muito semelhante a situação que encontrei nos Estados Unidos em 1.999".

O Mago tem razão.

Em 1.999, assim como no Brasil, somente 12% das escolas públicas dos EUA tinham algum tipo de quadra esportiva.

Os "elefantes brancos" construídos pelo USOC apodreciam por falta de uso.

O povo não tinha acesso aos esportes.

As universidades padeciam pela falta de organização esportiva. 

Os atletas norte americanos deixavam de viajar por falta de dinheiro.

Tinha medalhista olímpico recebendo pouco mais de US$ 500 (quinhentos dólares) por mês para treinar e viver. 

Em 1.999, seguindo a brilhante coerência de pensamento do Mister Roush, as atividades esportivas no seu país de origem eram paupérrimas, assim como o são no Brasil atual.

A história do esporte dos EUA divide-se antes e depois do Mister Steve Roush.

Mesmo com aquela pobreza, já no ano seguinte, sob os auspícios do Mister Roush, os Estados Unidos tornaram-se, nos Jogos de Sydney, uma potência olímpica.

Que coisa estupenda esse Mister Roush!

É uma pena que, ao contrário do que afirmou o representante do COB no Senado Federal, não tenhamos no Brasil alguém capaz de cumprir esse papel para o qual foi escolhido o Mr. Roush.

Certamente, o Mr. Roush vai ensinar as Confederações de levantamento de peso, esgrima, canoagem, remo, tênis, tênis de mesa, rugby, golfe, ginástica a formar medalhistas.

Será esse Mago estadounidense de grande utilidade para o esporte brasileiro.

O Mago e sua consultoria serão pagos com dinheiro do povo, que recheia os cofres do COB.

Se ele foi contratado com licitação pública, como obriga o artigo 4 do decreto que regulamenta a lei Piva, o COB não divulgou em sua nota à inprensa.

Também não divulgou o valor do contrato.

Isso será, portanto, matéria para o Ministério Público Federal.

Qual será a próxima super contratação do COB?

Se não der certo com esse Mister Roush, ali na Barra Funda tinha a placa de um mágico argentino radicado no Brasil, que se via da rua.

É o Lipan Magic Show. Deve ser bem mais baratinho.

Por Juca Kfouri às 13h00

O COB sem critérios

O COB precisa rever seus conceitos.

Há que separar a escolha técnica da popular e, nesta, ao menos, impedir repetição de votos

A escolha da atleta do ano acabou pegando mal e prejudicando a própria vencedora, que é ótima, mas que foi beneficiada por uma campanha demagógica e sem sentido do governador do Piauí.

Não há como comparar as façanhas da judoca Sarah Menezes com as da nadadora Poliana Okimoto em 2009.

Resultado: uma Sarah constrangida e uma Poliana injustiçada.

Por Juca Kfouri às 12h52

O futebol e a sucessão presidencial

"Eu não sei se dois Coutinhos, dois Tostões... se saem bem no mesmo time", disse o presidente Lula em um café da manhã com os jornalistas que cobrem o Planalto.

Ontem foi um dia esportivo na vida do presidente da República.

Depois de mais uma metáfora futebolística em Brasília, o presidente voou para o Rio, onde inaugurou a estátua do grande João Saldanha no Maracanã e, no Maracanãzinho, entregou a César Cielo o troféu de atleta do ano.

Mas, desta vez, Lula não foi feliz na metáfora do futebol, em referência à sua dúvida sobre se uma chapa tucana puro sangue, com Serra e Aécio pudesse dar certo.

E não foi feliz por duas razões muito simples.

A primeira é que qualquer time se daria muito bem se tivesse dois Tostão ou dois Coutinho.

A segunda é que a única coisa que Serra e Aécio têm em comum é o fato de serem tucanos.

De resto, são tão diferentes que são quase antípodas.

Ou complementares, diria um tucano otimista.

Serra respondeu dizendo que  adoraria que seu time tivesse dois Ademir da Guia.

E tem razão.

Mas quem tem mais de 72% de aprovação é o "técnico" Lula.

Vá convencê-lo de que sua metáfora foi infeliz.

Por Juca Kfouri às 00h09

21/12/2009

O Ranking da Esquerda

Por ROBERTO VIEIRA
 

A eleição de Marta e Messi como os melhores do mundo prova que, pelo menos no futebol, a esquerda chegou ao poder. 

Mas quais seriam os maiores canhotos da história? 

Qual o ranking dos melhores pés esquerdos do futebol?  

Excetuando-se Pelé, Di Stéfano e Bobby Charlton por serem ambidestros. 

1. Maradona 

2. Marta 

3. Rivaldo 

4. Puskas 

5. Rivelino

6. Tostão 

7. Gérson 

8. Gento 

9. Kempes 

10. Messi 

Por que Messi em décimo? 

Porque ele é melhor que Resenbrink e Overath. 

Por que Marta em segundo? 

Porque falta um título mundial pra ela superar Maradona...  

Por Juca Kfouri às 21h41

Marta é a cara

AFP

Marta ganhou pela quarta vez seguida.

Jamais alguém foi premiado tantas vezes consecutivamente pela Fifa.

Marta é como Pelé foi.

Não há no mundo alguém que jogue como ela, que seja tão melhor que seus concorrentes.

Sem machismo, é uma pena que Marta não seja homem.

Por Juca Kfouri às 21h37

Vagner LoveXPalmeiras$Flamengo

O Palmeiras acertou ao repatriar Vagner Love do futebol russo.

Mas Vagner Love errou ao voltar porque mais pareceu um sonâmbulo em campo.

Como erraram os que quiseram agredi-lo e lhe deram o argumento final para cair fora.

O Flamengo corre grande risco ao investir nele.

Mas tem o crédito de ter se dado muito bem com Adriano e Petkovic.

Parece que o manto sagrado opera milagres.

E que, agora, ele poderá usar trancinhas rubro-negras para ser absolvido no STJD...

Por Juca Kfouri às 13h44

Quem com ferro fere...

...ou pimenta no olho dos outros é refresco.

Escolha o adágio, qualquer um dos dois serve, mas a pergunta é:

E o Oscar vai para?

Não se sabe.

Sabe-se que no São Paulo ele não quer ficar, tanto que conseguiu sua liberação na Justiça do Trabalho.

Ao que tudo indica, seus representantes (Kia Joorabchian entre eles?) se aproveitaram de um vacilo no contrato do clube com o jogador, exatamente como já fez o São Paulo com outros atletas.

Escolha o ditado.

Só não vale aquele do ladrão que rouba ladrão, porque não é o caso.

Por Juca Kfouri às 11h31

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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